Painting Love
7 Parte 7 - Em que Sasori é sequestrado
Notas iniciais
Parte 7 – Em que Sasori é sequestrado
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Passei a aula toda de sexta observando Sasori de forma nada disfarçada. Ele obviamente percebeu e pareceu meio acuado. Meio zangado. Muitas emoções passando pela cara dele, o que era raro. Será que ele estava pensando naquilo que aconteceu? Ele não estava disfarçando tão bem quanto antes. E eu estava pensando demais também. Droga.
E também, ele às vezes se distraía, parava de pintar e encarava o vazio, perdido em pensamentos. Depois via que eu estava encarando de forma nada natural e voltava para o quadro, bufando. Quando acabou a aula eu praticamente pulei da cadeira, puxando nossas duas mochilas juntas. Ele viu aquilo e pulou do banco também.
— O que, pelo amor de deus, está acontecendo com você? – perguntou, finalmente.
— Vamos sair. – falei, sem muitas informações, já rumando para fora da sala. Hora de por em prática o que planejei com Ino e os outros. Ele puxou a alça livre de sua mochila e eu bati contra ele.
— O que? Me devolve minha mochila.
— Vamos sair. – recusei, tentando me livrar dele. Ele não ia ceder tão fácil.
— Você bateu a cabeça?
— Vamos. – me livrei dele e saí correndo da sala.
— DEIDARA! – ele berrou meu nome, definitivamente zangado.
Okay, método de atração completo.
Corri para fora, passando pelos alunos que saíam também dos outros prédios e fui feito um louco para o carro de Ino. Ela já estava lá, com Shikamaru e Sakura. Deus, os três eram inseparáveis, como os três mosqueteiros. Ino olhava assustada para mim, e me perguntei o que havia de errado. Foi aí que percebi que ela olhava para trás de mim. Ah, tá. Nem precisei olhar para ouvir os passos apressados me seguindo. Todo mundo já entrou dentro do carro, apressado e com medo.
Quando finalmente tive coragem de parar, perto do carro já, respirei fundo, retomando o fôlego e me preparando para a ira. Nem tive muito tempo para fazer nada, mal virei e algo foi arremessado contra mim, caí feito um pino de boliche. Todo mundo num raio de 200 metros fez um coletivo de “uh”.
— Você pulou em cima de mim?! Qual o seu problema? – perguntei assustado, sentindo a bunda dolorida por ter caído em cima dela.
— Você tomou minha mochila. Ela é muito importante. – esbravejou, irado mesmo, tentando arrancar sua mochila de mim.
Foi aí que entrou em ação o segundo método.
Ao invés de me soltar dele, agarrei Sasori em um abraço de urso que definitivamente o pegou de surpresa. Tanto que ele demorou uns segundos para reagir. Nisso eu já tinha conseguido nos levantar e Sakura mantinha a porta do carro aberta. Sasori tentou se desvencilhar, mas eu resisti. Antes que ele escapasse de vez, nos joguei dentro do carro e Ino já deu partida. Foi uma confusão tão grande naquele banco traseiro que eu e Sasori ficamos em uma posição esquisita e constrangedora, mas pelo menos alguém conseguiu fechar a porta.
Método de sequestro concluído.
Sasori estava embolado em meu colo, não sei como minhas pernas foram parar do lado de Sakura, mas nossas mochilas haviam caído no chão. Sakura e Shikamaru observavam Sasori com receio. Ele tinha ficado bem quieto. Tentei ajeitar minhas pernas, mas aí parecia que eu estava ninando Sasori. Ele virou o rosto lentamente para me olhar. Havia uma coisa bem louca ali nos olhos dele.
— O que caralhos foi isso? – questionou, com tanta calma que foi pior do que expressar a raiva.
Dei tapinha em sua cabeça, ajeitando seu cabelo.
— Vamos sair. – repeti.
— Eu estou sendo levado à força. – concluiu.
— Mas vamos sair.
— EU FUI SEQUESTRADO.
— MAS EU TINHA QUE GARANTIR.
— ERA SÓ PERGUNTAR PRA MIM SE EU QUERIA SAIR, CARALHO.
— VOCÊ TEM FOBIA DE SAIR, VOCÊ IA ME DAR BOLO.
— É FOBIA DE MULTIDÃO, SEU IDIOTA.
— O QUE IMPORTA É QUE VAMOS SAIR AGORA. – concluí, terminando o show de gritos ali dentro.
Sasori se entortou, sentando melhor em meu colo e agarrando meu pescoço, tentando me enforcar. Eu empurrei seu tronco, seus braços, tentei jogá-lo para longe. Finalmente puxei seus cabelos, ele devolveu o puxão e recomeçamos a gritar li, quando algo nos fez parar.
— AI MEU DEUS, ELES SÃO TÃO PERFEITOS UM PARA O OUTRO! – Ino estava quase urrando de tanto rir, até Shikamaru estava surpreso com a reação dela.
Ficamos nos encarando, emburrados, finalmente acalmando os nervos. Pelo menos Ino estacionou durante seu ataque de riso, senão estaríamos prensados em algum poste. Ela estava quase rolando pelo banco, de tanto que ria. Shikamaru a observava quase com carinho, o que me fez pensar que eles realmente deveriam ficar juntos. Agora Sakura prestava atenção em nós com curiosidade.
— Sakura, você foi, hum, acertada? – perguntei, limpando a garganta.
— Não, consegui me proteger com a mochila. – deu uma risada.
Sasori sentou entre nós, ficando apertado ali atrás. Ino tinha um carro pequeno e compacto, não era surpresa estarmos espremidos com nossas mochilas. Tive que soltar meu cabelo e prendê-lo em um nó, tentando arrumar a bagunça. Sasori esticou o braço e quase mordi ele, mas o mesmo apenas abriu a mão na janela, deixando o vento levar os fios de cabelo que ele arrancara de mim. Olhei horrorizado para ele, mas apenas deu de ombros.
— Puta que pariu, fiquei careca.
— Longe disso. Aonde vamos? – perguntou, impaciente.
— Primeiramente ao Ichiraku’s, vamos encontrar o Chouji lá. – Ino conseguiu falar, recuperada do seu ataque de riso. Mas ainda nos olhava pelo retrovisor e deixava escapar um riso.
— Depois? – ele instigou-a a falar.
— Ainda vamos decidir. Viva um pouco, Sasori. – dei uma cotovelada de leve nele.
— Coisas sem planejamento assustam. – ele confessou baixo, se enfiando em sua carapaça.
— Por isso eu te sequestrei. – arqueei as sobrancelhas, o desafiando a negar.
Por incrível que pareça, ele apenas suspirou e ficou quieto, ao invés de rebater e arrancar meu couro com palavras.
***
O Ichiraku’s estava cheio como sempre, mas conseguimos uma das mesas do fundo, perto daquela em que Sasori e eu nos sentamos quando fomos ali. Todo mundo se enfiou nos bancos, Ino me esmagando contra Sasori. Bem, do outro lado Chouji esmagava Sakura e Shikamaru, o que não parecia melhor. Foi uma confusão na hora de pedir comida, todos ao mesmo tempo e alto, iria demorar uma hora para aquilo tudo chegar ali, claramente.
— Ah, e um milk-shake de café. – pedi, sobre a voz de todo mundo. Me olharam com uma expressão confusa, claro, não havia aquilo no cardápio. A garçonete identificou Sasori ali e rabiscou no bloquinho. Quando me virei para ele, o mesmo sorria.
Meio que o peguei no flagra, mas ele não disfarçou muito.
— Alguém sabe como fazer aquele trabalho de química? – Ino perguntou, desanimada.
— Espere chegar no segundo ano, só piora. – Chouji comentou, usando toda sua experiência de estar um ano à frente.
— Não pareceu difícil. – Shikamaru falou, sem preocupação.
— Isso porque você cola. – Ino alfinetou.
— Cola o caramba, princesa. – ele rebateu.
— Ih, vão começar. – Sakura revirou os olhos, mexendo no celular.
Larguei a iminente briga dos dois, mais uma, quase parecidos com eu e Sasori. Praticamente um casal. Pisquei, tentando afastar os pensamentos esquisitos que se infiltraram, não era o momento. Na verdade nunca era o momento certo, mas quem disse que minha mente entendia isso? Me virei para ele, apoiando a cabeça na mão esquerda. Sasori voltara a encarar lá fora, pela janela.
— O que diabos vou fazer para conseguir pontos e passar de ano? Sendo que você me tira ponto com mais frequência que dá. – resmunguei.
— Hum, tudo é culpa sua. – ele parecia tranquilo apesar de tudo.
Peguei sua mão, estiquei-a na mesa e fingi que meu indicador era uma faca, tentando não “furar” os dedos dele enquanto passava o indicador rapidamente por eles.
— Como você é esquisito. – ele falou, franzindo a testa.
— Você não vai franzir essa testa hoje. – ameacei, apontando ela. Ele soltou um riso-ronco.
— Quanta ousadia.
— Porque ninguém me leva a sério? – rosnei.
— Porque você está longe de ser ameaçador. – alfinetou, só que com um sorrisinho de brinde.
— Você é obviamente menos ameaçador do que eu. Olha só, é até menor do que eu. – desprezei.
— Menos 1 ponto pela insolência. – agora ele pareceu ameaçador. Esquece.
— Uh, você fica tão sexy quando zangado. – ele ficou meio vermelho.
— O Clube do Cinco? – sorriu um pouco.
— Conhece? – animei.
— Obviamente.
— Você obviamente é o nerd, enquanto eu sou o rebelde. – comentei, me divertindo.
— Você se encaixa mais como a patricinha, nesse caso, o mauricinho.
— E você é o esquisito com compulsão por mentir. – semicerrei os olhos.
— Coma meus shorts.
— Você é virgem? – falamos ao mesmo tempo e começamos a rir com a sincronia sobre as falas do filme.
Percebemos o silêncio na mesa e virei para confirmar que estavam mesmo nos observando com uma estúpida curiosidade. Ino filmava com a câmera do celular. Dei tapa em sua mão, tomando-o dela.
— Eu vou usar um ouija e fazer um espírito gamar em você, porca. – ameacei.
— Vou colocar um djin atrás de sua alma, barbie punk do caralho. – ela devolveu, mas logo sorriu conspiratória.
— Cala a boca. – falei, antes que ela soltasse um comentário inapropriado, ela era mestra nisso. Pelo menos o resto da mesa teve a decência de não comentar nada.
Não sabia que minha, hum, amizade íntima com Sasori era tão fascinante assim para os outros. Era pior do que na mesa do almoço, principalmente considerando o que havia realmente acontecido entre nós dois. Fiquei um pouco acanhado de me soltar novamente e pelo menos a comida chegou nessa hora. Foram dois milk-shakes de café e finalmente pude experimentar aquilo. Era tão gostoso quanto imaginei, ótimo para quem é viciado em cafeína e açúcar.
Comemos em silêncio, eu e Sasori, digo. O resto voltou à sua normalidade. Sem privacidade ali para conversarmos como pessoa normais, cruzes. Naruto apareceu logo depois, tendo passado por ali para seu jantar diário, como ele disse. Reclamou de não ter sido convidado, mas arrastou uma cadeira para se juntar à nós. Graças ao pai, ali nos bancos não cabiam mais gente. Ele comeu três tigelas de lamén, o que me deixou meio assustado. Nem eu com meu sanduíche grande parecia páreo para a fome dele. A expressão na cara de Sasori parecia dizer que ele pensava o mesmo, o que fez nós dois trocarmos risadas de novo. Quando percebemos que eu estava rindo de boca cheia, e um pedaço de alface escapou de verdade, rimos com maior intensidade daquela vez. Isso até o silêncio chocado da mesa nos fazer voltar para o campo dos introvertidos.
Naruto sugeriu ir para a pista de gelo do centro que, com o fim do inverno se aproximando, havia pouco público. E já estava meio tarde, mas fomos mesmo assim. O frio lá fora nos fez nos embrulhar em nossos casacos e eu me sentia quente e saciado. Como a pista não estava longe dali, apenas algumas quadras, fomos andando. De qualquer forma não caberíamos no carro de Ino.
Sasori e eu ficamos para trás, andando lado a lado, observando o movimento nas ruas diminuir. Ele espirrou e coloquei meu braço entre seus ombros quase sem ver. Ele me olhou com uma expressão que não consegui entender, mas não me empurrou. Quando senti sua mão esticar timidamente para abarcar meu tronco, uma coisa estranha se agitou em mim. Tive que morder as bochechas, quase arrancando sangue, para não deixar o sorriso maníaco escapar. Puta que pariu, eu adorava quando ele retribuía cada petulância minha, mesmo eu de forma introvertida ainda. Fomos andando de forma quase abraçada até chegar na pista de gelo. Realmente o movimento era quase inexistente. Havia um funcionário apagado na entrada, o que aproveitamos entrando de forma silenciosa.
Antes que houvesse uma sugestão de colocar os patins, Naruto se jogou na pista só de tênis mesmo. Barulhento como sempre, ele nem precisou instigar os meninos a irem, arrastando Ino e Sakura que reclamavam de quedas sem patins. Shikamaru agarrou Ino, levando-a, fazendo ela ficar zangada. Observei a camada de gelo, parecia bem firme. Coloquei meus pés sobre ela, tentando deslizar. Era bem escorregadio e menos firme que sobre a lâmina ridícula dos patins, o que era hilário. Dei uma risada, girando em torno de mim e tentando parar ao ver Sasori acuado, apenas observando da borda, as mãos enfiadas nos bolsos.
Aquilo pareceu muito ruim para mim. Eu não poderia deixar aquilo acontecer, algo gritou dentro de mim para puxá-lo para ali. Não exatamente para enturmar com todo mundo, mas comigo. Fiquei meio confuso com a vontade egoísta, mas eu não queria pensar naquilo agora, havia desejos mais problemáticos que aquele. Já estava estranho lidar com umas vontades por ele, dele, algo que não sentira antes, mas parecia se intensificar. Mas eu até estava bem com isso. Confuso, mas bem
E estávamos ali para nos divertir, foi para isso que o sequestrara. Rodeado de amigos, com a minha prima e Naruto fazendo imbecilidades, nos divertindo e quebrando leis, claro. Mas pelo menos fora da escola, da infernal sala de pintura. E eu tinha que arrasta-lo para ali também, apenas a figura diminuta no casaco preto observando de fora. Eu comecei a odiar aquela cena com todas as minhas forças.
Forcei uma patinação perigosa sobre meus tênis, correndo o risco de cair de cara no gelo molhado.
— Anda. – acenei para ele. Sasori observou minha mão como se eu tivesse pata ao invés de dedos.
— Eu tenho alergia ao frio.
— Puta merda, eu vou te jogar aqui. – ameacei. Porque eu conseguia ser gentil como uma porta também.
— Vou diminuir 5 pontos de você. – seus olhos quase sumiram quando ele os semicerrou.
— Então me bomba de vez. – peguei seus antebraços com força, puxando-o.
Sasori desequilibrou com a súbita força, pego desprevenido. Fui deslizando para trás pelo gelo, carregando-o comigo, enquanto ele fazia expressões mais interessantes que a de raiva e desprezo. Vê-lo morrendo de medo era uma surpresa agradável, me fez gargalhar dentro da pista de gelo fechada, ecoando junto com os gritos das meninas do outro lado.
— O famoso monitor que põe medo até em atletas veteranos está se cagando por causa de uma pista de gelo. – provoquei.
— Quando se está sem sapatos adequados. – ele rosnou, tentando se afastar de mim e manter o equilíbrio ao mesmo tempo. Inferno, minhas solas de borracha deslizavam horrores ali e ele se mexendo iria fazer nós dois cairmos.
— Vamos cair se você continuar se debatendo. – avisei, sério. Ele realmente quase foi de bunda ao chão, mas conseguiu segurar no meu braço direito. Ele tinha ficado branco como o gelo, o que me fez dar umas risadinhas a mais com o trocadilho imbecil. – É medo de água, gelo, escorregar, algo assim?
— Quando eu era criança eu perdi meu pai num ringue de patinação de gelo. – ele falou, depois de dois minutos. Finalmente conseguimos nos manter parados ali. Mas ele ainda não havia suavizado o aperto no meu braço. – Escorreguei, quase quebrei uma perna. Ele ainda demorou quase uma hora para lembrar que tinha filho e voltar para me pegar. – ele ficou encarando o gelo, perdido no passado.
O que me deixou zangado de novo. Eu havia praticamente sequestrado ele para nos divertimos na pista, não para entrarmos em depressão por causa das pessoas ao nosso redor. Será que elas poderiam parar de interferir na felicidade alheia? Diabos, até minha mãe era melhor progenitora que o pai dele. Aquilo me deixou mais determinado ainda. Comecei a deslizar pela pista, arrastando-o. Se o aperto dele poderia ficar mais forte, conseguiu.
— Deidara, mas que merda... – ele esbravejou, um misto de medo e raiva.
— Você poderia parar de ficar zangado todo o tempo também, deus. – puxei-o com a mesma força que ele se segurava em mim.
Sasori bateu em mim e fomos de forma torta para o outro lado da pista. Ele poderia chorar com aquela cara de medo, me agarrando como se eu fosse um bote salva vidas. Olha, a ideia parecia romântica. Ele estava encarando o gelo como se enfrentasse um inimigo, então tive que puxar seu rosto para cima.
Obviamente eu não pensava muito antes de fazer as coisas, e eu poderia negar, mas era a impulsividade da família falando alto nas veias. Não pense, aja. Eu estava ficando mestre em fazer isso com ele, pobre Sasori. Ele me punia com nota baixa e eu o punia com os atos nada a ver. Mas a ideia surgiu em minha mente e não refleti sobre ela e suas consequências, ou o que me levou a tê-la.
Também não dei tempo para muita reação de sua parte, quase uma vingança por ele ter feito aquilo no outro dia, na porta da minha casa. Diminui a distância e beijei-o. Houve um susto pelo modo como ele endureceu, mas continuou segurando minha jaqueta. Mantive uma mão sobre seu braço e outra segurando seu rosto, mas sentir ele ficando mais confortável em meus braços me instigou.
Foi algo parecido com o primeiro selinho que demos meio sem querer e o segundo, dado por ele, não tão sem querer assim, mas alguma coisa começou a crescer dentro de mim. Abri a boca, movimentando-a sobre a sua. Sentir ele imitando o meu movimentando, permitindo, causou uma espécie de explosão dentro de mim. Eram os mesmos lábios macios, o mesmo calor, agora a língua se encontrando com a minha novamente com aquele “sem querer, talvez querendo um pouco”. Foi meio desajeitado, novo e esquisito. Mas soou bom. Muito bom, na verdade.
Eu estava tendo uma síncope interna quando me forcei a parar, para acalmar o organismo e o rebuliço interno. Afastei apenas um pouco, só o suficiente para olhá-lo. Os três centímetros de diferença na altura eram inexistentes naquela posição, realmente. E olhar seus olhos, com tanta clareza, não contribuiu para me acalmar. Não havia aquela dureza comum a ele, pelo contrário, seus castanhos pareciam meio líquidos. Ao invés da frieza, havia o calor. E o calor era mais que agradável. Havia também um pouco de surpresa, mas a inexistência de confusão me fez pensar mais. Eu poderia me desfazer em bolhas ou algo parecido, naquele momento.
O gritinho feminino nos despertou e olhei para o outro fina da pista, Sasori me imitou.
Ino estava surtando mais que eu, a diferença é que ela estava expressando. Ela tentou dar pulinhos, mas caiu de bunda no gelo. O grito mudou para dor. Sakura estava ao seu lado, dando tapinhas nela, mas rindo da mesma. Naruto entendia nada, Shikamaru sorria torto e Chouji havia parado de comer seu chocolate. Bem, expressões diversas.
— Eu sabia, caralho! Vocês são meu novo casal preferido! – Ino gritou, quase montando em cima de Sakura para conseguir levantar.
Oh, Ino e sua mania de pressupor tudo. Ou talvez nem tanto.
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