Pain Of Love
23 Capítulo 23 - Apesar da distância
Notas iniciais
Tentei ser um pouco mais rápida dessa vez... Não deu muito certo mas demorei menos do que da última, certo?
Espero que gostem desse capítulo.
Enjoy!
Tom POV
Sai da aula esfregando fortemente os olhos com os nós dos dedos, tinha me esquecido de como eram chatas as últimas aulas, independente do dia. Não prestava muita atenção por onde andava ou se esbarrava em algo, mas não pude deixar de perceber o forte empurrão que me desequilibrou enquanto andava entre as pessoas no tumultuado horário de saída.
– Hey, mas que diabos...? – resmunguei procurando o causador de meu quase tombo.
– Parabéns atrasado! – ouvi as vozes de Gustav e Georg gritarem em uníssono antes que eu sequer pudesse focalizá-los.
– Obrigado... Mas precisavam mesmo me empurrar?
– Você parece um zumbi, tava mesmo na aula?
Limitei-me a fazer uma careta de desaprovação ao comentário inconveniente de Georg e continuei andando. Não era de meu costume deixar as pessoas falando sozinhas, mas achei que poderia abrir uma exceção, só por hoje.
– Não nos deixe falando sozinhos no meio do corredor! – Gustav protestou já atrás de mim novamente, Georg seguia-o.
– Tudo bem, desculpa, é que não estou com o melhor dos humores hoje... – respirei fundo e encarei-os, não valia a pena ser mal educado com meus poucos amigos – Querem almoçar lá em casa? Vocês nem passaram lá no meu aniversário.
– Por mim tudo bem, e você Ge?
– Ótimo, só tem uma coisinha antes. – ele falou, mas não deixou o que queria claro antes que passássemos pelo portão de saída.
Quando virei-me para encará-lo e saber o porquê de ter deixado aquela frase suspensa no ar, deparo-me com uma cortina de pó branco em minha direção, seguido de coisas gosmentas em meu cabelo, o que não pude identificar até terminar de limpar meus olhos.
– Desculpe, mas não podíamos deixar de fazer isso, Tom. – ambos riam.
– Nossa, é tão engraçado isso. – ironizei enquanto ria de mim mesmo.
Farinha e ovos. Uma maravilha.
Não ficaria chateado, muito menos deixaria aquilo como estava. Com as mãos juntas, peguei o máximo do pó que consegui e aproximei-me de ambos ao mesmo tempo, já que se encontravam lado a lado, e tentei acertá-los. Não fui bem sucedido em minha pequena e falha vingança, mas não importava. Por mais simples que tenha sido aquele ato de me transformar em um enorme bolo, tinha mudado meu humor.
– Ok, já chega, vamos logo. – chamei-os, que prontamente me seguiram.
O curto trajeto foi preenchido de conversas aleatórias e risadas, a presença deles me fazia um bem que eu jamais pensei que fosse encontrar. Não longe de meu gêmeo.
Entrei em casa e corri direto para o banheiro, nem sequer lembrei-me de apresentar minha mãe a meus novos amigos, apenas estava preocupado que ela reclamasse das pegadas brancas que eu deixava onde pisava. Tomei o banho mais rápido que consegui e, voltando á cozinha, deparei-me com o som de risadas, reconheci a de minha mãe dentre elas.
– Vejo que já se conheceram... – comentei um tanto sem graça quando cheguei à porta do cômodo.
– Sim, eles se apresentaram, já que você não o fez. – Simone retrucou com um falso tom de reprovação na voz – Sente-se, o almoço já está pronto.
Ambos estavam sentados enquanto minha mãe permanecia de pé ajeitando os últimos detalhes da mesa. Tão perfeccionista.
Após dispersar as travessas sobre a mesa, sentou-se também e servimo-nos e começamos a comer. Não eram novidade os elogios que fiz questão de dizer sobre a comida dela. Um leve silêncio dominou o ambiente, provavelmente pelo excesso de fome de todas as partes.
– Tom, seu irmão não vai descer pra comer? – Georg perguntou inocentemente – Quer dizer, você tinha um irmão, certo? Um gêmeo?
Imediatamente meu olhar e o de minha mãe se cruzaram, parecia automático. Eu não havia contado a eles sobre tudo que aconteceu, nem sequer gostaria, tinha medo de que eles pudessem se afastar por causa de minhas ações errôneas do passado. E certamente iriam.
– Erm... Não. – hesitei – Ele foi passar uma temporada na casas dos meus tios, é longe daqui... – menti tentando ser convincente.
– Ah... – ele respondeu um tanto aéreo, não havia desconfiado.
Assim que Georg e Gustav voltaram suas atenções aos próprios pratos, meu olhar voltou a cruzar com o de Simone. Ela não me reprovava, parecia entender meus motivos de manter aquilo em sigilo. Aliviei-me e permiti-me um esvaziar de pulmões profundo porem silencioso, relaxando.
O resto do dia permaneceu alegre e agitado. Passamos horas seguidas em frente à televisão, apenas aumentando nossas competitividades particulares no vídeo game. Logo depois eles foram embora e a casa voltou a seu silêncio habitual.
Rumei para meu quarto enquanto minha mãe arrumava a cozinha. Não era tarde, a noite sequer tinha chegado direito, mas meu corpo pedia descanso. Foi um dia um pouco cansativo e, combinado a uma noite mal dormida, terminou por esgotar minhas energias.
Tomei um longo banho, sem pressa alguma, e vesti-me para dormir. Comer não era necessário, o almoço ainda parecia rolar-me pelo estômago. Tinha sido um dia divertido, agitado, porém com um vazio. E esse vazio tinha um nome.
Bill.
Por mais que a presença de meus dois novos amigos me distraísse quase a todo tempo, ainda havia momentos de dispersão que me levavam os pensamentos a ele. Era em momentos assim que ele me fazia falta, principalmente, fora a falta de alguém em quem me apoiar, alguém realmente confiável com quem conversar. Um ombro amigo que escutaria todos os meus desabafos sem reclamar ou me julgar. O problema é que não fui tão maduro como ele a ponto de ignorar fatos que de nada mudariam em sua bondosa personalidade.
Poder não tocá-lo também acabava comigo. Era uma necessidade nova, mas que me consumia constantemente. Era constantemente aquela falta, falta de tudo nele. Seu olhar, seu sorriso, poder abraçá-lo, senti-lo, inalar aquele perfume único e natural que emanava de sua pele, tão sutil e agradável. Afundar meus dedos em seus negros fios de cabelo, esconder meu rosto na curvatura de seu ombro enquanto eu chorava e ele me dizia palavras e consolo. Sua voz, sua cantoria, tão baixa a despreocupada, pensava que ninguém o ouvia. Mal sabia ele que aquela voz suave era uma das coisas que eu mais gostava e que agora me fazia falta.
Aquela nostalgia era chata, cansativa e repetitiva, mas parecia que com o tempo, eu tinha aprendido a administrá-la melhor. Não de vez terminar com aquilo, apenas ignorá-la. Mas como tudo em mim, até isso possuía falhas.
Fechei os olhos interrompendo a imagem escura e pouco nítida do meu quarto que se formava nas minhas retinas. Era melhor dormir, pelo menos no mundo dos sonhos eu poderia ficar ao seu lado do modo como eu queria.
POV Autora
O moreno cantarolava distraidamente enquanto terminava de lavar a louça. Sentiu braços fortes abraçando-o por trás, dedos gélidos tocavam-lhe a pele sensível do abdome por debaixo da blusa. Sorriu ao sentir tal contato.
Tom começou a distribuir leves beijos pela extensão de ser pescoço, sentia também sua respiração quente. Tentou ignorar os carinhos e manter o foco na louça, mas era tão difícil. Olhou para trás com o intuito de pedi-lo para parar, mas seu irmão fora mais rápido. Capturou seus lábios suave e rapidamente, num beijo carinhoso e cuidadoso, como se os lábios de Bill fossem feitos do mais frágil material e pudessem se quebrar com um toque brusco.
Numa dança lenta e envolvente, as línguas permaneciam explorando a boca alheia, tão conhecida e desejada. Tom mantinha uma das mãos na cintura de Bill enquanto se apoiava na pia com a outra, já o mais novo abraçava o pescoço do irmão e seu corpo. Separaram-se sem vontade e trocaram olhares, o mais novo esboçava um sorriso singelo sem lhe mostrar os dentes.
– Tom, não faça isso aqui no meio da cozinha. – repreendeu ainda com carinho na voz – Mesmo que estejam fora, se mamãe ou Gordon nos virem aqui não será nada bom. Eles nunca sequer podem imaginar que namoramos.
– Eu sei, Bill, mas eu não resisto. – encostou sua testa da de seu gêmeo, olhando-o fundo nos olhos – Eu tenho a necessidade de estar perto de você, de te tocar, te sentir meu. – selou seus lábios rapidamente antes de afastar-se.
– Não disse para não o fazê-lo, apenas para evitar essas coisas pela casa, ok?
O mais velho acenou com a cabeça em silêncio, abrindo a geladeira segundos depois.
– O que temos para comer?
– Mas nós acabamos de comer, Tom! Não é possível que ainda esteja com fome...
– Vai me proibir de comer, é? – questionou arqueando uma das sobrancelhas num tom divertido.
– Não, só acho que você preferiria outro tipo de distração... – olhou-o um tanto malicioso.
– Não, prefiro comer mesmo. – fingiu-se de desentendido.
O mais novo então fechou a expressão, tinha um bico nos lábios e os braços cruzados. Ao ver tal cena, Tom riu divertido e correu de encontro ao gêmeo, abraçando-lhe e desfazendo aquela expressão falsamente séria. Trocaram mais um beijo suave antes de Tom pegar o mais novo nos braços e caminhar em direção ao quarto dos dois.
**********
Sentou-se na cama assustado, a respiração ofegante, as pupilas dilatadas. Aquilo tinha sido um sonho, certo? Afinal era impossível ter sido realmente real, Bill estava na Califórnia...
Sim, um sonho. Uma ilusão causada por sua mente, mas que era tão desejada que fizesse parte da realidade.
Os batimentos acelerados aos poucos se normalizaram, assim como a respiração de Tom. Um sorriso bobo e satisfeito estava estampado em seu rosto, mas ele sequer percebera isso, era involuntário. Era seu modo irracional de expressar a aprovação que toda aquela ilusão de sua cabeça enquanto dormia tinha fundamento, assim como seu desejo de, um dia, torná-la realidade.
Bill POV
Passei rapidamente pela entrada do prédio, mal cumprimentando as funcionárias que todo dia me recebiam com sorrisos no rosto – que falta de educação da minha parte. Mas, mais uma vez, eu estava terrivelmente atrasado para o trabalho, minha sorte era que Peter não era um chefe muito rígido, nem mesmo ele chegava na hora certa. Quando cheguei ao estúdio, vi-me um pouco confuso, Alice era fotografada por Krystal, ambas serias e concentradas.
– Bill, você é o próximo. – Krystal informou-me sem sequer tirar os olhos de trás da lente da câmera.
– Mas eu não lembrava que tínhamos um ensaio para hoje, caso contrário teria vindo com roupas mais adequadas...
– Nem eu, foi de surpresa, me avisaram quando cheguei aqui, e não se importe com as roupas, isso é o que não falta por aqui, pode escolhê-las ali na arara, confio no seu bom gosto. – ela disse – Agora me deixe trabalhar.
Fiquei em silêncio, ela não parecia de bom humor e não era minha intenção piorá-lo, muito menos sabendo que era eu quem teria de lidar com isso mais tarde. Fui até a arara de roupas escolher o que usaria, baseado nas roupas que Alice usava. Quando me aproximei, percebi fios de cabelo por detrás dos cabides, fios esses que logo se revelaram ser de Peter.
– Bom dia. – ele cumprimentou-me olhando-me sem jeito por entre as roupas, sem encarar-me nos olhos.
– Bom dia. – respondi igualmente educado.
Assim que ouviu minha resposta, retirou-se da sala em silêncio. Minha presença o atrapalhara?
Dei de ombros e voltei ao que estava fazendo. Seria um dia corrido e, de certa forma, angustiante. Afinal, eu já tinha me decidido sobre a resposta que daria a Peter, só repetia em minha mente como e quando dizer.
**********
– Terminamos. – Krystal comunicou, um visível tom de alívio em sua voz. Suspirei igualmente aliviado.
– Você não faz idéia de como minhas costas doem. – resmunguei com um pouco de mau humor, esticando-me buscando uma melhora.
– Agora só preciso selecionar as fotos... Se quiserem me ajudar e não mordo. – a fotógrafa brincou – Mas se estiverem cansados e preferirem ir para casa, tudo bem.
– Alice pode te ajudar, Bill vai embora comigo, não é? – a voz súbita de Peter invadiu o cômodo, assustando-me.
– Erm... É. – respondi sem jeito.
– Ok, até amanhã. – elas se despediram em uníssono enquanto voltavam a conversar baixo sobre as fotos.
Sai acompanhado de meu chefe pelos corredores, me sentia tímido naquela situação, ainda mais quando percebi o que estava por vir. Entramos em seu carro e ele logo deu a partida. Era estranho como todas as nossas viagens – não viagens propriamente ditas, claro – eram preenchidas por aquele silêncio, ora angustiante, ora reconfortante.
Chegamos com certa rapidez ao apartamento, ou eu mal percebi o caminho devido a meus pensamentos. Ele permanecia em silêncio, mas eu podia notar que não estava calmo, sequer confortável. Livrei-me do cinto de segurança e, antes de sair, virei-me em direção a ele, respirando fundo antes de falar.
– Peter, eu pensei sobre o que você me disse.
– E...? – virou-se para mim, os olhos repentinamente preenchidos de brilho e esperança.
– E, bom... Foi confuso para mim, mas cheguei a uma conclusão. – encarei-o por alguns segundos, tentando decifrar mais de sua expressão, mas falhando nesse quesito – Acho que vale a pena tentar.
Num ato aparentemente impensado – mas planejado diversas vezes durante o dia – inclinei-me mais e toquei nossos lábios suavemente. Sua mão encaminhou-se ao meu pescoço e fiz o mesmo, segurando de leve os fios bagunçados de sua nuca. Pedi passagem e ela logo foi concebida, dando inicio a um beijo lento, calmo e envolvente. Ele respeitou-me ao ponto de não tentar passar disso, deixou que eu ditasse o ritmo.
Era bom beijá-lo, era um beijo doce, seus lábios tinham um sabor diferente, mas ainda assim não conseguia afastar minha mente de Tom. Mas eu precisava tentar esquecê-lo, por mais que meu irmão tenha mudado, nada jamais poderia dar certo entre nós dois, somos irmãos afinal.
Separamo-nos devagar e logo um sorriso satisfeito se formou nos lábios de Peter. Ainda estávamos próximos, ele me impedia de afastar-me, eu podia sentir sua respiração quente e não muito ritmada em meu rosto.
– Então você aceita namorar comigo? – ele questionou.
– Sim, aceito. – confirmei tímido, sentia minhas bochechas queimarem.
Trocamos um último beijo antes que eu saísse do carro. Subi no elevador inconscientemente sorrindo, estava feliz com aquilo. Era ruim usá-lo de tal forma, mas Peter seria meu remédio. Um remédio contra Tom. O que me confortava era que, de certa forma, ele fazia o mesmo comigo, também queria esquecer ser ex.
Abri a porta e vi Mia jogada no sofá, uma barra de chocolate por cima da barriga enquanto assistia um seriado qualquer na TV. Só se distraiu do aparelho com o barulho da porta se fechando.
– Boa noite, preguiçosa.
– Boa noite. – respondeu ela, o tom de voz sonolento – Posso saber o motivo dessa alegria toda?
Alegria? Eu continuava sorrindo? Droga, porque sempre fui ser tão bobo?
– Pode. Não só pode como deve.
POV Autora
– Vou tomar banho, você faz o jantar hoje? – Bill pediu.
– Sim, vai lá.
Após ter contado as novidade do fim de tarde movimentado, ele rumou ao banheiro enquanto a americana corria para seu quarto. Voltou de lá na mesma velocidade que tinha ido, só que agora trazia um notebook nas mãos. Abriu-o e o deixou ligando sobre o sofá enquanto corria para a cozinha a fim de arrumar algo para comerem.
Ela havia preparado uma surpresa para Bill, algo que, segundo ela, iria trazer de volta os olhos brilhantes e as bochechas rosadas como vira pouquíssimas vezes. O Bill alegre que ela sentia falta, mesmo em não muito tempo de convívio.
Deixou o macarrão cozinhando e o molho semi-pronto e, quando ouviu o chuveiro de fechando, voltou para frente do computador. Conectou-se à internet e deixou a surpresa pronta, era só ele chegar. Isso também não demorou. Ele entrou na sala esfregando a toalha nos fios negros e parou ao lado do sofá, encarava a televisão absorto, mal parecia estar presente.
– Bill, pode me ajudar com uma coisa aqui? – Mia pediu dando início ao seu simples plano.
– Claro, onde? – perguntou aproximando-se e sentando ao lado dela.
A ruiva pousou o notebook sobre o colo do alemão, sinalizando-o onde deveria clicar. E ele o fez. Seu coração parou por meio segundo quando aquela imagem subiu à tela.
“Ela tinha mesmo feito isso? Esforçou-se a esse ponto para me deixar feliz?” Era o que se passava por sua cabeça.
Sim, ela tinha feito isso. Quando a voz rouca de Tom saiu pelos auto-falantes do notebook, tudo o que conseguiu fazer foi sorrir.
– Oi, Bill.
Notas finais
Ah obrigada a JullyKaulitz pela ideia do skype. No próximo capitulo eu explico melhor, caso esteja meio solto demais ^-^
Não me matem também por causa do Peter, ele é uma boa pessoa, poxa ç-ç Gosto tanto dele... ~~parece que sou a unica mas ok~~
Mereço reviews, gente? ç-ç
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