Paraíso Proibido

2 Capítulo 2. Encrencada - II


Notas iniciais
Esse capítulo é uma continuação do primeiro, como o próprio título já sugere, tive que separar porque se não ficava muito muito muito grande (mais do que já achei que ficou :x). Já resolvi postá-lo na sequência para não ficar nada faltando ^-^ Boa leitura!

No dia seguinte, tentei a todo custo conter meu nervosismo, mas estava tão malditamente visível que as meninas acabaram descobrindo tudo. Claro que eu não contei a elas sobre eu ter que fingir ser namorada da Izie naquele jantar, mas ainda assim Claire não poderia ter ficado mais feliz, e Ali e Mandy não menos, porém o caso é que elas não viam o problema da situação. Depois que ficou sabendo, Claire não parou de tagarelar, dizendo que era a oportunidade perfeita para que eu falasse tudo o que eu sentia à ela.

– Quem sabe você não fica bem bêbada e fala tudo pra ela! – ela disse saltitante.

Revirei os olhos. Claire as vezes parecia que não estava na mesma órbita que eu, ou ela sentia tesão em ser idiota, só pode.

– Claire, é um jantar em família. Eu lá tenho cara de garota que fica bêbada em um jantar de família? Se toca – dei um tapa na cabeça dela. E ela ria da minha cara.

– Os pais da Izie são bem ricos, você sabe, se eles forem daqueles coroas que só tomam vinho de trezentos dólares pra cima, há algumas chances de você ficar bêbada – ela explicou com um sorriso bobo na cara.

– Claro, até porque eu ia tomar a safra inteira deles! – outro tapa.

– Como você está mal-humorada! – ela reclamou, mas ainda sorria. – Eu sei o que é isso, mas nem vou me atrever a falar, porque se eu falar você vai me dar outro tapa na cabeça e eu já está ficando dolorido.

– É melhor nem dizer mesmo! Já tenho uma ideia do que vai falar e para o seu bem é melhor que fique com essa boca grande bem fechada – retruquei e nós rimos. Porque se ela falasse que eu estava sofrendo de abstinência, eu ia esganá-la...

Aquele dia de faculdade passou devagar. Foi um verdadeiro martírio. Quanto mais perto chegava o momento em que eu teria que passar a noite fingindo ser a namorada da garota dos meus sonhos, mais minhas mãos tremiam e suavam. Toda vez que eu ouvia a palavra “jantar” eu quase desmaiava – e, de repente, a faculdade inteira deu pra pronunciar a bendita. “Vamos jantar lá em casa hoje?”, “Que tal se pegarmos um cinema e depois jantarmos na casa de fulano?”, “Hoje tem um jantar especial lá em casa. Quer ir?”, “Por que não jantamos na sua casa? Depois podemos fazer uma festinha do pijama e passar a noite assistindo filmes! O que acha?”, e daí pra pior. Jantar, jantar, jantar...

Quando chegou no final da tarde, encontrei Ísis no estacionamento e minhas pernas nunca tremerem tanto, tive que me apoiar em meu carro com o meu melhor sorriso.

– Falei com meus pais ontem – ela disse meio sem graça. Ela ficava tão lindinha com aquelas bochechas rosadinhas... – Disse que você aceitou ir no jantar. Não desistiu, não é?

Respirei fundo. Foco, Fernanda. Puxa, solta, puxa, solta. Respira bem fundo...

– Não – sorri. – Você disse que ia me buscar, não é? Posso ir com o meu carro se for o caso.

– Não, eu vou te buscar e te devolver em casa – ela disse sorrindo. – Não se preocupe com isso. É até um pretexto, sabe? Assim se você estiver muito cansada, eu digo que vou te levar pra casa e que você está sem carro, porque se você fosse dirigindo, minha mãe provavelmente diria: “diga para ela ficar aqui, ela está de carro mesmo, de manhã ela vai embora” – ela falou com um sorriso travesso.

– Acho que entendi – brinquei sorrindo. A ideia de dormir na mesma casa que ela fez borboletas se revirarem no meu estomago. Definitivamente não. – Então, tudo bem. Que horas você vai passar lá?

– Bom, eu... – ela foi interrompida pelo celular que tocava. – Só um minuto. Alô? Ah, oi pai. Sim, me lembro. Vai, estou falando com ela agora mesmo. Aham – então ela arregalou os olhos e me encarou. Não gostei disso. – Ahn, eu... Eu entendi sim. Tudo bem, eu falo, er. Está bem, até daqui a pouco, tchau – ela desligou e continuou me encarando em silêncio.

– O que é? – perguntei já assustada. – Fale de uma vez!

– É que... Lembra quando eu disse que íamos ser apenas nós? – assenti. – Então. Não será mais. Meu pai, bem... ele convidou alguns amigos do comitê de recepção da empresa dele. E não são poucos – ela apertou os lábios.

– Ah, não... – choraminguei. Podia ficar pior? Não responda. – Devo supor que isso significa que o tempo do jantar também aumentou, não é?

Ela apenas assentiu, se encolhendo um pouco.

– Grr Ísis, eu quero esganar você, é sério! – resmunguei carrancuda e ela riu sem graça.

– Desculpa, eu não sabia de nada – ela disse com cara de criança que aprontou.

– Que seja! Já estou na merda mesmo, afundar mais um pouco não vai fazer diferença agora – murmurei cruzando os braços, fazendo bico.

Ela riu e me abraçou.

– Não se preocupe, Fê. É tudo coroa, o máximo que vão fazer é nos cumprimentar e depois vão para suas conversas e bebedeiras. Pode ser que demore um pouco mais para a acabar, mas provavelmente a maioria deles vão trabalhar amanhã e então muitos vão embora cedo. O que importa é a chegada, depois nós ficamos um pouco na “festa”, já que vai deixar de ser um jantar, e então eu digo que você está cansada e que vou te levar. Feito? Passo para te buscar às oito – sorriu. Aquele sorriso dela sempre me desarmava. Oh carma...

Durante a escola, eu evitei tanto Izie quanto Claire. Sabia que se encontrasse minha querida amiga ela ia vir com mais uma daquelas sessões de sermão e, então, consequentemente, entraria novamente no assunto de eu me declarar à garota dos meus sonhos. Eu não ia fazer isso, não podia, tinha medo... Ela era minha melhor amiga e a garota que eu amava mais que minha própria vida, eu não poderia suportar pensar que podia destruir nossa amizade, mesmo sabendo que havia uma chance em um milhão de que ela pudesse nutrir algo por mim – o que para mim era uma chance tão remota que sequer me chegava a ser considerada. Agora só me restava remediar e contemporizar. Talvez com o passar do tempo, quando estivéssemos formadas e levando uma vida boa, com um bom emprego, então talvez ela se afastasse e eu fosse me esquecendo desse amor louco que vim a sentir por ela. Eu não queria tê-la longe de mim, é claro, mas ao mesmo tempo eu queria me ver de uma vez por todas livre daquela sensação de torpor momentâneo que ficar perto dela me proporcionava.

Era uma faca de dois gumes. E eu não sabia com qual dos lados era preferível eu me cortar primeiro... Meu coração estava em sérios apuros.

Quando cheguei em casa, tratei de tomar um banho e me preparar mental e fisicamente para a noite seguinte. Era chato admitir isso, mas seria a pior noite da minha vida – depois daquela em que Claire fez Ísis ficar só de lingerie na minha frente, enquanto jogávamos e fazíamos apostas bestas; quem perdia tirava uma peça de roupa a cada rodada. Eu ainda desconfio que ela tenha feito de propósito, nada me tira isso da cabeça, ela era uma grande filha da mãe, isso sim. Dessa vez, Ísis não ficaria de lingerie na minha frente – ainda bem para a pouca sanidade que me restava quando eu estava perto dela –, mas, por outro lado, eu teria que ficar agarrada com ela durante toda a noite, e me apresentar como sua namorada, sabendo que era tudo uma mentira e querendo absurdamente que ela fosse minha namorada. Que situação infeliz! Não sei o que era pior: isso, ou ter que vê-la de lingerie, sinceramente estava bem indecisa...

Eu só tinha uma certeza: aquele seria meu grande teste. Deus só podia estar me testando, não havia outra explicação. E eu temia tanto ferrar com tudo! Eu estava muito apavorada, só o que eu podia fazer agora era fechar os olhos e rezar para que tudo acabasse bem.

Notas finais
Espero que estejam gostando, e que tudo fique bem entendido! Até o próximo capítulo :) Beijos!