Pandora
12 Questions and More Questions
Notas iniciais
— Carter.
Eu estava flutuando nas nuvens.
— Carter!
Eu não precisava me segurar em nada, porque eu era livre para ir aonde quisesse.
— James, ela não está acordando.
Mas eu precisava parar. Não podia mais continuar. Tampouco podia ficar. Eu ficava apenas flutuando.
— CARTER! CARTER?
... E eu comecei a cair. Meu corpo estava totalmente dolorido e eu só via a luz lá em cima, caindo na escuridão.
— NICK, CHAME AJUDA! PRECISO DE AJUDA!
... Caindo...
— Carter, a ajuda está vindo. Não me deixe, por favor.
... Caindo na escuridão...
Algo pareceu queimar na minha boca. Foi quando eu olhei ao redor e percebi que eu não precisava cair...
Eu precisava acordar.
Abri meus olhos repentinamente e tomei golfes de ar frio. James estava me abraçando e eu não sentia os meus pés.
Estava muito frio.
Bom, isso era óbvio. Eu estava encostada em uma árvore. Na neve. Como havia parado ali?
— Carter! Carter. — James me beijou. Na boca? Eu não me lembrava. — Eu pensei que ia te perder. Ah meu Deus, Carter. Onde você esteve? Estávamos todos muito preocupados.
Eu tentei pronunciar alguma coisa, mas quando notei que não conseguia, me aconcheguei em seu abraço, pronta para mais uma soneca.
— Carter. Acorde. Você não pode dormir, está me ouvindo? Eu vou te carregar até lá dentro e você vai me explicar onde você estava, entendeu?
Assenti.
Seus braços fortes me carregaram e logo eu ouvi exclamações. Sentaram-me em algum canto e puseram panos quentes em mim e vários cobertores. James não saía do meu lado. Abraçava-me forte e eu era grata por aquilo. Apoiei minha cabeça em seu ombro e ele beijou meu cabelo, que parecia derreter.
— Carter! — Nick exclamou, correndo na minha direção com a Madame Pomfrey.
— Temos que avisar aos Aurores que ela está aqui — Rose lembrou e correu para algum lugar.
— Fica aqui comigo — sussurrei para James.
— Sempre.
Dormi.
***
— Carter, sei que precisa descansar, mas antes você precisa nos dizer o que aconteceu com você nesses dois dias que desapareceu. — Harry Potter pediu, sentado junto a Rony Weasley na enfermaria, onde eu ia passar a noite.
— Eu não me lembro de nada — lancei meu olhar mais inocente, disfarçando a mentira. — A última coisa que eu me lembro foi de quando eu estava andando para as árvores e me sentei para ler um livro. Foi só. Desculpem.
— O que se lembra de acontecer em seguida? — Rony perguntou.
— Eu estava sendo carregada pelo James para dentro de Hogwarts. O que vocês fizeram nesse tempo?
— Meu filho e Nicholas Sullivan se juntaram para te achar, mas quando não conseguiram, mandaram uma mensagem para nós. — Harry começou — Temos tentado achar pistas para o que quer que tenha te acontecido, mas nada parece errado. Nenhum rastro. Nenhuma denúncia.
— Bom, eu estou aqui, certo? Vocês já podem cancelar a investigação.
— Sim, mas você irá continuar de cama. Você está com trinta e nove graus de febre! — Madame Pomfrey reclamou — Vocês dois podem conversar com ela mais tarde. A Srta. Carter precisa descansar agora!
Eles foram forçados a sair da ala hospitalar. Não que eu não tivesse gostado, porque eu estava mentindo para todos que eu gostava. Eu nem entendia o porquê de estar fazendo aquilo, mas eu precisava de algumas provas. Prestaria mais atenção nas pessoas ao meu redor: alguém estaria me espiando para eles o tempo todo que estive em Hogwarts.
Concluí que seria melhor guardar segredo de todo mundo, mesmo Nick e James. Seria melhor daquele jeito.
— Agora, querida, eu vou lhe dar um remédio para sua febre e um calmante. Vai ser mais fácil para dormir, sim? — Madame Pomfrey disse e eu concordei.
Quando ela havia terminado, foi para o quarto ao lado e eu fiquei olhando para o teto, pensativa. Eu sabia que aquilo podia não ter tanta importância para ele, mas tinha para mim. James tinha me beijado. Ou pelo menos, acho que ele tinha feito aquilo. Eu ainda podia estar sonhando ou até mesmo tendo alucinações, então não pus muitas esperanças.
Mesmo assim, dormi com um sorriso no rosto.
***
Quando acordei, havia flores em todos os lugares. Eu nem tinha percebido que tanta gente era minha amiga. Nick estava sentado ali, ao meu lado. Parecia pensativo, até que eu suspirei e ele me observou. Deu um sorriso sem dentes para mim e me lançou um olhar preocupado.
— Você está se sentindo bem? — perguntou.
— Estou ótima. Estão me tratando como se...
— Como se você tivesse desaparecido por um final de semana e voltasse sem memórias de novo?
Dei-lhe um soco fraco no braço.
— Hey, eu estou aqui, certo? Vocês não precisam disso tudo. Eu vou ficar bem, eu prometo.
— Carter, se você tivesse morrido, eu não sei o que eu faria...
— Hey, olha pra mim — segurei seu rosto com as duas mãos — Eu estou segura. Eu não estou machucada.
O que aconteceu em seguida foi muito rápido.
Nick segurou o meu rosto e me beijou. Não foi como eu esperava, ele pressionava nossas bocas de um jeito indelicado e voraz. Eu não retribuí, mas também não o afastei. Na verdade, eu estava fora de mim, viajando dentro da minha mente.
O meu primeiro pensamento foi que aquele era o meu primeiro beijo. Quero dizer, eu não sabia ao certo se James havia ou não me beijado antes dele, mas eu sabia o que estava acontecendo naquela hora, e... Eu não devia pensar naquilo no momento. Eu não devia estar pensando em nada! Mas a minha mente corria solta. Não foi exatamente o que eu sonhei. Foi... molhado e estranho. Sua boca era fria, quase como se ele tivesse comido gelo.
Eu não sabia que ele gostava de mim daquele jeito. Nick era como um irmão para mim e eu o amava, mas não era daquele jeito. Vasculhei as minhas memórias a procura de pistas e achei vários sinais. Por que ele nunca brigava comigo, mesmo que quisesse? Por que ele decidiu ser meu amigo, mesmo que toda escola estivesse contra mim naquela época?
Eu percebi que eu também o paquerava, mesmo que não soubesse.
Seu beijo começou a ficar mais calmo e foi aí que eu voltei à consciência. O afastei e me sentei encolhida.
— Me desculpe. — ele pediu.
— Nick, você sabe que eu não gosto de você desse jeito...
— Eu sei. Mas eu precisava fazer isso. Perdoe-me. Eu sei que você gosta do Potter.
Eu estava corada e a minha boca formigava. Ambos respirávamos pesado por causa de tanto tempo sem respirar e eu não sabia o que falar.
— Eu... É melhor eu ir embora.
— Por que você não gosta do Potter? — questionei.
Eu tinha que perguntar. Eles nunca se deram bem desde que eu estava em Hogwarts. Mas não parecia ser por minha causa, parecia outra coisa...
— Em parte por sua causa. Em parte por eu ter sido um idiota em achar que ele podia mesmo ser meu amigo. Uma hora, as pessoas que não te entendem se voltam contra você, Carter. Lembre-se disso.
***
Algumas horas depois eu fui liberada, mas aquilo não foi tão legal para mim. Na ala hospitalar, eu podia ficar sem visitas se não quisesse. Mas lá fora eu tinha que lidar com muita gente me olhando feio e outras perguntando se eu estava bem e o que havia acontecido comigo.
Peguei meus livros e me dirigi até a Sala Precisa, onde eu estudei até madrugada. Quando eu voltei às minhas aulas, os professores mandaram que fizéssemos silêncio, então eu podia ignorar as pessoas que sussurravam qualquer coisa para mim.
Mas as coisas não foram como o planejado no dia seguinte.
Quando eu fui almoçar, o diretor Longbottom pediu atenção a todos:
— Como todos sabem, um acontecimento inesperado preocupou várias pessoas. — Pigarreou —Como sempre, o Ministério da Magia visa sua segurança e bem-estar, por isso Aurores estão vindo aqui para Hogwarts para investigação e proteção. Sei que todos estavam animados para seu passeio a Hogsmead, mas receio que terá de ser adiado.
Muitos olhares queimavam as minhas costas e eu tentava me manter focada no diretor, porém eu já estava longe daquele salão...
Eu tinha feito a coisa certa ao mentir para aquelas pessoas?
Minha consciência me implorava para contar a verdade, sobre o que realmente aconteceu naquele lugar. Mas algo me impedia, quase como se não fosse eu.
Porém de uma coisa eu estava certa: eu precisava procurar por pistas do que realmente estava acontecendo naquela Organização.
Fale com o autor