Pain Of Love

22 Capítulo 22 - Primeiro de Setembro


Notas iniciais
socorro, como demorei pra postar esse capítulo D: Não me matem, por favorrr ~~foge~~
Vocês sabem que eu não tenho o maior tempo do mundo pra escrever, também já disse que escrevo essa fic durante as aulas, e a situação continua a mesma. Eu tenho que prestar atenção agora, fazer o que né ): Ai me sobram poucas aulas pra escrever e acabo demorando pra finalizar.
Mas esse capítulo nem era pra ter sido postado hoje, agradeçam à Rio +20 pelo tempo em casa KK
Tá, chega de falar, boa leitura e me desculpem mais uma vez ç-ç

A porta do banheiro da empresa foi aberta com brutalidade pelo alemão que rapidamente cruzou o lugar e debruçou-se sobre a pia. Bill encarava o espelho julgando a própria imagem, atos e pensamentos. Lágrimas ameaçavam cair, mas ele nem sabia ao certo o porquê daquilo. Não podia negar que tinha gostado, mentir para si mesmo de nada adiantaria, mas era Tom quem o incomodava.

O amor que sentia por seu irmão o consumia, desgastava, mas permanecia vivo. Mas quando o foco de seus pensamentos se tornava Peter, não sabia o que dizer. Aquele beijo tinha o surpreendido positivamente, mas não tinha despertado sentimento algum.

Molhou o rosto com a água fria, esperando que essa o acalmasse, mas tudo o que fez foi borrar sua maquiagem. Repetiu o ato algumas vezes depois, só assim surtindo algum tipo de efeito considerável. Com a palma das mãos apoiada na pia, voltou a encarar seu reflexo no espelho, analisando cada curva de seu rosto, cada lembrança do acontecido.

“Ok, já chega, não foi nada. Hora de voltar ao trabalho.” Pensou consigo.

Após retocar a maquiagem, pegou sua bolsa e saiu do banheiro de cabeça erguida, disposto a esquecer e ignorar o beijo. Mas mal sabia ele que Peter estava disposto a fazer justamente o contrário.

**********

- Parabéns pra você, parabéns pra você... – o som de palmas e das vozes de Gordon e Simone misturadas acordou o garoto de dreads de seu calmo sono.

Depois de coçar os olhos com os nós dos dedos, abriu-os lentamente. Sorriu abertamente ao encontrar os dois em pé ao seu lado, com chapéus coloridos de papelão, sua mãe segurando um bolo de chocolate e seu padrasto tentando esconder um presente atrás de si sem sucesso.

- Bom dia, meu amor! – Simone cumprimentou-o com um beijo estalado na bochecha – Fiz um bolo de aniversário pra você.

- Não precisava, mãe... – agradeceu sorrindo e então se sentou pondo o bolo sobre as pernas.

- Espere, antes do bolo, ainda tem mais uma coisa. – Gordon disse enquanto tirava o grande pacote do lugar de onde estava escondido, o que por sinal nunca fora escondido de fato.

Estendeu-o para o afilhado arrancando-lhe um sorriso ainda maior. Rasgou rapidamente o papel e seus olhos brilharam ao perceber qual era o seu presente. Uma guitarra branca, com um design diferente e atraente, deixando Tom encantado.

- Não acredito que compraram uma guitarra! – encarou o instrumento ainda deslumbrado – Não precisavam gastar esse dinheiro comigo, eu não mereço presente algum, na verdade...

- Não seja tão rígido com si mesmo. – Simone afagou os cabelos do filho – Você teve um grande progresso, amadureceu, mereceu esse presente. – sorriu ternamente.

Ele limitou-se a baixar o olhar para a guitarra e sorrir, em um agradecimento silencioso. Observou-a por um tempo antes que tivesse consciência de que teria o resto do dia para admirá-la. Bom, só admirá-la enquanto não conseguia tocá-la muito bem.

- Já que você gostou tanto da guitarra, acho que não se importaria se eu e sua mãe comermos o bolo... – Gordon comentou tirando Tom de seus devaneios.

- Hey! Ainda sou o aniversariante aqui, mereço um pedaço! – levantou-se correndo atrás do padrasto que rumava à cozinha com o bolo nos braços, deixando pra trás uma Simone risonha por fora, mas desolada por dentro.

“Se eu ao menos pudesse ligar para ele...” pensou antes de seguir para o cômodo onde o filho que estava sobre seu alcance se encontrava.

**********

Bom dia, flor do dia! – Mia gritou a plenos pulmões à beira das orelhas de um Bill dorminhoco que pulou assustado – Parabéns, Bill! – abraçou-o com um sorriso largo no rosto.

- Obrigado. – respondeu sonolento retribuindo ao abraço – Mas esse escândalo era realmente necessário?

- Claro que era! Hoje é seu aniversário de 18 anos, agora você é maior de idade, vamos poder sair para comemorar em um bar. – manteve o sorriso após desfazer o abraço, agora sentada na beirada do sofá que servia como cama.

- Que mal exemplo, dona Mia! Como mais velha, a senhorita deveria me incentivar a criar juízo e não tentar me embebedar. – disse com um falso tom de reprovação na voz.

- E você deveria ter a mentalidade de um garoto da sua idade, não de um velho ranzinza! – brincou fazendo ambos rirem – Desculpe-me por não ter comprado um presente, não sabia ao certo o que comprar e você sabe que nossa situação financeira não é das melhores...

- Eu não me preocupo com presentes, não gaste seu tempo ou dinheiro. – ele dizia enquanto segurava-lhe as mãos e olhava-a no fundo dos olhos – Só tenho a lhe agradecer, você foi um anjo que apareceu para em ajudar, obrigado Mia.

Ela sorria um tanto sem graça, suas bochechas com um leve tom rubro. Segundos depois, Bill levantou-se subitamente animado e motivado e rumou ao banheiro sem explicações. Quase tão rápido quanto entrou, saído já vestido e levemente maquiado. Com uma maçã em mãos, saiu pela porta murmurando um “vou para o trabalho, até mais.” E deixando uma Mia confusa encarando a porta fechada do apartamento.

**********

O tempo passara rápido desde que os dois gêmeos se viram separados. Uma obra e tanto, criada pelo destino e esculpida pelo preconceito e pela arrogância. Tudo de ruim que veio em conseqüência de tal poderia ter sido evitado, ambos sabiam disso, e esse era o maior pesar.

Caminhavam pelas ruas, um em uma ensolarada Califórnia, outro numa Leipzig um pouco mais gelada e com o céu levemente encoberto. Parecia a tal coisa de gêmeos, a tal ligação que seus vizinhos, amigos e conhecidos sempre afirmaram perceber neles. De fato existia. Tinham a mesma idéia em mente.

Adentraram estabelecimentos com a mesma finalidade, salões de beleza. Era mais o tipo de Tom entrar em um lugar mais comum, como um barbeiro, mas para o que queria fazer, era mais garantido que fosse ali mesmo. Já por Bill, nem ao menos titubeou antes de adentrar o lugar repleto de mulheres, algumas o encararam estranhamente, outra sequer perceberam a porta abrindo ruidosamente.

Sentaram-se nas cadeiras e, depois de explicarem cuidadosamente a mudança que queriam, só lhes restava cruzar os dedos e torcer para que tudo desse certo a partir dali. Não, não pensavam no corte de cabelo, e sim na vida como um todo. Aquela mudança não tinha o simples propósito de melhorar a aparência ou fazê-los sentirem-se melhores apenas por ser o dia de seus aniversários, era além.

Tinha o intuito de mudar a alma, marcar o começo de um novo estilo de vida, de uma nova era. Novos tempos de mudanças fixas, melhoras físicas e psicológicas, vidas tristemente separadas, mas que tentavam, aos trancos e barrancos, seguir em frente de queixo erguido e pés no chão.

Depois do tempo necessário para cada mudança, finalmente olharam-se em seus devidos espelhos e sorrisos satisfeitos inundaram os rostos tão parecidos. Figuras semelhantes brilhavam com reações igualmente semelhantes em lugares distantes. Mesmo que uma parte estivesse nos Estados Unidos e outra na Alemanha, continuavam agindo como se fossem um só, ou que a linha que sempre os ligou permanecia ali, firme, forte e inabalada.

**********

O moreno adentrou o saguão da empresa sorridente, cumprimentando os que por ele passavam, sendo igualmente retribuindo. Assim que chegou a seu tão conhecido estúdio, a surpresa foi mútua, tanto que quase acabara com a brincadeira.

As luzes se acenderam rapidamente revelando um pequeno amontoado de pessoas ao redor de um bolo coberto de confeitos coloridos. As pessoas eram modelos com as quais Bill conversava esporadicamente, Krystal, Alice e Peter, todos com chapéus coloridos de papelão e sorrindo enquanto cantavam um ruidoso “parabéns pra você”. Bill sorria feliz, era a primeira vez que recebia uma festa surpresa que ele não tenha sido capaz de descobrir.

Após um abraço em conjunto por parte de algumas das garotas, foi bombardeado de elogios sobre seu novo visual, assim como foi de perguntas.

- Você fiou lindo, adorei! – Krystal comentou aproximando-se e o abraçando – Porque resolveu mudar assim tão de repente?

- Eu senti que já tava na hora e algumas questões pessoais também me incentivaram... – não detalhou excessivamente, aquele assunto não precisava ser desenterrado mais uma vez.

Ele aproximou-se da mesa onde o bolo estava, pegou alguns docinhos e voltou a se afastar, ia voltar para perto de Krystal, mas uma mão em seu ombro o parou.

- Parabéns, Bill. – um Peter sorridente e um tanto sem jeito cumprimentou-o sem contato físico.

- Obrigado. – respondeu igualmente educado e nervoso.

Após o incidente, não haviam se falado ou sequer se visto, não saber o que fazer era normal, certo?

A festa terminou depois de não muito tempo, afinal, ainda estavam em horário de trabalho. As modelos voltaram para seus devidos estúdios e apenas Bill, Peter, Alice e Krystal permaneceram ali, terminando de arrumar a pequena bagunça.

- Alice, me ajuda a distribuir isso? Não vamos comer esse bolo todo. – Krystal pediu já lhe estendendo uma bandeja com diversas fatias cortadas, segurava sua própria com a outra mão.

- Claro. – prontificou-se e pegou a bandeja, saindo ao lado da mesma pela porta logo em seguida.

Agora Bill se via sozinho ali com Peter, justo a última pessoa com quem queria ficar. Mas, pensando melhor, alguma hora teria que enfrentar aquilo, pelo menos que acabasse logo. Sem que o alemão percebesse, aproximou-se silenciosamente, em mente, o que falaria.

- Bill, acho que lhe devo desculpas. – foi direto ao ponto, assustando o garoto por estar mais próximo do que este esperava que estivesse.

- Eu também tenho minha parcela de culpa.

- Mas se eu não começasse, não teria acontecido, desculpe-me. Percebi que você não ficou muito confortável depois do beijo, foi um momento de fraqueza meu, mas tem algo que preciso te contar ou ficarei agoniado até fazê-lo.

- Então fale. – permitiu.

- Aquele momento não me saiu da cabeça por toda a noite, Bill. Nem sei ao certo o porquê, só sei que senti algo estranho, diferente, novo pra mim. Muitas vezes não entendo minhas emoções, mas sei que desde o momento que o vi no restaurante, ainda de longe, senti uma atração por você. Era como se você me puxasse pra mais perto, sabe?

O alemão apenas ouvia tudo aquilo um tanto surpreso, encarando-o nos olhos. Aquilo estava realmente acontecendo?

- Não estou lhe pedindo nada, apenas queria que soubesse. – concluiu.

- Peter, desculpe, mas meu coração pertence a outra pessoa...

- E essa pessoa te merece?

Ele fraquejou. Tinha acertado seu ponto fraco.

- N-Não. – gaguejou antes de responder, baixando o olhar tristemente.

- Então porque não da uma chance para nós? Quero dizer... Nós dois temos por aí pessoas que não nos merecem, que nos fazem mal... Talvez, juntos, possamos curar essas feridas.

- Peter, eu... – estava confuso, não sabia ao certo como negar aquilo, parecia tão certo e, ao mesmo tempo, tão errado.

- Por favor, só uma chance. Não irá se arrepender.

Suavemente e sem espaço para que Bill se esquivasse, capturou os lábios rosados a sua frente, uma de suas mãos tocando-lhe o queixo. Foi apenas um tocar de lábios gentil, mais como um pedido, e logo se finalizou.

- Antes de ir embora, me espere, eu te levo em casa.

Ele assentiu silenciosamente com a cabeça, apenas olhando o americano sair do estúdio sem um adeus. Tocou seus próprios lábios com a ponta dos dedos e sorriu.

**********

Definitivamente, aquele corte de cabelo tinha sido bem aceito. O penteado alto e volumosos de antes havia sido substituído por um comprido e estiloso moicano, uma franja que lhe cobria parte do olho de direito dava um ar diferente ao look.

Já Tom, tinha optado por algo parecido com os dreads loiros de antes. Esses haviam sido substituídos por pequenas tranças negras que desciam soltas até um pouco abaixo de sues ombros, uma faixa cobrindo a raiz do cabelo tinha virado seu novo acessório.

O dia de trabalho tinha passado voando. Apesar de ser seu aniversário, a rotina continuava a mesma, sem folgas. Não havia sido dos dias mais cansativos, mas trabalhar nunca foi uma tarefa fácil. Depois que Bill tinha acabado de juntar suas coisas, mas antes que pudesse sair do prédio, sequer do estúdio, Peter apareceu de surpresa.

- Pronto para ir? – questionou assim que entrou, nem sorria nem estava serio demais, neutra era sua expressão.

- Sim, você já vai?

- Vou, vamos indo. Ou quer fazer hora extra? – brincou tentando descontrair um pouco.

- Não, não, vamos logo. – riu fraco e saiu acompanhado do mais velho depois de se despedir dos presentes.

Foi um curto e silencioso caminho até o carro do americano que estava estacionado na garagem do edifício, no subsolo. Gentil como sempre, abriu a porta para que o moreno tomasse seu assento no carro, fechando-a em seguida e tomando seu próprio assento atrás do volante. Deu partida e logo já estavam na rua a caminho do apartamento de Bill, o que não ficava muito longe dali.

O silencio tinha se tornado incomodo depois de alguns minutos. Bill brincava hora com a ponta de sua blusa, hora com a alça da bolsa, enquanto Peter se focava no caminho. O carro parou na beira da calçada e o americano, após desligar o mesmo, virou-se para o outro, mas sem chegar perto demais, apenas o olhava.

- Bill, pense com carinho sobre o que conversamos mais cedo, ok? – pediu o mais cauteloso que pode.

- Vou pensar, mas, por favor, não crie falsas esperanças.

- Tudo bem, não irei te pressionar.

- Obrigado. – abriu a porta e pôs um dos pés para fora, preparando-se para sair, mas ao lembrar-se de uma última coisa, virou levemente o rosto para falar – A propósito, eu gostei do beijo. – e saiu sem acreditar no que ele mesmo havia dito.

Passou pela portaria sem sequer olhar pra trás, e foi assim até a porta do apartamento. Abriu-a de uma vez e deparou-se com uma cena diferente da usual.

- Ah, Bill! Chegou cedo hoje... Erm, bem, não era pra que você visse assim, e... – Mia tentava justificar-se.

Ela tinha um pano de prato pendurado no antebraço, com uma das mãos arrumava os talheres enquanto depositava uma travessa sobre a mesa com a outra mão. Estava agitada e surpresa.

- Você fez o jantar! – ele sorriu – Não precisarei cozinhar no meu aniversário.

- Foi a maneira que encontrei de te dar um presente. – riu sem graça – Espero que goste.

- Vou ver agora, só espere um momento.

Ele correu e largou a bolsa sobre o sofá, correndo para tirar seus sapatos em seguida, segundos depois já estava de volta levantando as mangas compridas da blusa que usava. Sentaram-se e começaram a se servir, comendo em seguida.

- Nossa, não sabia que você cozinhava tão bem. – ele observou entre uma garfada e outra.

- Nem eu. – ela riu.

Interrompendo o agradável jantar, o telefone tocou alto e estridente, Bill prontificou-se em atendê-lo.

- Alô?

- Bill? Parabéns! – ouviu uma voz masculina do outro lado da linha.

- Andy? Que saudades! Obrigado, não precisava se preocupar em ligar.

- Eu nunca deixaria de ligar no seu aniversário, Bill. Apesar de distante, você é meu melhor amigo. – pela sua voz era nítido que estava sorrindo.

- E como estão as coisas aí?

- Bom, tudo melhorando aos poucos. Não posso demorar muito, mas tem uma pessoa aqui que quer falar com você. – e a voz do garoto cessou, fazendo com que Bill se tornasse ansioso.

- Bill? Filho? – ouviu sua mãe chamar-lhe e imediatamente lágrimas invadiram-lhe os olhos.

- Mãe?

- Parabéns, meu filho! – ela também chorava – Que saudades que eu sinto de você...

- Eu também sinto sua falta, mãe, você não imagina como.

- Como eu queria poder te abraçar no seu aniversário, mas não foi possível, então quero desejar-lhe um feliz aniversário. – respirou fundo tentando desatar o nó de sua garganta – Tem mais uma pessoa que quer falar com você, só um momento.

E mais uma vez o silêncio era tudo que se ouvia do outro lado da linha. Aquela ligação já tinha despertado-lhe sentimentos diversos, quem seria dessa vez que lhe faria chorar?

- Bill? É o Gordon. – uma voz masculina mais grave que a anterior fez se presente.

- Gordon! – repetiu sorrindo e tentando cessar as lágrimas. Como odiava ser tão emotivo.

- Meus parabéns, garoto! Como andam as coisas aí?

- Tudo indo, aos poucos melhorando. – o garoto sorriu, tinha esperanças de que sua frase estava certa.

- Então força aí, não se esqueça de ligar pra sua mãe, ela sente muito a sua falta. Agora desculpe mas preciso desligar, afinal, você está em outro continente e a ligação não é das mais baratas. – riu fraco.

- Ah claro. Mande um beijo para todos, eu dou notícias.

- Ok, mando sim, até.

E a ligação foi finalizada. Como esperado, seu irmão não havia ligado. Mas algo lhe dizia que Tom sequer sabia daquela pequena ligação. Com aquilo em mente, voltou a comer em silencio. Hora ou outra um assunto surgia depois que Bill contara sobre a ligação a ela.

- Mia, já sentiu como se tivesse que fazer algo, mas que isso parecesse errado? – ele quebrou o silêncio com uma súbita pergunta.

- Já sim, porque?

- O que acha que é certo, nesse caso?

- Do que está falando, Bill?

- Me responda, por favor, sem mais perguntas.

- Bom... – ponderou por alguns segundos – Acho que deve fazer o que seu coração manda.

Ele pensou em silêncio por mais alguns segundos, encarando seu prato vazio, e então se levantou. Tomou o telefone em mãos e discou os números conhecidos agilmente, levanto-o ao ouvido em seguida.

A cada toque seu nervosismo aumentava. Por fim, uma voz masculina atendeu do outro lado, parecia confusa, mas Bill a conhecia muito bem.

- Tom?

- B-Bill? – gaguejou, seus olhos tornaram-se rapidamente mais abertos e a respiração, assim como seus batimentos cardíacos, mais acelerada.

- Feliz aniversário. – disse de uma vez, receoso pela reação do irmão.

- Obrigado. – sua voz tornou-se abafada, era claro que estava chorando – Feliz aniversário para você também, Bill.

Por segundos, apenas o som do choro dos gêmeos era ouvido dos dois lados da linha.

- Como você está? – o mais velho perguntou.

- Melhor aos poucos, e você?

- Psicologicamente acabado, fisicamente bem. – fez uma pausa para reorganizar os pensamentos – Me dói acordar todos os dias e não vê-lo aqui em casa. Sei que é tudo minha culpa, mas me arrependi tanto...

- Tom, não precisa continuar pedindo. Eu pensei sobre o assunto, foi difícil sim, eu ainda estou magoado com você, isso não vai passar tão cedo, mas eu te perdôo.

- Como?

- Eu te perdôo. Guardar rancor não vai adiantar nada.

- Obrigado, mesmo. – era tudo que podia dizer naquela situação, tudo que saía por sua garganta – Bill, quando você volta?

- Não me pergunte essas coisas, não tenho como responde-lo. Eu estou construindo uma vida aqui, Tom, não pretendo acabar com tudo e voltar para a Alemanha agora.

- Tudo bem. – assentiu com a tristeza clara em sua voz.

- Preciso desligar, amanhã tenho que trabalhar.

- Ok... Mas, Bill?

- Sim?

- Você ainda me considera como irmão?

A pergunta o pegou de surpresa, mas o fez sorrir.

- Sim, você sempre será meu irmão. – ouviu um leve arfar do outro lado da linha, Tom sorria – Agora preciso mesmo ir, tchau.

E desligou. Um aperto tinha lhe escapado do coração e um peso saído de seus ombros. Depois de tanto tempo, aquela ligação tinha reatado os laços, mesmo que em partes, entre os irmãos. Havia sido, depois do ocorrido, sua primeira conversa com o sentimento de irmãos novamente.

Notas finais
Agora sim tá ficando interessante... Os gêmeos tão começando a se entender, não é lindo? *u*
Deve demorar um pouco pra eles ficarem juntos de fato, mas esperem, prometo que não vao se arrepender de esperar. E garanto que eu tô tão ansiosa pra escrever quanto vocês pra ler.
E, pra não perder o hábito... Manda review aê meu povo, quero saber o que vocês acham do que tá rolando e principalmente desse lance entre o Bill e o Peter :3