Pain Of Love

6 Capítulo 6 - Um lugar além do Sol


Bill POV

Fiquei sem palavras. O que foi aquilo? Andy realmente havia me beijado? Bom, isso não faz muita diferença agora que vou sair do país e não pretendo voltar. Não nego que gostei daquilo, mas foi algo um tanto estranho. Não nos amamos, não sentimos nada de diferente um pelo outro, não foi algo tão intenso, foi apenas diferente beijar Andreas, e bom.

- Obrigado. – eu disse um pouco constrangido.

Aos poucos, suas mãos afrouxaram em minha cintura. Nosso abraço foi se desmanchando até ser completamente desfeito. Afastei-me e andei até a porta, abrindo-a, Andy me seguia. Fomos em silêncio até a porta da frente, quando virei-me de frente para ele e o abracei. Era uma despedida definitiva. O abraço era apertado, abafado, intenso. Sem ser impedida, uma lágrima escapou de meus olhos. Meu olhar encontrou o dele, e aquele foi nosso adeus.

Virei-me e andei até a rua, esperando um táxi que me levasse ao aeroporto. Não demorou muito até que eu conseguisse um que me levasse lá.

O tempo passou relativamente rápido e quando percebi já havíamos chegado. Quando entrei no aeroporto, a realidade pareceu me despertar. Parecia que só agora eu havia me dado conta de que tudo aquilo estava realmente acontecendo. Eu me sentia mal ali, parecia me deslocar do lugar, não pertencia àquele ambiente. Todos me olhavam, me encaravam como se eu fosse uma aberração.

Não. Não sou um monstro, sou apenas diferente, eu sou assim, gostem ou não. Foda-se o que os outros pensam, não vou mudar, não vou me deixar abater por causa dos tolos padrões da sociedade.

Direcionei-me ao balcão de check-in. Por ainda ser menor de idade, precisei pegar meu documento falso. Tudo que posso fazer agora é torcer para que ninguém perceba. Tentei relaxar e então chegou minha vez de ser atendido.

- Boa tarde. – a atendente me cumprimentou, simpática.

- Boa tarde. – respondi. – O próximo vôo para a Califórnia.

- Muito bem, seus documentos, por favor.

- Fiquei apreensivo. Seria agora a hora da verdade, um teste. Entreguei-os à moça e ela os examinou com cuidado.

- Nossa, o que um garoto tão jovem vai fazer longe assim de casa? – ela perguntou sorrindo.

Pronto, bela pergunta. Eu não fazia a mínima idéia de como iria respondê-la. Fiquei em silêncio, pensando em como o faria.

- Ah, me desculpa. Realmente não é da minha conta. – ela se desculpava.

- Não, que isso. – sorri. – É que a maior parte da minha família está lá, fiquei com saudade e resolvi vê-los.

Ela acreditou. Meu nervosismo quase acabou com tudo mas, por fim, tudo acabou bem.

- Tudo certo, boa viagem.

Sai do balcão e andei pelo saguão aliviado. Eu havia passado pelo meu maior desafio a salvo. Como meu vôo seria daqui a poucos minutos, resolvi embarcar no avião logo. Passei pelas aeromoças sem que elas desconfiassem de alguma coisa e sentei-me na poltrona.

Peguei meu iPod na mochila e coloquei os fones, era tudo que eu tinha pra fazer. Fiquei ali, pensando em tudo que havia acontecido e no que ainda está por vir. Não importa que linha de pensamento eu siga, tudo sempre me leva a mesma pessoa.

Tom.

Eu não consigo entender como ele consegue ser daquele jeito, como conseguiu ter coragem de fazer o que fez. Nunca pude entender tamanha ignorância e preconceito. Ele é meu irmão, como podemos ser tão diferentes?

Apesar de tudo que aconteceu, eu ainda o amo. Tudo que ele fez não foi capaz de diminuir os meus sentimentos, apenas trouxe a raiva e a repulsa. Meu amor é puro, verdadeiro, e machuca demais que seja ele a pessoa que meu coração escolheu. Eu estou preso em um labirinto, tudo que penso ou faço me lembra Tom.

Palavras não são capazes de expressar tudo que está preso em meu peito. Um aperto no coração me atinge toda vez que me lembro do meu gêmeo e dos atos cruéis que ele cometeu contra mim. Aquilo não é coisa que se faça com nenhum ser, é desumano, covarde.

O meu amor proibido por meu irmão agora se mistura com a raiva e a mágoa. Misturas intensas de sentimentos sempre me inspiram em novas músicas, e agora não foi diferente. Ao som das turbinas do avião no fundo da música, versos de desabafo surgiram.

“Oh no,

I’ll never let you go.

Oh no,

I hate that I need you so”

Entre um trecho e outro, um novo desabafo, porém, sempre voltado para a mesma pessoa.

“Sick and tired of needing you affection

I chose to be lonely

than live without your attention.”

Já era quase impossível conter as lágrimas que teimavam em querer escorrer de meus olhos.

“Give back my heart that

your body rejected.”

A letra descreve como me sinto, alguns pedaços em especial.

“I’m standing in the pain

that’s smothering me.

It’s more becoming my own blood,

you can’t see

that I’m starving for your love

and I need attention

or I’m gonna die.”

“Attention” estava concluída e a aeromoça anunciou no microfone que um lanche seria servido. Guardei os papéis, mas os pensamentos ainda invadiam minha cabeça. A música que eu acabara de escrever era para Tom, mas sei que nunca poderei mostrá-la para ele. Mas ainda tenho esperança de que um dia toda essa mágoa e dor vão dar lugar à alegria de estar ao lado do meu gêmeo, e como algo mais íntimo que irmão.

Um sanduíche com suco foi servido no vôo, e foi quando percebi que estava com mais fome do que achei. Terminei de comer e virei-me para tentar dormir, essa é a melhor forma de esquecer os problemas e combater o cansaço daquele dia exaustivo.

~~~

- Senhor? – senti alguém me acordando. Virei-me e vi que era uma aeromoça. – Estamos prestes a pousar, precisamos que os passageiros mantenham-se acordados, por favor.

- Ok, obrigado. – sorri e ela se afastou.

Alonguei-me numa tentativa de espantar o sono e olhei através da janela do avião. Já era noite e eu havia passado mais tempo no vôo do que achei que iria. Finalmente eu consegui chegar a meu destino e estava prestes a pousar.

Pousamos, recolhi minha mochila com os poucos pertences que consegui pegar e desembarquei. O aeroporto estava consideravelmente cheio. Não foi difícil achar a saída mas os táxis faltavam. O fluxo de pessoas era grande, e eu não estou acostumado com isso, já que morei minha vida toda em uma cidade no interior da Alemanha. Depois de alguns minutos, peguei um táxi para o centro da cidade.

Eu tenho boas noções de inglês, falo quase fluentemente mas, por causa do sotaque, a maioria das pessoas parece não me entender de imediato. Cheguei ao centro da Califórnia em pouco tempo. Era quente, tumultuado, com muitas luzes e agitação. Caminhei completamente sem noção de pra onde ir. Eram muitos lugares, muitas pessoas. Apesar do meu estilo, diferente de em Leipzig, as pessoas não me encaravam, pelo contrário, a maioria nem notava minha presença.

Andei por uma rua movimentada, procurando um hotel para passar a noite. Entrei em um que parecia ser mediano, mas eu não tenho condições de pagá-lo. Saí desapontado, buscando um outro lugar no qual eu pudesse passar a noite.

De hotel em hotel, e até alguns motéis, procurei um preço que me servisse, mas não tive sorte. Todos eram muito mais caros do que eu podia pagar. E ali eu estava. Tudo aqui é muito mais caro do que na Alemanha, meu dinheiro não serviria para muita coisa.

Não havia mais hotéis próximos de onde eu estava e eu não tinha opção. Dei alguns passos e sentei-me na calçada em frente a um restaurante fechado. Abracei minha mochila e pousei a cabeça sobre a mesma. Estava começando a chuviscar. As pequenas gotas de chuva não me atingiam diretamente graças ao pequeno telhado.

Lágrimas começaram a descer de meus olhos. Eu estava sozinho em um lugar desconhecido, triste, longe de casa, com pouco dinheiro e sem um lugar para dormir.

Notas finais
E ai, o que acharam? Reviews? :3