\"Obrigado.\" Ele disse simplesmente. Olhei para ele sem entender. \"Honestamente.\"

\"Não entendi. Pelo que você está me agradecendo?\"

\"Por me ver simplesmente como eu mesmo.\"

Eu sorri.

\"Rob. Simplesmente Rob.\"

Ele sorriu também.

\"Sabe, você é uma das poucas pessoas que me vêem assim. Até mesmo alguns amigos meus não me vêem como uma pessoa comum.\"

\"Eu imagino. E não é sinceramente fácil fazer isso.\"

Ele me observou e pesou minhas palavras.

\"Por que não?\" Ele quis saber. Olhei para ele e vi em seus olhos somente curiosidade.

\"Você está sempre na TV, nas revistas, na internet, e sempre rodeado de pessoas. É muito difícil te ver como outras pessoas que não estão rodeadas de nada disso. É difícil te ver como eu mesma, por exemplo.\"

\"Mas você conseguiu.\" Ele concluiu.

\"Sim, consegui. Por que você me viu primeiro\" confessei.

Ele esperou.

\"Lá no hotel, quando você olhou para mim, como uma pessoa para quem você poderia olhar, eu pude perceber que você pode ser, sim, uma pessoa como outra qualquer. Não que você seja qualquer um, mas que você pode ser comum se quiser. Você só não tem tempo para isso. E quando eu te vi na boate, eu senti vontade de te ajudar, só não sabia como fazer e então, eu desisti.\"

Fiquei com vergonha de ter admitido ter desistido dele, mas ele não pareceu se preocupar.

\"Ainda bem que me aproximei de você então, não é?\"

Eu sorri.

\"Ainda bem.\" Ele pontuou, como se estivesse tendo novamente certeza do que acabara de dizer.

Eu o observei novamente. Ele parecia um anjo. Um anjo que vivia uma vida solitária. Cercado de pessoas, mas ainda assim sozinho. Involuntariamente, minha mão se ergueu e eu afaguei seu rosto. Ele fechou os olhos.

\"Obrigado.\"