Pais por acaso
5 Jacob- Uma agradável noite
Notas iniciais
Saí do carro pronto para enfrentar quem quer que fosse o idiota que tivesse decidido jogar algo no meu para-brisa, mas a visão que me esperava me fez congelar por um segundo. Uma garota ruiva, jovem, talvez uns vinte anos mais nova que eu, estava parada ali, parecendo nervosa e gaguejando alguma desculpa.
— M-me desculpe — ela começou, tropeçando nas palavras. — Eu confundi o carro. O meu também é azul... Eu não tive um bom dia e, aparentemente, ainda pode piorar.
Eu a encarei, tentando controlar a fúria que inicialmente tomara conta de mim. Ela não parecia ser uma ameaça; na verdade, me lembrava alguém. Talvez uma dessas jovens que eu costumava ver em La Push antes de partir. O nervosismo dela e a evidente sinceridade nas desculpas me desarmaram. Já estava claro que foi um acidente, mas isso não significava que eu perderia a chance de me divertir com a situação.
— Eu... eu te machuquei? — a garota perguntou, dando um passo à frente. Ela tentou tocar minha testa onde os estilhaços haviam me cortado, mas segurei sua mão com cuidado antes que conseguisse.
— Sabia que eu posso te processar por lesão? — perguntei, com um sorriso divertido nos lábios.
O pânico que cruzou o rosto dela me fez rir internamente. A preocupação nos olhos dela era genuína, e eu não podia negar que havia algo... cativante naquela inocência. Não era todo dia que alguém literalmente quebrava o vidro do meu carro e ainda se oferecia para cuidar dos meus ferimentos.
— Eu... eu posso te ajudar com isso — ela disse, parecendo um pouco mais calma agora. — Posso fazer um curativo, se você quiser.
Eu hesitei por um segundo, mas cedi. O que eu tinha a perder? Além disso, a garota era linda, e talvez essa situação bizarra pudesse se transformar em algo mais interessante.
Ela pegou um pequeno kit de primeiros socorros da bolsa e começou a fazer um curativo improvisado na minha sobrancelha. Fiquei observando-a de perto, estudando suas feições enquanto ela concentrava-se em me cuidar. Os dedos dela eram delicados, e seus olhos, atentos. Ela estava realmente levando a sério aquela situação.
Ela olhou para mim rapidamente, sem perder a concentração no que estava fazendo. Pensei em perguntar sua idade, mas hesitei, talvez ela tivesse uns Vinte e três. Uns vinte anos mais nova, como eu suspeitava. Não que fosse um problema. Na verdade, eu já estava pensando em como transformar esse encontro num final de noite mais agradável.
— Pronto — disse ela, recuando para admirar o curativo. — Sinto muito por isso de verdade.
—Que tal uma bebida? Parece que nós dois tivemos um dia complicado. Perguntei com um sorriso provocador, observando a forma como ela corava levemente.
Ela hesitou por um momento, mas acabou concordando. A noite estava apenas começando, e eu já sabia como queria terminá-la.
Levei a garota até o The Last Drop, um bar discreto e acolhedor em Seattle. Pedi uma bebida mas em mei a nossa conversa seus olhos ainda estavam distantes, como se estivesse processando algo. Quando o copo de uísque chegou à metade, Nessie suspirou e soltou, quase como se precisasse desabafar.
— Peguei meu namorado com minha melhor amiga — confessou ela, encarando o fundo do copo. — Achei que ele era diferente, sabe? Mas parece que todos os homens são iguais.
Revirei o copo entre os dedos, estudando-a. Ela era jovem, bonita, alguém que qualquer homem de verdade jamais trairia. Aquele sujeito devia ser algum garoto imaturo, recém-formado, sem noção do que estava perdendo.
— Traição é algo complicado — Respondi, não tinha moral para falar sobre traição já que eu havia me divorciado de Leah por ter pulado a cerca enquanto era casado com ela.
— Traição é algo que eu nunca faria — ela disse, com uma leve pontada de indignação na voz. — E você? Faria?
— Quando eu tinha a sua idade, eu também falava assim. Mas acredite, bonequinha, a maturidade muda a cabeça das pessoas.
— Bonequinha? Ela me olhou como se não acreditasse no que havia ouvido.
Confesso que ri, mas ela era uma garota linda e aquele apelido lhe caia bem.
— Você prefere bonequinha ou bebê?
A ruiva gargalhou.
O barman finalmente deixou as bebidas na nossa frente, peguei meu copo e o ergui para brindar com ela.
— Que tal um brinde?
— E a quê vamos brindar? — ela perguntou, já rindo.
— Aos chifres — disse com um sorriso, e ela gargalhou, batendo seu copo contra o meu.
— Aos chifres! — repetiu ela, entre risos, antes de beber.
— A propósito, sou Jake — me apresentei, com um sorriso despreocupado.
— Nessie — ela respondeu apertando minha mão.
Achei Nessie um nome curioso, mas algo me dizia que não era o verdadeiro. Decidi entrar no jogo. Nessie queria brincar? Eu também sabia como fazer isso.
Revirei o copo entre os dedos, estudando-a. Ela era jovem, bonita, alguém que qualquer homem de verdade jamais trairia. Aquele sujeito devia ser algum garoto imaturo, recém-formado, sem noção do que estava perdendo.
— Ele deve ser um idiota — comentei casualmente. — Um homem de verdade não trairia alguém como você.
Ela riu baixinho, mas havia uma amargura no som.
— E o que um homem de verdade faria?
— Bem, ele estaria viajando pelo mundo com uma mulher incrível ao lado — provoquei, e ela ergueu uma sobrancelha. — Sério, eu estive em muitos lugares... África do Sul, Japão, França... inclusive passei alguns meses na Holanda. Lugares que podem mudar sua perspectiva, sabe? E com a pessoa certa, tudo fica melhor.
Ela se inclinou para frente, interessada.
— Holanda? Eu ouvi falar que é lindo lá.
— É, especialmente à noite. O céu fica cheio de estrelas. Mas nada se compara à costa sul da África. Você se sente pequeno diante de tanta beleza selvagem. É o tipo de lugar onde você descobre quem realmente é.
Ela sorriu, parecendo menos tensa agora.
— E o que você descobriu?
— Que a vida é curta demais pra ficar preso ao passado — respondi, levantando o copo.
O tempo passou rápido enquanto conversávamos, e quando dei por mim, já estava ficando tarde. Nessie olhou pela janela, parecendo surpresa com a hora.
— Acho que precisamos ir — disse ela, mordendo o lábio.
Saímos juntos do bar, e o ar noturno de Seattle parecia carregar um frescor diferente, mais leve. Ao entrarmos no carro, o clima entre nós mudou um pouco. Havia uma eletricidade no ar, uma tensão sutil.
Fechei a porta e liguei o motor, virando-me para ela.
— Então, para onde vamos? — perguntei, com um sorriso no rosto. — Sua casa ou meu apartamento?
Ela hesitou por um momento, os olhos escuros brilhando na penumbra do carro.
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