Papa Shion

17 Revelações


Notas iniciais
Oi tutucos do meu coração. Nem eu acredito que estou conseguindo atualizar nessa velocidade (o que um bom review não faz, não é mesmo?). Esse capítulo está mais longo, e já já vocês vão entender a razão. Espero de coração que gostem. Beijos!!! ♥

POV Shion

Estavam todos em alerta, as casas defendidas, isso é, com exceção de aquário e escorpião. Eu assumi a casa de aquário e coloquei três cavaleiros de prata em escorpião. Era duro, mas eu precisava começar a pensar na sucessão daquelas armaduras. E só de pensar em outra pessoa usando a armadura de aquário já tinha vontade de chorar.

Eu tinha que agir muito mais rápido do que eu gostaria. Primeiro na decretação da deserção, o fiz imediatamente conforme o protocolo, porém rezando em segredo para o meu filho se arrepender e correr para mim me pedindo por clemência.

Mas a questão era, mesmo que ele se arrependesse, eu não teria muito o que fazer com a sua situação. Ah Camus... Por qual razão você teve que ser tão idiota? Me peguei olhando para a porta de entrada e pedindo que ele entrasse por lá para me pedir perdão.

Mas o que eu poderia fazer nessa situação? Nada. Creio que nada. Eles resolveram atentar contra o Santuário e aquela conversa não era mais apenas comigo. A dor que eu sentia em ter duas casas vazias era imensurável.

— Isso não está certo.

Era Ikki, que andava mais rebelde que o normal. Na certa pelo distanciamento de Hyoga, eu não podia culpa-lo.

— Ikki, você bem sabe que nossa ordem tem regras. Não pense que para mim é fácil, pois não é.

Eu disse me sentando numa postura militar e olhando para ele com a frieza que eu definitivamente não tinha.

— Mas pai, o Hyoga não escolheu fugir! Você sabe disso!

Eu olhei para Ikki, ele estava certo. Eu sabia disso. Mas lei é lei.

— Ikki, Hyoga já tem dezesseis anos. Ele é forte o suficiente para resistir ou voltar se quiser. Como cavaleiro, ele deveria ter nos contatado para informar a posição exata deles, o que faria com que ele se safasse.

— Você sabe que ele não faria isso com Camus!

— Então a escolha é dele.

— E ele já não pode mais fazer isso, certo? Já foram decretados desertores, ele não pode mais ligar e voltar. Certo?

Fiquei em silêncio. Era verdade, se Hyoga voltasse seria imediatamente preso e teria que aguardar julgamento. Fui despertado pelas lágrimas de Ikki, era difícil ver o garoto chorando sem ser ao final de uma surra. Aquele choro dolorido dele me cortou o coração a ponto de eu levantar para abraçá-lo.

Ele logo se libertou do meu contato e me olhou ferido. Aquela situação era horrível para mim, pois eu estava sofrendo mais que todos e precisava bancar o durão e capataz, como se eu não me importasse.

— Por que você e Camus brigaram?

Eu não respondi, aquilo não fazia mais diferença. A briga não tinha sentido algum.

— Ikki, vá para o seu posto. Todos nós precisamos ficar a postos com essas mudanças climáticas.

— Sinto muito, mas eu não vou! Não vou defender uma ordem que pode matar meu namorado.

Respirei fundo, eu não precisava de outro filho se rebelando, definitivamente. Eu tinha contas a acertar com Minu que estava andando na linha pelo menos, tive que decretar a deserção de Camus e sabia que Mu não estava muito feliz – eu definitivamente não precisava de Ikki me dando trabalho.

— Ikki, na minha época, ninguém... E eu digo, ninguém mesmo, teria coragem de se rebelar como vocês têm feito. Isso me fez assinar um documento oficial ontem que estava na minha mesa há meses.

Ele me olhou curioso.

— As punições públicas, realizadas na arena, são permitidas novamente. Então, eu estou te dando um aviso...

Olhou de forma dura e fria dentro dos olhos de Ikki.

— Se eu precisar te arrastar até a arena e te castigar na frente de todos, eu não vou pensar duas vezes. Eu não posso permitir mais desordem. Então você vai tirar esse traseiro daqui, colocar sua armadura e fazer a ronda e EU ESPERO TER SIDO BASTANTE CLARO.

Ikki me olhou incrédulo, aquilo realmente era uma novidade para ele, apesar de ser comum na minha época.

— Vou contar até três para você sair daqui, senão eu te arrasto pela orelha até a arena e arrebento uma vara no seu traseiro.

Ele me olhou ferido e vestiu sua armadura de fênix. Eu sabia que havia sido duro, ainda mais com ele sofrendo pelo Hyoga. Mas esse tipo de sentimento era um luxo que um cavaleiro não podia se dar em tempo de crise, eu bem sabia. Além de que dessa vez eu cortaria o mal pela raiz, não faria como com Camus.

POV DOHKO

Alguns dias se passaram desde que Shion me contou de sua briga com Ikki que quase o enfrentou. Essa bagunça toda e os problemas de Shion com seus pupilos me fez ficar um pouco alheio aos meus filhos que viam o quão mal eu estava e me davam apoio silencioso. Eu não podia reclamar de Shunrei e Shiryu, que claro já me deram trabalho, mas eram tão companheiros...

Não me imagino sem eles, em especial sem minha Shunrei que nunca foi afeita às batalhas. Logo pequena eu vi que não a treinaria para ser uma Amazona, pela sua delicadeza e apreço pelos afazeres domésticos.

Me lembro que Shion me condenou pela minha decisão, mas a mantive e tenho muito orgulho disso. Shunrei jamais seria realmente feliz como uma guerreira, porque sua alma era maternal e caseira, ela havia nascido para cuidar de uma casa e de um marido.

Esse espírito dócil estava um pouco abalado ultimamente, me questionava se pela amizade tão próxima que ela firmara com Saori. Por mais respeito que eu tenha por Saori e sua posição, a menina tinha muito a amadurecer antes de se tornar a real portadora do cetro e posição de Atena.

Era rebelde, mal educada, mandona... Graças aos céus que Shion assumiu como seu tutor. Só por isso eu permitia a proximidade, mas algo estava estranho. Shunrei sempre tão presente e cuidadosa em preparar as refeições já não mais se importava conosco, com a limpeza da casa e suas leituras.

Por óbvio que ela não era obrigada a cuidar da casa, isso era trabalho de todos. Mas ela sempre fez com tanto carinho que me espantou sua mudança repentina de comportamento. Meus devaneios foram cortados por ela entrando na sala apressada e visivelmente preocupada.

— Oi papai...

Ela disse sem jeito, me olhando como quem devia algo. Eu conhecia minha menina, coisa boa não era, adotei uma postura mais dura que o habitual.

— Onde você estava, Shunrei?

— E-eu...

— Olhe para mim, venha aqui!

Ela andou receosa até o sofá onde eu estava sentado. Shunrei era baixa, ela de pé ficava quase na minha altura sentado naquela minha cadeira que era mais alta que o normal.

— Você sabe que estamos em estado de alarde geral, correto?

— Si-sim.

— Então quero saber onde você está o tempo todo. Não quero mais você longe daqui de casa sem eu saber o que você está fazendo, entendeu? É uma questão de segurança.

— Está bem, mestre Dohko.

Ela me chamava de mestre quando estava com medo. Papai era a terminologia habitual. Eu só não entendia qual a razão dela andar tão ressabiada, algo estava aprontando, na cera, apertei mais minha postura rígida, eu ia descobrir o que estava acontecendo.

— Posso saber onde a senhorita estava?

— E-eu estava na torre.

Na certa devia estar com Saori, aquilo definitivamente não cheirava bem. Shion andava deprimido demais para enxergar que Saori estav aprontando algo... Mas e se... O cetro me veio a mente e...

— COM QUEM?

A mínima possibilidade dessas duas estarem brincando com o cetro e criarem essa bagunça toda me tirava qualquer calma.

— Com a Saori, mestre. Por que o senhor está tão bravo?

Shunrei falava já deixando lágrimas caírem. Ela a certa estava aprontando algo. Eu respirei fundo, seria melhor me acalmar.

— E o que raios as duas tanto fazem juntas?

— Estudamos, papai.

— Estavam estudando o que?! Posso saber?

— Literatura. Líamos juntas Guimarães Rosa, um autor brasileiro.

Ela respondeu rápido, sem titubear, como quem fala a verdade ou já tem a resposta pronta na cabeça. Foi quando olhei para fora e um grande tornado estava se formando, com um barulho descomunal, arrancando grandes árvores e deixando os funcionários do Santuário em pânico.

No mesmo minuto eu ouvi a sirene de alerta máximo, uma que só podia ser tocada por Shion. Na mesma hora a voz de Shion ecoou por todos os auto-falantes das escadarias, em alto e bom tom:

— ALERTA GERAL: TODOS OS CAVALEIROS DEVEM SE REUNIR NA CASA DE ÁRIES IMEDIATAMENTE. TODOS OS DEMAIS, INCLUINDO ESTUDANTES, FUNCIONÁRIOS E QUALQUER UM QUE NÃO PORTE UMA ARMADURA, DEVERÃO SE REFUGIAR NOS OITO ABRIGOS SUBTERRÂNEOS ESPALHADOS PELO TERRITÓRIO.

Olhei para Shunrei para leva-la ao abrigo mais próximo e ela se debulhava em lágrimas dizendo.

— Papai, tudo isso é nossa culpa.

Meus sentidos estavam certos, eu a puxei pelo pulso e corri até a casa de áries, onde Shion já deveria estar com os outros dourados e seus pupilos, incluindo Saori que seria a maior escoltada nessa situação.

POV Milo

Eu não conseguia mais olhar para Camus direito, o mesmo acontecia com Isaak e Hyoga que não suportavam a presença do pai. Eu não conseguia me esquecer da cena em que tirei minha camiseta e me olhei no espelho assustado com as marcas vermelhas e arroxeadas que o cinto deixara em minhas costas.

As marcas foram sumindo, bem como a dor daquelas cintadas. Mas as marcas deixadas na minha memória não sumiriam tão fácil. Eu tentava aturar Camus, tentava pensar em nossa história e em tudo que ele havia feito... Mas suas últimas atitudes me deixavam desolado.

E além de tudo, eu precisava carregar Hyoga e Isaak nas costas, não deixando que se rebelassem. Porém a casa vivia em clima de guerra completa, era alfinetadas constantes de Hyoga e desrespeito descarado de Isaak – eu não os culpava. Mas esse tipo de comportamento não me ajudava a destituir Camus daquela ideia bizarra de abandonar nossas funções daquele jeito.

Eu conversava constantemente por whatsapp com Mu, tomando cuidado de sempre apagar as mensagens em seguida. Ele me inteirava das coisas, do decreto de deserção e de Dohko fazendo de tudo que podia para sempre adiar a Assembleia que deliberaria sobre nosso destino, sendo que uma vez chegou a forjar um desmaio para ser levado ao hospital.

Eu tinha que agradecer Dohko. Mas não conseguia mais dormir direito, era assolado diariamente pelos pesadelos que traziam meus amigos aparecendo nesse casebre pela noite e matando todos nós. Era um pesadelo real demais e eu sempre acordava banhado em suor.

Camus estava sempre acordado quando eu levantava. Ele não estava feliz... Me questionava se já estava arrependido e não sabia como voltar atrás ou se continuava com sua ideia do início. Hyoga era o mais difícil de controlar, depois que colocamos wi-fi na casa ele não saia mais. Ficava trancado o dia todo.

Aposto que falando com Ikki... Eu caminhava para conversar com ele, já fazia quase um dia que não o via, ele não saia para comer e não queria falar com ninguém, tinha apenas aquela música alta e sua voz cantando ao fundo que eu não aguentava mais.

Enquanto eu caminhava ouvimos um estrondo, meu coração quase saiu pela boca. Eu e Camus corremos para fora e não acreditamos no que víamos. Eram tornados. Tornados gigantescos, como eu nunca vi sequer em filmes.

— Camus...

— Milo, isso por certo é um ataque contra Atena.

Nos olhamos desesperados, estávamos sem as armaduras e a centenas de milhares de quilômetros do Santuário. Acho que naquele momento Camus caiu em si, olhei para o lado e Isaak estava assustado e agarrado no batente da porta.

Camus caminhou rápido até o quarto de Hyoga e começou a bater na porta para o menino sair, sem nenhuma resposta. Não era possível que o pato pálido não estava ouvindo aquele tornado ensurdecedor.

Isaak falou algo quando me assustei com Camus chutando a porta de Hyoga para arromba-la, o que nos fez correr até lá no mesmo momento. E o que eu vi foi o pior cenário: o IPod de Hyoga ligado com músicas que ele gravou junto com sua voz. Ele havia fugido, seus documentos e algumas coisas não estavam mais lá e ele arquitetou o plano perfeito.

Apesar do meu desespero, Camus ficou muito pior. O vi cair no chão e socar uma parede, fazendo um enorme buraco na construção.

— Hyoga está lá fora em meio a esse caos... Ele... Ele...

Camus estava desesperado. Eu na mesma hora liguei para Mu, queria saber se tinham notícias do que estava acontecendo e Camus estava tão desolado que não tentou me parar.

POV Mu

Aquilo tudo era impossível de acreditar, estávamos todos os dourados reunidos na minha casa em frente à televisão. Tornados dantescos por todo o globo terrestre e eu me questionava quantos já haviam morrido e de quem seria o ataque. Eu dei a mão para Shaka e nos olhamos preocupados, aquela poderia ser a última guerra de nossas vidas.

A sensação de dor era geral entre nós, cavaleiros que tanto lutamos no passado e tanto amávamos essa vida pacífica que finalmente pudemos experimentar. Fui interrompido pelo meu telefone.

— Mu.

— Milo...

Na hora chamei a atenção de Shion que me olhou com condenação por falar com um desertor.

— O que está acontecendo, Mu?

— Nós não sabemos ainda...

Shion arranca o telefone de minha mão e o vejo gritar com Milo e depois ficar pálido ao dizer que também não conseguia encontrar Ikki e então me entregou o telefone e chutou minha mesa de centro a espatifando.

— Hyoga e Ikki fugiram juntos em meio a esse desastre!

Eu acho que aquilo era demais para Shion, ele quase não conseguia se segurar. Mas o vi respirar e tomar as rédeas da situação, mas só entendi por acompanhar seu pensamento que precisava resolver uma coisa por vez apesar do seu desespero com os filhos. Era mestre do Santuário e todas aquelas pessoas dependiam dele.

Eu desliguei o telefone dizendo que ligaria para Milo assim que possível, foi quando vi Dohko aparecer arrastando Shunrei pelo braço. A menina chorava muito, parecia estar assustada, mas quem não estaria naquela situação catastrófica?

— Dohko, por qual razão essa menina não está num bunker de proteção?!

Shion ralhou com o companheiro, era incrível como eles separavam bem as funções administrativas da relação deles.

— Acho que ela e Saori são a chave disso tudo.

Todos olhamos para Shunrei e tornamos o olhar para Saori que estava encolhida e em posição fetal no canto da sala. Todos achamos que ela estava rezando e preocupada, mas vimos naquela hora que ela sabia muito mais do que todos nós.

Na hora vi Shion olhar para Saori e tive quase certeza que ele teria um síncope. Ele leu na mente de Dohko e eu também que o cetro era a chave de tudo.

Notas finais
REVIEEEEWSSSSS PLEASEEEEEEEEEEEEEEE