Pain Of Love
5 Capítulo 5 - Mudanças e consequências
Notas iniciais
Boa leitura!
Tom POV
Depois de garantir o silêncio de Bill, fui pro meu quarto e me joguei na cama. Eu estava cansado por conta de tudo que aconteceu, me sentia como se eu pesasse muitas vezes mais do que o normal.
O que aconteceu.
Será que mesmo depois da ameaça, que cumprirei se necessário, meu irmão vai ter coragem de contar o que aconteceu à minha mãe?
Droga! Se ela descobrir eu estou fudido! Mas... Não, ele não contaria. Ele ficou morrendo de medo, é mesmo um covarde. Agora, eu não consigo entender como eu, que nasci perfeito, posso ter um irmão gêmeo com defeito. Era pra ele ser normal, um homem qualquer, mas não, o meu irmão tinha que nascer daquele jeito. Defeituoso, doente, estranho e errado, Bill é um desgosto pra mim.
Eu sei que estou certo em ter batido nele, ele mereceu por ter se tornado aquilo, mas tenho a impressão de ter sido rude demais. Apesar de tudo ele ainda é meu irmão. Mas o que eu fiz tá feito, e não me arrependo de um soco sequer. Ele mereceu.
Fiz o que fiz, mas algo surgiu em minha mente. Pude olhar fundo nos olhos de Bill, e foi quando vi o que me deixou cismado. Não foi difícil notar o medo em seu olhar, o medo de algo, alguém. O medo de mim. Na hora em que eu fazia tudo aquilo e descontava minha ira, parecia algo bom, me fez sentir superior. Mas agora que eu parei pra pensar, tudo que eu pensava me parece precipitado e tosco.
Nessa perspectiva, a surra foi cruel, muito cruel, afinal, era no meu irmão que eu estava batendo sem piedade. Aos poucos, pensando bem, estou começando a saber o que é arrependimento. Dói, machuca, incomoda. Sinto-me estranho, mal comigo mesmo.
Não, não posso continuar aqui sabendo que exagerei. Não que eu tenha feito algo errado, nunca, mas sei que fui cruel demais.
Levantei-se subitamente da cama, talvez um pouco agitado demais, e abri a porta, indo para o corredor. Caminhando até o quarto de Bill pude ouvir um leve som de choro. Merda. Ele estava chorando, e por culpa minha. Eu o havia magoado.
Avancei, apreensivo com o que encontraria, e então me surpreendi. Meu irmão não estava no quarto, quem chorava era minha mãe. Ela estava sentada na cama, abraçada ao travesseiro, e chorava encarando o chão. Ao perceber minha presença levantou o rosto e enxugou algumas lágrimas.
- Tom... Seu irmão sumiu, simplesmente se foi.
- Mãe. – me aproximei, sentando ao seu lado e abraçando-a. – Calma, ele vai voltar, amanhã ele estará aqui com a gente.
As palavras pareceram confortá-la, e eu torci para estar certo. Ela se soltou o abraço para me encarar e seu olhar encontrou o meu.
- Você sabe de algo que eu não sei? Você sabe por que seu irmão não está aqui?
Eu odiava quando ela estava certa. Eu também odeio saber o motivo pelo qual meu irmão não está em casa. Eu sou o motivo, meus atos também. A dúvida de contar ou não é cruel, mas o peso na consciência é sem dúvida pior.
- Bom... Sei mãe. Eu sei por que Bill está machucado e triste, sei quem fez isso a ele.
- Então me diga logo!
- Eu. Eu fiz aquilo com ele, eu bati no meu irmão.
- O QUE!? Tom... Não! Não é possível! Por quê? – sua tristeza havia se transformado em algo muito maior do que simples raiva.
- Porque ele é errado! É um desgosto pra família, você não vê? Ele é gay, mãe! Gay!
- Foda-se que ele é gay! O que isso tem a ver? E você não tem moral pra dizer o que é certo ou errado a ninguém!
Ela estava de pé e gritava, as palavras pulavam da sua boca com ira.
- Mas... – comecei a protestar.
- “Mas” é o caralho. Cala a boca e me escuta em silêncio, garanto que vai ser melhor.
Não disse mais nada e apenas ouvi o que ela tinha a dizer.
- Tom, você pensa que é superior a alguém? Você é um merdinha E que atitude foi essa!? Foi assim que eu te criei? Foi isso que eu te ensinei? – ela gritava. – Eu não estou aqui pra sustentar filho babaca e ignorante como você! A partir de agora você vai ajudar em algo, vai ser útil. Vai trabalhar e cuidar da casa, sem reclamar. Agora já pro seu quarto, quieto! Você não sai dessa casa tão cedo, nossa conversa ainda não acabou. Anda! Não quero olhar pra sua cara, você sim é o desgosto da família.
Irritado, triste e arrependido, rumei ao meu quarto e pela primeira vez eu realmente chorei.
POV Autora
- Por favor, Bill, não vá fazer nenhuma besteira! Anda, me diz logo. – Andreas estava curioso e impaciente.
- Andy, posso usar seu banheiro? – Bill perguntou com um sorriso no rosto.
- Não foge do assunto!
- Licença. – o moreno empurrou Andreas sutilmente e andou até sua mochila, pegando um gel para o cabelo e indo em direção ao banheiro.
- Bill! Volta aqui, agora! – Andreas tentava falar sério, mas as gracinhas de Bill o fizeram rir. Ele o seguiu.
Antes de entrar no banheiro, Bill olhou para trás, mais para conferir que o loiro o havia seguido, e deu uma gargalhada antes de fechar a porta. Mas lá dentro seu humor mudou, seu sorriso se fechou. A realidade o acordou, lhe informou que sua vida mudaria a partir daquela decisão que ele havia tomado. Ele arrumou o cabelo no estilo “jubinha” de sempre, enquanto diversos pensamentos passavam por sua cabeça.
Após se arrumar, ele respirou fundo. Respirou simplesmente para se acalmar, não havia mais como fugir do assunto, precisava contar seus planos a Andreas.
Ele abriu a porta sério, e Andy, que tinha um sorriso no rosto, agora o olhava inexpressivo.
- O que houve, Bill? Cadê aquele sorriso de alguns minutos atrás? – Andreas acariciou o queixo do moreno com ternura.
- É que... Tanta coisa vai mudar daqui pra frente. Eu vou sentir sua falta Andy.
- Do que você está falando? Eu não vou te abandonar... Bill, não estou entendendo.
- Eu vou viajar Andy. Vou sair da Alemanha, tentar ganhar a vida em outro lugar. – ele confessou, triste.
- Não Bill! Não, você não pode sair daqui...
- Eu preciso! Não consigo nem olhar na cara do Tom depois de tudo que ele fez. E confesso que tenho medo que aquilo se repita.
- Ah, então é por causa dele... Mas pra onde você vai? Como você vai se virar em um lugar estranho? – Andreas estava preocupado.
- Vou pra Califórnia, talvez dê certo, se não der eu volto.
- Bill, eu não vou te impedir, mas saiba que eu sou contra tudo isso que você vai fazer.
O moreno acenou com a cabeça e encarou o chão. Parecia estar concluindo se realmente faria aquilo, mas por fim manteve a decisão.
- Por favor, me mande notícias. – Andy mantinha um tom triste.
O loiro avançou e abraçou Bill com força., foi uma despedida entre amigos realmente próximos e fiéis. A amizade dos dois sempre foi algo muito forte e indestrutível. Ficaram alguns minutos ali até Bill se afastar e andar até sua mochila.
Ele a colocou no ombro e respirou fundo, observou cada detalhe daquele quarto, que mesmo não lhe pertencendo, já presenciou muitos de seus choros e desabafos.
- Pode deixar, não vou sumir. Quando eu chegar lá dou um jeito de lhe avisar. – Bill prometeu.
Ele caminhou até a porta, a cabeça baixa, mas antes que pudesse tocar na fechadura, Andreas puxou-lhe pela mão e lhe prendeu entre os braços. Sem mais delongas, o loiro aproximou sua boca da boca do moreno. Seus lábios se tocaram e imediatamente se abriram. As línguas se encontraram e dançavam num ritmo sensual e envolvente. Era um beijo íntimo e alternava velocidades e intensidades. Deixaram-se levar pelo momento e demoraram a aumentar o espaço entre suas bocas. Enfim, trocaram olhares, abraçados, até Andreas quebrar o silêncio.
- Boa sorte.
Notas finais
Que tal um review?
Fale com o autor