Pampean Chaos

2 The "New" Camper


Notas iniciais
Gostaria que tivessem paciência nesse e próximos capítulos. Os primeiros capítulos de qualquer fanfic/livro são, talvez, mais maçantes, pela descrição dos personagens. Mas é importante para não ter que ficar falando detalhes novos sem aviso prévio, mudando a imagem que o leitor tinha do personagem. Ademais, aproveitem o primeiro capítulo!

Porto Alegre estava lotada. Sendo uma cidade neutra na Terceira Guerra Mundial, pessoas de vários lugares do país se mudavam para lá, fugindo da ameaça de bombas atômicas que afligia as cidades aliadas aos Estados Unidos. Podiam cair a qualquer momento nelas. Rumores que corriam pelas ruas diziam que a capital gaúcha era o lugar mais seguro da América Latina, o que atraiu também latino-americanos e moradores das planícies interioranas. Era possível ouvir sempre alguém falando espanhol com sotaque.

Uma pessoa que fora atraída era Camila Föld. Já fora campista no Acampamento Meio-Sangue de Porto Alegre, porém nenhuma deusa a reclamara. Aos 17 anos, se mudara para Santa Cruz, onde morara ninguém-sabe-onde. Enfim, três anos após sair, ali estava, de volta à Capital. Seu odor de semideusa fez prontamente ela correr risco. Havia muitos mais monstros que antigamente, também. Percorria a Avenida Farrapos, durante aquela fria noite outonal. Ia para o seu único verdadeiro lar, o Acampamento. Começou a ouvir som de passos, o calafrio de estar sendo seguida percorreu sua espinha. Levou a mão para dentro do bolso falso da calça jeans, segurando a adaga presa a uma liga que tinha na perna direita.

Lei de Murphy. O nervosismo a fez tropeçar em seu próprio pé. Caiu no chão, ralando os joelhos. Ouviu o riso atrás de si e se virou, sem levantar ainda. Uma empousa estava em pé, na sua frente. A informação visual demorou a ser processada: era uma prostituta. Lingerie vermelha, lábios com batom cor-de-sangue, maquiagem pesada. Como conseguia não sentir frio?

– Não tente resistir, semideusa. Apenas deixe-me alimentar de seu sangue...

Foi a vez de a campista rir. Disse, enquanto levantava, já com a adaga em mãos:

– Eu, desistir? Você é quem deveria fugir.

A mulher rosnou e avançou em Camila, mostrando garras e presas. Desviou da investida, saltando para o lado. Podia sentir a adrenalina correndo em suas veias, tinha saudade disso. Era sua vez de atacar. Experiente, embora levemente enferrujada, finalizou a adversária com dois golpes: um na perna de bode, o outro na garganta. O pó dourado aderiu a todo o corpo da indefinida. Sorriu e voltou a andar.

***

Camila estava começando a se irritar. Quarta batalha, e ainda não chegara ao Acampamento. Dessa vez era um cão infernal. Estava ferida de uma luta contra um ciclope, no braço. O canino avança, percebendo ela distraída. Derrubada, vê a boca se abrir, prestes a ser devorada. Crava sua adaga na pata que a mantinha presa no chão. O cachorro late de dor, mas não se afasta.

Era seu fim. Fecha os olhos. Inacreditável, faltavam nem duzentos metros para chegar. Falhara “na beira da praia”. Isso fez uma raiva de si mesma subir em seu peito. Então o impossível, para os humanos, aconteceu.

Um terremoto, em plena Avenida Osvaldo Aranha, começa, com epicentro exatamente embaixo da indefinida. O monstro se assustou, saltando de cima dela e correndo. Abriu os olhos, sorrindo ao vê-lo se afastar. Mas logo se sentiu cansada ao extremo. O abalo sísmico cessa, e ela desmaia. Um adolescente se aproxima, olhando o corpo desmaiado. Murmura:

– Ca, você voltou...

O rapaz sorri. Pega a amiga no colo, levando ela para o Acampamento. Assim que chegou, foi até os aposentos de Dionísio. O semideus estava acordado naquela hora da madrugada porque teve um pesadelo. Sua irmã, Lourine, estava em missão, e ele sonhou que ela estava em problemas, cercada por inimigos. Não conseguira dormir depois de ver isso. Mas esperava que o deus ainda estivesse dormindo. Adentrou o recinto, vendo que estava errado. E se surpreendeu ao ver que a Oráculo também estava ali. Ambos interromperam a conversa e olharam para ele. O deus do vinho disse:

– Galiel, que queres?

– É Gabriel. Gabriel Blake. Estava andando na Redenção. Um terremoto começou... e encontrei ela. – Coloca-a em uma poltrona que havia ali.

– Camila! – A Oráculo salta e abraça a semideusa desmaiada.

A Oráculo era Jéssica de Mohr, uma filha de Apolo que recebera o espírito de Delfos. Tinha hábitos diferentes, como morar em um banheiro público da Redenção que fica dentro dos limites do Acampamento. Seus cabelos longos, negros, caiam lisos sobre os castanho-escuros ondulados da indefinida. Em realidade, Gabriel, Jéssica e Camila eram muito amigos. Matthew Lenz, que era um menino tímido, viciado em fotografias, filho de Atena, também fazia parte do quarteto. Dentre eles, o filho de Atena era o mais socializado no Acampamento, mesmo tendo algumas manias, mas melhor aceitas pelo fato de ele ser filho da Deusa do Conhecimento. Camila, por ser indefinida e aparentar ser diferente de todos ali, era menos. Jéssica, por ser a Oráculo. Matthew por ter hábitos estranhos, como sair para andar de madrugada.

Dionísio disse:

– Galadriel, leve-a para a Enfermaria.

O rapaz não corrigiu. Apenas pegou-a novamente no colo e a levou para que os semideuses especializados em cura ajudassem-na. Depois, voltou a andar no Parque, armado para o caso de surpresas, sem o menor sono.

Notas finais
Comente aqui ou no evento o que achou do capítulo, para eu saber que personagens estão gostando mais ou menos, para me ajudar no rumo que devo dar à história! Obrigado por ler!