Pain Of Love
9 Capítulo 9 - E a dor floresceu
Notas iniciais
Tom POV
Pude sentir a adrenalina que se espalhava por minhas veias. Fiquei sem reação, meu corpo parecia paralisado, eu não conseguia me mexer. Eu sabia que teria que sair dali o mais rápido possível, e isso me despertou. Num rápido reflexo, joguei-me pela janela, Semp pensar em como eu poderia me machucar. Antes que eu pudesse sentir o impacto das minhas costas no chão, ouvi a porta sendo aberta e passos dentro do quarto. Em seguida, uma voz feminina falava com Kelly, e eu sentia as dores devido ao forte impacto com a grama.
Fiquei imóvel, torcendo para que a pessoa que falava com Kelly, provavelmente sua mãe, não me notasse. Ela não parecia ter percebido nada fora do comum, já que falava distraidamente sobre coisas aleatórias. Enfim a porta se fechou e a morena apareceu na janela.
- Tom, você está bem? – ela parecia preocupada.
- Estou. Ela percebeu alguma coisa?
- Não, nada, Está tudo bem, agora por favor, vá embora, e com cuidado, não quero problemas. – ela estava séria.
Como eu também não planejava me complicar, selei seus lábios e saí, tomando o máximo de cuidado para não ser pego. A vizinhança era calma e as pessoas que estavam na rua eram poucas, portanto, não foi difícil sair do quintal despercebido. Conferi se as pessoas realmente não tinham me notado, e andei tranquilamente, fingindo que nunca havia saído dali. Parei para olhar o relógio e me surpreendi. Eu já estava fora de casa há mais de 3 horas, a essa altura minha mãe já percebeu que eu fui a outro lugar, ao invés de procurar meu irmão.
É obvio que ela estará furiosa quando eu chegar, mas agora não adianta mais se preocupar, alguns minutos a mais não farão diferença. Sei que vou ouvir reclamações, ainda mais porque estou de castigo, mas espero que ela não seja muito rude dessa vez. Por mais que eu quisesse fugir da bronca da minha mãe, já havia chegado à porta de casa.
Abri a porta com cuidado, tentando não fazer barulho, mas foi em vão. Em pé, de frente para mim, minha mãe me encarava aparentemente muito irritada e segurava uma vassoura. Ela ficou em silêncio, até eu fechar a porta.
- Tom, onde você esteve? – ela tentava manter a calma.
- Eu estava procurando meu irmão, mas não achei. – tentei mentir de maneira convincente. – Andreas disse que ele ficou pouco tempo lá, e não sabe pra onde ele foi.
- Hm, e o que mais?
- Como assim, mãe?
- Você passou mais de três horas na rua, realmente acha que eu vou acreditar que você só esteve na casa do Andreas? Tom, estou mandando falar a verdade, agora.
Merda, acho que não tenho escolha, ela sabe que estou mentindo, e vai fazer de tudo para descobrir a verdade e se ela descobrir, e eu sei que vai, as conseqüências pra mim serão piores.
- Eu dei uma passada na casa da Kelly. – confessei.
- Kelly? Mais uma piriguete!? Tom, já falei pra você parar de ser galinha e sair transando com todo mundo!
- Ah mãe, para! Qual o problema?
- Qual o problema? O problema é que você é um vagabundo, não quer saber de responsabilidade de nada! Desse jeito vai acabar virando prostituto.
- Bem que eu queria.
- Ah, queria, é? Vou te colocar pra dar o cu na esquina então, pra ver se você gosta. Você vai aprender a ter responsabilidade a partir de hoje, não quero filho que nem você. Quero que você seja alguém na vida, que tenha conteúdo e não apenas um rostinho bonito como agora. Se não aprender por bem, vai aprender por mal.
Fiquei em silêncio, sem reação. Não me restava dúvida que minha mãe havia se irritado muito com a minha atitude, o que me preocupava. Ela estava nervosa comigo, e com uma vassoura nas mãos, o que não era uma combinação muito boa. Sabia que sobraria pra mim, eu não déia tê-la desobedecido, mas se eu obedecesse todas as regras, não curtiria a vida.
- Bom, Tom... Acho que é hora de pagar por ter desobedecido minhas ordens e sentir na pele o que é uma mãe irritada. – ela batia com o cabo da vassoura na mão, de leve, ameaçadora.
- Não mãe, não precisa não, já entendi...
- Ah não, não entendeu não. E não vai entender se não apanhar.
Ela bateu com a vassoura no meu ombro, e aquilo doeu, e muito. Eu sabia que não podia revidar, já que se tratava da minha mãe, então tentei fugir. Corri para a escada, e ela correu atrás de mim. Com a ponta do cabo, acertou o meio das minhas costas e empurrou, guiando-me até onde ela desejava. A sensação que eu tinha era que estavam perfurando minha pele, aquilo era agonizante. Finalmente chegamos aonde ela desejava e então, parou com a tortura.
Minha mãe fechou a porta do meu quarto e então me preparei para o pior. Não era difícil ver em seu rosto o que ela planejava fazer. Não hesitou em distribuir golpes por meu corpo, e foi me empurrando até que eu caísse na cama. Fiquei cm as costas no colchão, vulnerável.
- Sabe o que eu devia fazer com você, garoto? – ela questionava, mas continuava me batendo com a vassoura. – Eu devia arrancar teu pinto e dar pro cachorro comer com farofa no café da manhã! Talvez assim você tomasse vergonha na cara e começasse a cuidar do teu futuro!
Ela continuava me batendo sem piedade. Não ligava para a dor que eu sentia, nem parecia estar batendo no próprio filho.
- Mãe, isso dói! Para! Eu sou seu filho, você não deveria bater em mim assim!
- Então quer dizer que eu não posso te bater porque sou sua mãe e é errado, né? Mas você pode bater no seu irmão por puro preconceito? Ta achando isso certo?
Infelizmente, ela estava certa. Errei de ter feito tudo aquilo com Bill, mas é errado se gay, é fora do comum. Homens devem se relacionar apenas com mulheres, e vice versa, é errado quebrar essa lei natural.
Minha mãe finalmente cansou de me bater com a vassoura e jogou-a no chão. Agora ela estava parada diante de mim, apenas me observando, eu podia ver o desgosto e a raiva em seus olhos.
- Tom, amanhã você vai sair pra procurar um emprego, aonde você vai trabalhar, não me importa. Só quero que você comece a fazer algo útil ao invés de ficar correndo atrás de mulher. – ela fez uma breve pausa, e então continuou. – Onde eu errei com você, hein? – ela parecia cuspir as palavras.
Aproximou-se de mim, me olhava fixamente nos olhos, ao parecia a mesma. Ela havia mudado, essa foi reação das minhas atitudes nela. Puxando-me pela gola da camisa, ela me pôs sentado no colchão.
- Eu tenho nojo de você, Tom, desgosto. Você me envergonha! – ela falava com escárnio.
Com a mão que não me segurava, ela acertou um forte tapa em meu rosto. A dor nem era grande, apenas um ardor, mas o efeito psicológico foi maior do que eu imaginara. Em silêncio, ela saiu do quarto e fechou a porta.
Joguei-me de costas na cama e fechei os olhos, a cabeça repleta de pensamentos. Tudo que minha mãe havia dito borbulhava na minha cabeça, involuntariamente, meu cérebro fazia questão de relembrar cada palavra, cada atitude. Era óbvio que eu havia piorado tudo quando desobedeci as regras dela, e agora vejo o quanto errei, com tudo.
Eu não deveria ter ido ver Kelly, mas meu lado mulherengo falou mais alto, e ignorei o lado racional. Na hora, nem havia pensado que, desobedecendo as regras impostas, eu teria um castigo ainda mais severo. Minha mãe está extremamente chateada e decepcionada comigo, isso me entristece, pois seu que é tudo culpa minha. Suas palavras foram apenas conseqüências das minhas atitudes. Não posso mais cometer esses erros tolos que fazem tanta diferença.
E pensar que eu sou o único culpado. Tudo começou com um ato imprudente e intolerante meu, uma violência contra meu próprio irmão. Envergonho-me do que fiz, se eu pudesse voltar no tempo, mudaria tudo. Sei que eu não resistiria em dar alguns socos mais leves em Bill, afinal ele é gay e gays tem que apanhar, mas eu sei que não teria exagerado. Nunca repetiria a surra, não pensaria duas vezes em mudar o passado, mas é impossível.
As vezes fico imaginando como meu irmão está, e como seria se eu tivesse feito tudo diferente. Penso em como ele deve estar, onde é seu novo lar, e no que ele sente por mim. Não tenho capacidade de entender seus sentimentos, talvez eu nunca entenda.
Isso tudo dói em meu peito, muito. Penso em como seria se tudo fosse feito diferente, e se Bill morasse aqui em casa, como sempre. Sinto falta de suas risadas, seus sorrisos, desabafos e de seu apoio. Sei que é impossível alterar o que aconteceu, mas posso fazer um futuro diferente, começando agora.
Notas finais
Se tiverem elogios, dúvidas, pedidos, crítiicas, sugestões... fiquem a vontade! Reviews? :3
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