Paixão Inesperada

2 Indiferença Premiada


Entrei na boate e o procurei. Mas não o vi. Será que estou ficando maluca? Fui até um dos bares. Lá estava ele, rodeado por um monte de garotas que já o tinham descoberto.

\"Por favor, Robert, uma foto, por favor!\"

Um anjo como ele só, tirou fotos com todas. Eu nem sequer me aproximei da turba. Não iria adiantar. Ele só ia me ver como uma simples fã, querendo fotos, e no fim da noite ele nem ia lembrar do meu rosto. Só ia pensar ter sido abordado por \"um grupo de garotas querendo fotos\". Ninguém em especial. Isso se ele pensasse nesse episódio depois. Afinal, como era muito comum acontecer, talvez ele esquecesse no exato momento em que deixassem ele em paz.

\"Okay, garotas, obrigado pelo carinho de vocês.\"

\"Só mais uma foto, por favor!\"

\"A última, sim?\"

\"Tá!\"

Todas se juntaram e tiraram a última foto com ele. Eu observava de longe. Estava na cara que eu não poderia competir com tanta gente querendo se aproximar. Afinal de contas, quem era eu? Ninguém.

Pedi minha bebida e fiquei encostada no balcão, observando o barman trabalhar. Eu não podia fazer nada. Ele não queria tirar fotos, já tinha ficado claro. E eu também não queria ser igual às outras. Mas como ser diferente? Como me aproximar dele?

Desisti. Deixa pra lá. Eu não ia conseguir mesmo!

\"Você está sozinha?\"

O quê??? Eu estava ficando louca ou estava mesmo ouvindo aquela voz de veludo próxima dos meus ouvidos por causa da música alta? Não, eu devia estar louca. Mesmo assim, me virei na direção da voz, só pra garantir.

Quase caí pra trás. Ele estava lá, de pé, com a jaqueta preta por cima da camisa branca desabotoada no pescoço, aquele cabelo desarrumado, as mãos no bolso e um sorriso exatamente torto estampado no rosto.

Fui arrebatada? Meu coração parou de bater? Estaria eu \"hiperventilando\"?

\"Sim\", consegui dizer simplesmente. Não soou tão impressionante. Soou quase... indiferente. Será que ele pensaria que eu não estava nem aí pra ele?

\"Não sou daqui, vim pra visitar o lugar, e estou sozinha\", me apressei em dizer. Ele apenas balançou a cabeça, e se encostou no balcão ao meu lado. O barman trouxe minha bebida, e eu a balancei, sem nenhuma intenção de beber.

\"Não parece muito animada. O lugar te incomoda?\"

O quê de novo? Ele estava tentando manter uma conversa... comigo???

\"Não, de maneira nenhuma. Só estou me sentindo meio \'peixe fora d\'água\'. Não conheço ninguém.\"

\"Bem, então não precisa mais se sentir assim. Você agora pode me conhecer.\"

!!!

Que horas eu iria acordar? Abrir os olhos e perceber que estava no meu quarto de hotel, sonhando com os anjos — ou melhor, com o anjo?

A única coisa que conseguir fazer foi sorrir, mas pareceu que eu bufei.

\"Se não estiver interessada...\"

\"Não, claro que estou, por favor, vai ser um alívio ter alguém com quem conversar... obrigada.\"

Ele sorriu e eu fiquei pasma de novo. Então eu olhei atrás dele e vi uma outra turba feminina se juntando.

\"Parece que você não vai estar tão livre assim esta noite.\"

Ele olhou na direção que eu mostrei e sorriu para as meninas, mas virou-se para mim em seguida, dando as costas pra elas, claramente mostrando que não tiraria mais fotos aquela noite.

\"Sabe, ainda não estou acostumado com esse tipo de assédio. Chega a ser estranho...\"

\"Imagino\", respondi. Fui mais meticulosa ao continuar. Não poderia parecer para ele uma simples fã excitada. \"Fico me perguntando se em algum momento de sua vida agitada e cheia de fãs, você tem tempo de ser você mesmo.\"

\"Como assim?\"

\"Bem, quando eu digo \'ser você mesmo\', é não se preocupar com quem vai te ver, em ser observado, nem mesmo com como vai parecer para outras pessoas nem com o que dizer. Me pergunto se há um momento no dia em que você possa conversar com alguém e ser você mesmo. Alguém que não se preocupe com o que você trabalha ou que não esteja o tempo todo pensando em um autógrafo ou fotografias, ou em aparecer em algum site de internet de braços dados com você.\"

Ele ficou em silêncio por um momento, e parecia estudar minhas palavras.

\"Entendo o que quer dizer. Receio que a resposta seja... não, quase não tenho esse tipo de tempo em meu dia. Não que eu não tenha amigos, mas não tenho tido tempo o suficiente para ser eu mesmo com eles.\"

Eu o observei e percebi o quanto aquilo o incomodava. Naquele momento, não me preocupei com o fato de ele ser o Robert Pattinson, ou interpretar esse ou aquele personagem. Só conseguia ver o homem, como qualquer outro, com sentimentos e dúvidas como qualquer outro, humano como eu mesma. Apenas o Rob.

\"É... acho que você precisa de um tempo como Rob, apenas o Rob.\"

Ele me olhou e entendeu o que eu queria dizer. Eu estava separando o Rob do Robert Pattinson. Um era o ator famoso, o que aparecia na mídia, o que enlouquecia as fãs. O outro, era o ser humano, o cara legal, o garoto de vinte e poucos anos que só queria ser ele mesmo.

\"Será que você se importaria de passar um pouco de tempo com o Rob?\" Ele disse essas palavras olhando diretamente para meus olhos. Não pude desviar o olhar. Era tudo o que eu queria antes de entrar na boate, mas agora, eu podia ver o quão sincero ele estava sendo, e eu queria ser sincera também.

Fiquei alguns segundos em silêncio, sustentando o olhar dele, perscrutando meus sentimentos. E me vi claramente. Respondi com convicção.

\"Claro que sim. Espero que não se importe de ter ao lado uma garota como eu...\"

Ele sorriu alto, um riso que praticamente só eu ouvi com o barulho da música.

\"Você tá brincando? Eu vou adorar!\"

Eu olhei as garotas de novo. Elas pareciam planejar vir até ele.

\"Bem, então acho melhor nos apressarmos. Outra sessão de fotos vai começar em instantes.\"

Ele colocou meu braço em torno do dele e me acompanhou até a porta.

\"Espero que você conheça um lugar legal e mais apropriado para que eu consiga ser somente Rob.\"

Eu sorri calmamente.

\"Não se preocupe com isso.\"

Entramos num táxi. Dei as coordenadas para o motorista e em segundos já estávamos no trânsito. Eu fiquei em silêncio, imaginando porque ele se aproximou de mim.

\"Sem querer ser repetitivo e clichê, eu poderia perguntar no quê você está pensando?\"

Eu sorri, me lembrando dos diálogos entre Edward Cullen e Bella Swan, dos livros de Stephenie Meyer, cujo papel Rob interpretava nos cinemas.

\"Estou pensando na razão específica que fez você me notar naquela boate. Bem, eu não sou exatamente o tipo notável.\"

Ele virou os olhos.

\"Sem querer ser repetitivo e clichê novamente, você não se vê muito bem, sabe?\"

Desta vez eu não sorri. Aguardei simplesmente a resposta. Ele continuou.

\"Você foi indiferente. Não sei dizer exatamente, mas você não parecia se importar. Com sua indiferença, eu me senti como há anos não me sentia, tendo que ser criativo para iniciar uma conversa com uma garota. Sabe, tem sido extremamente frustrante não ter um mínimo de trabalho. Todas elas estão sempre implorando por uma foto, uma assinatura, algo mais se eu quiser, que não tem graça. Mas você olhou para mim, me reconheceu, e não fez nenhuma menção de se aproximar. Ao contrário, pediu uma bebida e ficou lá, como se eu não estivesse ali. E eu fiquei honestamente interessado.\"

Eu escutei silenciosamente. Eu estava sendo indiferente? Foi isso o que ele pensou? Nossa! Ele continuou.

\"Perceber que você poderia me tratar diferente, simplesmente como eu sou, me deixou com vontade de experimentar isso. Que bom que você aceitou.\"

Quer dizer que eu fui premiada por ser indiferente? Eu estava embasbacada.

O taxista parou no local indicado. Rob pagou e descemos na Nicholas Canyon Beach, uma praia mais isolada da cidade. Caminhamos pela areia, tranqüilamente e em silêncio. Chegamos próximo a uma grande pedra e nos sentamos para conversar.