Papa Shion
8 O Cetro
Notas iniciais
— Cuidado Shunrei!
— Uoooooooooooooooooooooooow!
Shunrei se abaixa rapidamente, desviando da intensa energia circundada por uma ofuscante luz amarela que saiu do cetro de Atena e derrubou a árvore que estava atrás de você. Ao notar que havia quase perdido a vida por um erro de cálculo de Saori, Shunrei se preocupou:
— Será que isso não é perigoso demais?
— Eu nasci para manejar isso! Não sei porque meu mestre é tão chato em me deixar utilizar mais esse cetro que é meu por direito.
— Eu não sei, às vezes acho que você não sabe bem o que está fazendo...
Saori franziu o cenho enquanto segurava o cetro direcionado ao céu. Todas as vezes que ficava nervosa segurando o cetro, uma nuvem negra se formava em uma espécie de rodamoinho no céu. Shunrei engoliu em seco enquanto ouvia os animais gritarem ao longe e insetos aparecerem ao redor da amiga.
— Calma Saori. Não quis ofender.
Saori olhou para cima e no entorno e respirou fundo a fim de evitar uma nova infestação de animais, mas era tarde. Percebeu que as marés haviam subido demais e as águas já invadiam o Santuário.
— Shunrei, lembra quando eu disse que esses fenômenos eram coincidência?
— Sim.
— Acho que não são não...
POV Shion
Então Dohko queria se mostrar a todos? Que maravilha! Seríamos alvo de chacota, onde já se viu, as figuras mais proeminentes do Santuário mostrarem que poderiam ser atacadas em algum ponto? Mas faça-me um favor!
Não adiantou em nada Camus ligar para ele, uma vez que já havia passado uma semana e ele me evitava a todo custo. Gostaria de saber o que eu fiz de errado nessa história toda! Absurdo!
Mas agora ele iria me ouvir! Agora... Agora... Mas o que raios é aquilo? Há uma enchente no Santuário! Preciso resolver isso rápido! Vou ligar para Minu...
RING RING RING
Pelo visto não tenho mais assistente, onde será que ela se meteu? Minha paciência com essa fedelha já se esgotou! Corri até a administração e encontrei Camus.
— Uma enchente, filho.
— Onde?
— Aqui!
— O que?!
Camus se levantou fazendo o chamado aos dourados e eu apertei a sirene de emergência, dando um aviso no autofalante:
ATENÇÃO A TODOS: UMA ANOMALIA MARÍTIMA OCORREU, NÃO SABEMOS AINDA A CAUSA, TODOS DA ZONA MAIS BAIXA DEVEM BUSCAR REFÚGIO NAS ZONAS ALTAS E PLANÍCIES DO SANTUÁRIO. CETIFIQUEM-SE DE NÃO DEIXAREM CRIANÇAS E IDOSOS PARA TRÁS.
— Marin, Shina, reúnam amazonas e cavaleiros de prata, quero todos lá embaixo auxiliando na remoção das pessoas para as casas mais altas. Ao que me parece, houve bastante destruição.
— Sim mestre.
Foi quando vi Dohko aparecendo preocupado.
— O que houve?
— Já consegui contato com Shyriu, mas não com a Shunrei...
Coloquei a mão em seu ombro e, enquanto isso, ligava para meus filhos, me certificando do bem-estar de todos. Então, liguei para Ikki:
— Filho, estamos com uma enchente de grandes proporções no Santuário.
— Legal!
— Não há nada de “legal” nisso Ikki, você está preoibido de sair de nossa casa. Onde está sua irmã?
— Saiu com a Shunrei faz algumas horas.
— Como assim algumas horas? Ela deveria estar estudando! Onde elas foram?
— Não sei não...
Olhei para Dohko preocupado.
— O que houve, Shion?
— Ela está com Shunrei, não sei dizer onde.
Vi Dohko respirando fundo e tentando mais uma vez ligar para Shunrei.
— O que raios pode ter causado essa enchente nessa época do ano e nesse local? É absolutamente fora da lógica! Só se... Shion, você já cogitou um ataque do mundo marítimo ao Santuário?
— Sim. Mas precisamos nos certificar antes de qualquer atitude.
Foi então que Dohko pegou na minha mão e a apertou forte, talvez relembrando nossa última guerra contra os seres marinhos, não sei. Eu engoli em seco ao ler toda a dor de seus pensamentos e o abracei, em meio a todos. Naquele momento eu não me importava.
Camus apareceu e estranhou nossa postura, questionando-se sobre a situação ser mais grave do que eu pensava. Porém, pelos seus pensamentos, pude ver que ele não desconfiava de um relacionamento.
— Mestre, Um pediu para avisar que já está em casa e pegou Shun na terapia.
— Ótimo. Camus, Saori e Shunrei estão desaparecidas.
— Vou colocar a guarda na busca e...
— E o que, Camus?
— É... Ninguém encontra Minu em lugar algum. Não sabemos se ela estava aqui ou fora do Santuário.
Pronto. Eu tinha duas filhas desaparecidas. Peguei meu celular e mandei um whatsapp para Minu: “Mande notícias, não faço ideia de onde você está. Aliás, essa história de eu não saber onde você está vai acabar! Você é minha assistente pessoal e há meses vem sendo negligente com o trabalho, além disso é minha filha e eu tenho o direito de saber onde seu narizinho anda! Assim que voltar quero conversar com você e entender o que raios está acontecendo! Nesse exato momento o Santuário está quase embaixo d´água e você não atende e eu fico desesperado pela sua segurança”.
Enviei me questionando sobre ter escrito demais. Camus me olhava preocupado e eu apenas lhe dei um sorriso amarelo, tentando mostrar que estava tudo bem, quando na verdade não estava.
Dohko deu um grito chamando minha atenção para Marin e Shina que se aproximavam correndo e se ajoelhavam com um dos joelhos numa reverência, como normalmente faziam em tempos de guerra. Aquilo me deu um certo aperto, será que era isso que se descortinava?
— Mestres, a água abaixou e está se esvaindo.
Eu, Camus, Dohko e Saga ficamos surpresos.
— Mas isso não faz sentido nenhum. Se fosse um desastre natural, as águas que causaram esses estragos não tornariam ao local de origem tão cedo.
— Você está correto, Saga – disse Camus.
— Pois bem. Se não foi um desastre natural, poderíamos cogitar um ataque do reino marítimo?
— Acho que é um pouco cedo para qualquer afirmação, Saga. Mas é uma possibilidade. – Eu disse enquanto observava os vídeos que mostravam as águas voltando como que por forças mágicas – Definitivamente não se trata de algo corriqueiro da natureza, o dedo de alguém está envolvido nisso.
Camus estava bastante preocupado, ele ia falar algo quando meu celular tocou.
— Er... Papai?
— Onde você estava Saori??
— Desculpe Mestre, eu estava estudando com a Shunrei.
— Ela está com você?
Olhei para Dohko fazendo sinal para que não se preocupasse mais com a pupila.
— Sim mestre, está comigo. Nós fomos até a biblioteca estudar juntas.
— Ok filha. Vá para a nossa casa com a Shunrei ok?
Desliguei tranquilo, agora só faltava a Minu. Olhei meu celular a fim de averiguar qualquer resposta.
— Camus, o que significam esses tracinhos azuis no whatsapp?
— Significa que a pessoa abriu a mensagem a leu, pai.
Franzi o cenho.
— Então a Minu leu e não respondeu?
Camus ficou calado.
Uma hora se passou e, se não fossem as casas na zona baixa destruídas pela maré, ninguém diria que uma avalanche havia assolado o território. Algo estava muito estranho, foi quando lembrei dos grilos e das abelhas... Na verdade as coisas já estavam muito estranhas há algum tempo!
Cheguei na minha casa e fui até o armário onde eu guardava o cetro de Atena a fim de evitar o manuseio errôneo por parte de Saori. Estava tudo perfeito, trancado com a chave na gaveta onde eu a escondia. O cetro estava lá dentro. Não, não era esse o motivo. Cheguei a me envergonhar por cogitar algo assim.
— Tudo bem princesinha?
— Oi papai! – Saori sorriu.
— Oi tio Shion! – Shunrei sorriu.
— Vocês estão bem? Uma maluquice o que aconteceu...
Ambas estavam pensando freneticamente nas lições de matemática. Achei estranho, porém não quis atrapalhar.
POV Shunrei
— Mana, você acha que ele percebeu?
— Não, se tivesse estranhado algo teria feito um milhão de perguntas.
Fale com o autor