Pampean Chaos

3 American Routine


Notas iniciais
Desculpem a demora para postar. Tive que resolver (e ainda estou tendo) que resolver a questão dos nomes, além de ter provas na faculdade. Lembrem-se de que a fanfic ainda está na fase de apresentação de personagens, por isso a falta de real ação. Pode ser maçante, mas é necessário para a fanfic ficar boa mais para a frente. Aproveitem o capítulo!

O Acampamento Meio-Sangue de Long Island sentia falta de Dionísio. Os mais espertos sabiam que o que estava acontecendo era uma mudança gradual do centro de poder no mundo. Os Estados Unidos estavam quase falindo economicamente naquela guerra sem fim, todo o hemisfério norte estava fatigado, mas ninguém se rendia. Os Olimpianos criaram uma nova personalidade no Novo Olimpo, em Porto Alegre, à medida que a personalidade americana enfraquecia, fatigada pela guerra contra Gaia, que intensificava ainda mais os conflitos entre suas versões romana e grega. Ora estavam lutando na pátria estadunidense, ora criando uma nova morada na capital gaúcha. E o Sr. D. estava mais com os campistas brasileiros que com os norteamericanos.

Quíron estava coordenando as tropas gregas, Reyna as romanas, a partir do Acampamento. Rachel não tinha mais o espírito de Delfos, portanto Octavian era quem previa o futuro ali. Porém nem ele conseguia, o que só o tornava ainda mais irritante para a pretora e todos a sua volta.

Na Praia de Fogos, duas meninas conversavam. Uma segurava um arco dourado, além de estar com uma aljava branca com detalhes em ouro. A outra, um arco composto prateado e uma aljava da mesma cor. Eram visivelmente filhas de Apolo. A primeira era britânica, tinha o corpo definido, olhos que estavam verde-acinzentados naquele momento, cabelos castanhos com californianas, caindo pela lombar como uma cascata, e tatuagens espalhadas pela pele. Seu sotaque era facilmente identificável:

– Cheguei só a uma semana. Morava em Canford Cliffs, na Inglaterra. Mas... bem, cansei da ameaça ininterrupta de bomba lá. Sei que aqui também tem, talvez mais, porém pelo menos não vivem aqui quase como em uma ditadura... tínhamos toque de recolher, sempre havia um policial te vigiando... era horrível. A propósito, não disse meu nome ainda. Pietra Sunshine, ou Pih.

Estendeu a mão, sorrindo. A segunda a apertou, também sorrindo. Era pequena, magra, a pele levemente morena, os olhos castanhos e cabelos pretos escorrendo por suas costas.

– Stella Mors. Mas pode me chamar de Lhoka. – Suspira, formulando o que falaria. – Imagino que realmente seja horrível viver assim. Gosto da liberdade que tenho, embora reduzida por causa dessa guerra.

Era perceptível que conversar sobre assuntos pessoais era incômodo para ela, embora se esforçasse para tentar ser gentil com a nova meio-irmã. Esta notou o desconforto da outra e mudou de assunto:

– Vamos fazer uma disputa de arco-e-flecha?

A campista mais experiente sorriu, gostando da ideia.

– Prepare-se para perder. Não vou pegar leve por ter acabado de chegar.

– Acho que alguém vai revisar o conceito de “pegar leve”. – Pih disse, provocativa.

Levantaram-se. Pietra apontou para uma concha, a quinze metros. Ambas retesaram, armaram a flecha e atiraram.

***

Um semideus estava completamente encolhido no chalé de Baco/Dionísio. Seu nome era Miguel McFedell. Era inteligente, um pouco acima do peso, alto, forte, cabelos negros e olhos cor-de-chocolate. Mas o som dos trovões o fazia se encolher como uma criança de dois anos durante uma tempestade.

Estava ensolarado do lado de fora. Exceto em cima daquele chalé. Dois filhos de Zeus , que sabiam que o brontofóbico* estava ali dentro. A menina ruiva, de olhos azuis-céu e óculos de aro dourado disse, animada:

– Mais um, Teo!

– Calma, Giu, vamos esperar ele achar que paramos!

“Teo” era Teófilo Flanagan. Tinha cabelos pretos com algumas mechas azuis, olhos da mesma cor e, mesmo sendo baixo e magro, tinha uma aparência imponente. A sua meio-irmã, “Giu”, era Giulia Stryder. No passado, o filho de Baco os havia provocado, agora lhe davam o troco diariamente. Ouviram o grito amedrontado vindo de dentro do chalé:

– Parem, por favor! Um mês já chega, não?! Já disse, desculpa, desculpa!

Os filhos do Rei do Olimpo riram sonoramente.

– Por hoje paramos, Gliel, mas voltaremos amanhã com mais trovões...

Fizeram um último raio cair no topo do chalé, um grande trovão sendo ouvido em todo o Acampamento. Riram novamente, indo embora para o chalé deles.

***

A trombeta pôde ser ouvida em todo o Acampamento Meio-Sangue. Todos ficaram tensos: era sinal de perigo. Todos interromperam o que faziam e foram para a frente da Casa Grande. Quíron, com sua armadura de batalha, e Reyna, igualmente paramentada, estavam lado a lado na sacada. Os campistas naturalmente se dividiram: gregos à esquerda, o lado de Quíron, romanos à direita com a pretora, que começou a falar, bastante séria:

– Uma nova horda de monstros está se direcionando ao Acampamento. – Um suspiro que queria dizer “De novo? Não os eliminamos a duas horas?” foi perceptível. – Sabemos que vocês estão se cansando, mas temos que nos proteger.

Olhou para o Diretor do Acampamento, que meneou. Voltou a olhar para os meio-sangues, continuando:

– Filhos de Júpiter, Marte, Belona e Vulcano, e respectivos gregos, ficarão no front, como de costume. Filhos de Febo e Apolo e demais semideuses adeptos de armas de longo alcance, na retaguarda. Os demais entre as duas linhas, onde se sentirem mais confortáveis. Lutem como um só, como sempre treinamos, assim como espartanos e romanos lutavam!

O centauro tomou a palavra:

– Não se deixem enfraquecer, semideuses. Em breve essa Guerra terá um fim. – Olhou para Octavian, que estava olhando tudo de uma janela acima da sacada. Ele tinha dito isso. – Preparem-se. Em dez minutos nos organizaremos nas Fronteiras. Que os Deuses estejam conosco.

Era um tanto irônico dizer isso. Eles estavam se afastando, indo para o Brasil, afinal. O clima estava tenso, sabiam que provavelmente venceriam, porém alguns morreriam, especialmente no front. Mas não tinham escolha. Foram se preparar em seus chalés, um silêncio incômodo perdurando no Acampamento Meio-Sangue.

Logo tal silêncio seria substituído pelos sons de batalha. Metal batendo em metal, gritos de agonia de feridos, sonoros berros de guerra. Para os menos afortunados, suspiros de morte.

Notas finais
*brontofóbico: "Pessoa com medo de raios, trovões e tempestades." Comente aqui ou no evento o que achou do capítulo, para eu saber que personagens estão gostando mais ou menos, para me ajudar no rumo que devo dar à história! Obrigado por ler!