Palavras
7 Ambíguo
Notas iniciais
Comentem tá
Sonhei que estava em minha casa, dormindo em minha cama no meu quarto, ouvi a voz doce da minha mãe a me chamar, quando abri os olhos foi quase como se pudesse vela, mas o sonho se dissipou e fui novamente emplacada pele realidade.
Hoje ele se atrasou para me trazer comida, e não me levou até a varanda, escutei sons o dia todo como se arrastasse moveis de lugar, me pergunto oque deve estar fazendo.
Seis linhas, são oque me resta dessa folha, estou a seis linhas de não ter nem mesmo minhas próprias palavras como consolo, me pergunto como devo usa-las, já expressei todo amor e falta que sinto da minha família, guardarei essas seis linhas para o momento em que for dar realmente final a essa carta, o momento do meu ultimo adeus.
Ele entrou repentinamente, eu quase não tendo tempo de esconder minha carta, então a enfiei rapidamente debaixo da minha blusa.
Pegou-me pelo braço me guiando para fora, pensei que me levava enfim até a varanda, mas não, fomos a uma parte da casa que não me era conhecida, entrando em uma das muitas portas que se estendiam pelo corredor.
Não me importei em perguntar a onde me levava sei que não receberia resposta e independente de onde fosse ou do que fizesse comigo também não me importava mais. Meu corpo encontrava se em um torpor de sentidos e sentimentos, me selando cada vez mais fundo dentro de mim, onde ninguém conseguiria me alcançar.
Deixou-me em um quarto escuro saindo e trancando-me, tateei em volta até achar o interruptor de luz, assim que a sala se iluminou veio sobre mim uma grande surpresa.
___Uma biblioteca. Balbuciei em voz alta me sentindo confusa, era um cômodo não muito grande, mas duas de suas paredes abrigavam prateleiras forradas de livros, ao pé de uma janela com grades pela qual podia ver que era noite, havia uma cama notoriamente colocada ali, pois a sala não era um quarto se parecia mais com uma espécie de escritório que foi adaptado para virar um quarto.
Cai de joelhos ao chão, incrédula e senti as lagrimas que pensava não ser mais capaz de derramar escorrerem pelo meu rosto.
Porque ele estava fazendo aquilo? Porque me colocar em um quarto melhor, cheio de livros objeto esse tão característico de minha vida antiga e do qual eu sentia tanta falta? O que ele pretendia? Não entendia essa mudança de atitude.
Levantei-me e caminhei até a cama me sentando sobre ela, sentindo minha cabeça girar quando algo me ocorreu, tirei em um movimento rápido a folha que escondia debaixo da blusa desamassando o papel e pus-me a relê-lo.
Cada desejo meu escrito ali, ele me deu, o banho, a maior quantidade de comida, a vontade de tomar sol, e agora os livros, ele estava lendo tudo desde o inicio devia pegar a folha enquanto eu dormia, como pude ser tão estupida era obvio que ele deixou aquela folha e aquele lápis para que eu encontrasse, usou isso para invadir assim até mesmo meus pensamentos, mas porque atender minhas vontades porque estava tentando ser gentil, seria um jogo que serve de diversão para um loco? Ou haveria outro objetivo por de traz disso.
Andei pelo quarto entrando em uma porta que dava para um banheiro, sobre a pia havia roupas limpas e do meu tamanho, entrei trancando a porta atrás de mim pus-me debaixo do chuveiro, podia sentir a agua quente demais queimar minha pele fazendo a arder, mas não me importei à dor, era capaz de me distrair de meus pensamentos confusos, das perguntas que permaneciam sem respostas a dor preenchia toda minha atenção e no momento aquilo me era o suficiente.
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