Painting Love

9 Parte 9 - Em que Pintura complementa Escultura


Notas iniciais
OI GENTE Eu tô puta porque o Nyah bugou quando eu ia postar o capítulo Já passei o final de semana estudando, tenho prova amanhã, a faculdade sugou minha vida hoje o dia inteiro, ainda enrolei até agora no xerox... OLHA, SE TEM UMA COISA QUE NÃO ESTÁ É DANDO Enfim... VIADOOOO, OBRIGADA HORRORES PELOS COMENTÁRIOS E RECOMENDAÇÃO, SOS, TENHO UMA RECOMENDAÇÃO TÔ BERRANDO OBRIGADA ZABALZA, SEI NEM COMO AGRADECER ♥ ♥ ♥ Provavelmente quarta eu consiga tempo pra responder todo mundo, tô atolada aqui e necessitando dormir MUITO. Mas vamos ao penúltimo capítulo da fic c:

Parte 9 – Em que Pintura complementa Escultura

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Quando cheguei na aula de pintura naquela semana, Sasori usava uma camiseta branca. Eu parei na entrada, tentando computar aquilo. Ele estava de costas para mim, de modo que aproveitei para ir de forma mais silenciosa possível. Mais um desafio: assustá-lo.

Em uma semana eu já não sentia nada considerável, pelo menos nenhuma dor insistente. O rosto desinchara, mas havia formado um hematoma que se estendia um pouco para meu olho. Ele já começara a adquirir coloração meio verde, o sangue sendo absorvido pelo corpo. Eu estava ficando meio obcecado pelo corpo humano na biologia, daí enchia Ino e Sasori de termos técnicos. Ele apenas me encarava, fingindo ligar, balançando a cabeça e depois voltava a desenhar em seu bloco. Ino nem fingia, apenas esbravejava que ninguém ali era médico, aí ameaçavamos um ao outro com magia negra e satanismo. Sakura já começara a aprender termos interessantes conosco, péssima influência, realmente. Era hilário vê-la utilizando isso com Sasuke, que com seu jeito taciturno, sequer sabia como lidar.

Sasori dormira em casa naquele dia. Ino arrebentara pela porta pela manhã, nos acordando cheios de dores. Ela ficou berrando que transaramos, o que rendeu um Sasori vermelho prestes a fugir pela janela, mas aí discutimos, nos ameaçamos e ficou por isso mesmo. Foi estranha a conversa que minha mãe tentou ter comigo naquela noite. Eu tinha passado pela fase da conversa sobre garotas, agora ela parecia confusa de ter que entrar na conversa sobre garotos. Mas confessei abertamente estar gostando, mais do que o considerado normal, de Sasori e estar disposto em levar aquilo adiante. Ela ficou trocando letras e palavras, então dei uma trégua à ela. Era novo para mim também. Mas abracei-a e falei que bissexual ou não, eu ainda era o mesmo Deidara. Aquilo a fez me abraçar apertado, fungando. Não vamos entrar nos detalhes de chorar um nos braços dos outros, quase um ritual familiar para tudo, desde alegria à tristeza. Nem que, abraçando Sasori, deu vontade de chorar também. Já basta de vergonhas naquele dia.

Minha mãe acabou falando com o pai de Sasori sobre a noite passada fora, mas ele preferiu contar o que levara à ela cara a cara. Algumas coisas pareciam melhores, mas consegui ter vislumbre de hematomas no tronco de Sasori enquanto ele vestia uma camiseta minha emprestada. Mas não precisei me preocupar muito com retaliação ou algo assim. Sakura e Ino foram ao colégio naquele dia e fizeram um escândalo. Todos os envolvidos foram intimados a aparecer para dar seu depoimento. Mas houve um boato oportuno de levar o caso à mídia e o diretor inútil, Kakashi, como Ino o chamava, decidiu expulsar quem participou da agressão. Foi tudo bem rápido, mas sobraram as sequelas.

Chegamos no colégio longe da melhor forma possível, de modo que os boatos sobre nós dois também alastraram como uma epidemia. Eu sabia que olhares de aversão sempre nos acompanhariam, em todos os lugares, assim como os de apoio. Eu guardava apenas os de apoio, lutando para não limitar minha existência porque eu não encaixava em um padrão considerado o correto. Sasori teve seus problemas. Infelizmente ele nunca teve chance contra mim, então eu o instigava a não limitar sua vida também.

Houve uma encheção de saco especial para nos sentarmos no almoço sempre, único horário livre para nós dois durante a manhã letiva, pelo amor, eu ia obrigá-lo a sentar ali sim. Por uma sacanagem do destino, compartilhávamos apenas pintura mesmo, mas ele tinha mais aulas com Ino, o que era outra sacanagem, já que ele tinha receio do “jeito Ino de ser”. Prometi ensiná-lo uns termos e rituais profanos para usar contra ela, o que o deixou preocupado. Mas jurei que era apenas brincadeira, uma forma de medir forças e conhecimentos para o mal. Sim, nenhuma novidade no fato de que não tínhamos uma relação normal entre primos.

Mas eu estava confiando tremendamente no sucesso daquilo tudo. De forma que fui, sorrateiramente, até Sasori. Eu podia ver que ele fazia desenhos em outro quadro, este ainda intocado pela tinta. Pelo visto terminara o anterior. Mas, quando ia assustá-lo, lá veio Sasori me derrubar primeiro.

— Oi, Deidara. – cumprimentou, calmo.

— Como diabos...

— Sua mochila chacoalha. – deu de ombros, ainda sem ter se virado. Olhei para o chaveiro que batia às vezes em um bottom.

— Merda. – resmunguei. Dei uma mordida em seu pescoço, fazendo-o pular e cair do banco, assustado. Eu tinha que terminar o desafio de uma maneira ou de outra, não é? Mas aquela foi uma maneira bastante melhor, pelo olhar horrorizado dele, segurando o local da mordida. – Nem foi forte.

— Mas foi, hum, uma mordida. – ele realmente não estava sabendo como reagir.

— Nunca foi mordido, Sasori? – alarguei o sorriso maroto.

— Já mordeu muito, Deidara? – agora foi minha vez de acuar, constrangido, e ele de sorrir. – Eu sempre vou ganhar nisso, desista.

— Mas estou melhorando no debate. – me defendi.

— Talvez. Minimamente. – ele disse, indo voltar para o quadro, quando tive uma ideia.

— Não, vamos fazer outra coisa. – falei, pegando sua mão e afastando-o do quadro. Ele ficou confuso. – Vamos matar aula. – declarei.

— Você bateu a cabeça? – questionou, não acreditando.

— Obviamente não, anda. – apontei sua mochila. – A Kurenai não vai aparecer, se aparecer e não nos encontrar vai ficar é agradecida. E você é o monitor mesmo, e ao que tudo indica vou reprovar em pintura com um inacreditável F-, então vamos aproveitar.

— Aproveitar o que disso, reprovar?

— Que pouca imaginação, Sasori. – ele se ofendeu.

— Quanta imaginação para porcaria, Deidara. – tenho que admitir que ficar usando nossos nomes era algo meio excitante. Alguma coisa louca sobre meu nome soar muito bonito quando ele o dizia, algo que nunca tinha entendido, mas acho que entendia agora.

— Enfim, vamos. É só hoje, porra. – rosnei.

Ele foi forçadamente pegar sua mochila e pude admirar melhor sua figura na camiseta branca simples. Ele parecia brilhar, era algo sinistro, mas esperado, se for considerar que só o vi usando roupas escuras até agora. O branco o fazia aparecer na multidão, até o cabelo ruivo ficava evidente. Acho que observava com muito interesse, pois ele pareceu sem graça.

— Não íamos? – falou, impaciente. Ele pegara também um pacote do formato de um quadro que segurava com tanto cuidado que me deixou curioso.

— Okay. – peguei sua mão, puxando-o para fora. Ele mal teve tempo de trancar a sala antes que eu saísse arrastando-o.

Quando deixamos o prédio, Sasori fez menção de soltar minha mão, mas não o deixei. Mais uma evolução forçada que eu faria, pobre Sasori. Mas não era como se houvesse alunos ali, todo mundo ainda tendo aulas. Mataríamos as duas últimas e aquilo não acarretaria grandes problemas, pelo menos não para ele, o monitor da aula. Identifiquei ao longe o grupo de maconheiros, onde o cabelo espetado de Shikamaru chamava atenção. Acenei e ele retribuiu o aceno de forma preguiçosa, muito característico. Eu poderia passar o resto do ensino médio agradecendo-o por ter sido o primeiro a ver e nos ajudar, não seria o suficiente. O pensamento amargou um pouco em meu cérebro, mas deixei-o ir, se desvanecer. Sasori podia negar, mas ainda sentia umas dores nas costelas quando eu dava um ataque de abraço. Havia os hematomas em seu rosto, caso alguém conseguisse esquecer por um momento, além dos cortes que cicatrizavam. Novamente deixei o pensamento desvanecer.

Fomos andando, eu guiando-o com sua bicicleta à tiracolo, em direção ao parque mais próximo. Um lugar tranquilo o bastante para a ideia de matar aula em paz. Sasori tinha dificuldade de manter o ritmo pedalando, mas não abria a mão de vir para o colégio com ela, ele não morava perto, inclusive era bem longe da minha casa. Mas ele ainda ia para a minha, dando continuidade às ideias da minha mãe de pintar a casa.

Fui correndo pela grama e me joguei sobre ela. Claro que doeu em todos os pontos possíveis, mas ouvi um ronco já conhecido e aquilo fez valer a pena.

— Ino tem razão em dizer que você bateu a cabeça quando criança. Não duvido dessa possibilidade. – Sasori disse, entre risadas.

— Ela tem inveja do meu despreendimento e amor pela vida. – tirei a mochila das costas e puxei sua perna, fazendo-o desequilibrar e cair. Sasori nunca tinha chance comigo, pobre Sasori. Quase tive dó, mas tinha coisas mais importante para me preocupar, como, hum, porque eu ficava sem graça só de pensar?

Fui pra cima dele como um tubarão, praticamente, a música tema do filme quase tocou na minha cabeça. Ele conseguiu se sentar e ficou parado me observando. Eu poderia ranger os dentes de nervosismo, mas ele aparentava tamanha calma, tão diferente de semanas atrás. Antes eu julgaria que ele só sabia fazer caretas, mas seu rosto relaxado era infinitamente mais bonito. Ficamos nos observando, eu obviamente pensando na cagada de toda aquela situação, ideias romântica idiotas que me faziam corar como uma menininha colegial – apenas inverte o gênero sexual que ainda assim encaixaria bem em mim.

— O que você está pensando? – ele arqueou uma sobrancelha. Eu sabia que estava fazendo caras que me denunciavam, infernos. Aquilo me deixou com vontade de me matar, sinceramente. Limpei a garganta.

— Em como quero te beijar novamente. – soltei, vendo ele ficar vermelho também. Pelo menos eu não era o único nervoso ali agora, há.

Ele foi se aproximando e segui seus movimentos. Fazer aquilo ali, em um parque, debaixo do sol de fim de tarde e ao ar livre, parecia algo completamente diferente. Sorte que não havia tantas pessoas por ali hoje, só de pensar na óbvia rejeição da sociedade para com nós dois, além do ambiente escolar, algo bem piorado, me dava ânsia e piorava meu nervoso. Mas estávamos juntos ali, enfrentaríamos juntos. E eu fechei os olhos para o mundo ao meu redor, figurativamente e literalmente. Senti, além de sua boca, sua mão ir para meu rosto, segurando-o. O toque me deixou com outro revirar no estômago, mas aquele foi completamente diferente.

Foi um beijo calmo, tão calmo quanto eu poderia dar naquele momento. A sensação de novidade continuava, talvez tudo culpa do meu psicológico maluco, mas não deixava de ser ótimo. E pareceu durar infinitamente, mesmo nossas línguas seguraram a barra da afobação, digamos. Nada de duelos e batalhas e línguas, buscando uma vitória que nenhuma conseguiria, nada clichê nesse nível. O pensamento me fez sorrir entre o beijo.

Nos deitamos um ao lado do outro, encarando as nuvens no céu ainda muito azul. Ainda estávamos no final do inverno, entrando na primavera, mas o sol já começava a durar mais. Minha mente estava uma droga para questões de geografia, de modo que nem liguei para a paisagem ou coisa assim. Me mantive concentrado em deixar nossas mãos entrelaçadas, testando a suavidade de cada dobra de seus dedos. Estiquei nossas mãos à nossa frente, ou melhor, acima de nós.

— Como isso vai funcionar mesmo? – soltei, ainda mantendo minha atenção em nossa mãos contra o céu. Ele virou o rosto para me olhar, com a testa franzida.

— Porque eu pensei mesmo que você tinha alguma experiência nisso? – franzi a testa com ele.

— Boa pergunta.

— Deve ser o seu “despreendimento e amor pela vida”. – provocou. Eu ri, não podendo evitar de permanecer tranquilo mesmo assim. Eu estava numa problemática grande de ficar confuso e confiante ao mesmo tempo.

— Tudo ainda é novidade. – comentei.

— Idem. – ele sussurrou. Apertei sua mão e ele devolveu a intensidade.

— Agora vamos ter que sair em um encontro, tipo ir no Ichiraku’s. – aquilo o fez ficar preocupado.

— Precisamos sair?

— Alguém vai ter que largar a fobia de sair. – dei uma tossida indireta. Ele ficou levemente amarelo.

— Porque gostar de alguém é tão complicado? – franziu a testa. Quando ele percebeu o que disse, me olhou rapidamente.

A cena deve ter ficado linda de se observar, dois pimentões nervosos segurando as mãos. Mas em nenhum momento ele a soltou da minha e aquilo me deixou com toda a confiança do mundo de que iríamos fazer dar certo. Mas logo começamos a rir, quase como se tivéssemos combinado. Droga, eu poderia estar num nível tenebroso de paixão naquele mesmo instante, mas ele piorava a cada toque, risada, palavra e vergonha compartilhada.

O aperto de Sasori em minha mão despertou minha atenção. Ele pareceu ficar muito mais nervoso e ansioso. Se sentou e pegou o quadro empacotado, brincando com o papel que o enrolava. Me sentei também, tentando adivinhar o que diabos ele iria fazer agora. Claramente iria me surpreender, eu sabia.

Ele finalmente rasgou o papel, revelando o quadro. Reconheci a paisagem que ele pintara aos poucos, devido todas as minhas interrupções, durante as aulas de pintura. Ele realmente usara amarelo. E azul claro. E verde claro. Havia tantas cores claras ali, apenas poucas sugestões de sombras, que tive que piscar umas três vezes parar acreditar. Quase levei o indicador para tocar e testar se era real. O caminho parecia não ter fim, mas analisando bem no fim dele, havia uma sugestão de um campo. E um campo aberto. Eu estava meio horrorizado, quando ele estendeu o quadro para mim, sem me olhar.

— Provavelmente vai ficar bom perto dos livros. – demorei alguns segundos para entender que ele falara dos meus livros bagunçados no meu quarto. Ele estava me dando o quadro. A sua assinatura, bem pequena no canto direito inferior, mostrou sua letra arredondada e infernalmente mais legível que a minha. Havia ali a data do final de segunda feira, dois dias atrás. Ele passava todos os dias pela sala de pintura? Acho que ele viu o questionamento em meu olhar. – Mato algumas aulas quando quero terminar algo. E não é como se Kurenai estivesse presente para me delatar. – deu de ombros, como se não fosse nada importante.

Mas eu ainda estava reagindo à importância de tudo aquilo. Eu estava tentado a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas primeiramente coloquei o quadro cuidadosamente longe de nós. E aí piorei meu lado predador, abraçando-o como se minha vida dependesse disso, de senti-lo contra mim. Eu senti ele engolir em seco, não esperando por isso, mas devolvendo o abraço. Quando percebi que podia muito bem fazer outra coisa a qual eu tive ânsia de realizar, mordisquei seu pescoço de novo. Sasori pulou pra longe de mim, vermelho e zangado.

— Faça isso de novo e vai perder 2 pontos. – reclamou.

— Só 2? – nem consegui morder as bochechas para controlar o sorriso.

— Deidara. – avisou.

— Sasori. – falei, fazendo pouco caso. Ele viu que não foi muito efetivo e deixou para lá. – Mas obrigado. Realmente. E principalmente pelas cores claras. – mandei todo a gratidão pelo olhar.

— Combina com você. – tocou, inconscientemente, o pescoço, olhando para a grama.

— Sasori. – chamei. Ele voltou para mim. – Se você me ajudar a pintar minhas esculturas, isso serve para eu ganhar pontos? – fiquei pensativo. – Porque desenhando eu não vou muito longe. – confessei.

— É uma boa ideia. Mas ainda vou fazer você fazer uma cadeira parecer uma cadeira. – a determinação queimou em seus olhos, o que me deu medo. Pensei certas merdas, mas isso não vem ao caso.

— Tem cer...

— É o único acordo.

— Merda.

— Sim.

— Tudo bem. – nem hesitei. Não dava para ganhar o tempo todo nessa vida, enfim.

Aí ele apagou, murchou e voltou a arrancar tufinhos de grama, quase montando uma oca indígena ali. Ele ficava muito bem mesmo de blusa branca. Tentei imagina-lo usando uma camiseta azul clara, uma calça vermelha, um tênis amarelo e um agasalho laranja. Um desastre da moda, claro, mas pareceu muito sedutor no momento.

— Você também combina com cores claras. – soltei, suavemente. Ele semicerrou os olhos, duvidando. – Me faz querer beijá-lo de novo. – engoli em seco, impedindo de falar sem pensar de novo. A pequena oca em construção desmanchou e ele limpou a mão na calça, voltando a corar. Oh, pois bem, diabos.

Mas antes que eu tomasse a iniciativa, ele veio e terminou a distância, selando nossas bocas. E ainda nos abraçamos, com eu derretendo feito uma manteiga patética ao sol.

Diabos, Ino ia encher tanto o meu saco.

Notas finais
Agora eu vou dormir, dels Novamente obrigada pelo apoio