Pandora
10 The White Room
Notas iniciais
A primeira coisa que me veio à cabeça foi o som de um violino tocando. A música em si era puro sofrimento, mas o jeito que era tocada a fazia parecer feliz. E de repente eu estava de pé, olhando para duas crianças. Uma tinha cabelos negros que caíam graciosamente até a sua cintura. Tinha olhos azuis inocentes, cheios de pureza. O garoto ao seu lado era mais novo, e diferentemente dela tinha cabelos loiros e olhos iguais aos da menina.
— Qual é o seu nome? — perguntei à mais velha, me ajoelhando.
— Eu acho que você sabe. — ela sussurrou.
A música tocava como se nada pudesse impedi-la. Ninguém erraria um acorde e jamais desafinaria.
— Por que você fez isso comigo? — o garotinho perguntou.
— O que eu fiz?
— Me matou.
A melodia acabava do mesmo jeito que eu previa: alegre. Por mais triste a cena que eu estava vendo fosse triste, a música terminaria radiante.
Pisquei meus olhos rapidamente e pude ver a garotinha por cima dele, gritando seu nome. O tempo não passava de acordo com o que eu queria e tudo pareceu uma eternidade. Seu cabelo negro subia e descia enquanto ela chacoalhava o menino, gritando seu nome. E por mais que ela berrasse alguma coisa, eu ainda não entendia o que ela queria dizer. Uma coisa eu podia afirmar: ele estava morto.
Eu acordei.
Minha boca estava com gosto de ferro e minha cabeça rodava. Quando eu abri os olhos, a luz ofuscou minha visão e pus a mão na frente do rosto. Quando me acostumei à claridade, os acontecimentos recentes me atingiram em cheio: eu tinha sido sequestrada.
Comecei a ter um ataque de pânico. Não, aquilo não era nada bom. As pessoas pensariam que eu fui dormir e as minhas companheiras já estavam acostumadas comigo chegando para dormir tarde. Eu não saía da biblioteca se não fosse chamada e quando saía, seria apenas para falar com Sam ou Nick. Quando alguém notaria a minha falta? Era final de semana e as pessoas tinham coisas legais para fazer. O máximo que eu podia fazer era ter fé de que alguém se lembraria de mim, mas ninguém saberia onde me procurar. Na verdade, eu nem sabia quanto tempo havia ficado desacordada. Podia ter passado dias, semanas fora. Podia estar em outro país!
Acalme-se Carter, um pensamento de cada vez. Minha consciência falou. Ótimo.
Como eu havia sido sequestrada? A única resposta seria o suco de abóbora, obviamente. Mas a pergunta seria quem pôs aquela droga ali. Ah, idiota. Eu saí para contar a maldita história para Sammy e deixei minha comida na mesa. Qualquer um poderia tê-la envenenado. Como fui tão descuidada?
Onde eu estava? Eu estava presa em uma sala branca espaçosa. A única coisa que me permitia ver o lado de fora era uma janelinha na porta. Mas seria a mesma coisa que nada, pois à minha frente estava apenas um corredor vazio. Dentro do quarto havia apenas a minha cama.
Bati na porta timidamente. Ninguém apareceu. Repeti o ato mais forte e decidida. Quando nada aconteceu novamente, eu fiquei totalmente desesperada e comecei a esmurrar e chutá-la. Ninguém ia falar comigo? Não iam fazer nada?
— ME DEIXEM SAIR! DEIXEM-ME SAIR, SEUS COVARDES!
Bati até perder as forças. Encostei-me na parede e passei a raciocinar. Eu tinha poderes! Com o meu treinamento, eu poderia destruir um castelo, imagine uma porta. Concentrei-me e pensei em como eu queria voltar para Hogwarts. Para casa. Apontei para a porta, mas nada aconteceu. Tentei novamente, mas falhei de novo. Nada pareceu mudar de lugar, mas eu fiquei cansada como se tivesse.
— Pode tentar o quanto quiser, querida. Não vai funcionar. Quarto a prova de magia. — uma voz falou de fora. Observei a janela, mas era pequena demais para olhar para os cantos. Talvez houvesse mesmo alguém lá que só estivesse me ignorando.
— Quem é você? O que você quer de mim?
Sem respostas.
— Vão ficar me ignorando depois de terem-me sequestrado? Já que eu não vou sair daqui, pra que tanto segredo? — desisti e me deitei na cama.
— O chefe está vindo pra cá para falar com você. Pergunte a ele.
Chequei meus bolsos, mas estava tudo vazio. Eles podiam ter pelo menos deixado a minha bala de hortelã, qual é!
Carter, Harry Potter e outros aurores podem estar procurando por você. Não se desespere.
Claro. Porque é super fácil saber onde estou.
Vocês deixaram rastros. Ele te carregou, mas estava andando na neve. Isso deixa marcas.
Estamos em Dezembro, consciência. Está sempre nevando. A tempestada já deve ter coberto as pegadas
Minha briga contra minha própria mente não me levava a nenhuma conclusão feliz, então decidi apenas dormir. Mas eu não pude deixar de pensar em James. Ele estaria pensando em mim agora? Estaria com saudades? Saberia que eu estava desaparecida? A última vez que havia visto ele foi na enfermaria, quando eu havia desmaiado. Parecia que aquele acontecimento havia sido há meses atrás. Ele ainda estaria com Dominique?
Então eu parei um pouco de me preocupar com eles ou comigo e pensei na minha situação em si. Eu havia sido sequestrada e ninguém sabia a minha localização até onde eu entendia. Eu não tinha uma família de verdade, o que significaria que seria mais fácil para eles pensarem que eu estava morta. Porque, afinal, eu era um problema e acho que no fundo, eu sabia que isso iria acontecer algum dia. Só não imaginava que fosse tão cedo.
Comecei a chorar. Pensei em Rose, James, Nick, Sam, Harry Potter e os Weasley. Pensei em Hogwarts. Mas então eu percebi que estava me punindo por ser tão burra. Bom, se eles acreditavam mesmo que eu era tão estúpida, eles iriam se ver comigo.
Eu mostraria a eles.
Quando acordei, podia jurar que havia ouvido Georgie e Caroline rindo. Imaginei as duas pulando na cama fazendo uma guerra de travesseiros, as penas voando por todo o quarto. Mas quando abri os olhos, era a maldita sala branca onde eu estava.
E eu não estava sozinha.
O homem estava sentado em uma cadeira que havia sido posta lá. Usava uma blusa branca, um sobretudo bege e uma gravata azul folgada. Levantei-me instantaneamente, mas eu não sabia o que ele poderia fazer comigo, então decidi sentar novamente.
— Bom dia, senhorita Carter. Aposto que você adoraria conversar comigo sobre sua estadia na sala de espera, não é?
Ele só podia estar brincando comigo.
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