Pain Of Love

3 Capítulo 3 - Pra toda ação há uma reação


Tom me encarava com uma expressão indecifrável no rosto. Parecia não ter entendido o que eu acabara de dizer.

- C-Como Bill? Como assim me ama? – ele me questionava, confuso.

- Eu te amo, Tom. É algo estranho, fora da minha compreensão. – enquanto eu tentava me expressão, as lágrimas, que começaram a brotar fora de controle em meus olhos, escorriam por meu rosto. – Isso vai além do fraternal, é amor de verdade.

Ele me encarava com uma expressão de escárnio, raiva e menosprezo. Parecia me odiar, me rejeitar. A testa franzida, o olhar penetrante e a boca entreaberta estavam estampados em seu rosto.

- Bill, você é gay?

- Tom, eu nunca escondi isso de ninguém, muito menos de você! Sim, sou gay, mas porque a pergunta?

- Você me envergonha Bill! – ele havia aumentado seu tom de voz. – Você é repugnante! Uma aberração! Como pôde pensar que eu teria algo a mais com você!?

- Eu não pensei! – nós dois gritávamos. Já era possível ouvir-nos discutindo de qualquer lugar da casa, pelo visto mamãe e Gordon haviam saído, ou já teriam entrado pela porta do quarto do meu irmão. – Eu não disse que tenho intenções de ter algo a mais com você! Só queria que soubesse do que sinto!

- Ah, vai se foder! Eu tenho pena de você! Pena e nojo do que você se tornou! – suas palavras eram cada vez mais duras e formavam grandes feridas em meu coração.

- Tom, você é um monstro! Como você se tornou isso?! – não dava pra acreditar que ele era meu irmão.

- Eu não sou um monstro, idiota. – ele gargalhou – A aberração aqui é você.

Aquelas palavras me machucavam, tudo que eu menos podia imaginar é que Tom podia ser tão frio, preconceituoso e escroto. Aquilo me feriu, eu sentia um enorme desgosto do meu irmão. Eu desabei, caí de joelhos no chão e sentei-me sobre minhas pernas, sem lutar contra as lágrimas que desciam abundantemente de meus olhos.

POV Autora

Bill estava parado no chão, estático, com o rosto voltado para o chão, as lágrimas pingavam. Sua tristeza era enorme, mas Tom não ligava. Tudo que ele sentia pelo mais novo o fazia querer se afastar cada vez mais. Mas foi exatamente o contrário que ele fez. Com a respiração pesada e passadas largas, o loiro se aproximou do irmão e o fez olhar pra si, puxando-o pelos cabelos negros.

O mais novo havia se surpreendido com a reação e a atitude do irmão, e olhava para Tom com tristeza. Tom encarava Bill, cada vez puxando mais seu couro cabeludo, com a intenção de lhe causar dor.

- Esse foi o pior presente de aniversário que você poderia dar pra mamãe, agora é minha vez. – Tom sorriu com as palavras que havia acabado de pronunciar, enquanto uma lágrima descia pelo rosto de Bill.

O mais velho, com a mão que não segurava com força os cabelos do irmão, acertou um soco no delicado rosto de Bill, que virou-se para o lado oposto com rapidez devido ao golpe. A fina pele branca do rosto do moreno rapidamente tomou tons rosados, e o pequeno corte que acabara de nascer liberava um pouco de sangue.

Tom não estava satisfeito. Causar dor no homem que estava ajoelhado diante de si o agradou, e ele queria mais. Ele o empurrou, fazendo com que Bill ficasse deitado com as costas em contato com o chão, vulnerável.

O de dreads prendeu o corpo de Bill com as pernas, ficando praticamente sentado em sua barriga. Com um sorriso perverso no rosto, Tom socava os dois lados do rosto do irmão sem qualquer tipo de piedade ou pausa. Bill apanhava em silêncio e tentava, sem sucesso, segurar as persistentes lágrimas. Ele não se permitia emitir qualquer som demonstrando dor.

Após incontáveis e violentos golpes, os socos cessaram. O rosto do gêmeo mais novo estava destruído. Seu supercílio, bochecha e lábio estavam cortados e sangravam; a face, vermelha e inchada. Bill olhou para o lado e viu um jarro com plantas ao seu alcance e não pensou duas vezes. Pegou-o e quebrou com toda sua força na cabeça de seu gêmeo, que desequilibrou, permitindo que o moreno fugisse correndo para fora do quarto.

Bill corria, atrapalhado e tropeçando nas próprias pernas, pelo longo corredor até chegar à beira da escada. Antes de por o pé no primeiro degrau, ele olhou pra trás e viu seu gêmeo correndo em sua direção com ódio nos olhos, ele estava fora de si.

Sem hesitar, o mais novo avançou, descendo os degraus o mais rápido que conseguia, enquanto era seguido de perto. Ele entrou na cozinha e correu em direção aos talheres, pegando uma faca. Assim que se virou com a nova arma na mão, foi surpreendido com seu irmão agarrando o pulso na qual a faca estava. Bill tentava com todas as suas forças aproximar a lâmina do rosto do irmão, com o objetivo de feri-lo de qualquer maneira. Mas foi em vão, Tom era muito mais forte do que Bill, e ambos sabiam disso. O loiro conseguiu tomar a faca e agora a apontava para o pescoço do irmão.

- Você merece morrer! Você é uma aberração! – essas palavras feriam Bill até mais do que os próprios golpes.

- Você é a aberração! Liberdade de expressão não é errado. Mas vai fundo, você não é o fodão? Então me mata logo e alimenta essa coisa que você se tornou.

- Não, não agora. – Tom sorria ao falar e brincava com a lâmina no pescoço do irmão. – Eu ainda quero ver você chorar, quero ver o medo nos seus olhos.

- Covarde! – Bill cuspiu o sangue em sua boca, resultante dos diversos socos que recebera, no rosto do gêmeo.

O loiro jogou a faca no chão da cozinha e empurrou seu irmão, pela gola da camisa, para o outro lado. Ele avançou, ansiando causar dor no mais novo e acertou-lhe um forte golpe no estômago, fazendo Bill cambalear para trás. Antes que ele tivesse tempo de se equilibrar, Tom deu-lhe um chute na altura do tórax, fazendo-o cair na bancada e depois no chão.

Bill sentia dor, muita dor. Ele não podia fugir nem lutar, apenas via como seu irmão estava fora de si.

Mas Tom ansiava por mais.

Ele foi em direção ao irmão caído no chão e o levantou a força pela gola da camisa. Tom prensava Bill contra a parede, a mão em sua garganta, erguendo-o do chão. O moreno estava ficando sem ar e se balançava, chutava e batia no irmão, em vão.

- Morra viadinho! – Tom gritou e apertou a mão no pescoço de seu gêmeo.

O mais novo estava prestes a desmaiar. Já não tentava escapar, mal conseguia se mexer, não tinha noção do que estava acontecendo ao seu redor e seus sentidos começavam a se esvair até algo lhe parecer fazer voltar à vida. Na sala, o barulho da porta sendo fechada e de chaves jogadas sobre a mesa fez Tom soltar Bill imediatamente.

Bill recuperava o fôlego e passos se aproximavam da cozinha. Tom mantinha uma expressão de susto e medo, misturadas naquele rosto que há poucos segundos estava tomado pelo ódio. Simone estava com um sorriso iluminando seu rosto, que logo desapareceu quando sua visão focou Bill. O rosto de seu filho estava cortado, avermelhado e com hematomas, inchado e os cortes e seu nariz sangravam. Ele já não parecia mais o belo andrógino de 17 anos de horas atrás. Sem entender o que era tudo aquilo e com a raiva resultando de suas conclusões crescendo, a mãe dos gêmeos não se conteve em gritar.

- Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui!?

Notas finais
Reviews não fazem a mão cair e ajudam na melhora da história, que tal mandar um com sua opinião?