Pandora

13 The Grove of the Kiss


Notas iniciais
Por que será que eu sou tão má, não é mesmo? Algo do título ou do gif lhes diz alguma coisa? Hum... Gente, eu sei que eu demorei pra postar. Mas... Postei, não é? Yupii! Alguém aqui assiste Buffy the Vampire Slayer? Boa Leitura!

Eu não andava mais sozinha. Quando eu não estava com Nick ou Sam, eu estava com Rose e Roxanne, ou estudando com um grande grupo da Corvinal ou sob supervisão de um Auror. Toda vez que eu tentava procurar por James, Nick chamava minha atenção e me fazia esquecê-lo. Eu sabia que aquilo era de propósito: tinha alguma coisa que havia acontecido entre os dois que ninguém me contou. Mas não era algo recente, parecia mais como uma ferida ainda não cicatrizada.

Tudo parecia um grande plano bem organizado para me impedir de procurar informações sobre a Organização — já que eu não ficava sozinha —, e já estava começando a ficar de mal-humor. Todos foram proibidos de sair de Hogwarts e deveríamos ficar sob a supervisão de um Auror quando estivéssemos perto da floresta. Aumentaram as aulas de defesa contra arte das trevas e diminuíram as de poções, me deixando cada vez mais irritada até que em alguma hora eu explodi. Avisei às meninas que demoraria muito no banho e assim que saíram, pus um casaco grande do Nick e coloquei o capuz sobre a cabeça. Corri apressadamente, porém discreta, até a biblioteca e perguntei à bibliotecária:

— Você sabe alguma coisa sobre... Ahn...

Aquela seria uma boa ideia? Bom, eu já estava ali.

—... Sobre Jeremiah Watson? Ou Coraline Ray?

— Jeremiah, se não me engano, foi um professor de Hogwarts alguns anos atrás até que de repente se demitiu e sumiu do mapa. Nunca mais soubemos dele. — A mulher me encarou com uma expressão estranha e eu mordi o lábio para não explicar ou falar algo que pudesse me comprometer. Respirei e continuei:

— Tem algum livro sobre ele?

— Não. Ele não fez nenhum grande feito. Mas... — Ela parecia estar vasculhando alguma coisa em sua mente. — Eu me lembro... Ele era obcecado por uma aluna dele. Nada de relacionamento amoroso, posso afirmar, mas eu sei que coisa boa não era.

— Posso falar com ela? — pedi ansiosa.

— Infelizmente ela morreu. — A bibliotecária franziu a testa. — Era muito boa aluna, mas quando estava pra completar dezessete anos, desmaiou e não acordou. Eu sei que ela ficou muito doente antes de... Dizem que o professor Watson saiu por causa de outra proposta de emprego, alguns meses depois, mas há essa teoria de que ele saiu por causa dela.

Ah meu Deus. A história se formava rapidamente na minha cabeça. A tal garota devia ser igual a mim, fazendo feitiços sem varinha. Como o Dr. Watson tinha falado, todos nós morremos aos dezessete, como ela. E talvez ele tenha descoberto sobre a Organização através dela e foi trabalhar lá após sua morte, talvez para que mais ninguém morresse. Tudo fazia sentido!

Mas então eu me lembrei da minha conversa com Coraline.

Fuja daqui.

Eu não sabia o que pensar e muito menos em quem confiar. Todos pareciam verdadeiros para mim. E todos pareciam mentirosos. Bufei, esfregando o rosto, e perguntei à mulher:

— E Coraline Ray? Sabe algo dela? Esse nome lhe parece familiar?

— Não, desculpe.

Como ninguém me conhecia antes. Algo estava extremamente errado.

— Senhorita? Você está bem? — ela me perguntou. — Quer que eu te leve à Ala Hospitalar? A senhorita parece a ponto de vomitar.

Arregalei meus olhos enquanto tentava estabilizar a respiração. Acalme-se!

— Eu estou ótima, obrigada. — tentei sorrir, o que deve ter parecido mais com uma careta.

— A senhorita está fazendo algum trabalho sobre... — Não consegui escutar o que ela falou após isso. Senti que havia algo errado.

Alguém está te espiando! Minha mente me sussurrava, provocando arrepios. Olhei em volta e notei uma sombra no final da biblioteca, apenas me observando. Quando notou que eu a estava olhando, fugiu. Corri em sua direção e passei pelo corredor cheio de livros, procurando-a. A luz começou a piscar e se apagou no local aonde eu me direcionava e, quanto mais perto eu chegava, mais escuro ficava. Então a vi. Era definitivamente uma garota, correndo freneticamente até não ter mais saída.

— Hey, calma! Eu não vou fazer nada! Você trabalha para a Organização? — perguntei, tentando enxergar melhor na escuridão.

Ela parou, como se eu a tivesse congelado. Ela parecia querer se virar na minha direção e pude ver seu braço todo cicatrizado. Quase como se tivesse passado a vida apanhando. Ela sussurrou:

— Não confie nele. — Eu reconhecia aquela voz, mas não sabia de onde. Era tão frustrante não saber!

A garota se aproximou da parede e tentou passar por ela como se fosse um portal, mas bateu a cabeça ao invés e começou a se desesperar.

— Hey, calma! Quem é você? — Tentei soar calma. Falhei. — Eu posso ajudar! De quem você está falando? Jeremiah Watson?

Ela virou o corredor e quando tentei segui-la, não achei ninguém. Ela havia desaparecido.

***

Eu passei parte do dia escondida das pessoas, lendo meu livro. Mas então eu pensei se estariam atrás de mim e tirei o casaco, amarrando na cintura. Pensei em como ninguém estava ali para me impedir e procurei por James. Achei-o perto de algumas árvores, pensativo. Quando viu que eu me aproximava, se levantou e me abraçou.

— Oi, James — eu só conseguia cheirar aquele aroma masculino que ele exalava. Era tão delicioso e confortável que eu não queria me separar dele jamais. Lembrei-me de quando havia acordado após sair da Organização e ele me beijou. Seria aquela lembrança um sonho ou realmente havia acontecido? Quase perguntei a ele, mas não quis arriscar. Pus minha cabeça confortavelmente sobre seu ombro, que era até onde eu alcançava. Seu abraço era firme, quase como se eu não o visse há anos.

— Me perdoe, Carter. Mas ninguém me deixava te ver. É tudo mentira, você tem que acreditar em mim!

— O que é mentira? — Franzi a testa.

Ele me olhou surpreso, mas depois pareceu se conformar.

— Espalharam um boato que eu e Dominique passamos a noite juntos no dia em que você desapareceu. Ela está tão desesperada quanto eu, e é mentira. Você precisa acreditar em mim.

— James...

— Eu sei que eu não posso provar o contrário, mas naquela noite que eu e ela ficamos à sós eu admito que beijei-a um pouco mais que deveria, mas eu só estava tentando esquecer você! Mas eu não consigo!

James! Calma. Eu acredito em você. Acredito em você...

Ele me olhou de um jeito que fez os pelos da minha nuca se eriçarem. Ele parecia memorizar o meu rosto em sua mente, quase como se fosse a última vez que fossemos nos ver. E fez o que eu mais desejava que acontecesse. Ele fez a única coisa que eu mais queria e que pensava que nunca aconteceria. Ele segurou o meu rosto com suas duas mãos, como se fosse algo tão precioso que precisasse de toda a sua atenção para não quebrar, me encarava com seus olhos castanho-esverdeados e eu pude ver meu reflexo neles. Estava receosa e meus olhos brilhavam.

E então ele me beijou.

Foi repentino. Inesperado. Extremamente... não consegui pensar em algo para terminar o pensamento. Deixamos tudo para o lado. Eu só o queria perto de mim e pensava que não ia conseguir ficar longe dele. Eu precisava dele mais do que precisava respirar.

Era daquele jeito que eu tinha desejado que fosse o meu primeiro beijo de verdade. Fiquei um pouco magoada por Nick ter feito aquilo, mas eu precisava aproveitar o momento. Meus pensamentos não se concluíam e eu segurei sua nuca com uma mão, enquanto a outra brincava com seu cabelo assanhado e único. Eu o desejava. Era uma sensação assustadora, como se eu estivesse na beira de um penhasco e de repente estivesse caindo, pura adrenalina. Era como se eu estivesse quebrando todas as regras, todas as barreiras, como se eu pudesse fazer qualquer coisa ao seu lado. Era aterrorizante e ao mesmo tempo confortador. Naquele momento apenas nosso, com aquele beijo e a pura felicidade no peito, me senti livre.

E então, passou.

Suspirei, terminando o beijo. Afinal, aquilo não era certo.

— James, Dominique...

Separamo-nos e me senti perdida. Tão livre em um segundo, e no outro tão só. Eu esperava que ele implorasse que eu ficasse com ele, que jurasse que terminaria com ela, que ao menos segurasse a minha mão. Mas o que realmente aconteceu não foi nada do que deveria acontecer:

— Ah, Dominique. — Ele suspirou.

Eu me desvencilhei de seus braços. Meu rosto devia demonstrar o que eu sentia: perplexidade e tristeza. Andei alguns passos de costas, memorizando seu rosto carente. Mesmo naquele momento, se ele me pedisse, voltaria para ele. Mas ele não disse nada. Fez menção de falar várias vezes e toda vez que via aquilo, me enchia de esperanças, e então ele desistia.

— Você é um idiota, James Potter. — Algo dentro de mim me pedia para achar a palavra certa, aquela a qual eu poderia cuspir nele e então ele se sentiria como eu. Mas tudo o que consegui falar foi aquilo. Senti-me tão suja, tão traída... Como pude deixá-lo fazer aquilo comigo, me dar esperanças, para então me jogar fora?

Virei-me na direção contrária a ele. Eu só queria sair dali.

— Me desculpe — falei, com uma voz fria e distante. — Isso nunca mais vai acontecer.

Perguntei-me se o que havia dito era para ele ou para que eu acreditasse. Eu não estava tão segura quanto minha voz e minhas pernas ameaçavam fraquejar e cair. Eu sabia que se isso acontecesse, choraria. Desfaria-me em milhões de pedacinhos e jamais seria capaz de me erguer novamente. Por isso, juntei todas as minhas emoções em uma caixinha e a pus lá no fundo do meu coração.

— Carter... — Ele murmurou baixinho, mas eu não virei. Já havia feito minha escolha.

Se ele disse que não conseguia me esquecer, por que escolheu aquela loira idiota? Mentiroso.

Entrei no meu dormitório e fechei meus olhos, suspirando. As minhas companheiras ainda estavam por aí. Fiquei olhando para a parede até ser hora do jantar, mas não comi. Terminei minhas tarefas e arrumei o quarto. Não queria conversa, então me deitei cedo e dormi, pensando se não teria sido melhor ter apenas ficado longe do moreno.

Notas finais
EEEEEEEE ENTÃO, GALERA? Se surpreenderam muito? Que James imbecil, não é? O que vocês esperam do próximo capítulo? Eu arranjei uma surpresinha pra vocês, então se me derem comentários, eu posto rápido, ok? Até!