Papa Shion

18 Desastres e deidades


Notas iniciais
Oi pessoal, lá veeeeem a CONTINUAÇÃO. Tãm-tãm! Espero que gostem ♥

POV Shion

Se aquilo era obra de Saori, com certeza seria difícil de resolver, porém melhor do que termos que entrar numa guerra com qualquer grande inimigo. Eu bem que havia desconfiado há algum tempo que essas desordens climáticas poderiam ser causadas pelo cetro!

Andei furioso até a menina que se levantou do chão e se sentou na cadeira com a cabeça baixa e os olhos vermelhos de tanto chorar.

— Saori, me explique exatamente o que aconteceu!

Foi quando Dohko sentou Shunrei na cadeira ao lado de Saori.

— Foi obra de ambas.

Todos os cavaleiros de ouro estavam na sala, os cavaleiros de prata estavam escoltando as pessoas do entorno do Santuário para os abrigos externos e os de bronze estavam ajudando os funcionários a se abrigar nos abrigos internos.

Estávamos eu e Dohko na frente e atrás de nós estavam Mu, Saga, Kanon, Shaka, Aldebaran, Afrodite, Aioria, Aioros, Carlo, Shura e Afrodite. Todos bastante preocupados, até mesmo Kanon, Carlo e Afrodite que sempre pareceram meio alheios às questões de nossa ordem. Todos vestiam suas armaduras e estavam prontos para uma batalha mortal.

Os ventos se tornavam cada vez mais fortes, quase nos tirando do chão. As duas estavam apavoradas e eu já estava perdendo a pouca paciência que me restava e elas só faziam chorar. Estava me questionando o que fazer e como tirar informações de maneira rápida.

Foi quando vi Dohko soltar de sua armadura o cinturão de ouro. Eu mesmo usei aquilo para bater em meus pupilos pouquíssimas vezes, sendo repreendido por ele em todas pela rigidez do castigo.

Vi ele agarrando Shunrei pelo braço e a levantando, dobrou o cinto em sua mão e levou até a face dela o exibindo com dureza e falando de forma firme, como o vi fazer poucas vezes. A realidade era que quando Dohko falava sério, ele realmente falava sério.

— Eu vou perguntar apenas uma vez antes de começar a te bater aqui e agora. O QUE RAIOS VOCÊS FIZERAM?

Na mesma hora fiz o mesmo que Shion e tirei meu cinturão o apontando para Saori. Atrás de nós, Mu começou a fazer muros de cristal para conter a ventania e nos dar um mínimo de silêncio para ouvi-las, mas o vento era forte demais, até mesmo para nós.

— NÃO TEMOS TEMPO, eu disse acertando a coxa de Saori com força.

Ela gritou chorando, aquilo com certeza doeu muito e não era exatamente o que eu queria fazer. Mas não tínhamos tempo. Foi quando Shunrei começou a falar coisas que ninguém entendia sobre o cetro, antes que Dohko lhe acertasse uma cintada, Saori se levantou e disse de forma firme.

— A culpa disso tudo é minha. Eu assumo a plena responsabilidade.

Era claro que o espírito de atena estava com ela que não pode ver a amiga ser castigada por algo que provavelmente ela gerou.

— Eu convenci Shunrei a vir comigo enquanto eu brincava com o cetro. Me perdoem, eu apenas queria ver o que eu podia fazer com ele sem ser tão limitada pelo senhor e seus treinos.

Ela disse olhando para mim e logo abaixou a cabeça.

— Eu sei agora porque seus treinos são tão limitados. É quase impossível controlar essa coisa...

Eu respirava fundo, não sabia se meu coração aguantaria tanta decepção que meus filhos vinham me causando. Uma pupila minha iniciara uma guerra com outros mundos...

— Saori, eu preciso saber exatamente o que você fez desde o início. A única pessoa que entende desse cetro atualmente sou eu!

— Começamos apenas transformando a água em gelo, num copo. Depois congelamos lagos pequenos e rios... Até tentar fazer o mar ferver...

— LAGOS CONGELADOS E MAR FERVENDO?

Dohko gritou com as mãos na cabeça me olhando preocupado. Elas poderiam ter despertado a fúria de Poseidon nessas brincadeiras imbecis. Foi quando Saori engoliu em seco e prosseguiu.

— Então... Após isso recebemos a visita de Julian... E eu e ele começamos a namorar.

O que era aquela história? Ela não paquerava o Seya? Eu me condenei por ter me deixado abater tanto com a história de Camus e simplesmente não ver o que estava acontecendo embaixo do meu próprio nariz. Foi quando Dohko questionou:

— Vocês ainda estão juntos?

— Sim.

— Shion, então isso não é um ataque do reino marinho...

— Sim Dohko. PROSSIGA SAORI!

— Bom, eu... Eu... Comcei a fazer experiência com o cetro junto com Julian e Shunrei. E fomos uma pouco mais longe...— Ela olhou para a amiga – Shunrei tentou nos parar, mas não quisemos...

Shunrei chorava sem parar, quando Julian apareceu de um portal perto de Saori e começou a falar com ela.

— Sa, a situação é pior do que pensamos...

Eu o agarrei pelo braço e lhe dei uma cintada forte no traseiro, o sentando na cadeira ao lado de Saori, que estava entre Shunrei e o namorado. O menino se assustou, nem eu mesmo podia acreditar que estava ameaçando duas divindades com um cinto, mas era o que eu podia fazer naquele momento. Era adolescentes e não conseguiriam resolver aquela situação sozinhos.

— Fale o que você sabe!

Eu ordenei, ele olhou para Saori que implorou com os olhos que ele me respeitasse e fizesse o que eu mandava. Pude ler em seus pensamentos que minha fama me precedia, e ele bem sabia como eu lidava com a educação dos pupilos com rédeas curtas e decidiu responder de forma calma e na linha a fim de evitar possíveis punições.

— Shion, líder do Santuário, guardião de Atena, espero que não precise recordá-lo que sou uma divindade marítima, líder dos sete mares.

Mas que petulância! Logo desci o cinto com força em suas coxas.

— E eu espero que não precise recordá-lo que estou com um cinturão de ouro na mão!

Ele fez uma careta e se segurou para não fazer uma cena em frente à namorada. Ele olhou em volta e viu que não poderia enfrentar tantos dourados sozinho, sua força ainda era limitada pela idade de um adolescente.

Saori se apressou em continuar a falar.

— Mestre, por favor... Nós continuamos nossos experimentos com o cetro. Eu e Julian unindo nossas forças conseguimos criar maremotos incríveis juntos. Nesse ponto Shunrei já não estava conosco.

Ela disse olhando como quem implora para Dohko não a castiga-la. A resposta foi curta.

— Porém ela estava antes e quando percebeu a imbecilidade não me contou nada para deter vocês enquanto havia tempo.

Saori olhou para baixo e prosseguiu.

— Foi quando começamos a tentar mexer no tempo.

— O que?

— Como?

Os cavaleiros se entreolhavam.

— Nós queríamos conseguir controlar as horas do dia e da noite. Era apenas uma brincadeira.

Eu olhei para Dohko e falamos juntos.

— Cronos. Ele deve estar furioso!

Se tem uma divindade bastante orgulhosa é Cronos, ou “senhor do tempo” como gosta de ser chamado. Ele jamais permitiria que uns fedelhos interferissem em algo tão seu quanto o controle dos astros que determinavam o tempo na terra.

Olhei na mesma hora para Shura, ele tinha conhecimento suficiente para fazer uma invocação e tentar fazer Cronos ao menos nos responder. Enquanto ele trabalhava em suas habilidades, eu continuei a conversa com os adolescentes.

— E o que houve?

Saori continuou.

— O problema de mexer no cetro é que toda vez que fazemos algo há efeitos colaterais. Quando congelávamos ou fervíamos a agua, começaram a aparecer insetos por todo o lado. Grilos, vespas, abelhas. Então dávamos um tempo para as coisas se normalizares.

Ela parou para respirar, me fitando para ver qual era o meu estado de espírito. Eu tentava parecer indiferente e frio, para que ela não parasse de falar por medo.

— Quando criamos os maremotos, a resposta do universo foi a neve fora de hora por todo o globo terrestre. Isso nos assustou a princípio, porém nós vimos que nada aconteceu – afinal, era só neve...

“Só neve”, eu não acreditava no que estava ouvindo. Era tão absurdo que se conseguíssemos resolver essa situação sem morrer, eu acho que sequer conseguiria dar uma surra em Saori sem manda-la para outra dimensão. Ela continuou.

— Mas quando começamos a mexer no tempo a situação se agravou.

— Exatamente o que você queria fazer com o tempo, minha filha. Quis ir para o futuro para quando já seria poderosa e sem mim para ditar as regras?

Eu perguntei meio irônico, para ela perceber que esse tipo de coisa é uma idiotice. Mas a resposta me cortou a alma...

— Não papai, eu tentei voltar no tempo... Até o dia que Camus partiu e quebrou seu coração. Queria tentar resolver tudo... Eu só queria o senhor bem...

Aquilo fez meu coração se apertar mais do que eu conseguia aguentar. Era tão visível assim a minha depressão? Era tão desesperadora minha situação que até minha própria filha tentou mudar a história por mim? Eu era o culpado daquilo tudo? Dohko percebeu que eu fiquei fora do ar e logo assumiu.

— Os tornados começaram assim que vocês tentaram voltar no tempo? Vocês conseguiram mudar algo no tempo?

— Não— Disse Julian – Cronos apareceu e nos arrancou o cetro há três horas. Os tornados aconteceram há pouco tempo menos que isso... Não sei se é Cronos ou...

— POR ÓBVIO NÃO SOU EU, PIRRALHO. OLHE SE EU TENHO IDADE PARA TENTAR ME DIVERTIR COM UMA DAS MAIORES ARMAS DO PLANETA!

Crono apareceu, entregando o cetro em minhas mãos. Ele parecia furioso, talvez tanto quanto eu.

— Eu estava no reino marinho procurando um responsável por você, Julian. Mas agora eu entendi porque você age como um moleque mimado, você não tem um tutor com reais poderes sobre você.

Vi Julian dar de ombros. Ignoramos isso e começamos a conversar.

— Os tornados são na certa efeito colateral, mas estão assolando a humanidade. Não tenho como reverter isso de forma temporal sem criar ainda mais danos. Você conseguiria usar o cetro para tanto?

— Só Atena tem poder com o cetro, mas ela ainda está em treinamento, senhor Cronos.

Eu falava com bastante reverência e respeito, se havia algo em excesso em Cronos era o seu ego que comandava todas as suas ações. Nunca tivemos problema com ele, mas porque se há algo que a humanidade sabe que não pode controlar é o tempo: ou seja, nós o respeitamos e ele nos deixa em paz.

— Mestre, eu posso tentar ajudar, eu...

Ela disse agarrando o cetro. Eu logo fuzilei Saori com os olhos, levantei minha perna em uma das cadeiras a a tombei sobre meu joelho. Virei o cetro e usei seu cabo para lhe dar três golpes como se aquilo fosse uma cane.

— Fique quieta, agora você apenas se mexe se eu mandar! Olha o que já aprontou.

Saori se retraiu chorando e encabulada, afinal, recebera os golpes em frente aos cavaleiros e ao seu namorado. Eu precisava andar logo com aquilo, precisava descobrir o paradeiro de Ikki.

Fechei os olhos e olhei para Saori.

— Se sobrevivermos a esse carnaval que você criou, saiba que haverá dolorosas consequências para você, mocinha. Até lá, fique na torre e NÃO SAIA.

Eu disse entredentes e a teleportei para a torre. Na mesma hora dei a ordem, seria melhor deixa-la longe de mim por hora.

— Afrodite, Carlo e Aioria, vigiem a torre. Não hesitem se for necessário punir Saori por tentar sair de lá.

Os três correram prontamente para obedecer minha ordem. Foi então que ouvi Dohko.

— Se é efeito colateral, ele tende a passar, correto?

— Não sei, ao tentar modificar o tempo, eles acabaram mexendo na angulação de alguns astros. Isso causa efeitos catastróficos. — Explicou Cronos.

— E se juntássemos forças dos dourados para consertar a angulação? — Questionou Shura.

— É capaz que destruamos algum planeta parcialmente e pioremos a situação.— Respondeu Aioros.

— Se o cetro começou isso, com certeza pode cessar.— Disse Saga.

Eu não tirva Ikki e Hyoga da cabeça. Precisávamos salvá-los... Talvez desse certo, iríamos utilizar o cetro. Eu só não sabia como.

Eu pensei bem e ele estava certo, deveria ter uma maneira de utilizá-lo mesmo sem Saori. Foi quando ouvi um espanto geral. Levei a mão aos meus pontos da testa, o que poderia ser agora? Olhei para trás nervoso já esperando outro adolescente envolvido.

Eu não acreditava no que via... Não podia ser...

Notas finais
REVIEWS ♥