Palavras de amor
18 Capítulo 18
Pov Mônica
— O que!!
— Qual o problema?- Eu perguntei.
— O problema é que eu não posso fazer isso!- Ela gritou.- já disse que em questão de dançar eu sou tímida.
— Mas maga, você nunca se imaginou dançando para todos- Eu falei.
— Bom...às vezes quando eu danço aqui ou em casa sempre me imagino num palco- Ela disse.
— Então o que te impede de fazer o teste pro time?
—...
— Maga?
—...
— Maga...
— Eu tenho medo!
— Medo?
— Sim, eu sempre quis participar mas tenho medo de dançar na frente de tanta gente.- Ela se sentou na arquibancada.- nem o Cebola que é meu melhor amigo sabe que eu danço...
— Desculpa- Eu disse, enquanto me sentava ao seu lado.- eu não sabia...
— Tudo bem.
— Mas por que você tem medo?
— Por que se eu dançar na frente de várias pessoas sempre vou ficar com mil pensamentos, aqueles olhares encima de mim...- Ela explicou.- vou congelar e passar um mico.
Magali põe a cabeça entre as mãos.- acho que não mereço o colar que aquela dançarina de rua me deu quando era criança...
Maga ergue a cabeça, tira seu colar e o joga com força no chão.
— Não diga isso.
Me levanto da arquibancada e vou pegar o colar do chão.
— Se aquela dançarina te deu o colar é por que ela viu um potencial escondido dentro de você- Eu me sentei novamente ao seu lado.- que nem a bailarina que me deu a coroa de flores.
— Não me acha uma idiota por causa disso?- Ela perguntou.
— Não- Eu neguei.- todo mundo tem medo, o importante é você querer superar.
— Nunca vou conseguir fazer isso Mô...
— Não sozinha...
— Como assim?
— Você tem seus amigos pra ajudar- Eu falei e entreguei seu colar.- e sempre estaremos contigo se precisar.
— Não sei se quero fazer isso...
— Tudo bem- Eu concordei e me levantei.- mas se mudar de ideia é só me falar.
Dou um abraço em Magali e saio do ginásio.
Vou até o pátio mas antes de atravessar o portão meu celular toca.
Abro minha bolsa e o atendo.
— Alô!
— Oi filha
— Oi pai, por que me ligou?
— Quero pedir pra você pegar o seu irmão na escola, estou atolado e não consigo arranjar tempo pra eu ir.
— Claro, pego o Matt.
— Obrigado filha.
— De nada.
Desligo meu celular, coloco em minha bolsa e saio da escola e vou para de meu irmão.
— Oi Matt, vim te buscar hoje.
— Oi- Ele cumprimentou. E mais uma vez o sorriso forçado estava lá.
— Como foi na escola?- Eu perguntei.- aposto que o meu pequeno gênio se saiu bem em todas as matérias.
— É.- Ele balançou a cabeça.
— E eu tava pensando em quando chegarmos em casa assistíssemos star trek- Eu sugeri.- que tal?
— Não quero- Ele negou.
— Mas você adora esse filme- Eu falei surpresa.- nunca recusou a assisti-lo.
— Só vamos embora...por favor
— Ok...
Pego a mochila de Matheus mas quando íamos sair...
— Você é a irmã do Matheus?
Me viro e vejo a professora do meu irmão.
— Sim- Eu confirmei.- Mônica.
— Pode vir comigo?- Ela pediu.
— Ah...claro- Eu concordei.- espera aqui?
— Espero...
Acompanho a professora para a sala de aula e me sento na cadeira.
— O que quer falar?
— Como sua família esta?- Está perguntou.
— Bem..- Eu respondi. Mas na verdade isso está esquisito.- por que quer saber?
— É que nesses últimos dias o Matheus anda meio triste, fica sempre de cabeça baixa, não brinca com os amiguinhos e não responde mais nenhuma pergunta em aula- Ela explicou.- e eu achei que pudesse haver algum problema na casa dele.
— Não tem nenhum problema- Eu respondi.
— Nenhuma briga entre os pais?
— Meus pais estão separados- Eu disse.- mas não há nenhuma briga pra quem obtém a nossa guarda, eles estão bem e vemos nossa mãe sempre que dá.
— Então se não há problemas em casa não sei o que pode ser- Ela disse, pensativa.
— Também reparei nisso.- Eu falei.- vou tentar ver se ele me conta o que houve.
— Faça isso- Ela pediu.- não gosto de ver nenhum aluno meu desse jeito.
— Farei meu melhor.- Eu prometi e me levanto da cadeira.
Saio da sala e vou para perto de meu irmão.
— Podemos ir?- Ele perguntou.
— Sim.
Vamos para casa num silêncio bem esquisito de minha parte.
— Chegamos!
— Oi queridos.
— Mãe!!- Eu e Matheus gritamos e fomos abraçar nossa mãe.
— Surpreendi os dois?
— Muito.
— O que faz aqui?
— Vim fazer um convite
— E qual seria?
— Se vocês querem almoçar comigo hoje.- Ela falou.
— Adoraríamos!- Nós respondemos.
— Ótimo.
— Espera, e o papai?
— Já liguei pra ele antes dos dois chegarem.
— Tudo bem- Eu concordei.- mas sinto uma pena de deixar a Lalá na mão...
— É, ela sempre fica contente quando comemos a comida dela.
— Podem ir crianças.- Lauren apareceu na sala.- vocês nunca me deixam na mão.
— Não liga de irmos?
— Não, vão se divertir com a mãe de vocês.
— Te adoramos Lalá!-
Demos um abraço em Lauren.
— Tchau meus pequenos.
Desfazemos o abraço e vamos com nossa mãe para sua casa.
— Podem se sentar enquanto eu preparo as coisas.- Ela disse, enquanto trancava a porta.
— Quer ajuda?- Eu perguntei.
— Não precisa- Ela respondeu.- vai ser rápido.
— Certo.
Nos sentamos no sofá e ligamos a televisão em um programa qualquer.
Porém enquanto víamos o desenho escutamos um barulho.
— Escutou isso?- Matheus perguntou
— Sim, parecia um latido.
Como somos curiosos nos levantamos do sofá e ficamos seguindo o som do suposto latido.
Entramos no corredor e nos deparamos com...
— Um filhote!!- Nós dois gritamos.
— Pelo visto já encontraram minha surpresa.- Minha mãe apareceu no corredor.
— Ele é uma gracinha- Eu peguei o cachorrinho no colo.- oi pequenino!
— Como foi que o achou?- Matheus perguntou, enquanto acariciava o animal.
— Acredita que eu encontrei esse filhotinho de husky siberiano numa garagem abandonada- Ela falou.- fiquei com pena e resolvi pega-lo.
— Você tem sorte- Meu irmão falou.- ele é fofo.
— Na verdade o filhote não é meu.
— E é de quem?- Eu perguntei.
— De vocês.
— Jura!!
— Sim- Minha mãe confirmou.- acho que esse filhote equivale a todos os presentes que não dei ao longo dos anos.
— Obrigada.
— Obrigado.
— Coloquem o filhote no chão e vão lavar as mãos que o almoço já está pronto.
— Sim mamãe!
Colocamos o cachorrinho no chão, lavamos nossas mãos e fomos para a cozinha.
Nos sentamos á mesa e começamos a comer e a conversar.
Mas como no café só eu e minha mãe estávamos falando.
— O que acharam?- Minha mãe perguntou.
— Estava uma delícia- Eu elogiei.
— Sim, parecia com a da Lauren.
— Com quem vocês acham que aprendi a cozinhar?
— Verdade que a Lalá te ensinou.
— Sim, ela é uma boa professora.
— Ei, Matt.
— Sim.
— Por que você não vai pra sala brincar com o nosso novo cachorrinho- Eu disse.- enquanto eu ajudo a mamãe a lavar a louça.
— Tudo bem.
Matheus sai da cozinha e eu e mamãe vamos até a pia lavar os pratos.
— O que quer conversar?- Minha mãe perguntou.
— Como sabe que quero conversar?- Eu rebati com outra pergunta e peguei um pano.
— Mi hija, yo soy tu madre.
Dou um sorriso e entro na onda.
— Si, tienes razón.- Eu falei em outra língua.
— Que sé pasa?
— És mi hermano.
— Qué hubo com él?
— Últimamente él há estado muy triste.
— Por qué?
— Yo no sé.
— Ha intentado hablar com é?
— Si, pêro él siempre cambia de tema.
— Tente una vez más, él no puede guardar para siempre.
Dou um sorriso para minha mãe.
— Obrigada pela conversa.
— Sempre que precisar minha querida.
Guardo o pano e vou pra sala onde vejo meu irmão brincando com o filhote.
— O filhotinho gostou muito de você.- Eu falei, enquanto me sentava no chão.
— Parece que sim.- Matheus falou.- e acho que sei de um nome pra ele.
— Qual?
— Zander.
— Gostei- Eu disse.- bem vindo a família Zander.
— Ok, levantem do chão- Minha mãe mandou.- vou levar os dois pra casa.
— Tá bem.
Nos levantamos e fomos para casa.
— Onde estavam?- Suzana perguntou após eu fechar a porta.
— Ótimo, a serpente com pernas voltou- Eu pensei.
— Fomos almoçar com a nossa mãe.- Matheus respondeu.- ela cozinha que nem a Lalá e nos deu isso!
Ele mostrou o cachorrinho para a cobra.
— Um cachorro...
— Sim, e o nome dele é Zander.
— Que lindo...- Ela falou.- mas não sei se seu pai vai deixar ficar com ele...
— Deixar ficar com o que?- Meu pai perguntou, enquanto fechava a porta.
Não morre tão cedo...
— A mamãe resgatou um cachorrinho e nos deu.- Matheus falou de novo.
— Típico da Luísa- Ouvi meu pai sussurrar.
— Podemos ficar com ele?- Eu perguntei.
— Hum...
— Por favor!
— Prometem levar a responsabilidade de cuidar dele a sério?- Meu pai perguntou.
— Prometemos!- Nós levantamos a mão e colocamos a outra no peito.
— Então parece que temos um novo membro na família.
— Eba!!- Matheus comemorou.
Dei uma pequena risada e vejo meu irmão subir as escadas.
— Prometo que quando acabar a aula amanhã comprarei comida para o Zander.
— Deixa que eu compro.
— Vou subir.
— Certo.
Dou um beijo na bochecha de meu pai e subo as escadas.
Mas ao invés de ir para meu quarto vou para de meu irmão.
Hora de descobrir a verdade...
Entro no quarto de meu irmão e o vejo guardando os seus inventos e materiais.
— Por que esta guardando?- Eu perguntei.
— Por que sim.
— Por que sim não é resposta.- Eu me aproximei dele.
— Acho isso chato...
— Chato?- Eu fui cética.- você adora robótica e inventar coisas.
— Não gosto mais.
Coloco minha mão sobre a de Matheus para o fazer parar.
— Por favor, me deixa terminar de guardar pra eu jogar isso fora.
— Não- Eu neguei.- você está triste e até a sua professora notou.
—...
— O que está havendo?
Matheus tira minha mão e abaixa a cabeça.
— Ei...
Coloco minha mão em seu queixo e ergo sua cabeça gentilmente. Mas ao fazer isso vejo que seus olhos estão lacrimejando.
— Não esconda seus sentimentos...
Matheus para de lutar e começa a chorar. O trago para perto de mim e o abraço.
— T...tem uns garotos...
— Sim...
— Eles me fazem de piada falam coisas feias de mim e até praticam brincadeiras de mal gosto...
— E o que mais?
— Me chamam de esquisito e até pegaram a força meu bloquinho de anotações!!
Desfaço o abraço e limpo as lágrimas que caiam em seu rosto.
— Você precisa contar pra sua professora.
— Não, deixa que eu resolvo sozinho...
— Aturar calado não vai resolver nada.
— Mas....
— O que eles estão fazendo contigo é bullying!- Eu falei.- e o bullying só faz você ficar recluso e se afastar das pessoas que te amam.
— Mas...
— Eu sei o que você está sentindo.- Eu o abracei de lado.- não contei o que estava acontecendo e me arrependo até hoje.
— Acho que preciso de ajuda...
— Então amanhã a gente vai contar tudo pra sua professora.- Eu falei.
— Tá...- Ele falou baixo.
— E se a gente assistisse o filme star trek, hein?- Eu sugeri.- vai te por pra cima?
— Sim.
Vou para meu quarto, pego meu laptop e volto para o de meu irmão.
— Vem.- Eu bati na cama.
Matheus sobe na cama e fica ao meu lado.
Pesquiso o filme e quando ia dar o play ouvimos um latido miúdo.
— Parece que o Zander quer assistir também.- Matheus falou.
— É porque ele sabe que o dono dele está triste.- Eu disse, e peguei o filhotinho.
— Cachorros são mais inteligentes do que parecem.
— E são mesmo.
Nos ajeitamos na cama e ficamos assistindo vários filmes de star trek.
— Acho que está bom- Eu desliguei meu laptop.
— Poxa...
— Amanhã você tem aula.
—...
— Vai ficar tudo bem- Eu garanti.
Me levanto da cama mas antes de sair meu irmão me chama.
— Dorme comigo...
— Durmo, só vou trocar de roupa e pegar uma almofada pro Zander dormir no chão.- Eu disse.
— Tá.
Saio do quarto, desço as escadas, pego uma almofada e subo de novo.
Entro no meu quarto, coloco um pijama e volto para o de meu irmão.
— Voltei.- Eu falei e coloquei a almofada no chão.
— Zander vai gostar de ter um lugar confortável pra dormir.
— Só até comprarmos uma caminha para ele.
— Certo.
Nos ajeitamos na cama e formos dormir.
Ninguém faz meu irmão chorar...
...Dia seguinte...
Acordo mais cedo quo horário, saio e fininho do quarto de meu irmão.
Desço as escadas e vou até a garagem de casa.
Vou para os fundos e desamarro as pontas da lona que cobria minha moto.
— Tá na hora de sair da aposentadoria- Eu pensei.
Saio da garagem, vou para meu quarto, faço minha higiene, vou pro armário e escolho uma roupa.
Desço as escadas, vou para cozinha e me sento na mesa.
— Pai, posso levar o Matheus hoje?- Eu perguntei.
— Claro que pode.
Dou um sorriso e termino de comer.
— Vamos Matt- Eu disse enquanto me levantava.
— Ok.
Saímos da cozinha mas quando Matheus ia para porta eu o paro.
— Não vamos por aí- Eu falei.
— Pra onde vamos?- Ele perguntou.
— Garagem.
O levo para a garagem e vamos para a minha moto.
— Nossa, não sabia que tinha uma moto!- Ele disse impressionado.
— Tem algumas coisas que você não sabe sobre mim pequeno Matt.- Eu me fingi de misteriosa e subi na moto.- coloca o capacete.
— E o seu?- Ele colocou o capacete.
— Esse é o único, mas a sua segurança é que importa pra mim.- Eu disse.
— Tá bem.
Subo na moto e o ajudo a subir na garupa.
Abro a garagem e ligo o motor.
— Segura bem forte- Eu mandei.- pois a gente vai voar.
Saio da garagem e vou até a escola de Matheus em alta velocidade.
É o seguinte, eu comprei a moto quando tinha catorze anos. Sempre gostei de olhar nas revistas várias marcas de motos.
Mas por ainda fingir ser alguém que não era nunca andei por muito tempo só nas férias quando tinha oportunidade.
E pra ser franca...
Estava sentindo falta disso...
O vento no rosto e a sensação de liberdade...
Por que eu desisti de andar nessa belezura?
Estaciono a moto, saio e ajudo meu irmão logo depois.
— O que achou?
— Isso foi a maior loucura da minha vida!!- Ele gritou animado.- vamos de novo!!!
— Vai ter a oportunidade quando eu te buscar- Eu dei uma risada.- onde está sua professora?
— Ela sempre fica na sala nos esperando- Matheus respondeu.-
— Então vamos.
Entramos na escola e vamos pra sala de meu irmão.
— Senhora, podemos entrar?- Eu perguntei.
— Claro- A professora Estela permitiu.- o que fazem aqui cedo?
— Tem uns garotos que estão fazendo bullying com meu irmão- Eu falei de uma vez.
— Verdade Matheus?
— Sim, eles fazem brincadeiras ridículas, me chamam de nomes feios e até pegaram meu bloquinho de anotações- Meu irmão falou.
— Que horror, por que não me disse?
— Fiquei com vergonha...
— Pedir ajuda não é motivo pra ter vergonha- Estela falou.- quem são os garotos?
— Douglas e Julian- Matheus disse.- são da série acima da minha...
— Obrigada por ter vindo até mim Matheus- A professor falou.- vou falar com a diretora e veremos o que vamos fazer com esses dois.
— Obrigado.
— Bom, já que resolvi o problema acho melhor eu ir pro meu colégio- Eu me levantei da cadeira.
— Tchau- Matheus se despediu.
Dou um beijo na testa de meu irmão.- tchau.
Subo na moto e vou em alta velocidade para meu colégio.
— Nossa, não sabia que curtia motos.
— Tenho ela desde os catorze Titi- Eu falei, enquanto tirava meu capacete.
— Ainda tenho que aprender muito sobre você.- Titi falou.
— Você ainda pode me conhecer de verdade.
— Que tal um encontro?
— Sai fora, não falei nesse sentido- Eu recusei a proposta.
— Parei.- Ele ergueu as mãos em forma de rendição.
— Tô indo falar com o Cascão.
— Nos vemos.
Vou até onde Cascão estava e tapo seus olhos.
— Me passa sua grana que ninguém se machuca- Eu brinquei.
— Vai sair pobre nesse assalto- Ele tirou minhas mãos de seus olhos.- e vejo que fez a moto voltar a ativa.
— Sim- Eu confirmei.- e dessa vez é permanente.
— Então finalmente vou ter a chance de pilotar?- Ele perguntou.
— Se você for digno.
— Eu sou mais que digno!
— Então você pode.
— Oba!- Cascão comemorou.
Demos risadas e ficamos conversando um pouco.
Então vemos Cebola e Magali vindo até nós.
— Alguém pode me dizer de quem é aquela moto irada estacionada no pátio.- Cebola perguntou.
— É minha- Eu respondi.
— Cada dia você me surpreende mais- Cebola falou.
— Tem que acompanhar as notícias mais rápido.
— Vou tentar.- Ele deu uma risada.
— Desde quando tem a moto?- Magali perguntou.
— Desde os catorze- Eu respondi.- mas raramente saia com ela mas hoje mudei de ideia.
— Legal.
— Mas você tem sorte de ter uma.
— Por que?
— O Cebola sempre sonhou em andar ou ter uma moto.- Magali respondeu por ele.
— Por que não tem?- Cascão perguntou.
— Não tenho dinheiro o suficiente.- Cebola respondeu.- então o que me resta é sonhar.
— Tadinho...
Interessante...talvez isso possa ser útil um dia.
Ficamos conversando mais um pouco e então o sinal toca.
Entramos na sala e sentamos em nossos lugares.
— Bom dia galerinha!- O professor Paulo Rafael cumprimentou a turma.- hoje vou ensinar uma coisa diferente hoje.
— Sobre o que?
— Hoje vamos falar sobre lendas- O Professor escreveu no quadro.
E assim se seguiu a aula, o professor falando tudo sobre lendas e até contar uma sobre a dama de branco.
O sinal toca mas antes de sair o professor fala.
— Antes de irem quero que pesquisem outros tipos de lendas de outros lugares como dever de casa.- O professor falou.- podem ir.
Saímos da sala mas ao invés de irmos pro refeitório fomos para o pátio.
— Vai dizer que não acharam legal a aula que ele deu hoje- Eu perguntei e me sentei em um banco.
— Eu achei, mas lendas só existem pois não acharam fatos para comprovar- Magali disse.
— To com ela- Cebola concordou.- mas mesmo assim eu gostei da aula do professor Paulo.
— Também- Cascão disse.
— E mesmo que lendas não tenham fatos para serem comprovadas eu adoro elas.- Eu comentei.- a minha preferida é do akai ito.
— Akai o que?- Cascão perguntou confuso.
— Akai ito- Eu repeti.- é uma lenda chinesa.
— Querem saber como é?
— Queremos- Os três responderam.
— Akai ito é o fio vermelho do destino. É um fio vermelho invisível que o deus Xia Lao Yue amarra no tornozelo para ligar duas pessoas e as tornarem almas gêmeas...
— Mas e se o fio se partir?
— Ou se embaraçar?
— Ou se as pessoas não se amarem?
— Gente, não precisam me bombardear de perguntas.- Eu brinquei. E os três se calaram.- o fio é indestrutível, ele pode se embaraçar o quanto quiser ou se esticar que ele nunca vai se partir...
— E...
— As pessoas destinadas a ficarem juntas sempre vão se amar, embora possa acontecer coisas terríveis para separas as duas almas.
— Que tipo de coisas?- Magali perguntou.
— Isso eu não sei- Eu respondi.- a lenda diz que havia um garoto que estava caminhando de volta pra casa quando encontra um velhinho,que na verdade era o deus Xia Lao Yue disfarçado, embaixo de uma árvore sob o luar.
—...
— O velho disse para o menino que ele está conectado à uma jovem que seria futuramente sua esposa. Mas o menino não tinha interesse em se casar e nem queria um amor não lhe deu atenção.
— O que aconteceu?- Cebola perguntou.
— Xia Lao Yue disse que amarrou no tornozelo dele um fio e que ele se casaria com a pessoa que estivesse do outro lado dele
— A alma gêmea dele, né- Cascão disse.
— Certo- Eu confirmei.- o garoto olhou pro tornozelo e conseguiu ver o fio. Na outra ponta estava uma menina senta perto de sua casa admirando a lua e as estrelas.
—...
— O menino não quis acreditar no que os olhos viam, então pegou uma pedra e a atirou no rosto da garota. Com o objetivo de mantê-la longe.
— Que horrível!-Magali exclamou.- como pode fazer uma coisa dessas.
— Sim, mas ele era jovem e não tinha amadurecido.- Eu disse.- em seguida ele fugiu, passando por caminhos tortuosos e deixando o fio vermelho embaraçado, mas ele não conseguia mais ver.
—...
— O menino cresceu e se transformou em um belo e rico homem. Estava na idade de se casar, sempre cercado de mulheres mas nenhuma conseguia despertar o amor dele.
— E...
— Um dia passando pela vila onde cresceu, ele se lembrou da conversa com Xia e começou a chorar pois achava que tinha perdido a chance de ser feliz.
— Então ele afastou a própria felicidade dele?- Cebola disse, fazendo careta.
— Tecnicamente sim, cê- Eu disse.- mas calma, vai melhorar.
— Prossiga.
— Mas ai ele viu a silhueta de uma mulher e pressentiu que aquela seria sua alma gêmea. A jovem era considerada como uma das mulheres mais lindas da vila. Entretanto raramente saia de casa.
—...
— Os dois acabaram comprometidos através de um arranjo feito pelos seus pais.
—...
— No dia do casamento a moça tinha seu rosto encoberto por um tradicional véu. No entanto após o fim da cerimônia quando ficaram sozinhos ela não quis retirá-lo.
—...
— O moço perguntou o motivo e ela respondeu que tinha vergonha por causa da horrível cicatriz sobre a sobrancelha, que fora causada por causa de uma pedra que foi jogada nela por um menino anos atrás.
— E...
— E então o rapaz ficou imensamente feliz, viu o fio vermelho que os unia. Com um suave movimento retirou o véu e viu o quão bela a moça com que havia se casado era. Foi nesse dia que ele percebeu que não adianta fugir pois o akai ito sempre será cumprido.
Terminei de contar a história e perguntei.
— O que acharam?
— É uma bela lenda- Magali disse.
— Concordo- Cebola e Cascão falaram juntos.
— Também acho- Eu falei.- por isso é uma das minhas favoritas.
— Então quer dizer que todos temos um fio vermelho que não conseguimos ver!- Cascão disse, impressionado.
— Sim- Concordei.- estamos conectados e destinados ficar juntos com alguém em algum lugar.
— Nossas almas gêmeas- Cebola disse.- que loucura.
— Sim, mas pra mim nunca vai acontecer.
— Por que?- Magali perguntou.
— O meu namorado me traiu com minha suposta amiga, então minhas chance de amor são horríveis!- Eu respondi.
— Não diga isso- Cascão disse.- ele que foi um bastardo e não deu valor ao que tinha.
— Cascão tem razão- Cebola concordou.- se até eu tenho tenho uma chance de ter uma alma gêmea você também tem.
— Acham?
— Sim- Os três confirmaram.
— Então eu acredito- Eu falei.- quem sabe algum dia eu encontre a minha alma gêmea.
— Ou quem sabe as nossas almas gêmeas estão mais perto que pensamos- Magali disse.
— Eu topo descobrir- Cascão propôs.- topa, careca?
— Não- Cebola negou.- nada de sair procurando, melhor deixar acontecer naturalmente, sem nenhuma intervenção.
— Eu to com o cê- Eu concordei.- se for pra acontecer irá ser no tempo certo.
Ficamos conversando e depois o sinal toca e voltamos para a sala.
Depois de várias aulas saímos da escola.
Vou até minha moto e quando ia colocar o capacete...
— Mô, espera!!
Viro e vejo Cebola correndo em minha direção.
— Calma apressado.- Eu fiz uma piada. Tenho que parar, tô quase igual ao Cascão.
— Foi mal- Ele se desculpou.- mas eu posso pegar uma carona contigo?
— Por que?
— Tenho que pegar a Maria na escola- Ele respondeu.- e aproveitar pra ver como é a sensação de andar numa moto.
— Claro- Eu concordei.- sobe ai.
Cebola sobe na garupa e envolve seus braços em minha cintura. Mas ao fazer isso sinto um arrepio por todo o corpo.
Ele é forte na medida certa...pera... Por que eu pensei nisso? Ok, apaga isso que eu acabei de pensar...
Ligo o motor e saio em disparada para a escola do meu irmão. Chegamos e saímos da moto.
— É aqui onde ele/ela estuda- Nós falamos juntos.
Nos olhamos e damos risadas.
— Isso é loucura.- Eu comentei.
— Também acho- Ele concordou.- nossos irmãos estudam na mesma escola e a gente nunca soube!
— Podíamos ter nos esbarrado a muito tempo.
— E não precisaríamos de um trabalho de geografia pra nos aproximar!- Ele falou em meio às risadas.
— Tecnicamente foi por causa das escritas mas deixa quieto, a gente não sabia mesmo- Eu pensei.
Ficamos esperando nossos irmãos saírem da escola.
— Cebolinha!!- Uma garotinha veio correndo para Cebola.
— Oi pirralha- Cebola a cumprimentou.- se divertiu?
— Só no recreio- Maria respondeu.
Dou uma risada baixa mas parece que Maria a ouviu.
— Oi Mônica!!- Ela me cumprimentou.
Nossa, ela ainda se lembra de mim.
— Oi Maria- Eu a cumprimentei de volta.- pensei que não fosse se lembrar de mim.
— É difícil esquecer quando certo alguém não para de falar- Ela balançou a cabeça.
— O que!- Eu disse incrédula e senti meu rosto queimar. O que está acontecendo comigo produção?
— M...malia!!- Ele disse envergonhado.- não é desse jeito que ela falou.
— Então você fala coisas feias de mim?
— N...não! C...clalo que não- Ele gaguejou. E retrocedemos uns mil passos.- você é incrível, e quando ela falou isso não foi como namorada e sim amiga...é....amiga...
— Adoro te deixar nessa situação?- Maria deu muita risada.
— Garota....
— Mas eu tava brincando- Ela parou de rir.- como poderia esquecer da minha professora de arco e flecha.
Dou um sorriso a ela e depois vejo meu irmão correr em minha direção.
— Oi Matt!- Eu o abracei.- como foi seu dia.
— Foi ótimo!- Ele falou.- eles me devolveram o meu bloquinho. Obrigado por me ajudar com a situação.
— Esse é meu papel como irmã mais velha.
Matheus se solta e depois finalmente repara em Cebola.
— Oi Cebola!- Ele o cumprimentou.
— Oi pequeno Matt- Cebola o cumprimentou de volta.
— Oi Matheus...
— Oi Maria...
Só eu que senti um pequeno climinha entre os dois...
Seja o que for vou apoiar quando eles crescerem...
— Ei, você!
Me viro e vejo um garoto que nem conheço vir em minha direção.
— Te conheço?- Eu perguntei e meu modo de desconfiança ligou.
Fiquei na frente de Matheus e Maria para os proteger.
— Meu nome é Mason- Ele falou.- e você é a irmã do garoto que fez meus irmãos serem suspensos?
— E se for?- Eu ironizei.- tem algum problema?
— Você é surda- Ele falou.- eles dois foram suspensos por uma semana.
— Eles mereceram a suspensão.- Eu semi cerrei os olhos.- e espero que isso faça os dois repensarem as atitudes.
— Eles estavam só se divertindo.
— Divertindo!- Eu indaguei.- você acha que fazer bullying com meu irmão é divertido.
— Diversão tem conceitos diferentes para todo mundo.
— Então seu conceito está errado.- Eu falei.- já sei com quem aprenderam a agir desse jeito.
— A garotinha indefesa vai bancar a heroína- Ele zombou.- que medo!
Ah não...ele não me chamou disso.
Vou até perto dele e fecho meu punho...
Não Mônica, nada de violência na frente de crianças.
Respiro fundo para me acalmar e ao invés de um soco dou um pisão forte em seu pé.
— Ai!!- Ele gritou de dor.
— Escuta aqui- Eu o puxei pela gola da camisa.- me chama de garotinha indefesa novamente que você vai ganhar algo pior que um pisão no pé.
— Sim...
O solto e o vejo se afastar de mim.
— Ninguém fala desse jeito comigo.- Eu pensei.
— Eu tenho a melhor irmã do mundo!- Matheus abraçou minhas pernas.
— Isso foi o máximo!- Maria elogiou.
— Obrigada.- Eu agradeci.
— Me lembre de nunca te deixar com raiva- Cebola veio para perto de mim.
— Vou anotar.- Dei uma risada baixa.- não sabia que tinha dislalia.
— Tenho desde pequeno mas fiz tratamento.- Ele explicou.- ela nunca mais apareceu...até agora né.
— Foi mal...- Maria falou.
— Tá perdoada.- Cebola falou.- vamos embora.
— Sim.
— Tchau- Os dois se despediram.
— Tchau- Eu e meu irmão também nos despedimos.
Os dois vão embora.
— Tá pronto pra voltar para casa na moto pestinha?- Eu arrisquei brincar.
— Pode apostar Moniquita!- Ele entrou na minha.
E o velho Matheus voltou.
Subimos na moto e vamos para casa.
Entramos, fomos pra cozinha almoçar e subo para meu quarto.
— O que vou fazer pra passar o tempo?- Falei comigo mesma.
Dou uma olhada pelo meu quarto até parar num post de uma dançarina pendurado em minha parede.
— Faz tempo que não fados meus próprios passos- Eu pensei.
— Já arranjei o que fazer...
Tiro meu tênis e meu casaco, pego meu celular, escolho uma música e fico dançando pelo quarto.
— Uau, nuca tinha visto você dançar outro tipo de coisa- Ouvi uma voz.
Me assusto, desligo a música, me viro e vejo Magali.
— Quer me matar do coração?- Eu perguntei.
— Parece que o jogo virou não é mesmo?- Ela brincou.
— Parece que sim.- Eu concordei.- o que faz aqui?
— Bom...eu pensei no que você tinha dito...
— E...
— E eu analisei todos os prós e contras e decidi...
— Decidiu...
— Que vou tentar fazer o teste pro time de torcida.
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