Notas iniciais
Mais um capítulo, pessoas! Espero que gostem. Boa leitura :3

A luz invade o meu quarto de uma forma desconfortável. No início, achei que tivesse esquecido o abajur ligado, mas descartei essa ideia ao notar as cortinas abertas e a neve caindo sobre a minha janela.

Me espreguicei que nem um gato, ainda esparramada na cama.

Porém uma voz rouca e profunda me fez paralisar.

—Belo pijama.

Abro os olhos e me deparo com a imagem de Connor sentado na minha cadeira de rodinhas. Seria engraçado, se não fosse desesperador, vê-lo gigante na cadeira que mal suportava o seu tamanho.

Ele segurava a minha coleção de CDs da Roxette entre os dedos, as pernas longas esticadas.

Ele ergue o olhar no mesmo instante em que eu o olho.

O meu coração salta enlouquecido. De medo, claramente.

Me ergo e tento parecer confortável sentada na cama com o meu pijama de Minnie, tendo um cara sentada a poucos metros de mim.

Uma situação super normal.

—O que está fazendo no meu quarto?-Tento soar ameaçadora, mas pela cara despreocupada dele sei que não surtiu nenhum efeito.

—Sua mãe me pediu para chamá-la para o café da manhã.

Ele se ergue e eu recuo involuntariamente na cama, segurando os lençóis como se fossem armas.

Penso um pouco antes de responder. Mamãe jamais deixaria Connor entrar no meu quarto.

—Está mentindo.

—Não estou. -Ele retruca e seu olhar se detém em uma parte de mim. Sigo o seu olhar e percebo constrangida que a barra da blusa havia se enroscada um pouco, permitindo que uma parte da minha barriga ficasse exposta.

Um arrepior eletrizante percorre a minha pele. Argh!

—Connor. -Chamo quando ele deixa um sorriso sacana escapar. -Sai do meu quarto. Agora.

Digo enfática a última palavra, com os olhos estreitos o observando caminhar livremente pelo meu quarto. Vasculhando com o olhar as minhas prateleiras de livros.

—Mas, nós mal conseguimos conversar ontem. Você parecia um coelhinho assustado. -Ele comenta como se estivesse falando do clima, parando para analisar algumas fotos que eu havia pregado em um mural. -Sem fotos minhas. Você acabou de partir meu coração, Hailey.

Ele se vira e eu não estava preparada para lidar com aquele olhar.

Na verdade, eu acho que nunca estaria preparada para lidar com nenhum tipo de olhar de Connor. Eu não sabia como defini-los. Não eram exatamente intimidadores, mas também não eram inocentes. Eram olhares que faziam os meus joelhos se tornarem gelatina e faziam as velhas borboletas alçarem vôo livremente na minha barriga.

O que era totalmente ridículo. Por que Connor era o verdadeiro bicho papão, então eu proibia as borboletas de voarem na minha barriga.

Mas, não havia dúvidas, os seus olhares eram feitos para enrubescer.

—Eu não vou repetir.

Aponto para a porta.

—Calma, Hailey. Eu não vou atacar você. Não sou mais uma criança. -Ele diz, mas pela forma como fala, parecia querer dizer exatamente o contrário.

—Então, demonstre a sua maturidade, dando meia volta e saindo do meu quarto. -Continuo com o dedo apontado para a porta.

Ele parece querer dizer algo, mas se contém.

Depois de um silêncio opressor na qual me analisa sob os cílios espessos, finalmente caminha em direção a porta.

—Ah, antes que eu me esqueça. Você ainda ronca.

Agarro uma almofada e atiro na sua cara, mas ele fecha a porta antes e só consigo ouvir a sua risada no corredor.

☆☆☆

—Riley, porque não leva o Connor com você para jogar basquete? Talvez, ele encontre alguns dos amigos dele lá.

Eu sinto o pedaço de pão virar pedra na minha garganta quando assisto Riley dar de ombros e comer outra garfada de cereais.

—Pai, Riley já ficou de me levar para a patinação hoje. -Falo tentando soar descontraída, mas paraliso quando sinto a perna de Connor encostar na minha quando se estica para pegar a manteiga.

Meu estômago embrulha e eu esqueço o pão. Talvez, estivesse estragado.

—Riley pode levar os dois. Eu acho que o carro é espaçoso o suficiente. -Papai me olha estranho como se não entendesse.

Meu pai nunca soube o que acontecia entre mim e Connor, parte porque mamãe não achava certo importuná-lo com isso, e em parte porque Connor era seu afilhado e papai enchia o peito de orgulho quando alguém citava o nome dele. Mamãe não queria estragar a imagem de bom samaritano do Connor.

Pra minha desgraça.

—É que…-Tomo um gole de suco tentando tomar tempo. E, de repente, há seis pares de olhos focados em mim. E um deles me fazia congelar por dentro. -…o carro não tem estado muito bom. Então, quanto menos peso melhor.

—Não tem?!-Papai olhar confuso para Riley, que me devolve um olhar divertido.

Estreito o olhar para o meu irmão gêmeo e espero que ele entenda a minha conversa telepata, que envolviam uma ameaça e uma serra elétrica.

—O carro está em perfeitas condições. Se melhorar, estraga. -O meu irmão diz por fim, se deliciando com a minha desgraça.

—Ótimo. -Papai diz alegre, voltando a comer sua torrada. Ele olha para Connor e mastiga antes de falar. -Aposto como sentiu falta dos seus amigos, Connor.

Aquilo apenas me desespera ainda mais. Se Connor era o cão em pessoa, os amigos dele eram como os verdadeiros ajudantes do mal. Eram como piolhos, se matava um, dois deles apareciam no lugar.

Só de pensar em vê-los juntos outra vez, o meu coração berra em puro terror com pancadas aterradoras contra as minhas costelas.

Eu me desligo da conversa, tentando elaborar um plano de fuga urgente antes que eu precisasse ser obrigada a estar trancada com aquele projeto do mal no mesmo carro.

Mas, os meus pensamentos caóticos são rapidamente nublados quando sinto o braço de Connor raspar o meu. A minha pele arrepia com aquele mínimo contato e eu só consigo pensar no quanto a sua pele é quente.

Dirijo o olhar para baixo quando sinto seu olhar sobre mim, quase como se fosse um roce em cada canto em que seu olhar se demora. A minha coluna se estica como um verdadeiro pau quando o hálito morno de Connor acaricia o meu pescoço exposto pelo coque preso no alto da cabeça.

—E de outras coisas também. -Ele sussurra e volta para o seu lugar, sem saber que com aquelas palavras havia acabado de me destruir por dentro.

Notas finais
Comentemm, pessoas please!!!