Papai Por Encomenda
3 Vocês roubaram um bebê?!
Notas iniciais
O carro fez a curva, a primeira direita e entrou na estreita rua. Parou em frente de uma casa azul, e os três por fim, saíram de dentro do carro. Ele um homem alto, esbelto, de cabelos negros, tinha uma face tranquila. A primeira garota, loira, de um porte médio, era muito bonita, tinha o rosto bem moldado, os cabelos longos, e sua expressão parecia preocupada. E por fim, a pequena, e esposa do homem de cabelos negros, era uma morena, e seu tamanho não passava de um metro e cinquenta, mas tinha uma personalidade forte e isto a ajudava tanto nas brigas com o marido, quanto no trabalho.
***
Dentro da casa, Remus tentava fazer a garotinha parar de chorar, mas ao mesmo tempo ela parecia ter fôlego suficiente, para chorar cada vez mais. Ele não ouviu o som do carro, mas logo a campainha foi soada, e pediu para que Sirius fosse abrir a porta, na tentativa inútil de tentar fazer Charlotte, se acalmar. Pode ver quando Marlene entrou rapidamente na pequena sala e sem dar ao menos um "olá", e logo perguntando:
– Remus, por qual motivo você ligou para nós essa hora da madrugada? Aconteceu alg... — e assim sua voz foi abafada quando ele lhe mostrou a menina. Ela a encarou por mais alguns instantes, antes de conseguir proferir algo:
– Mas, o que ela faz aqui? Vocês roubaram um bebê?! Deus vamos ser presos...
– Hey Marls, calma, nós não o roubamos! -disse Sirius rapidamente.
– Então como ela veio parar aqui? –perguntou Alice que estava um pouco afastada, com Frank a enlaçando pela cintura, e o mesmo tinha uma expressão séria, como se apenas observasse tudo.
Frank e Alice Longbottom eram casados a mais de um ano. Os dois haviam namorado quando ainda estavam no colégio, e logo quando se formaram na faculdade, ela como uma pediatra, e ele um engenheiro, se casaram e hoje tinham um filho, Neville, de quase sete meses.
– A deixaram na soleira de nossa porta – explicou Remus.
– Mas, por qual motivo alguém faria isso? – perguntou Marlene.
Marlene Mckinnon, uma jovem loira, era formada em advocacia, e meio que “namorava” com Sirius Black. Na realidade o caso deles era algo engraçado, uma hora estavam juntos, e na outra agiam como se nada tivesse acontecido.
– Eu não sei Lene, eu não sei... –suspirou Lupin e o mesmo encarou a garotinha que resmungava no cesto, o choro ainda continuava, mas cessara um pouco.
– Complicado isso, o que pretende fazer? – Marlene perguntou.
– Quero ficar com ela! – o escritor afirmou – Tem alguma forma disso acontecer? Diz que tem Marls, por favor. –disse olhando para a advogada.
– Bem, de alguma forma tem sim. O máximo que teríamos que fazer é entrar com um pedido na justiça, e depois esperar, ou...
– Continue, por favor – pediu ele.
– Podemos falar que a mãe fugiu, alegando que não queria ficar com a criança... Você tem alguma coisa que ela deixou? Alguma prova que ela queria que a menina ficasse contigo? – perguntou novamente à morena, enquanto observava Charlotte.
– Tenho uma carta – disse afastando-se e indo pegar o papel que estava ao lado da menina, e entregou a Marlene.
Mckinnon passou os olhos pela carta, enquanto os outros a observavam.
– Isso é ótimo, vai ajudar bastante, mesmo. E parece que a mãe dela faleceu, pelo menos dá a entender isso na carta. Enfim, amanhã mesmo entro com um pedido da guarda dela pra você, se tudo der certo, em menos de dois meses ela será sua filha. – sorriu.
– Muito obrigada Marlene — agradeceu e a abraçou – Sirius – disse quando soltou a mesma – se você não casar logo com ela, vai perder uma ótima mulher – brincou com o amigo que havia sumido.
– Ei cadê ele? – perguntou o escritor.
– Vou procurá-lo... – a loira disse antes de deixar a sala e ir para a cozinha.
Logo ouviram um barulho de panelas caindo e correram até a cozinha para ver o que era.
A cena podia ser definida como um tanto quanto engraçada: Marlene segurava uma panela e a mesma estava apontada para o moreno, que tentava não rir.
– Atrapalhamos algo? – Lupin perguntou sorrindo.
– Não nada – Marlene disse brava e seguiu para a sala.
– O que você aprontou? – o escritor perguntou para o amigo.
– Apenas dei um susto nela, nada de mais. – disse rindo e deixou o mesmo falando sozinho, para ir atrás de Marlene.
– Esses dois um dia se matam – Alice falou baixinho, dando um beijo de esquimó, em Frank. – Remus, acho melhor comprarmos leite para a Charlotte, deve estar morrendo de fome. – comentou se desfazendo do abraço, do marido.
– É pode ser... O que sugere?
– Aqui, acho que esse é bom, ela é nova, mas esse é pra idade dela. Deve ter por volta de dois meses. – disse anotando num papel e indo até a sala, logo voltando com um sorriso – Sirius e Lene concordaram em ir à farmácia aqui perto para comprar o leite, é aberta 24h, cansamos de ir lá comprar os remédios de Neville. – a morena comentou.
– Logo estaremos de volta. –comentou Sirius adentrando a cozinha e deu um sorriso divertido.
Ouviram o barulho da porta se fechar e Remus foi para a sala, parou em frente onde Charlotte estava e sorriu.
– Ela parece um pouquinho com você – comentou Alice.
– Não diga bobagens Lice... –arqueou uma sobrancelha olhando para a amiga – Hã, talvez só um pouquinho... –riu.
– Não vai pegá-la no colo, não? –Frank disse os observando.
– Acho que não... Não conseguiria.
– Nem vem, é super fácil – Alice disse pegando Charlotte no colo – Olhe que menina mais linda – brincou com a menina – Vamos, segure! – sorriu, colocando-a no colo do jovem escritor.
Frank apenas observava a cena, e sorria divertido com o amigo trapalhão, pois se lembrava que já havia acontecido isso com ele, logo que Neville nasceu.
Remus sentiu o peso da menininha em seus braços e meio sem jeito a ninou em seus braços. Realmente aquela cena era linda. Alice cautelosa pegou seu celular no bolso e disse:
– Hey, um sorriso para a foto – e nisso fez a bela imagem, do jovem pai com a filha em seus braços.
Aquela imagem era como se fossem verdadeiros: pai e filha. Alice olhou a cena e logo abraçou o marido.
– É, até que é fácil.
– Neville logo terá alguém para brincar, eles vão se dar bem – Frank comentou.
– É claro que vão – Alice desse um pouco alto – Agora, venho aqui amanhã e te ensino algumas coisas que você tem que saber, o que acha?
– Isso poderia ser muito útil. – riu.
– Você tem alguma bacia? Não precisa se muito grande.
– Tenho uma, por que pergunta? -perguntou confuso.
– Precisamos dar um banho nela, deve estar morrendo de frio.
– É, precisamos – concordou –Segure ela aqui que vou pegar a bacia — entregou a menina para Alice, e foi à procura da então “banheira provisória”, da garota.
Logo voltou, e assim puderam subir e enfim dar o primeiro banho dela, em sua tão então, nova casa.
***********
– Dá pra você ir mais devagar? Que droga, Black! – Marlene ralhou com o moreno.
– Eu não posso fazer nada se você preferiu vir na moto comigo, meu amor — riu.
– Não me chame assim, babaca. –deu um tapa em seu ombro.
– Hey, pra que violência? –comentou enquanto parava a moto, e estacionava no local indicado.
– Você ainda não viu nada — desenrolou as mãos da sua cintura e tirou o capacete, entrando na farmácia sem o encarar.
Quando o mesmo adentrou a farmácia, a morena com dificuldade procurava onde se encontrava aquele leite, ao qual Alice havia pedido. Não o encontrando, se dirigiu ao balcão, com Sirius ao seu encalce. E falou com a atendente:
– Moça, vocês tem desse leite aqui?
– Quanto tempo de vida o filho de vocês tem?
Marlene corou na hora, Sirius para aproveitar, deu um sorriso safado e disse:
– Dois meses, e é uma menina, se parece muito com a mãe.
A morena o olhou irritada e pisou forte em seu pé.
– Não acredite no que ele fala, não teria um filho com ele nem se ele fosse o último homem da terra e precisasse procriar para ter mais.
Sirius a olhou com uma cara de dor, e ainda sussurrou um: “ela me ama”.
– É pra filhinha do nosso amigo, perdeu a mulher faz quase dois dias e a menina precisa de leite. – comentou – Tem dois meses, é acho que tem dois meses... Enfim, você tem?
– Tenho sim, é esse daqui, as instruções vem no rótulo. – a atendente entregou a lata — Só pagar no caixa.
Marlene seguiu para o caixa e logo pagou a lata de leite, seguindo para o estacionamento. Colocou o capacete.
– E você vai ficar parado, ou vai vir? Charlotte está com fome.
– Ah sim – disse subindo na moto e ela logo subiu também – Segura bem forte em mim.
– Só se eu for obrigada – bradou com ele e segurou em seus ombros.
O moreno para fazer graça, levantou a moto antes de partir e Marlene rapidamente segurou em sua cintura. Rindo, ele deu a partida.
– Assim está melhor?
– Cala a Boca, Black!
***********
Logo que chegaram à casa do escritor, já tinham dado um bom banho na menina, que se encontrava chorando no colo do pai. Alice rapidamente preparou a mamadeira que estava na pequena cesta que a mulher havia deixado. Viu se o leite estava na temperatura certa, e deu para Remus, que logo colocou a o bico da mamadeira na boca da menina, que não demorou a começar a sugar o leite, com a imensa vontade, que estava.
Alice logo o explicou que deveria fazer a mamadeira por cerca de três em três horas, para o bebê não ficar com fome. E instruiu-o como cuidar dela, pelo menos naquela noite, pois no próximo dia, iria vir ajudar o amigo, a cuidar da pequena e ensiná-lo tudo que precisava saber.
Marlene, Alice e Frank se despediram dos amigos após certo tempo, e foram embora, deixando Sirius e Remus, com a pequena Charlotte.
Enquanto a menina dormia, logo após a mamadeira dada, e banho tomado, Remus deixou-a sobre os olhares de Black e tomou um banho rápido. Quando voltou o amigo havia dormido, segurando a mãozinha da menina, ele rindo da cena, tirou uma foto para brincar com o amigo.
Colocou a garotinha na sua cesta, direitinho, como um berço provisório, e levou-a para o seu quarto, onde a ajeitou próxima a sua cama. Não demorou muito para pegar no sono.
Por volta das seis da manhã, Remus acordou com um chorinho, baixinho, e naquele momento ele soube, o seu destino estava traçado, aquela pequena criatura não havia parado na sua porta por acaso, e esse seria o motivo ao qual ele havia decidido ficar com ela, pois aquela garotinha lhe pertencia, e ele a pertencia. Charlie era sua, apenas sua menina, e iria cuidar dela como se fosse sua vida. A oportunidade lhe bateu a porta, e em vez de ignorar, o mesmo aceitou de bom grado, e ficou feliz por isso, pois tinha alguém para chamar de sua, nem que fosse apenas sua filha, sua Charlotte.
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