Notas iniciais
Esta carta também pode ser lida através do link: http://valtica.memorialaddress.org/cartas/dearsanta.htm

Querido Papai Noel,

Me chamo Billy, tenho 10 anos e moro com mamãe e papai na nossa casa. Estudo na escolinha da tia Marie, que fica perto da padaria do seu José, onde tem um pãozinho que eu gosto muito. Todos os meus amigos da minha classe me falaram que o senhor dá presentes especiais pra quem escreve uma cartinha no natal, então eu to escrevendo essa aqui. Minha mamãe sempre me disse que o senhor não existe e que no natal quem me dá presente é o papai normal, mas eu não acho. No ano passado quando eu acordei tinha uma bicicleta novinha pra mim parada dentro do meu quarto, e ela era tão pequenininha que o papai não ia conseguir andar com ela até aqui, ele é grande. Só o papai Noel tem a mágica de fazer as coisas desaparecerem. Mas será que também tem a mágica de fazer desaparecer? Sabe, eu tenho uma irmãzinha que também mora aqui com a gente, ela chama Claire. Outro dia eu tava brincando com ela no quartinho de brinquedos e ela não respondia as perguntas que eu tava fazendo. Ela deitou no chão e parecia que tava dormindo. Nesse dia a mamãe veio no quartinho gritando o nome da minha irmã e do papai. Eu não tava entendendo nada. Apareceram uns homens brancos que levaram a Claire para um carrinho branco que tava parado na frente da casa do meu amigo Peter. A mamãe me chamou na sala e me disse que minha irmã tinha um problema dentro dela que fazia as pessoas irem pro céu antes da hora. Na escola as professoras diziam que o céu é o lugar que a gente vai depois que a gente morre, e que lá é um lugar bom. Mas Papai Noel, se minha irmãzinha for pra lá, ela vai ter um menino como eu pra brincar com ela? Não quero que ela vai pro céu. Aqui em casa também é um lugar bom, tem nossos brinquedos e até um cachorrinho. O senhor tem a mágica de fazer desaparecer? Quero que o senhor use ela pra fazer sumir o problema que minha irmã tem dentro dela, pra gente brincar mais lá no quartinho de brinquedo. Por favor Papai Noel, use a mágica de sumir na minha irmã. Tomara que essa cartinha chegue até o senhor na sua casa aí onde tem neve todo dia.

Billy.

Sentado em sua cadeira giratória em seu escritório no Hospital Sta. Joanne, o Dr. Hume pôs de lado a carta escrita pelo filho dos Rutherford no dia anterior. A filha do casal, Claire, sofria de uma doença grave e vinha tendo sérias convulsões nas últimas semanas. a carta do filho do casal tinha tocado o Dr. Hume, que, sozinho em sua sala, deixou escapar uma lágrima salgada que rolou por sua face e caiu sob as receitas médicas sob sua mesa, borrando a tinta da caneta deixada no papel. Na mesma manhã, os médicos tinham conseguido controlar a situação da filha dos Rutherford, e ele mesmo havia diagnosticado uma grande melhora e uma alta chance de cura para a garota. Tudo parecia estar bem encaminhado agora, mas no fim das contas, o menino Billy não podia ficar esperando uma resposta que nunca viria. Pensando nisso, o Dr. Empurrou seus papéis pro lado, pegou sua caneta tinteira e uma folha em branco e pôs-se a escrever:

Caro Billy,

Sua carta chegou direitinho aqui na minha casa onde tem neve todo dia. Eu, o Papai Noel, não tenho o poder de fazer as coisas desaparecerem, mas para isso eu tenho ajudantes que têm essa mágica: são os homens brancos. Lembra que eles foram aí na sua casa? Então, eles conseguiram tirar da sua irmãzinha Claire o problema que ia fazer ela ir pro céu mais cedo. Agora ela pode voltar para casa e brincar com você no quarto de brinquedos. Ela ainda é muito pequena pra saber que tem um irmão muito bom e que se preocupa com ela, portanto, quando ela fizer alguma coisa que te chateie, somente evite dizer qualquer coisa ruim e dê a ela o tempo que for preciso para descobrir que você sempre estará ao lado dela para qualquer coisa que ela precisar. Não saia de perto dela, tudo bem? Agora você é o cavaleiro herói que estará sempre protegendo a princesa. Você sabe que o natal é uma época em que todos se sentem bem e felizes, então, como um herói, agora você tem a missão de transformar todos os dias do ano em um dia de natal.

Com carinho, Papai Noel.

O Dr. Hume dobrou a carta e colocou-a em um envelope colorido. No dia seguinte iria pessoalmente entregá-la aos Rutherford, para que eles dessem ao seu filho Billy. Cansado do trabalho, o Dr. Pegou seu casaco e seu cachecol, deu uma olhada em sua sala, apagou as luzes e deu meia volta, fechando a porta do escritório. Agora iria pra casa, onde sua família estaria o esperando para a ceia da meia-noite, felizes e satisfeitos, afinal... era noite de natal.