Pain Of Love

10 Capítulo 10 - Uma ajuda amiga


Notas iniciais
Desculpa a demora, eu não tava em casa e em época de teste fica um pouco difícil de atualizar também. Mas consegui postar um capítulo novo pra vocês, boa leitura!

Bill POV

- Sabe? Como? – perguntei na esperança de uma resposta animadora.

- Bom, eu posso tentar falar com o meu chefe, talvez você possa trabalhar no restaurante comigo.

- É sério? Você faria isso?

- Claro! Bill, você precisa de um emprego e eu tenho a oportunidade de ajudá-lo, por que eu não faria?

- Não sei, é que a gente se conhece há tão pouco tempo. Também não sei se você gostou de mim... – eu estava inseguro.

- Você realmente acha que, se eu não gostasse, você estaria aqui?

- Bom, olhando por esse ponto... – fiquei sem graça e um pouco receoso de tê-la ofendido, mas percebi que não havia sido nada demais.

- Está com fome? – ela perguntou atenciosa.

Não podia negar que eu estava faminto, comi apenas um sanduíche durante o vôo. Com fome, eu não conseguiria dormir direito, e eu estava exausto.

- Sim, não tive a oportunidade de comer tudo que eu queria e saciar a fome.

- Bom, não é um manjar dos deuses, mas a minha comida é boa, modesta parte. Aprendi coisas úteis trabalhando como garçonete no restaurante.

- Sem problemas, com toda certeza a minha comida é pior! – nós rimos.

- Vem comigo, então.

Ela me levou até a cozinha e abriu a geladeira. Passou o olhar pelas prateleiras, atentamente, até focalizar uma panela e pegá-la. Pôs em cima da pia e a abriu, observou a comida e deduziu que não estava estragada.

- Tem essa macarronada que eu fiz ontem, está gostosa por sinal. Macarrão com salsicha e molho não é uma comida maravilhosa, mas mata a fome, servido? – ela ofereceu.

- Não se preocupe, adoro macarronada. – sorri, divertido com a preocupação tola dela.

Jantamos e conversamos por um bom tempo, falávamos sobre coisas aleatórias. Nada era realmente importante, nenhum dos dois parecia se importar com o assunto, apenas estávamos felizes em não precisarmos passar a noite sozinhos.

Mia era uma garota legal, tinha muitas qualidades. Animada, sincera, espontânea, gentil. Eu espero poder me tornar um grande amigo dela. Ela falava empolgada, parecia animada e feliz por eu estar ali, e eu também estava.

- Sério, não entendo como um garoto como você pode não ter namorada.

- Namorada? – eu gargalhei. Ela não percebeu? – Mia, eu sou gay!

- Hã? Sério? Nossa, desculpa então.

- Não tem motivos pra pedir desculpas. Você não percebeu?

- Não... bom, você é um pouco diferente da maioria dos garotos, mas você não... da pinta. – nós rimos com o termo que ela usou, parecia minha mãe falando.

- Você é a única a achar isso então, todos os garotos me zoavam na escola por eu ser assim, e também por causa do meu estilo. – meu sorriso sumiu, não pude evitar as más lembranças que surgiram como um turbilhão em minha mente.

- Hey, não gosto de te ver sério, seu sorriso é tão lindo. – ela tentava me animar. – Vamos, esqueça isso, você vai começar uma nova vida aqui.

Ela conseguiu me animar, e um sorriso esperançoso invadiu meu rosto.

Com toda essa conversa, me esqueci de um detalhe importante. Se eu não ligasse para Andreas avisando que tudo está bem, ele poderia estar preocupado à toa. Me perdi no tempo enquanto conversava com Mia, já era quase 1 da madrugada. Mas, por um lado, isso era bom, já que por causa do fuso horário, em Leipzig seria perto das 10 da manhã.

Eu precisava falar com meu melhor amigo, precisava tranqüilizar ele e a mim. Ele poderia estar preocupado por não ter notícias minhas, e eu precisava saber como estava minha mãe.

Por um breve momento, pensei em pedir para usar o telefone da casa, mas percebi que não tinha tal intimidade para fazer uma ligação cara. Meu dinheiro era pouco, mas acho que serviria para ir até uma cabine telefônica próxima.

- Mia, preciso fazer uma ligação para um amigo na Alemanha, onde posso encontrar uma cabine telefônica?

- Tá maluco? – ela riu. – Quer ser assaltado, assassinado... ? Bill, aqui é perigoso, depois da meia noite as pessoas somem da rua e a chance de algo ruim acontecer é muito maior. Se você quiser, pode usar meu telefone sem problemas.

- Não quero que você pague pela minha ligação.

- Se for importante, eu não me importo, de verdade. – ela tirou o telefone sem fio da base e me estendeu-o.

- Mas você tem certeza que é tão perigoso? Lá em Leipzig não teria problema... – insisti.

- Bill, não estamos na Alemanha! Aqui as coisas são diferentes. Sinceramente, se você quiser se dar bem por aqui, vai ter que ser menos ingênuo.

Será que sou tão ingênuo assim? Suas palavras não foram agressivas, mas tiveram o efeito de um tapa na cara.

- Tudo bem, se não for um incômodo, posso usar seu telefone?

- Claro! Fica a vontade, pode demorar o tempo que precisar, sei que é importante pra você falar com essa pessoa. – ela sorriu com ternura e me estendeu o telefone, mais uma vez, e eu o peguei.

Já havia decorado o telefone de Andreas há muito tempo, e fiquei feliz em digitá-lo mais uma vez. Os bips do telefone pareciam durar para sempre e, cada vez mais, eu ansiava a tão conhecida voz atender a chamada. Mais alguns toques e ele atendeu.

- Alô?

- Andy!

- Bill!? Graças a Deus você ta bem!

- É, graças a um anjo, na verdade. – olhei para Mia, de forma que ela entendesse que me referia a ela.

- Como assim? Por favor, me conte tudo! – ele disse, curioso.

Expliquei toda a história a ele, em detalhes, ele merecia saber a verdade, já que é meu melhor amigo. Prestou atenção no que eu dizia, estava realmente interessado com o que aconteceu. Tentei ser breve, já que eu estava usando o telefone da Mia.

- Mas Andy, como está minha mãe? E Tom? – eu estava receoso quanto a resposta, mas a preocupação falava mais alto.

Pude ouvir Andreas suspirando do outro lado da linha e eu não soube dizer se era um mau sinal.

- Eu não sei, Bill. Eles parecem preocupados, Tom esteve aqui procurando por você, só não sei se foi por vontade própria ou ordens da sua mãe.

- Droga. Tenho medo de como minha mãe pode estar.

- Desculpa, eu não sei de nada.

- Andy, posso te pedir um favor? – falei com jeitinho.

- Pode, fala.

- Queria que você fosse até a casa da minha mãe, saber como ela está. Confortá-la, dizer que estou bem e que assim que as coisas se ajeitarem, eu ligo.

- Tudo bem. – ele suspirou. – Se é por bem, eu encaro Tom. Também estou um pouco preocupado com a Simone, não a vejo desde o dia em que você partiu.

- Ai Andy, por favor, não deixa de ir lá, ok? E o mais rápido possível!

- Claro, Bill. Hoje mesmo eu vou lá, se você puder me dar um telefone pra eu falar com você, ligo assim que chegar.

Assenti e dei-lhe o telefone da casa de Mia, com a aprovação dela, claro.

- Andreas, não sei como te agradecer, de verdade! Sempre que eu puder, vou ligar pra dar notícias, agora preciso desligar. Até breve, tchau.

Desliguei o telefone bastante aliviado por saber que Andy vai ver como as coisas estão na casa da minha mãe e avisar que estou bem. Tudo que eu mais quero é ligar para falar com ela, mas sei que é inviável. Se eu ligasse sem saber seu estado emocional, poderia piorar as coisas e deixá-la irritada.

Minha expressão devia estar péssima, já que Mia me encarava.

- E então? Tudo bem? – ela perguntou.

- Eu não sei... Andy não vê minha mãe desde que eu saí de lá, estou com um mau pressentimento. – não segurei as lágrimas.

Ela se aproximou e me abraçou. Era tudo que ela podia fazer, mas era só o que eu precisava.

- E quanto ao seu irmão? Como ele está? – ela perguntou com a melhor das intenções, mas esse assunto não me agradava.

- Irmão? Não sei se posso dizer que tenho um irmão, eu não o conheço, não mais.

Agora um pouco de raiva se misturava às minhas emoções. Sem perceber, aquele assunto despertou pequenas gotas de lágrima, que escapavam de meus olhos.

- O que houve, Bill? Ele é o motivo de você ter vindo pra cá?

- Não se preocupe com isso, talvez seja só mais uma bobagem minha. Mas não consigo mais guardá-la. Eu confio em você, vem, vou te contar tudo.

Notas finais
e então, reviews? :3