Pandora

1 Prólogo


Londres, 1940

Quando sentiu a própria cama chacoalhar e ouviu a explosão vinda do lado de fora, ela achou que talvez fosse algum pesadelo que estivesse tendo, nunca imaginou que fosse tudo verdade. Apenas quando ouviu os gritos do irmão mais novo, que agora estava parado na porta de seu quarto, chamando-a aos berros, foi que ela percebeu o que estava acontecendo não era apenas uma invenção de sua cabeça.

Saiu correndo do quarto, agarrando a mãozinha do irmão e o arrastando para longe. Seus pais não estavam em casa, haviam saído naquela noite para jantar na casa de amigos. Eram apenas ela e o pequeno Daniel.

Pegou o menino no colo e saiu correndo até a porta dos fundos, disparando em direção a uma pequena porta que havia do outro lado do quintal. Abriu a porta rapidamente e colocou o menino dentro do quartinho escuro, entrando logo depois disso. Do lado de fora, os estouros das bombas continuavam assolando Londres, enchendo o ar com o barulho ensurdecedor daqueles projéteis metálicos explodindo em milhões de pedaços quando atingiam o chão.

— Agatha...

Ela virou-se para olhar para o irmão. Os olhos azuis do pequeno estavam arregalados, inundados de lágrimas, e seu corpinho tremia inteiro.

— Dan, não fique assim – a garota passou os braço em volta do menino, tentando acalmá-lo.

— Papai e m-mamãe? – ele murmurou, finalmente derramando as lágrimas que estavam acumuladas em seus olhos – Será que...?

— Eles devem estar bem – Agatha sussurrou nos cabelos escuros do irmão, que agora tinha o rostinho escondido na sua camisola — E nós vamos ficar bem.

Não era a primeira vez que eles presenciavam uma blitzkrieg alemã, mas era a primeira vez que eles se viam sozinhos naquela situação. Normalmente, a mãe deles estaria ali junto, acalmando-os com a sua voz leve e carinhosa, e seu pai ficaria o tempo todo prestando atenção para ver se eles estavam mesmo seguros. Agora eles estavam sozinhos. Eram apenas os dois dentro daquele abrigo.

— Quer que eu conte uma história? – a adolescente perguntou, lembrando-se de como a mãe costumava fazer isso para que Daniel se acalmasse.

O menino concordou com a cabeça e tentou enxugar os olhos com a manga do pijama que estava usando. Agatha olhou em volta, tentando se lembrar de alguma história boa que poderia contar para o irmão...

— Já lhe contei sobre Pandora?

— Não.

— Bom, Pandora foi a primeira mulher criada pelos deuses...

— Deuses?

— Deuses gregos, Daniel – ela continuou – Cada deus lhe deu uma qualidade...

A narrativa da garota foi interrompida por um tremor e uma explosão muito próxima que fez com que todo o abrigo chacoalhasse. O menino grudou-se a sua camisola desesperadamente enquanto ela acariciava os seus cabelos.

— Cada deus lhe deu uma qualidade... – o mito pareceu sumir de sua cabeça, como se o barulho das explosões a estivessem impedindo de pensar direito – Daniel, posso continuar a história depois? Eu não me lembro direito, tenho que olhar no meu livro...

O garotinho fez menção de protestar, mas bem na hora em que ele abriu a boca para dizer alguma coisa, outra explosão foi ouvida... E dessa vez ela não fora muito longe. Na verdade, fora perto o suficiente para sacudir todo o abrigo violentamente, dando a parecer que a pequena construção iria desabar a qualquer momento.

— Droga, Dan, vamos ter que sair daqui – a garota correu para a porta e a abriu, apressando-se para o quintal, tentando não olhar em volta, com medo de ver os possíveis estragos dos ataques.

— Mas mamãe disse que nós tínhamos que ficar! – o irmão gritou, sem se mexer.

— Daniel! – Agatha gritou, entrando no quartinho novamente e agarrando o menino pelo pulso – Mamãe não está aqui agora, então eu estou no comando!

— Não! Mamãe e papai falaram que se alguma coisa acontecesse, nós devíamos ficar no abrigo – ele estava chorando de novo e conseguiu desvencilhar o pulso pequenino do aperto da irmã.

— O abrigo vai desabar! Vamos para a casa da Sra.Blasthory, ela tem um abrigo melhor! – a menina forçou um sorriso, saindo novamente para o quintal e esperando que o menino a seguisse – Venha, você vai poder ficar um tempo com Billy e Roy, os filhos da Sra. Blasthory, você não gosta de brincar com eles de vez em quando?

— Não é seguro sair daqui!

— Não é seguro ficar aí! – a garota berrou, pronta para entrar no abrigo novamente e arrastar o irmão mais novo para fora a força – Olhe, Daniel, eu estou tentando protegê-lo, coisa que a mamãe e o papai fariam se estivessem aqui, então pare de birra e me obedeça porque senão...!

Agatha não conseguiu terminar a sua ameaça, pois, de repente, sentiu um tremor no chão e um calor absurdo... Ela não chegou a assimilar o barulho da explosão.

Notas finais
N/A: Esse plot surgiu do nada e, em um dia mais ou menos, eu consegui bolar toda uma base para a história, espero conseguir escrevê-la também.Eu não estava com muita vontade de postar isso aqui no Nyah, mas acabei postando x__x pq quero ver o que as pessoas acham da história, é sempre bom ver o que os leitores pensam Então, deixem reviews dizendo o que você achou, sem medo

Dorea.