Paraíso Proibido

1 Capítulo 1. Encrencada - I


Notas iniciais
Bem, essa é a primeira história que estou postando. Pode ser a primeira de muitas, só vai depender do incentivo de vocês ^-^ isso me ajuda bastante (não só elogios como críticas também, pois quero estar sempre melhorando - mas sejam educados, nada de insultos, por favor). Essa fic eu já tinha escrito há um bom tempo atrás, mas com outros personagens, então resolvi adaptá-la melhor, corrigir alguns erros e acrescentar algumas coisas, e postá-la como meu ponta-pé inicial aqui no Nyah :) Ela está revisada, li e reli várias vezes, mas de qualquer forma, me perdoem se ainda houver algum erro. Espero que gostem! Boa leitura. (E, se puderem, leiam as notas finais ^-^) *A história vai conter homossexualidade (yuri, garota/garota), cenas de sexo entre garotas também mais pra frente, então se você NÃO GOSTA da temática, por favor, nem prossiga com a leitura, pois não vou aceitar xingamentos e insultos, comentários de baixo calão serão ignorados.

Inúmeras vezes eu ouvi pessoas dizendo que grandes amores começaram como pequenas amizades. Presenciei casos de pessoas casadas há mais de trinta anos que começaram como melhores amigos ainda no ensino fundamental e até hoje viviam juntos. Nunca acreditei muito, parecia romance literário. Até que a maldição caiu sobre a minha cabeça – ou melhor, sobre o meu coração. Eu, Fernanda Nogueira, que me julgava tão impenetrável, achando que essa coisa de amor-para-toda-vida era um mero clichê literário. Como eu estava enganada.

Ísis Vasconcelos. Era esse seu nome. E também era o motivo das minhas noites em claro, o motivo do meu coração bater mais forte. Éramos amigas desde a oitava série, que foi quando nos conhecemos. Izie é o tipo da pessoa fácil de se lidar e fácil de se apaixonar por. Ela sempre fora amável, doce e super atenciosa, era aquele tipo de amiga que daria os dois braços e as duas pernas por você e eu não duvidava disso, nunca.

Não foi difícil eu me apaixonar por ela, o mais difícil foi lidar com a realidade. Realidade esta que me fez chorar por horas e ficar com uma baita dor de cabeça: Ísis era homossexual. Ela se assumiu no primeiro ano do colegial, um ano depois de nos conhecermos. Quando ela fez essa revelação eu já havia começado a nutrir algo por ela, só não sabia nomear aquele sentimento porque eu nunca havia me envolvido com garotas e nem sequer cogitado isso, então era muito estranho para mim lidar com aquele sentimento e assimilar todos os acontecimentos.

Você deve estar pensando: "Mas, se você gosta dela e ela é gay, por que isso é tão ruim? Por que não conta à ela?" Era aí que estava: eu não podia. Não podia porque eu simplesmente não sabia lidar com o que sentia por ela, era algo que ia totalmente contra as minhas regras e batia de frente com tudo o que eu sabia. Era difícil estar perto dela e não querer abraçá-la, ouvi-la me chamar de Fê e me dar um beijo no rosto. Eu queria ela por perto o máximo de tempo possível.

Os pais dela sempre souberam de sua orientação sexual, mas ela demorou um pouco para compartilhar isso com suas amigas com medo da repercussão que isso teria dentro do colégio. Na verdade, não foi um reboliço tão grande. Quer dizer, Ísis era simplesmente linda – seus cabelos avermelhados até o meio de suas costas, sempre rebeldes e jogados de um jeito que não ficaria bem em outra pessoa, apenas e exclusivamente nela; a pele branquinha, os olhos de um azul quase como duas safiras refletidas à luz do sol, a boca redondinha e os lábios cheios e formosos, tão beijáveis que eu não conseguia evitar umedecer meus lábios quando os olhava de perto, e seu sorriso então era arrasador, os dentes branquinhos e perfeitamente alinhados; ela era pouca coisa mais alta que eu com meu metro e sessenta e dois, e seu corpo era magro e curvilíneo, mas um magro bonito e proporcional, que combinava com suas curvas, sem deixar nada por de mais ou por de menos. Por este fato, os caras babavam por ela dentro do Colégio Hermano Ferreira de Assunção, e para eles foi realmente uma decepção saber que ela era gay. Mas, por outro lado, garotas que eu jamais suspeitava que eram gays ou bissexuais logo se revelaram e começaram a "atacar" Ísis. Eu me obrigava a virar a cara cada vez que alguma piranha chegava perto dela, era demais pra eu suportar, me enojava a ponto de fazer minhas tripas se remexerem dentro de mim – era um nojo de verdade mesmo. Agora, na faculdade, não era diferente.

Eu pensava que pudesse ser impossível Izie ficar mais bonita do que já era, mas cada dia que passava parecia que ela mudava um pouco mais – e para melhor. A postura, o olhar, o sorriso, os gestos, o carinho comigo e com as meninas – principalmente comigo, pois eu percebia que ela ficava bem mais à vontade ao meu lado –, tudo tendia a aumentar e isso não era nada bom ao meu coração fraco por ela. Pior foi quando ela começou a fazer academia. Prefiro nem lembrar, foi um tiro duplo de canhão no meu peito, ver ela com aquelas roupas apertadas que deixavam seu corpo simplesmente perfeito, os tops que deixavam sua barriguinha lisinha exposta. E as meninas se divertiam com a minha desgraça, pois não demorou muito para que soubessem do meu "tombo" por ela – graças ao bom Deus eu consegui convencê-las a calarem a boca com relação a isso.

Alisson e Amanda eram ótimas amigas, mas a única que eu poderia dizer que era a minha “amiga mais chegada”, era Claire. Ela estava comigo sempre e em todos os momentos, difíceis ou fáceis, era sempre ela que me apoiava. Ísis, por outro lado, era a verdadeira figura de melhor amiga pra mim, porque apesar de eu conhecer Claire há mais tempo, desde que Ísis chegou sempre fomos como unha e carne, onde eu estava ela estava junto, e tínhamos vivido muitos momentos juntas. O único problema de Claire era que, muitas vezes ela tentou me incentivar a conversar com Izie, dizer a verdade à ela, mas eu fazia o possível e até o impossível para me esquivar desse assunto, só que ela não se tocava que isso me deixava irritada, mas ainda assim ela sempre dava um jeito de me prensar contra a parede.

– A Ísis é gay, Claire! – um dia eu explodi com a insistência dela. – Gay. G-A-Y! E eu não sei lidar com isso, eu não sei lidar com o que eu sinto por ela, já te falei, pare de insistir! Qual parte disso você não entendeu? Você tem merda nessa tua cabeça oca?

Ela me encarou com os olhos semicerrados.

– Se minha cabeça é oca, como posso ter merda nela? – perguntou. Revirei os olhos e grunhi, enfiando a cara no travesseiro. Estávamos todas em minha casa naquele dia, jogando papo fora depois de um banho de piscina e um almoço delicioso. Ela riu. Sempre ria de tudo, tudo era cômico pra ela! Saco.

E o assunto se encerrou. Poucas vezes depois ela tentou voltar a falar sobre isso, mas meu olhar assassino sempre tratava de encerrar a conversa. Ótimo, melhor assim.

E mais trezentos e sessenta e cinco dias de tortura se passaram. Estávamos indo para o segundo ano da faculdade. Eu não sei se por sorte ou azar, ou se simplesmente era para ser assim, mas eu e Izie fomos para a mesma faculdade, assim como todas as outras meninas, só não para o mesmo curso. Ela cursava Moda, junto com Claire, e eu Design de Interiores, junto com Alisson, e Mandy cursava Medicina.

Certo dia, quando estávamos Ísis e eu no intervalo curto das aulas – as meninas ainda estavam em prova –, notei que ela parecia preocupada com algo. A principio eu não sabia se devia me meter em seus assuntos, então fiquei quieta. Mas a impaciência dela estava me deixando impaciente também e eu não pude evitar perguntar:

– Aconteceu alguma coisa, Izie?

– Eu preciso falar com você, Fê – ela disse ao mesmo tempo em que perguntei. Nós rimos disso.

– Diga – incentivei com um sorriso. – Parece preocupada.

– E eu estou um pouco. Muito, na verdade – ela murmurou com as sobrancelhas unidas. – São os meus pais.

– O que tem os seus pais? – perguntei cautelosa.

– É que... – ela respondeu unindo as mãos nervosamente, parecia incomodada com o que tinha para dizer.

– O que houve? – comecei a me preocupar. O que poderia ter acontecido de tão grave para ela estar tão preocupada?

– Eu estou com sérios problemas. Meus pais perguntaram se eu estava namorando, e... bom, eu disse que sim, para não decepcioná-los – ela me olhou com uma cara sofrida que deu até dó. – E agora estou bem encrencada.

– Mas você está namorando? Ou não? – perguntei um pouco confusa, e com medo da resposta. – Não compreendo, Izie. Por que isso te encrencaria?

– Não, eu não estou namorando com ninguém. Mas eles pensam que eu estou, porque eu menti. Entendeu?

– Ta, mas... – apertei os lábios. – Mas por que mentiu? Podia simplesmente ter dito que não tinha ninguém.

– Eu sei Fê, é que... tive medo de que eles ficassem decepcionados, você sabe, eu nunca apresentei sequer uma namorada para eles, porque eu nunca tive uma, só garotas com quem eu fiquei sem compromisso, e eu vejo como eles ficam decepcionados porque, ainda mais com a minha orientação sexual, eles devem achar que eu nunca vou me estabelecer e criar raízes com alguém, ter uma família. Eu quero que eles tenham orgulho de mim, Fê. Não gosto de vê-los tristes...

– Bem, é... uma situação meio complicada mesmo – comentei pensativa. – Mas se você mentiu, agora vai ter que levar essa mentira adiante, não é? Se voltar atrás e dizer que mentiu para eles não ficarem chateados, isso só os chatearia mais ainda. Não devia ter feito isso, Izie. Sério — torci o canto da boca, preocupada com a situação em que ela se metia.

– Eu sei, acho que não pensei direito na hora, foi tudo tão de repente... O problema é que essa bola de neve já cresceu muito e eu não vou mais conseguir fazê-la parar agora – ela murmurou olhando para as mãos.

Uni as sobrancelhas, encarando-a.

– Como assim?

– É que... – ela respirou fundo e me olhou com culpa. – Quando eu disse que namorava eles quiseram saber o nome da garota. E eu... eu disse... d-disse que era... "Fernanda"... Você.

Meu queixo foi ao chão e meus olhos quase saltaram das órbitas. Ela disse o que! Não, espera...

– Eu? De jeito nenhum! Ísis, pelo amor de Deus, você não fez isso... – eu disse perplexa.

– Eu fiz – ela apertou os lábios. – Eu sinto muito.

– Ai, eu não acredito – passei a mão pelo meu cabelo, nervosa. – Por que, Izie? Por que você me colocou no meio disso? Eu... Eu não consigo entender, de verdade, não faz o menor sentido isso. Por que eu? Por que não disse qualquer outro nome?

– Me desculpe, Fê! Eu estava apavorada! – ela disse nervosa. – Eles ficaram me pressionando e... e-eu não sei, o seu nome foi o primeiro que veio à mente. Mas essa não é a pior parte...

– Meu Deus... Não sei se quero ouvir a pior parte – murmurei olhando-a apreensiva.

– Eu tive que ouvir – ela respondeu com uma careta. – Meus pais vão fazer um jantar amanhã. E querem que eu leve a minha “namorada” – ela fez aspas com os dedos – para conhecê-los. Não me olhe com essa cara!

– Não, não e não! Não, Ísis! O que... Você não está pretendo me levar, está? Olha, eu sou sua amiga, te apoio em tudo o que precisar, mas isso... De jeito nenhum, está fora de questão, sem chances!

– Por favor, Fêzinha, você tem que me ajudar! Eu estou em pânico, não vê? Se eu não levar minha suposta namorada amanhã nesse jantar, eles vão descobrir toda a minha farsa e eu vou deixá-los tão triste que não serei capaz de me perdoar nunca mais! – ela disse desesperada.

– Que descubram a sua farsa, eu não ligo! Em primeiro lugar, você não devia nem começado com isso, está bem? Essa sua atitude foi completamente estúpida e impensável! – eu sabia que estava sendo rude com ela, mas não conseguia evitar, estava elétrica e com raiva por essa situação. Só de pensar que teria de fingir ser a namorada dela, quando de todo o meu coração eu queria que aquilo fosse a mais pura realidade... Era impossível, eu não podia fazer isso! Ela me olhou chateada e meu coração se apertou de um modo terrível. Suspirei, tentando pensar e agir com coerência. – Desculpe Izie, eu não quis dizer essas coisas, eu... Eu estou apavorada. Como quer que eu finja ser sua namorada? Isso é demais, sério. Demais porque não vou saber como agir diante de seus pais, vou parecer uma perfeita idiota!

– Por favor, Fernanda, por favor, eu te imploro, eu suplico. Me ajude... Eu sei que foi estupidez minha, mas agora já está feito! Eu fui idiota achando que isso seria muito simples de se resolver...

Meu coração doía quando ela fazia aquela carinha. Por que eu? Por que não a Ali, por que não a Claire, a Mandy? Droga! Se ela estava encrencada, imagine eu. Não acredito que estou cogitando aceitar essa ideia maluca, não acredito mesmo!

– Izie, olhe...

– Por favor, Fê – ela repetiu chorosa. – É apenas uma noite. Você não vai ter que ficar me agarrando ou me beijando, não vai ter que encenar nada ou fazer pose de namoradinha, não exatamente. O máximo que vou pedir é que fique perto de mim durante o jantar e que haja como se tivéssemos algo além da amizade. Sem exageros, eu prometo.

Você não vai ter que ficar me agarrando ou me beijando. Eu queria tanto ter que fazer aquilo! Fazer de verdade, não por fingimento e fachada.

– Eu não sei, Ísis. E se não der certo? – eu estava começando a ceder, e ela percebeu, pois seu rosto já se iluminou. – Sabe, eu sou uma péssima atriz, já vou deixando bem claro. Depois não vem colocar a culpa em mim se formos desmascaradas!

– Não vamos ser desmascaradas coisa nenhuma. Já disse que vai ser uma encenação básica. No máximo braços dados e alguns sorrisos, é o suficiente. Já disse que não vai ter que ficar me agarrando ou essa coisa toda melosa que casais de verdade fazem. O jantar vai durar pouco e então você poderá ir embora, eu mesmo a busco e a levo de volta para casa. Por favorzinho? – ela me encarou com os olhinhos brilhosos suplicando por ajuda.

Respirei fundo algumas vezes. Eu era tão estupidamente apaixonada por ela! Eu ia topar aquela loucura, Deus que me ajudasse!

– Está bem! — joguei as mãos, vencida, derrotada. – Está bem. Eu vou! Mas...

– Obrigada, Fê! Obrigada, obrigada, obrigada! Eu vou ficar te devendo uma, de verdade! – ela me abraçou feliz da vida. Suspirei.

– Mas é bom que esse jantar dure pouco mesmo! Não sei por quanto tempo vou sustentar essa farsa, então é melhor prevenir – tratei de dizer.

– Não se preocupe, o jantar não vai ser longo – ela me assegurou, me olhando com um sorriso de orelha a orelha. Eu fazia de tudo por aquele sorriso...

– Seremos somente nós e seus pais, não é? – perguntei devagar.

– Sim, apenas – ela respondeu.

– Ótimo.

Minha cova eu já havia cavado há muito tempo atrás, mas agora acabei de encomendar de vez meu caixão. E, para fechar com chave de ouro, agora só faltava mesmo o tiro certeiro e a mão para me enterrar a sete palmos. Eu não estava gostando nem um pouco daquela ideia...

Notas finais
É isso. Se gostaram, se querem que eu melhore algo, por favor, deixem um comentariozinho que seja, não demora nem dois minutinhos e faz bem pro coração da escritora ^-^ prometo cuidar bem de todos os reviews s2 Só mais uma coisa: essa fic ainda está em andamento, ainda estou escrevendo ela e tenho poucos capítulos concluídos, então não vou poder postar com a frequência que eu gostaria, espero que entendam :/ mas é claro que não vou deixar essa fic largada. Obrigada a todos que leram! Até logo ;*