Pain Of Love
25 Capítulo 25 - O susto necessário
Notas iniciais
Era pra eu ter atualizado semana passada, mas não tava muito inspirada pra escrever... Mas atualizei hoje, finalmente.
Tem mais blá blá blá nas notas finais kk
Boa leitura c:
Tom POV
A tela do computador escureceu à minha frente antes que eu pudesse terminar de dizer “eu te amo”. Foi um sentimento de tristeza repentino que senti em meu peito, aquela era minha chance de dizer o que me sufocava, mas eu não soube aproveitá-la. Talvez aquilo fosse um sinal, um sinal para que eu parasse, para não tentar mais uma vez, esperar o momento certo.
Desliguei o computador e sai do quarto em direção a cozinha, meu estômago protestava por algo. Preparei um sanduíche rapidamente e rumei à sala, sentando-me no sofá e ligando a televisão antes de comer. O resto da tarde foi basicamente assim, monótono e vazio. Gordon chegou do trabalho quase na hora do jantar, ajudamos minha mãe com a comida e a louça e depois cada um foi para seus aposentos.
Subi as escadas até meu quarto e fechei a porta atrás de mim. De banho tomado e roupas trocadas, me joguei de costas na cama e cobri minhas pernas com o fino lençol. A temperatura estava quente demais para eu me cobrir com algo mais pesado. Fitei o teto pensativo, na verdade parecia-se mais com ansiedade.
Minha felicidade era plena, eu tinha bons sentimentos de que um grande passo havia sido dado. Eu tinha finalmente visto o rosto de meu gêmeo depois de tanto tempo. Aqueles traços tão parecidos com os meus, mas ao mesmo tempo tão diferentes. Os dele pareciam mais delicados, esculpidos cuidadosamente na mais bela e delicada pedra, milimetricamente calculados, formando um rosto em equilíbrio e hipnotizante.
Sua voz melodiosa também me fazia falta. Claro que ouvi-lo por telefone ou computador não se comparava a ouvir o seu timbre natural, sem a interferência eletrônica, mas daquele jeito já era o suficiente para suprir parte de minha carência dele.
Aos poucos senti minhas pálpebras pesando levemente, gradativamente diminuindo o espaço pelo qual meus olhos captavam as imagens e, aos poucos, fecharam-se. Talvez em sonhos eu pudesse esquecê-lo. Talvez não.
**********
Acordei atrasado para a aula e por isso sequer tive tempo de tomar café da manhã. Apenas saí mordiscando uma maçã enquanto andava até a escola que ficava perto da minha casa, por sorte. Cheguei alguns poucos minutos antes do sinal bater e dar início às atividades naquele dia ensolarado, mas foi o suficiente para que eu falasse com Gustav e Georg antes que cada um pudesse se encaminhar à sua classe.
Passei a manhã tentando me manter atento ao que os professores diziam, mas não era a tarefa mais fácil do mundo. Várias vezes me peguei com os pensamentos longe. Bill não saía da minha cabeça, por mais que eu tentasse. Eu pensava em horas futuras, o que diria quando falasse com ele mais uma vez mais tarde, ainda no mesmo dia.
Minha saudade doía, o coração apertava toda vez que eu me lembrava de seu rosto. Era algo diferente também, não parecia fazer falta do mesmo jeito que antes, agora tudo parecia mais intenso. Eu precisava tocá-lo, senti-lo perto, não apenas vê-lo, para que tudo aquilo acabasse.
Só não queria admitir os sentimentos que há tanto tempo me mostravam o quão errado fui. Eu não podia amá-lo daquele jeito.
Corri para casa, não literalmente, mas assim que terminaram as aulas saí da escola rapidamente. Mal encontrei Gustav e Georg, só por alguns segundos, mas foi o suficiente para ouvi-los cochichando sobre eu parecer diferente.
Almocei sozinho, ninguém estava em casa, afinal. Encontrei um papel preso à geladeira com a letra de minha mãe e assinado pela mesma, avisando que iria ao mercado enquanto Gordon trabalhava e que meu almoço estava pronto para ser aquecido, guardado no microondas.
Terminei minha refeição e joguei-me sobre minha cama, isso tudo depois de já ter feito minha higiene pessoal. Encarei o relógio por alguns minutos e perdi a paciência, o silêncio era entediante. Sentei-me em frente ao computador e liguei-o, na esperança de conseguir falar com Bill.
POV Autora
A tela do notebook da ruiva mostrava um símbolo piscando no canto, o que logo atraiu a atenção da mesma. Quando clicou no link, o rosto de Tom apareceu e um sorriso gentil estampava o rosto do rapaz, mas não conseguia esconder a inquietação que ele sentia.
– Olá, Mia. – ele cumprimentou e foi prontamente respondido – Muito cedo pro Bill chegar em casa?
– Na verdade não, é à hora certa... Mas o dia errado.
– Como assim?
– É que hoje ele não vai dormir em casa. – respondeu distraída com o jogo que jogava arduamente em uma janela pequena ao lado – Ele foi jantar com o namorado e vai dormir por lá. – falou sem perceber nem sequer olhar para o rosto surpreso do alemão.
Assim que percebeu o que tinha dito, suas pupilas dilataram com a descarga de adrenalina em seu sangue. Tinha falado demais, sido descuidada com um assunto delicado que sequer a envolvia. Não tinha feito por mal, mas o sentimento de culpa já estava presente. Tapou a boca com as mãos e encarou o moreno do outro lado da tela, que a olhava incrédulo.
“Droga, falei demais! Claro, eu tinha que me distrair com esse maldito jogo!” repreendeu-se mentalmente.
– N-Namorado? Meu irmão tem um namorado? – jogou a pergunta no ar, mas no momento errado.
“Então ele já se esqueceu de mim assim tão rápido? Precisava ser justo agora?” ele repetia mentalmente.
Mas assim que resolveu falar, o barulho da porta do apartamento de Mia abrindo-se desviou a atenção da mesma, que virou a cabeça para observar melhor quem entraria por ali. Bill parecia cabisbaixo, pensativo, e isso não passou despercebido pelos olhos da garota, mas aquele não era o melhor momento para perguntar o que tinha acontecido.
– Oi, Bill. – ela disse em alto e bom som para que Tom ouvisse e permanecesse quieto.
– Oi. – respondeu baixo.
– Erm... – começou – Tom quer falar com você...
– Tommy? – seu rosto foi subitamente iluminado por um sorriso – Está falando com ele?
– Sim, venha. – virou o notebook em direção ao moreno que se aproximava e sentava-se ao seu lado no sofá. O aparelho logo tinha sido transferido para o seu colo.
– Olá, Tommy. – cumprimentou ainda sorrindo, porém, mais brandamente.
– Oi, Billy. – respondeu não tão animado – Mia deixou escapar algo que preciso confirmar... Quero ouvir da sua boca.
– Ouvir de mim? Mas você sabe que pode confiar nela, ela não mentiria...
– Eu sei que não, e confio. Mas não quero acreditar que seja verdade.
– Então diga logo. – pressionou curioso.
– Você está namorando, Bill? Arrumou alguém especial tão longe de casa?
– Sim, eu estou. Algum problema? – foi frio, queria ouvir que Tom se importava com ele.
– E você está feliz?
– Estou.
Essas respostas curtas eram como facadas no mais velho, que tentava não demonstrar tal coisa. Já que o irmão estava feliz naquela situação, não o atrapalharia com seus sentimentos confusos.
Confusos? Não mais. Ele já sabia muito bem o que era aquilo aprisionado em seu peito: amor.
– Desculpe, preciso ir, mamãe está me chamando. – mentiu, não aguentaria mais continuar uma conversa sem digerir aquelas informações primeiro – Nos falamos amanhã. Tchau Bill.
– Até amanhã então, Tom.
O mais velho saiu da frente do computador sem esperar que ele desligasse e jogou-se na cama, já não segurava mais as lágrimas que ardiam ao escapar de seus olhos. Porque tinha que acontecer justo agora?
Tudo estava caminhando bem antes disso. Tinha conseguido voltar a falar com seu irmão mais novo, tinha repensado sobre seus próprios conceitos e pensamentos, e estava disposto a mudar. Recentemente tinha descoberto sentimentos em si que sequer sabia serem capazes de existir. Tudo estava perfeito demais, por tempo demais, parecia um sonho. Já era a hora de algo estragar sua felicidade, como sempre acontecia.
Pegou o celular e procurou o número de Andreas dentre os contatos e, assim que o achou, iniciou a chamada. Foram poucos toques até que o alemão atendesse o telefonema, surpreso até por ser Tom. Não era surpresa para nenhum dos dois a implicância sem motivos que Tom tinha com o melhor amigo de seu irmão.
– Andreas?
– Eu mesmo, diga Tom.
– Eu preciso falar com você... – disse com a voz abafada.
– Tom, você está chorando? Está tudo bem? – seu tom de voz tornou-se repentinamente preocupado.
– Não, eu não estou bem. Pode vir aqui?
– Claro, em alguns minutos estou aí.
Andreas POV
Toquei a campainha e esperei poucos minutos até que um Tom abatido e com olhos inchados abriu a porta. Entrei e fomos até o quarto dele, que fechou a porta de madeira assim que entrei e sinalizou para que eu me sentasse sobre a cama.
Nenhuma palavra foi dita por ambas as partes desde que pisei naquela casa, ele permanecia com o olhar baixo e, sem dúvida, algo grave tinha acontecido. Primeiro por sua aparência, eu nunca havia visto Tom daquele jeito mesmo depois de tantos anos de amizade com seu irmão. E segundo por ele ter me chamado ali. Não era novidade para ninguém sua implicância comigo, aquilo nasceu sem motivo há anos atrás e continuava ali mesmo depois de tanto tempo. Mas para ele ter chegado ao ponto de me chamar para conversar, algo tinha acontecido.
– Andreas, desculpa te chamar aqui do nada, mas é que eu não tenho com quem falar... – ele quebrou o silêncio e meu raciocínio.
– Tudo bem, Tom. Eu só achei estranho por você ter me chamado, achei que não gostasse de mim.
– Na verdade não é que eu não goste, é só uma implicância boba, eu não gostava de te ver to próximo do Bill...
– Então você tinha ciúmes dele? – sorri divertido por ter sido algo tão simples.
– Eu acho que sim... – ele sentou-se na outra extremidade da cama e me encarou pela primeira vez naqueles minutos – Mas não foi pra isso que te chamei aqui.
– Então diga o que está te incomodando.
– É o Bill, ele arrumou um namorado lá onde está morado. – foi direto.
– Mas ele também merece ser feliz, não?
– Claro que merece, é o que eu mais quero, mas isso machuca. – fez uma pausa – Dói saber que ele se esqueceu de mim justo agora que a coisa na qual eu mais penso é ele.
– Espera, me deixe ver se entendi. A situação agora é inversa? É você quem está sofrendo por amor por seu próprio irmão?
– E-Eu não sei. – as lágrimas voltaram a molhar seu rosto – Eu acho que sim.
– Tom, não fique assim. – abracei-o e seu choro se intensificou – Eu estou aqui agora, para o que você precisar, ok? Não se preocupe.
– Obrigado, Andreas.
POV Autora
– Os chocolates estão prontos, alguém pode vir me ajudar? Não sou um polvo! – Mia reclamou da cozinha enquanto tentava equilibrar as três canecas sem sucesso.
Peter correu para ajudá-la antes que um acidente pudesse acontecer e voltaram para a sala, acomodando-se enquanto o americano entregava a bebida de Bill. Deram continuidade ao assunto aleatório de antes.
As coisas pareciam às mesmas desde sempre, mas não era bem assim. Já havia se passado 1 ano desde que Tom e Bill reataram contato pelo computador, tempo esse que tinha passado rápido demais para que percebessem. O namoro de Bill com Peter permanecia firme, tinha tornado-se mais sério do que ambos esperavam, mas estavam felizes com aquela situação.
Era o que precisavam, conseguiram o que buscavam, e agora tinham um no outro não só um companheiro amoroso, mas um real amigo. O amor era a única coisa que faltava no casal, de ambas as partes. Nunca foram apaixonados, nunca conseguiram por mais que tentassem, mas com o tempo a presença do outro se via necessária, tinham em quem se apoiar e confiar. E sabiam que, mesmo depois do término do relacionamento, o dia que isso acontecesse não acabaria com o contato dos dois, não destruiria a amizade que havia sido criada.
Na Alemanha, as coisas aos poucos foram se transformando para Tom. O destino tinha lhe guardado uma surpresa agradável e uma o oposto. A ruim fora que agora os papéis eram invertidos, era ele quem estava apaixonado pelo irmão. Do mesmo jeito que Bill o amava, agora ele amava Bill, um amor mais que fraternal. Tinha se conformado aos poucos, aprendido a conviver com aquele sentimento e também com a dúvida de não saber se os sentimentos do irmão continuavam os mesmos.
Mas isso só aconteceu com a ajuda da outra surpresa que para ele fora guardada, a surpresa boa, cujo nome era Andreas. Um amigo fiel, um ombro no qual poderia contar seus segredos e chorar tendo plena certeza de que teria suas palavras cuidadosamente guardadas. Era o que Andreas fazia com Bill e agora com Tom.
Algumas coisas pouco mudaram em 1 ano, outras se transformaram completamente. O que Tom sentia sofreu uma reviravolta completa, já os sentimentos de Bill estavam quase intactos, com exceção de sua raiva pelo irmão que fora dissipada.
Na sala do mesmo apartamento onde Bill e Mia moravam, a conversa foi cessada pelo alemão, que pediu silêncio dos dois demais presentes ali para poder falar o que já havia passado por sua cabeça tantas vezes.
– Eu tenho algo para propor a vocês dois. – começou.
– Então diga logo. – a ruiva o apressou.
– Não sei se vocês lembram, mas um tempo atrás eu disse que gostaria de fazer algo especial no aniversário da minha mãe esse ano. – respirou fundo e analisou as expressões de Peter e Mia antes de continuar – E, bom, eu pensei em algo e sei que ela vai gostar, me parece uma boa alternativa para compensar o aniversário dela no ano passado, no qual eu não pude fazer o que queria...
– Bill, pare de mistério, você sabe que eu não consigo conter minha curiosidade quando você faz isso. – Peter expressou-se – Porque precisa disso tudo?
– Por que eu vou precisar da ajuda de vocês.
Notas finais
Obviamente eu não vou contar, mas posso confirmar ou não os palpites de vocês... Sintam-se livres pra ideias e críticas, ok?
Façam suas apostas, é o bolão de aniversário da titia Simone! -qn
Chega de falatório pq a cada palavra o que eu digo faz menos sentido KKKK LOL
Reviews, meu povo? ç-ç
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