Pain Of Love

8 Capítulo 8 - Um anjo


Notas iniciais
Aê, finalmente vcs vão saber o que houve com o Bill!
Sem mais delongas, boa leitura! (:

Bill POV

Já havia me preparado psicologicamente para o que parecia óbvio e inevitável. Estava certo de que eu iria dormir ali, na calçada de um restaurante. Também sabia que teria que arrumar um emprego logo, já que o dinheiro que achei que seria suficiente para alguns dias mal servirá para amanhã.

As pequenas gotas da chuva, que agora era mais forte, batiam em meu rosto e causavam uma sensação estranha. Ficar abraçado a algo sempre me traz tranqüilidade, e é disso que preciso. Quero espantar esse medo do desconhecido, de todas as coisas ruins que podem estar por vir, preciso de alguém, não gosto dessa solidão, quero alguém no qual eu possa confiar. Sinto falta de algumas coisas que deixei pra trás, penso em como minha mãe deve estar triste e desesperada me procurando. Ou não. Talvez eu nem faça falta.

O volume de pessoas havia diminuído consideravelmente por causa da chuva, e a maioria das lojas também já havia fechado. Fiquei ali sentado na calçada, observando a chuva cair e imaginando o que seria de mim se eu tivesse feito escolhas diferentes. Talvez eu não estivesse aqui, talvez nada de mau teria acontecido, e talvez Tom não tivesse se tornado aquela coisa.

Decidi que era melhor espantar aqueles pensamentos, eles não me fariam bem, além disso, o que está feito, está feito. Não posso mudar o passado, mas posso construir um futuro sólido e no qual eu estou feliz com os fatos. Nisso, me distraí com uma pequena porta do restaurante sendo aberta. Por ela, uma garota ruiva com os olhos verdes saiu.

- Oi, posso ajudá-lo? Bom, acho que você reparou que estamos fechados. – ela riu baixo.

- Ah, oi. Obrigada, mas não vim jantar. – sorri fraco. – Não há nada que você possa fazer, deixa pra lá.

- Ah, qual é! Claro que deve ter. – ela fez uma breve pausa, mas logo continuou. – Não que seja da minha conta mas... Por que você está aqui na calçada fria ao invés de em casa?

Fiquei em silêncio, não sabia se podia contar à ela ou não. Sem que eu percebesse, ela já havia se sentado ao meu lado.

- Você não é daqui, não é? – ela continuou; — Tem um sotaque diferente e fofinho. – ela sorriu.

- Você tem razão, não sou daqui. – hesitei em falar a verdade, mas conclui que não haveria problema. – Eu vim da Alemanha, tive alguns problemas lá e resolvi vir pra cá, quem sabe eu consigo algo melhor aqui.

Ela ficou em silêncio, parecia estar pensando no que acabara de ouvir.

- Então... Você está aqui sozinho? Só está sentado aqui porque não tem pra onde ir, não é?

- Sim, você está certa, infelizmente. – baixei a cabeça, e diversos pensamentos me ocorreram.

Tudo que aconteceu passou como um flashback em minha mente e não pude conter as lágrimas.

- Não fica assim. – ela me abraçou, tentando me confortar.

Eu conhecia aquela garota há cinco minutos mas algo no jeito como ela me tratou fez com que eu sentisse que podia confiar nela. Sei que eu não deveria desobedecer umas das primeiras ordens de toda mãe, não falar com estranhos, mas ela não parecia uma ameaça. Soltou-me e nossos olhares se encontraram.

- Qual seu nome? – perguntei.

- Mia Ridle, e você?

- Ich Bin Bill Kaulitz. – eu respondi e uma expressão de dúvida se formou em seu rosto. É, ela definitivamente não sabe nem o básico do alemão. – Eu sou Bill Kaulitz. – sorri.

- Sei que isso deve parecer meio louco da minha parte, mas, por que você não dorme essa noite lá em casa? Você parece precisar se acalmar, pensar no que vai fazer amanhã.

Agora eu tinha uma dúvida. Ela estaria me convidando por pura bondade ou haveria uma segunda intenção? Isso era algo a se pensar com cuidado, afinal, eu não a conheço.

- E então? – ela parecia ansiosa pela resposta.

- Mas... Seus pais podem ficar chateados, podem brigar com você, não quero atrapalhar... Acho melhor não.

Ela baixou o olhar, seu entusiasmo também havia sumido. Será que foi algo que eu disse?

- Eu moro sozinha, Bill. Não há ninguém pra brigar. É que... Eu só queria não precisar passar mais uma noite sozinha, mas se você não quer ir, tudo bem, não quero ser chata e ficar insistindo.

- Me desculpe. Bom, eu nunca fiz algo do tipo, mas tudo bem, eu também prefiro passar a noite na casa de uma garota como você do que ficar na rua. – sorri um pouco sem graça.

Ela parecia satisfeita e feliz, um sorriso largo tornava seu rosto ainda mais bonito e encantador.

- Obrigada, de verdade.

- Ah, para. Eu que tenho que agradecê-la, se não fosse por você eu passaria a noite na rua.

Ela sorriu um pouco sem jeito.

- Bom, o restaurante já está trancado, podemos ir?

- Claro, você que manda. – levantei, assim como ela. – Fica muito longe daqui?

- Não, uns 10 minutinhos andando.

Num ritmo razoável, andamos em silêncio. Mesmo com a fina chuva que caía sobre nós, eu fiquei feliz de não ter que dormir na rua. E também tinha um bônus nisso tudo, Mia parecia uma boa garota, educada, gentil, simpática. Sinceramente, espero construir uma amizade com ela.

- E então, primeira vez por aqui? – ela quebrou o silêncio.

- Aham, na verdade, eu nunca havia saído da Alemanha.

- Nossa, corajoso da sua parte vir pra tão longe. Só não entendo por quê você escolheu logo a Califórnia.

- Nem eu sei. – nós dois rimos. – Foi meio aleatório.

- Hm. – ela estava curiosa, eu pude perceber, mas teve cautela nas perguntas. – Pronto, chegamos.

Eu não tinha percebido a velocidade com a qual o tempo havia passado, e estávamos na portaria de um prédio. Entramos e fomos em silêncio até a porta do apartamento.

- Não repara, é pequeno mesmo, mas é o que eu posso pagar. – ela parecia um pouco envergonhada.

- Para com isso, nem se preocupe, nunca tive nenhum tipo de luxo, sou de família simples.

Era pequeno, mas era impecável. Havia apenas 1 quarto, mas toda a casa estava muito bem arrumada, e a decoração era de bom gosto.

- Fique à vontade. – ela disse.

Coloquei a mochila no sofá e peguei algumas roupas para trocar, já que as que eu usava estavam sujas.

- Posso usar seu banheiro? Preciso trocar de roupa...

- Claro, se quiser tomar banho também, fique a vontade. – ela pegou uma toalha e a jogou pra mim.

- Obrigada.

Fui para o banheiro, tomei um banho e aproveitei para por meus pensamentos em ordem. Já havia decidido que procuraria um emprego no dia seguinte, mas precisava de uma ajuda da Mia para saber onde procurar. Hesitei em sair do banheiro, ninguém além da minha mãe, Gordon e Tom havia me visto sem maquiagem, eu nunca gostei do meu rosto limpo. Saí e ela me olhou aparentemente surpresa.

- Nossa, você é completamente diferente sem make.

- Sou horrível, eu sei.

- Não, você é lindo, tem o rosto perfeito! Bom, quem te vê sem maquiagem e com o cabelo baixinho assim pensa que é outra pessoa. – ela riu.

Pude sentir minhas bochechas ardendo assim que ela terminou a frase. Eu não recebo muitos elogios, portanto, não sei reagir a eles.

- Obrigado, não são muitas as pessoas que me elogiam. Mas eu ainda me acho mais bonito quando estou arrumado.

Só havia uma cama, então, ajeitei-me no sofá.

- Bom, já que só tem uma cama, acho que você não se importa de dormir no sofá, né? – ela foi um pouco cautelosa.

Não, aqui ta ótimo, só tenho a te agradecer. Mas, Mia, amanhã vou sair para procurar um emprego, mas não sei por onde começar. Nunca fiz isso na vida! Pode me ajudar?

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, pensando, e então chegou a uma conclusão.

- Eu acho que sei exatamente como te ajudar.

Notas finais
O que acharam? Reviews? :3