Pain Of Love
4 Capítulo 4 - Mágoas
Notas iniciais
Mas os favoritos me inspiraram, e me deixaram muito feliz também *-*
Boa leitura!
Tom estava assustado. Ele sentia medo de todas as possíveis reações de sua mãe. Ele estava consciente quando fez tudo aquilo com seu irmão, sabia que era errado, mas havia gostado do que fez. Havia gostado do prazer que aqueles atos cruéis lhe proporcionaram. Mas o mais velho sabia que se sua mãe soubesse de tudo isso, do seu medo ao seu prazer, ele não sofreria conseqüências brandas. Em sua mente apenas uma opção parecia plausível.
Mentir.
O de dreads respirou fundo, se acalmou e torceu pela compreensão daquela que podia trazer conseqüências ruins à sua vida.
- Mãe... Hoje quando íamos à escola uns caras bateram no Bill. Eu não consegui nos defender. – ele tentava convencer Simone.
- Bill, é verdade? – ela perguntou, o tom de voz frio e a expressão indecifrável.
Bill suava frio. Seu nervosismo era visível e ele olhava o irmão, que o encarava com um olhar ameaçador. Estava claro que Tom não hesitaria em repetir a surra caso o moreno contasse a verdade.
- É-É verdade – ele confirmou, afirmando também com a cabeça. Ele tremia, era uma mistura de medo e nervosismo.
Simone os olhava desconfiada, mas o visível nervosismo do mais novo a convenceu. Mal sabia ela os reais motivos para aquilo.
- Certo. Quero falar com vocês daqui a pouco. – ela respondeu séria e subiu as escadas rumo ao seu quarto, sendo seguida em silencio por Gordon.
Assim que eles sumiram, Tom virou-se para seu gêmeo, o ódio prevalecia novamente. Ele avançou, e com força apertou a garganta do irmão, quase o sufocando. Seus rostos estavam próximos, mas a ocasião fazia Bill querer fugir, novamente ele sentia medo do próprio irmão.
- Se você contar algo à mamãe, — ele dizia entre os dentes. – eu não terei pena de fazer tudo aquilo novamente. – ele apertou-lhe a garganta com força e depois soltou, fazendo Bill engasgar.
Como se nada tivesse acontecido, Tom virou as costas e seguiu em direção ao seu quarto, deixando o irmão física e psicologicamente. O moreno chorava desesperado e sem acredita no monstro que tinha como irmão.
Ele também correu para seu quarto, fechando a porta e pegando o telefone e ligando para a única pessoa na qual ele podia confiar.
- Alô? Andy?
- Sou eu... Bill? O que houve? – o suave tom da voz do garoto se tornou mais preocupado.
- Andy, por favor, me deixe ficar essa noite ai? – ele tentava falar, mas sua voz era sufocada pelo choro compulsivo. – Por favor... Só essa noite. Muitas coisas aconteceram aqui e eu preciso conversar com alguém em que posso confiar.
- É claro Bill! Pode vir, estou te esperando.
- Obrigado! Até daqui a pouco.
Bill desligou o telefone e correu para o banheiro, lavando o rosto para livrar-se das lágrimas. Ele marcou os olhos com lápis preto, tentando trazer um pouco de vida àquele rosto marcado, machucado e castigado.
Ao voltar para o quarto, recolheu todo o dinheiro que tinha escondido e algumas roupas e itens de necessidade básica, jogando-os dentro de uma mochila qualquer. Pendurou a mochila em um dos ombros e saiu do quarto e da casa em silêncio, sem deixar vestígios.
Andreas não morava muito longe da casa dos gêmeos, mas diversas coisas passaram pela cabeça de Bill durante o percurso feito a pé. Suas emoções eram tão confusas quanto seus pensamentos.
Finalmente ele havia chegado à casa de seu melhor amigo. Era humilde, mas Bill não ligava, o simples fato de ver a alegre casa amarela em sua frente o aliviava. Bateu à porta, que logo foi aberta pelo loiro de olhos castanhos no qual o moreno confiava.
- Entre, Bill. – Andreas convidou, a tristeza era visível em seu rosto.
- Obrigado. – ele respondeu, cabisbaixo.
Eles andaram em silencio ate o quarto de Andreas, onde Bill sentou-se na cama e jogou a mochila ao seu lado. O loiro fechou a porta, sem trancá-la, apenas para que sua mãe não prestasse atenção na conversa.
- E ai Bill, vai me dizer o que houve? Você ta coberto por hematomas, cortes... O que aconteceu?
- Você quer mesmo saber? – ele baixou a cabeça numa tentativa falha de conter o choro. – Você ta vendo como eu estou? – ele levantou o rosto, apontando para si. – Sabe quem fez isso? Tom! Meu irmão fez isso comigo!
Bill chorava incontrolavelmente. As lágrimas colocavam pra fora tudo que sua boca não conseguia falar. Andreas o encarava perplexo. Ele mal podia acreditar nas palavras proferidas por aquele que chorava à sua frente. Ele se aproximou, sentando-se na cama ao lado do moreno, que abraçou os joelhos e apoiou o queixo nos mesmos.
- Por favor me diga que é mentira... Ele não pode ter feito isso! Bom, ele era capaz de bater em outras pessoas, mas no próprio irmão!?
- Como assim em outras pessoas? Tom batia... em gays?
- Bill, você não sabia? – Andreas pôs as mãos na cabeça, os dedos formavam trilhas entre os fios de cabelo. – É, ele é completamente intolerante com homossexuais.
- Não acredito! Como eu pude ser tão burro pra não perceber!? – as lágrimas negras borravam o rosto e a maquiagem de Bill.
- Mas... ele não sabia sobre você?
- Não. Eu nunca escondi nada, mas ele disse não saber.
- Ai Bill, essa história ta muito confusa... Como Tom descobriu isso de uma hora pra outra? – a curiosidade de Andreas não o deixava ficar calado.
- Porque eu me declarei, Andreas. Eu disse pra ele tudo que sinto.
- Mas...
- Eu amo o Tom! Amo mais do que um irmão deveria amar! – Bill virou-se para Andreas, olhando-o nos olhos enquanto falava. – Eu sei que incesto é crime, mas eu não posso evitar! É como se ele me completasse.
- Nossa... Não sei o que dizer. Ainda não consegui entender como ele conseguiu ser tão babaca.
- Nem eu... Ele não pode ser meu irmão! – ele levantou-se, caminhando até a parede em frente e colocando suas costas contra a mesma, ainda de frente para Andreas.
- Bill, você tinha alguma intenção de, mesmo que apenas por um momento, Tom te tratasse como mais do que irmão?
- Não! Bom... eu até gostaria, mas só tive a intenção de ser sincero com ele, guardar aquilo também estava acabando comigo. – ele encarou o chão, brincando com os próprios pés. – É muito estranho sentir um amor mais do que fraternal pelo Tom.
- Ah Bill...
Andreas andou em sua direção, os braços abertos. O loiro o abraçou, sendo retribuído. Bill apoiou a cabeça entre o pescoço e o ombro daquele que o confortava. O moreno realmente precisava daquilo, necessitava um pouco de afeto. Intuitivamente, seus rostos se aproximavam. Os lábios estavam cada vez mais perto, ansiavam um contato. Quando suas bocas estavam separadas por poucos milímetros de ar e seus corpos se puxavam para mais perto, a realidade os despertou.
- Não seria muito bom pra você se a Rose entrasse aqui agora. – Bill afastou o rosto com um sorriso malicioso.
- Realmente. – ele respondeu um pouco constrangido. – Ela é a melhor namorada que existe, mas ia ficar uma fera, ainda mais que ela sabe que sou bissexual...
- Já entendi, nada disso aconteceu. – ele ergueu as mãos em rendição e virou o rosto.
- Tudo bem. – Andreas se afastou um pouco, mas ainda estavam próximos. – O que você vai fazer, Bill? Quer dizer, amanhã, depois de você se acalmar...
- Eu só tenho uma opção, e preciso colocá-la em prática agora.
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