Pandora

11 Explanations


Notas iniciais
E aí, minhas lindas? Sorry pela demora, eu sempre queria postar, sendo que eu tava morrendo de preguiça, kkkkk' bjs. Boa Leitura! ;)

— Quem é você? — perguntei.

— Aposto que você sabe a resposta.

De repente eu sabia.

— Jeremiah Watson.

— Ou doutor Watson, como você irá me chamar. Aqui todos demonstram respeito por mim, mas também pelo próximo.

— Você só pode estar de brincadeira, cara. Você me sequestrou! Se isso é respeito pelo próximo, então eu aposto que se eu chutasse você no...

— Srta. Carter, nós não te sequestramos. Recuperamos a nossa salvadora. Você é muito especial. E se você quiser ficar conosco, vai nos ajudar a revolucionar o mundo bruxo. Nós finalmente teremos paz.

— Se eu quiser ficar com vocês? Eu posso ir embora?

— Claro que sim! Não estamos te prendendo aqui.

— Aonde é a porta de saída?

— Primeiro eu irei te explicar o porquê de tanto mistério, querida. Deve estar se perguntando por que não se lembra de nada ou o porquê de ter seus poderes.

— O que você sabe sobre isso? — hesitei, observando-o.

— Bom, primeiramente saiba que somos uma organização que procura a paz do mundo bruxo. Nós trazemos aqui todos os bruxos como você: vocês têm essas habilidades incríveis que farão grande papel neste mundo.

— Há outros como eu? Por que eu nunca ouvi falar de vocês?

— Sim, há centenas de vocês. Com esses incríveis poderes que dão vida e curam doenças. Mas, com todo esse bem veio o mal também. A cada vez que vocês usam seus poderes, eles drenam sua energia. Sua força vital. Você já deve ter percebido isso, não é? — ele esperou que eu o interrompesse, mas continuei quieta. Ele continuou: — Mas quando eles fazem isso, retiram uma parte da sua alma. A vida. Quando as pessoas como você chegam aos dezessete anos de idade, elas morrem. Temos feitos muitas experiências desse tipo em vocês para ajudá-los, mas sem sucesso.

— Mas e se eu parasse de usar os meus poderes? Eu não morreria, certo?

— Já fizemos esse teste há algum tempo. Mas a paciente passou a usá-los inconscientemente. Tudo ao seu redor parecia ganhar vida e o experimento durou apenas meses. Ela morreu aos quinze.

— E não há nada? Eu vou morrer? — sussurrei.

— Depois de um tempo, o laboratório achou um medicamento que tarda o inevitável. Alguns de vocês conseguem viver até os dezoito, dezenove. Mas esse... remédio tem alguns efeitos colaterais, tais como tontura, alucinações e vocês perdem metade das suas habilidades.

— Por que eu não estou usando, então?

— Primeiramente, você tem que entender o seu passado. Você é mais poderosa do que imagina, Carter. Veio para cá por conta própria, e somos bem escondidos por fortes feitiços de proteção. Sabíamos que você era especial no momento que pisou aqui. Mas, com o tempo, você passou a perder os seus poderes e tínhamos que fazer alguma coisa! Então tiramos sua memória e a pusemos na câmara secreta com a intenção de parecermos sequestradores. O que você acha que eles fariam se você tivesse aparecido por conta própria e tivesse memórias do por quê? E os resultados foram exatamente o que esperávamos. Seus poderes voltaram, mesmo que limitados. E você não parece doente.

Eu não estava tão mal assim.

— Mas, se a única coisa que vocês estão fazendo é ajudar, por que me sequestraram agora?

— Você viria por opção?

Eu ri só com a ideia.

— O Ministério da Magia sabe disso?

— Apenas algumas pessoas escolhidas. O ministro e gente de confiança.

— Por que eu nunca ouvi falar de alguém como eu?

— Colocamos vocês em locais distantes um do outro e em épocas diferentes, por precaução. Além de que ninguém gosta de compartilhar sua... Peculiaridade.

Eu estava começando a entender o lado deles. Talvez eles tivessem razão. Talvez eu até pudesse ir para lá... Onde eu seria aceita por todos como eu era.

Mas eu me lembrei dos Weasley. De James. Rose. Sammy. Nick.

Eu não podia abandoná-los.

— E-eu... posso ver os outros como eu?

— Claro! Tome um banho e ponha novas roupas, você está dormindo faz algum tempo...

— Quanto tempo? -— o interrompi.

— Um dia e... — olhou o relógio — cinco horas.

Ah meu Deus. Comecei a surtar por dentro, mas fiquei séria por fora. Não sabia o que fazer, então apenas obedeci. Me deram um moletom e uma calça legging, junto a uma sapatilha confortável. Tomei meu banho desconfortavelmente, desejando ir para casa. Mas eu precisava ver como era lá. Se eles realmente eram o que diziam.

Um guarda me esperava do lado de fora do banheiro e me guiou por vários corredores vazios. Eu desisti de memorizar as direções e pensei em Nick. Ele devia estar muito preocupado comigo. Que ótima amiga eu era para deixá-lo sozinho. Uma enfermeira me acompanhou até um quarto branco, como o meu. Mas havia alguém lá. Uma garota.

Ela tinha minha idade. Cabelos ruivos ondulados e um ar sonhador. De repente o quarto não era mais branco. Várias cores pareciam surgir do nada nas paredes e traçavam uma floresta, um lindo céu azul, um coelhinho que inacreditavelmente se movia pela pintura.

— Nossa, você tem... Você consegue... — arregalei os olhos. Aquilo era incrível. Eu nem podia imaginar que conseguia fazer aquilo.

Ela girou sua cabeça tão rápido que eu me surpreendi que não havia torcido o pescoço. Me olhou com uma expressão cheia de medo, depois alívio. Por fim pôs um sorriso na cara e veio me abraçar.

— Meu nome é Coraline. Coraline Ray. Você deve ser a Carter, certo?

Seu sorriso não me enganava. Ela escondia alguma coisa.

Na minha mente, rapidamente eu pude vê-la sentada, suja, olhando para mim com pena. Falava seu nome e encostava-se à parede, com ódio. Balancei a cabeça e voltei à realidade.

— Falaram de mim pra você?

— Me trouxeram aqui por isso. Disseram que você queria ver um de nós e aqui estou eu. Venha, me siga.

Ela me levou até onde a pintura do coelhinho havia parado. Este me observava, curioso.

— Me disseram que você é especial. Que sabe fazer coisas incríveis. Bom, então pegue o coelho.

— O quê? Mas ele é uma pintura!

— Você só precisa acreditar. Feche os olhos.

Obedeci. Ela guiou minhas mãos até a parede, mas eu não toquei em nada sólido. Eu havia atravessado. Segurei-o firme e o puxei para os meus braços. E ali ele estava. Do jeito que eu havia visto. Arregalei os olhos e a encarei, sem conseguir disfarçar a surpresa. Ela segurou o coelho, fazendo carinho.

— Eu consigo fazer isso, cara! Ah meu Deus!

Olhei para onde a pintura do coelho devia estar e vi em letras miúdas a frase. Por um minuto eu pensei que fosse sujeira ou qualquer coisa, mas as palavras eram muito claras e simples demais para que eu pensasse em qualquer outra coisa.

"Fuja daqui".

Ela mantinha o sorriso.

De repente, eu finalmente consegui observá-la de verdade. Sua pele era incrivelmente pálida e seus olhos continham olheiras que pareciam estar ali há muito tempo. Seus lábios estavam secos e a expressão, antes despreocupada, agora mostrava levemente o que realmente estava sentindo: puro medo.

— Me levem até o Dr. Watson. — mandei, e os seguranças fecharam a porta atrás de mim.

***

E então lá estava eu sentada na cama novamente, com ele na minha frente como se nada houvesse acontecido.

— Me responda mais uma coisa: tem alguém me observando por Hogwarts? Alguém com quem eu possa conversar sobre vocês, se tiver dúvida?

— Me perdoe srta. Carter. Mas não podemos contar-lhe, a não ser que decida ficar conosco. Assim como receber suas memórias novamente.

— Bom, eu já me decidi. Eu quero voltar. Ir pra casa...

Ele sorriu.

— Como quiser.

Uma enfermeira pôs uma agulha no meu braço e eu dormi, mergulhando em um vácuo eterno dentro dos meus pensamentos mais profundos.

Notas finais
E então? Curiosas para o que vai acontecer? Quero comentários (SE NÃO EU NÃO POSTO!)