Painting Love

8 Parte 8 - Em que há dor e sentimentos


Notas iniciais
Esse é um capítulo bem doloroso e-e

Parte 8 – Em que há dor e sentimentos

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Aquele era um momento meio crítico da minha vida. Até hoje havia beijado apenas garotas, e só algumas. Gostara de verdade delas. Incluindo atração sexual e todas essas coisas. Mas havia aquilo e havia um nível superior. Aquilo com Sasori estava nesse nível superior, sendo uma descoberta agradável. Inferno, eu era bissexual? Nunca parei para pensar muito sobre essa coisas. Sempre foi o lema do “deixa a vida me levar e vamos beijando sem restrições”. Pois eu estava levando isso bem a sério, beijando Sasori, me sentindo atraído e tudo.

Sim, eu estava mesmo atraído, de todas as formas que um humano pode estar por outro. Era um misto confuso entre simpatia, amizade, desejo sexual e vontade de beijá-lo. Eu queria muito beijá-lo. Havia uma parte dele, que o mesmo escondia a sete chaves, que me deixava meio maluco para trazê-la à tona. Eu queria descobrir o Sasori que não estava zangado o tempo todo. O Sasori que ria, que relaxava, que não vivia na defensiva 24 horas por dia. O Sasori que ainda implicava comigo, mas que me olhasse como ele me olhou após o beijo na pista de gelo. Foi o melhor olhar que recebi até hoje. Chega o estômago retorce ao lembrar. E eu queria aquele Sasori.

Não que o Sasori ranzinza e implicante me desgostasse, infernos, fora ele o culpado por eu querer me aproximar feito um obsessivo. E agora eu queria praticamente me enfiar dentro dele, de seu cérebro, de seu coração, de sua alma, unir os dois Sasoris e poder conhece-lo por completo. Eu queria mais que beijos, diabos.

Nunca pensei que algo assim pudesse acontecer. Nunca pensei que poderia ser intenso assim. Mas quando pensei nisso, houve uma calmaria. Eu poderia lidar com isso. Eu poderia ficar bem com isso.

Mesmo que Sasori me rejeitasse, eu ainda ficaria agradecido por ele ter me permitido experimentar tal sensação curiosa.

Então eu cheguei naquela semana para a aula meio introvertido. Estava pensando demais desde a sexta e a quarta havia chegado. Eu estava nervoso. Eu estava indeciso. Eu não conseguiria ir para as malditas aulas de pintura. Eu fiquei fugindo a manhã toda, inclusive de Ino e do resto da galera. Eu precisava refletir muito. Esperava não decepcionar ninguém, mas precisava de um tempo só. Então fui para o ginásio, me enfiar debaixo das arquibancadas, fugindo também de um grupo de garotos fumando maconha e matando aula ali perto. Nem pensei sobre ver Shikamaru entre eles, combinava com ele, de fato. Mas fiquei aquelas duas aulas sentado com a mochila no colo, os cotovelos apoiados nos joelhos e pensando em tudo e em nada.

***

Eu cheguei atrasado. Eu cheguei atrasado demais. E eu sabia que aquela culpa ia me perseguir pelo resto da vida. Tudo por causa de um maldito atraso, uma maldita falta, uma maldita coincidência de tudo. Incrível a capacidade de as coisas quebrarem em poucos segundos, minutos.

Quando eu estava finalmente saindo da quadra, já me arrependendo de ter faltado e planejando ir direto ao prédio da pintura, ver se conseguia falar com ele, eu vi a cena. Eles ainda estavam longe, mas senti um dejá vu e lembrei dos veteranos bullies que haviam atazanado um nerd. Aquilo parecia pior. E foi num impulso que diminui a distância correndo.

Tomaram a mochila dele, socando-o com força o suficiente para fazê-lo cair. Ele explanou as mãos no chão, tentando evitar coisa pior na queda.

— Além de ser o esquisitinho dos calouros, ainda acha que pode aterrorizar a gente. – um deles gritou.

— Pega sua pintura e enfia no teu cu, pirralho! – um outro ruivo, cheio de piercings, falou com verdadeiro ódio.

— Fazia tempo que estávamos te marcando, agora tu vai receber o que merece. Tu quase fez o Hidan reprovar logo no primeiro semestre, pivete.

— Se ele fizesse algo além de fumar maconha durante a aula poderia ter conseguido alguma nota. – Sasori não ia deixar limpo.

— Isso, quero reação, moleque. – Hidan riu de forma macabra.

Isso foi quando cheguei, atraindo atenção.

— Ih, o outro novato que parece uma garotinha, Kisame. – Hidan riu de novo.

— Ah, sim, eles estão andando juntinhos agora. Um verdadeiro casal de bichinhas. Merda, combina muito bem. – o conjunto de risos me enojou.

— Você está bem? – me aproximei de Sasori, mas ele apenas me olhou com uma expressão fria.

— Me diga, garotinha, você é a menina da relação? Ele mete na tua bundinha? – um outro que não conhecia perguntou para mim.

— Vão à merda! – esbravejei.

— Uh, a menina tem nervos. Calma, não me preocupo de bater em meninas! – puxaram meu braço, me tirando de perto de Sasori, que ainda estava sentado.

Aquilo pareceu correr em câmera lenta. Vi os dedos se fechando cuidadosamente e seu punho indo alto, descendo gradualmente em minha direção. A dor explodiu na maçã do meu rosto, parecia que havia quebrado algum osso, o tanto que me desnorteou. Qualquer plano de reação que eu poderia ter montado na minha mente chacoalhou com o resto do cérebro, me deixando confuso. O golpe no estômago serviu apenas para me fazer cair no chão, roubando meu ar e me fazendo agradecer pelo almoço já ter sido digerido senão eu vomitaria.

— ISSO, REAGE! – ouvi outro gritar, instigando. Com o meu olho que não doía, consegui ver Sasori verdadeiramente reagindo, chutando quem quer que fosse que havia dado os socos em mim.

Maldição, eu me revirei, tentando levantar e me fazer útil, algo assim, mas eram quatro deles. Nunca aquilo poderia ter dado certo. E ainda eram os quatro sobre Sasori. A única coisa que eu conseguia fazer era gritar. E eu o fiz pela dor, pela raiva, pela injustiça. E por meu diafragma tão contraído que me impedia de respirar.

— Filho da puta, nunca mais vai poder ameaçar ninguém com seus pinceis de merda. Nunca mais vai poder nem beijar sua namoradinha. Aposto que devem passar a aula colocando frufrus um no outro e comendo a bunda. – a gargalhada poderia ter me feito vomitar o vazio que havia mesmo assim.

— Vocês são nojentos, uma aberração. – foi quase um sussurro entrando em meus ouvidos. Havia ódio puro ali.

O baque ao meu lado me fez mais consciente do meu redor.

— Puta que pariu! – uma voz diferente apareceu e consegui abrir os dois olhos para ver o que diabos acontecia.

Chutei ser Sasuke, o grande amor de Sakura, mas eu havia o visto apenas de longe, não conseguia reconhece-lo bem assim. Ele era bem parecido com um dos veteranos, o que já me fez arrepiar ao pensar em mais alguém para participar do linchamento. Mas o barulho de briga, não sobre nós, pareceu ser um sinal bom. Me virei para o outro lado e vi Sasori caído, enrodilhado em si mesmo.

O latejar em meus ossos faciais parecia piorar e minha cabeça doeu quando a movi. Mas pelo menos eu conseguia sugar o ar sem parecer que algo comprimia meu diafragma. O medo de morrer sufocado pareceu menor, o que agradeci. Me aproximei dele, tentando puxá-lo para mim de uma forma torta, tentando abraçá-lo. Ele pareceu se apertar mais ainda em posição fetal. Me deitar daquele lado, bem sobre onde recebera o soco, me fazia ver estrelas, mas me mantive firme segurando Sasori. Para o caralho se alguém ainda quisesse participar da merda toda, pelo menos proteger seu corpo eu tentaria. Pelo menos alguma porra eu faria.

Tudo ficou silencioso aos poucos, o tempo pareceu correr pelos meus dedos. Mas Sasori não se mexeu e nem eu. Ficar quieto era bom para suavizar a dor de cabeça que se instalava e meu coração desacelerando diminuía o latejar também. Mas aquilo incharia como o inferno. Quando uma mão tocou meu ombro eu me assustei, pronto para partir em cima dela.

Mas era Ino, ela me olhava com uma cara preocupada e parecia prestes a chorar. Sakura estava atrás dela, indo ver como Sasori estava.

— Não! – rugi. Ela parou no meio do caminho, nervosa. Aí eu caí na real que ela segurava uma caixinha de primeiros socorros tirada de algum inferno. Me forcei a abaixar a guarda. – Desculpa. – sussurrei, me sentindo culpado e uma dor tão forte no rosto que tive que me deitar de novo para suavizar os batimentos.

— Deidara... – Ino se ajoelhou e me abraçou. Aceitei seu abraço com força, feliz por coisa pior não ter acontecido.

— Temos que ir pra casa. – falei, me agitando de novo.

— O que? Mas a Sakura...

— Vamos pra casa. – neguei. – Minha casa. – pedi. Ela engoliu em seco ao olhar Sasori e fiquei com medo de olhar para trás.

— Tudo bem, vou trazer o carro até aqui para facilitar. – ela saiu correndo, seus tamanquinhos batendo no chão. Obviamente ela se inspirara nos da minha mãe.

Me virei para Sakura e Sasori e ela olhava para o rosto dele, ele tendo afrouxado um pouco o aperto entre si. Mas ele estava de costas para mim e eu só conseguia ver um pouco de sua pele, pela camiseta verde escuro ter se levantado. O barulho dos freios do carro me despertou, Ino poderia ser surpreendemente prática. Consegui me ajoelhar, apenas com vontade de me manter meio corcunda pela dor nos músculo da barriga. Ajudei Sakura a levantar Sasori e foi uma das piores coisas que eu já vi, observando-o se encolher de dor, ainda mantendo o rosto escondido de mim. Ele mancou um pouco até conseguir entrar no carro. Sakura foi na frente, deixando nos dois atrás.

Não poderia haver nenhuma relutância e ela seria ridícula nas circunstâncias atuais, então ele aceitou vir com a cabeça em meu colo. Minha cabeça parecia explodir e Sakura olhava mordendo os lábios para o meu rosto.

— Está uma bola? – perguntei, minha voz soando baixa e rouca demais para mim.

— Algo assim. Um pouco pior. – soltou. Nem me dignei a olhar pelo retrovisor para ver o estado.

Mesmo chegando em casa, Sasori se manteve firme em se fechar para mim. Minha mãe teve um ataque, tendo acabado de chegar do salão e inclusive minha tia estava lá. Junto com Ino, aquele grupo de loiras com tamancos ficou fazendo um barulho terrível pela casa, o que me deixou com um humor pior ainda e um latejar piorado. Aos poucos eu conseguia fazer as coisas melhor, tendo a dor na boca do estômago passado. Minha mãe correu com um balde de gelo, todo o gelo que havia em casa e aposto que na casa da minha tia também. Acabamos nos alojando em meu quarto, onde Sasori ficou deitado enquanto Sakura se debruçava sobre ele.

Ela falou algo sobre ter recebida orientações médicas quando foi escoteira, algo assim. Me sentei em minha cadeira giratória da escrivaninha, observando com muita atenção o que Sakura fazia, mesmo que ela tampasse cada movimento. Me entregaram um saquinho de gelo improvisado, sacola plástica e cubinhos de gelo dentro, o que prontamente coloquei na bochecha. Ardeu, mas logo a dormência causada pelo frio foi uma benção.

Havia uma confusão de mulheres ali e logo Shikamaru, Chouji e Naruto apareceram do nada no meu quarto. Okay, não cabia todas aquelas pessoas ali, o que logo perceberam. Mas sequer me importei em ouvir o que diziam, preocupado com os tênis de Sasori estremecendo quando Sakura fazia alguma coisa. Minha mãe correu para avisar o pai de Sasori via telefone, mas o que aconteceu me despertou do meu transe.

— NÃO! – ele gritou, assustando todos.

— Tem certeza, querido? – minha mãe ficou em dúvida, segurando o celular.

— Eu... aviso depois. – disse com dificuldade.

Okay, eu estava prestes a brigar com todo mundo e expulsa-los dali, mas não poderia negar que eu não sabia cuidar nem de um corte de faca, então deixei Sakura fazer o que conseguia. Em algum momento minha tia saiu com os meninos e minha mãe decidiu fazer panquecas para todos, tentando se fazer útil. Ino rodava pelo meu quarto, berrando ao celular. Dei um olhar mortal para ela até a mesma cair na real e sair também, dessa vez gritando no corredor. Quando vi Sakura ao meu lado pulei na cadeira, o que fez um caralho no meu latejar.

Ela olhou bem, conferindo que não havia nenhum corte, apenas o inchaço. Tocou e apertou, o que me deu vontade de chorar e nem liguei de derramar lágrimas. Ela passou algo para contusões na minha bochecha e torceu para resolver, me pedindo para continuar com o gelo. Nem esperei ela sair totalmente do quarto para quase me jogar sobre a cama. Mas tive o cuidado de me sentar lentamente.

Sasori olhava o teto com uma expressão vazia e quem dera fosse apenas aquilo que fez uma mão esmagar meu coração. Seu olho direito se arroxeava, seu lábio estava partido e havia um corte no supercílio. Ouvi algo sobre mais contusão no tornozelo e nos dedos. Os nós de seus dedos estavam também se arroxeando e pensei logo em como ele seguraria o maldito lápis. Só percebi que era a mão esquerda depois de alguns segundos, Sasori era destro. De todos os males, um menor. Suspirei, me sentindo cansado, dolorido e esgotado mental e fisicamente.

— Você tá horrível. – ele finalmente disse. Mas não havia me olhado ainda.

— Como se você tivesse autoridade para dizer algo. – resmunguei, apertando o gelo, que derretia pelo meu braço, na minha bochecha.

Voltamos ao silêncio. Me senti muito tentado a deitar ali, empurrá-lo para o outro lado e dormir. Estava quase fazendo isso quando ele mesmo se empurrou, com uma expressão dolorida. Demorei a sacar que estava chorando. Oh, que beleza. Mas não me deitei. Funguei forte, encarando a parede do outro lado. Ainda nem tivera tempo de por meus pôsteres. Ou melhor, eu havia esquecido, claro. Deixei toda aquela água interna escorrer sem querer pensar muito.

Não era novidade coisas como aquela acontecer. Mas saber que elas ocorrem, e ainda por cima com você, era uma droga. Não apenas com você, mas com quem você ama. É, pois é, eu estava sem muito saco, sem muitas reservas, com preguiça até de ter dúvidas. Foi aí que me deitei, limpando a bochecha boa com o dorso da mão. Um outro fungar chamou minha atenção. Virei o rosto, vendo-o de perfil. Uma lágrima escorreu timidamente do seu olho, mas ele se manteve firme em encarar o teto. Maldito que se segura até no momento da dor. A risada dolorida despertou ele, finalmente fazendo-o me olhar. Aquilo tinha doído, puta merda.

— O que...

— Você é um desgraçado muito durão. – sorri torto, com dor, interrompendo-o. Ele ficou pensativo. – Desculpa, matei aula. – confessei, franzindo a testa.

— Não é como se eu precisasse saber.

— Para. – bufei, a raiva voltando. Droga, tive que me sentar, o que enviou uma onda de dor no meu osso. – Bosta. – reclamei. – Pare de ser tão malditamente impenetrável. Eu sei que tem a droga de uma alma e um coração ali, embora você queria esconder com todas as forças. Me dá uma trégua pelo menos dessa vez, seu cretino. – ele ficou surpreso com o xingamento. Mas a dor voltou ao seu olhar. – Fale alguma coisa. Momento ideal para despejar tudo, vamos aproveitar. – me sentei em sua direção, abraçando meus joelhos e aguardando.

— Eu não quero... envolvimento. Sempre que ele ocorre há dor. – disse baixo.

— Pois está ocorrendo muita dor neste exato instante, e olha que nem há envolvimento assim. – rosnei. Aquilo pareceu desarmá-lo mais ainda. – Tudo bem, já tivemos uma dose do que diabos pode ocorrer quando houver envolvimento, mas... Desistência? – frustrei.

Ele tentou se sentar e apoiou as costas na cabeceira da cama com dor.

— Eu não estava falando desse tipo de dor.

— Mas esse tipo de dor está ocorrendo também. – a mágoa em minha voz foi péssima. – Toda vez que você age como se nada houvesse ocorrido. – quase expirei com força, feliz por ter finalmente falado aquilo.

— E quando eu consigo reunir algum tipo de confiança, você some também. – ele rebateu, ainda mantendo a careta de dor.

— Para de fazer careta para mim ou eu vou te bater também. – ameacei. Desarmei-o de novo. Eu sei, eu estava surpreendente naquele dia. – Esta faltando diálogo aqui, claramente. Okay, vamos dialogar. – exasperei.

— Sobre...

— Sentimentos. – falei firme. – Tem algo sério ocorrendo aqui e eu sei que não é unilateral. – eu ficava adoravelmente bocudo quando com raiva. Era bem útil.

Mas Sasori se manteve em silêncio, eu podia ver toda a hesitação em sua cara. Desarmá-lo era outra coisa útil, uau, tinha que fazê-lo mais vezes. Era tão mais fácil lê-lo.

— Sim. – ele sussurrou.

— Isso está indo além da amizade.

— Sim.

— Não está dando para ficar fingindo que nada está acontecendo.

— Sim.

— Vamos começar admitindo tudo.

— Sim... – ele ficou remexendo o travesseiro, mas esperou eu começar.

— Tudo bem. Estou apaixonado. – soltei. Parece que aí o bom senso retornou e eu fiquei com uma puta ânsia de sair do quarto. A ânsia de fugir. A mesma ânsia que minha mãe teve quando as coisas ficaram sérias com meu pai. Aquilo me fez engolir em seco e me manteve ali, sentado.

O silêncio me deixou com raiva de novo e voltei o olhar irado para ele. Mas Sasori me observava, com aquela mesma clareza no olhar do dia da pista de gelo. E acho que nunca pude lê-lo tanto. A confusão, o receio, a surpresa por ter finalmente dito, um calor que me acertava melhor do que todo o resto.

— Eu também. – nem invejei a calma com que ele disse aquilo, tendo sido nocauteado demais por um dia só.

Sorrimos de forma esquisita, sentindo dor em muitos lugares, mas pelo menos o coração foi poupado daquele round. Apertei a mão dele, como estava com vontade de fazer desde aquele dia no refeitório. Houve muitos momentos que eu queria repetir. E foi muito bom sentir ele se repetindo com mais intensidade, principalmente quando Sasori apertou a minha mão mais ainda.

Ao invés de sentir a esperada euforia, eu estava com mais preguiça e cansado ainda. Pelo visto não apenas Sasori era frustrante, eu também poderia o ser. Mas não era como se eu tivesse muitas condições de expressar a esperada animação. Sasori retirar a mão me deixou desnorteado.

— Sua mão está muito gelada. – ele olhou feio para ela.

Eu infelizmente ri e meus músculos abdominais contraíram e ainda estavam meio doloridos. Mais dor, lindo. Mas se brincar o rosto até dera uma leve trégua, ainda doendo, mas menos. Fiquei indeciso se era por causa do gelo que já derretera quase todo, me molhando demais, ou se pela sensação de alívio sentimental e espiritual. Mas eu tive que rir mais, pelo alívio.

— Seu cretino. – disse, por sobre as risadas. Ele apenas sorriu, também aparentando cansaço maior que o meu. – Tudo bem, chega para lá, eu estou muito interessado em dormir e acordar apenas no fim das aulas. – me deitei, agradecendo por meu colchão ser tão maravilhoso. Ou eu o sentia de forma mágica, depois de todas as dores. – Venha cá. – estiquei s braços.

Ele me olhou feio.

— Vai perder 1 ponto por isso.

— Só um ponto? – meu sorriso completo incomodou, mas eu tinha que dar o sorrisinho irônico.

— Você já está repetindo em pintura. – deu de ombros e se encolheu, pegando o ombro com incômodo.

— Pelo amor de deus, Sasori, venha cá ou eu vou quebrar seu braço. Seu braço da pintura. – ele ficou resmungando e relutando muito, mas com esforço, deitou-se.

Abracei-o com cuidado e ele tentou enfiar o rosto no travesseiro, mas eu vi que ele estava corado. Muito cretino, mas eu tinha um fraco por cretinice, pelo visto. Puxei seu rosto para torna-lo mais visível, o que o deixou mais constrangido. Mas era meio tarde para aquilo quando completei o famoso beijo.

Foi outra ótima sensação ter seus lábios novamente nos meus, mas agora levemente diferente. A magia de ser correspondido com todas as letras, algo meio assim. Mas já estavam ficando conhecidos por mim, a suavidade e o famigerado calor. Tudo dentro de mim parecia funcionar em câmera lenta, observando e guardando tudo ao meu redor. Um leve barulho de vozes na sala de estar. Ino ainda gritando ao celular. O cheiro de sabão do travesseiro. O fato de que o braço livre de Sasori havia devolvido o abraço, apesar de tudo. O latejar em minha bochecha. O coração desnorteado. Sua língua tocando a minha com desejo finalmente liberto.

Eu poderia congelar o momento para sempre.

Notas finais
Porque essa é a realidade, nada fácil, da galera LGBT. Chega bate a depressão Mas aí você lembra do Dei Dará e o Satori se confessando Aí anima um pouco :')