Pain Of Love

11 Capítulo 11 - Memórias sobre você


Notas iniciais
Peço mil desculpas a vocês pela demora! É que em período de provas fica complicado de atualizar e também estou com uns probleminhas em casa...
Boa leitura :)

Tom POV

Levantei-me rapidamente da cama e andei em direção ao banheiro, tirando a camisa. Olhei no espelho e pude ver os diversos hematomas espalhados pelas minhas costas, braços e tórax. Eram doloridos e me deixavam com uma aparência ruim. Mas eles também me traziam uma outra preocupação, dessa vez, com algo bem mais sério do que apenas aparência.

Minha maior preocupação era com a minha mãe.

Ela nunca havia batido e mim, muito menos em Bill. Por pior das coisas que fizéssemos, ela sequer nos ameaçava. Sua bronca sempre foi rígida, mas ela nunca precisou usar a violência para nos educar. Controlava-se, conversava e sempre ficava tudo bem.

Agora foi diferente. Não era a primeira vez que eu desobedecia a ordens dela, nem a pior, mas ela não pensou duas vezes antes de me bater. Mas não foi um simples tapinha, foi uma surra, e de vassoura. Ela havia mudado, suas atitudes estão diferentes. Agora parece desequilibrada, sem controle das suas ações e emoções.

Isso me preocupa, afinal, eu sou o culpado. Eu bati no meu irmão, eu a decepcionei, eu fiz Bill desaparecer. Não que eu não esteja preocupado com ele também, pelo contrário, mas a minha mãe é o meu foco no momento. Se ela continuar como está, precisarei de ajuda. Gordon até tem tentado acalmá-la, mas tem sido em vão.

Nada parece conseguir acalmá-la ou tranqüilizá-la, também não é pra menos, já que seu filho está desaparecido. Eu sinto falta dela, da minha verdadeira mãe, da sua personalidade. Ela mudou, infelizmente, pra pior. Uma das primeiras coisas que reparei quando cheguei em casa foram seus olhos vermelhos e inchados. As roupas desleixadas também a deixavam com um aspecto largado e maltratado. Desde que tenho consciência, ela nunca descuidou da própria aparência.

Não era algo tão preocupante, aproximava-se mais de um alerta, um aviso para que minha atenção pertencesse a ela. Isso me trouxe de volta à realidade, despejou um enorme peso sobre meus ombros. Agora, eu me sinto responsável por ela. Tenho que cuidar da minha mãe, prestar atenção em cada detalhe, cada pequena coisa.

Coloquei a camisa de volta e me joguei na cama. Todas aquelas coisas martelavam em minha cabeça, tudo que eu fiz. As imagens voltavam como flashes, a dor e o medo que causei em meu irmão gravados em seus olhos. Eu não havia percebido, na hora eu não parecia estar ali, não tinha força de vontade para controlar meus movimentos.

Toda aquela dor, aqueles atos, meu irmão amedrontado fugindo de mim. Aquilo é demais pra mim, preciso esquecer isso.

POV Autora

Agitado, Tom levantou da cama e passou a mão em algumas notas do pouco dinheiro que sobrou de sua mesada e saiu em direção à sala. Desceu as escadas sem se preocupar com o barulho, pegou suas chaves e saiu de casa batendo a porta da frente.

Exaltado e aparentemente um pouco perturbado, andava apressadamente e com passos largos pela rua, atraindo a atenção de quem passava. Ele não ligava, nem parecia notar os olhares voltados para ele, por mais que fossem poucos. Não demorou a chegar em um bar que ficava ali perto.

Sentou-se em uma cadeira e, inquietamente, começou a bater com a ponta dos dedos sobre a mesa. Pediu uma garrafa de cerveja, que logo chegou. Despejou o líquido em um copo e bebeu praticamente tudo que havia acabado de tirar da garrafa em um só gole.

Só então pareceu se acalmar um pouco. Respirou fundo e tentou esquecer o motivo de estar ali, um pouco sem sucesso. Sua esperança era que o oxigênio que passava por dentro de seu aparelho respiratório fosse embora carregando as lembranças infelizes que ele carregava. Com a mão que não contornava o copo, Tom parecia travar uma espécie de guerra mental. Parte de seu cérebro queria que ele pegasse o pequeno frasco que ele guardava dentro de seu bolso, separado de sua mão apenas por um pedaço de jeans. Outra parte o impedia de fazer isso, era completamente contra aquilo, sabia que era errado e faria mal.

Repensou a situação e, por fim, pôs a mão no bolso e agarrou o pequeno frasco, que mantinha pequenos comprimidos brancos em seu interior. Ainda um pouco relutante, tirou a tampa do vidrinho e despejou alguns comprimidos na mão. Eram calmantes. Ele sabia que não era uma opção saudável, muito menos junto com a bebida alcoólica, mas parecia ser sua última opção.

Queria se acalmar, relaxar, esquecer os problemas. Engoliu um pequeno punhado de pílulas e, logo em seguida, terminou o que havia sobrado de cerveja no copo, enchendo-o de volta rapidamente. Levantou a cabeça encarando o céu azul, e então fechou os olhos, esperando relaxar, os pensamentos longe.

Ficou ali, inerte, por alguns minutos. Mas seu cérebro pedia algo que estava bem na sua frente. Abriu novamente os olhos castanhos e focalizou o líquido contido na garrafa. Pensou no que estava fazendo durante alguns segundos mas, por fim, encheu o copo novamente. Bebeu-o de uma só vez, sem se importar com os possíveis (e até prováveis) efeitos daquilo.

Sem nem perceber, já havia bebido toda a garrafa, e então pediu outra. Minutos depois seu copo estava cheio novamente. Ele encarava a rua vazia, as folhas sendo levadas pela brisa constante, lembranças em sua mente.

Era Bill. Ele estava em suas lembranças.

Um filme com seus melhores momentos juntos passava em sua mente. Via, quando eram crianças, uma vez que pregaram uma peça na professor. Haviam feito um presente de boas vindas, levaram um ursinho de pelúcia. Mas queriam ter motivos para rir, e então tiveram uma ideia um tanto ousada. Rechearam o fofo urso com baratas vivas e então o entregaram. Foi um caos e gritaria na sala de aula, o que lhes custou uma suspensão.

Um pouco maiores, se formaram no ensino fundamental juntos. Estavam felizes, bem acompanhados de belas garotas e bebiam escondidos. Tom quase perdeu sua virgindade naquele dia, mas como as condições eram precárias, preferiu deixar para o dia seguinte.

Também lembrou da felicidade do irmão ao saber que havia conseguido passar no vestibular. Para Tom era um alegria boba, mas estava feliz só de saber que Bill também estava.

Pequenos flashbacks, lembranças vagas e sempre a mesma expressão e brilho de felicidade nos olhos do mais novo. Seu sorriso também fazia questão de ser lembrado.

Um sorriso que o de dreads não via há um bom tempo, e sentia falta. Ele sentia falta do seu sorriso, seu olhar, sua ingenuidade e inocência, sua alegria, amizade. Não pode evitar o sorriso bobo em seu rosto ao lembrar desses momentos.

Tom mal percebera as diversas garrafas de cerveja que havia bebido nesse espaço de tempo. Olhou pra rua e avistou uma figura que lhe parecia familiar. Ele via Bill, tinha certeza disso, mas não estava lúcido. Tom estava tendo alucinações. Levantou-se da cadeira um pouco tonto, jogou umas notas de dinheiro sobre a mesa para pagar a conta e correu, seguindo seu suposto irmão.

Com passos largos e descoordenados, ele tentava correr, sem sucesso. O bill imaginário virou a esquina logo a frente, indo em direção à casa dos gêmeos. Tentar correr fez Tom ficar enjoado. Ele se agarrou a um poste qualquer e vomitou. Havia exagerado na bebida e nos remédios, mas Tom ainda não havia percebido isso.

Assim que pôs pra fora tudo que o incomodava, voltou a correr. Ele não estava bem, esbarrava nas pessoas, tropeçava nos próprios pés, balbuciava palavras incompreensíveis.

- Bill! Bill! Não fuja de mim... — ele tentava gritar, mas não falava muito alto.

Na rua de sua casa, via a silhueta ilusória caminhando em direção ao lugar que morava. Ele abriu a porta e Tom parou repentinamente quando ele a fechou, voltando a correr em seguida.

O de dreads, alterado, abriu a porta violentamente e, dessa vez, realmente gritou a plenos pulmões.

- BILL!

Somente o silêncio respondeu de volta.

Notas finais
E então, o que acharam? Reviews? :3