Pain Of Love
26 Capítulo 26 - If today was your last day
Notas iniciais
Ok, talvez tenha, nem eu sei direito, só que me bateu na mente e eu gostei, afinal, tem um significadozinho ai mas como eu viajo muito, provavelmente vcs nao percebam kk
Demorei, mas aqui está.
Boa leitura ^-^
- Nossa ajuda? Para…? – Mia o incentivou a continuar.
- Eu planejei isso há um tempo, mas não me levem a mal por não ter falado nada. É que eu só queria deixar tudo pensado antes. – respirou fundo – Eu vou voltar pra Alemanha.
- Oi? Voltar pra Alemanha? Eu ouvi bem? – a garota repousou a caneca com o líquido quente sobre a mesa de centro antes que algum acidente acontecesse.
- Bill, tem certeza? – Peter questionou-o um pouco receoso.
- Sim, tenho certeza. Vocês sabem que faz um bom tempo que eu e Tom voltamos a nos falar depois de... – fez uma pausa procurando as palavras certas, não queria ser tão direto ao tocar naquele assunto – depois do que aconteceu. Foi meio estranho no começo, confesso, mas com o tempo e conforme nos falamos mais, não foi difícil perceber o quão diferente ele ficou depois que eu vim para a Califórnia.
O alemão fez uma pequena pausa apenas para bebericar sua bebida que esfriava aos poucos, esquecida na caneca que repousava sobre suas mãos trêmulas. Os outros dois ali presentes observavam seus mínimos movimentos.
- Eu também falei com Andy algumas vezes, ele me disse o quanto Tom ficou mal durante esse tempo sozinho... As coisas parecem ter mudado, ele não parece ser uma preocupação. Não mais.
- Mas porque voltar agora? Quer dizer, tudo bem que você queira fazer uma surpresa para sua mãe, mas será que voltar é mesmo uma opção? – a voz de Mia esbanjava insegurança.
- Eu tenho saudades da minha família, Mia. Você deveria entender, afinal, sua história de vida lhe ensinou várias coisas, e tenho certeza de que isso foi uma delas. Eu não vou voltar a morar lá, só vou passar alguns dias...
- Só? Tem certeza?
- Sim, eu volto. – engoliu em seco, algo dentro de si não lhe parecia certo – Mas ainda tem mais uma coisa. – encarou ambos nos olhos, mas por poucos segundos apenas – Eu queria que fosse comigo, Peter.
- Você endoidou de vez? Seu irmão deve me odiar, se eu for algo pode dar errado e...
- Não seja pessimista. – o alemão se impôs – Se enxergar só os pontos ruins das coisas, você vai viver embalado a vácuo em plástico bolha. – sua expressão se fechou enquanto brincava com os próprios dedos – Peter, por favor, vá comigo. Eu queria lhe apresentar à minha família, minha mãe especialmente, vocês mal se falaram e já temos tanto tempo juntos...
- Droga. – Peter bufou enquanto encarava o teto, desviando o olhar de um Bill tristonho ao seu lado – Tudo bem, você venceu, eu vou. – E beijou carinhosamente o topo da cabeça de seu namorado – Sabe que odeio te ver triste, não é? Eu vou por você, para te fazer feliz.
- Ótimo, então venha, vamos ajeitar os detalhes da viagem, quero ir amanhã. – levantou-se e começou a puxar o mais velho pela mão, mas foi parado pela surpresa do mesmo.
- Amanhã? Por que tão rápido? E o vôo? Nós já deveríamos ter comprado nossas passagens e...
- Calma. – riu de leve – Vamos fazer isso agora, já ouviu falar em internet? Ela ajuda em muitas coisas, sabia? Comprar as passagens é uma delas.
Peter limitou-se a sorrir sem graça. De onde vinha aquela agitação? Nunca fora assim...
Talvez Bill o tivesse mudado. Sim, e muito.
O casal sorria e trocava selares carinhosos entre si, abraçados em meio a sala um pouco bagunçada do apartamento onde, agora, Mia morava sozinha. Desde que se mudara para o novo país, a vida de Bill sofreu mudanças radicais. Algumas ruins, mas em sua grande maioria, boas.
O garoto alemão com personalidade forte e visual diferenciado, nunca esperaria que, apesar da pouca idade, teria experiências vividas tão boas. As ruins também faziam parte do pacote, mas era um pedaço adormecido de seu cérebro, ele não queria lembrar-se delas mais do que o necessário.
- Candelabro Mia, a venda nas melhores lojas perto de você! – a americana exclamou enquanto levantava-se e ia em direção à cozinha de volta com as canecas em mãos, dessa vez, vazias.
**********
- Bom dia, flor do dia. – Peter o acordou com um sussurrar rouco ao pé de seu ouvido, a voz ainda mareada pelo sono.
- Bom dia, amor.
Amor.
Uma forma tão doce de se referir a alguém mas, nesse caso, tão vazia. Não eram sílabas preenchidas por sentimentos puros e ternos, mas sim sílabas soltas, letras sem um real significado. Independente do tempo que passavam juntos e de todo o clima romântico de qualquer ocasião, o sentimento continuava o mesmo: carinho.
Era tudo o que sentiam um pelo outro, nada mais. O amor não brotou, sequer quis existir. Era quase um namoro vazio, o que impedia de ser chamado assim era a compaixão, a proteção que tinham um com o outro. Apoiavam-se um no outro, sorriam e choravam juntos, quase como amigos.
Mas seus corações não poderiam ser enganados, sabiam muito bem a quem cada um pertencia. Aquilo jamais mudaria. O sentimento ali escondido era o verdadeiro amor. O sentimento certo, por pessoas erradas.
Já era consideravelmente tarde quando o casal acordou. A cama com lugar suficiente para duas pessoas lhes parecia aconchegante e quente demais para despertar-lhes alguma vontade de se levantar. O apartamento de Peter estava mergulhado no profundo silêncio naquele final de manhã.
- Estou com fome, por que não faz algo pro café da manhã? – Bill pediu virando-se de frente para o outro.
- Mas aqui está tão confortável...
- Peter, nós vamos viajar hoje a noite, sequer arrumamos as malas ou levantamos da cama e já é hora do almoço. Não seja preguiçoso, vá fazer algo para comermos enquanto eu tomo um banho. – praticamente ordenou enquanto levantava-se enrolado no lençol que antes o cobria, não precisava expor seu corpo desnudo mais uma vez.
O barulho alto da porta do banheiro sendo desleixadamente fechada foi o basta para que o americano levantasse. Relutante e a passos lentos, rumou à cozinha enquanto pensava em sua próxima refeição.
Debaixo do chuveiro, sentindo a água morna lhe percorrer o corpo, Bill tinha os pensamentos confusos em relação à viagem. Seu coração palpitava a cada vez que o rosto de Tom lhe vinha a mente, mas seu lado racional o fazia repensar sobre aquela atitude. Seria mesmo certo voltar à Alemanha e correr o risco de mais um desentendimento com seu irmão?
Mas a vontade de ver o sorriso alegre e contagiante de sua mãe lhe parecia mais tentadora. Além disso, Tom havia mudado, certo?
Talvez. Não tinha como ter certeza plena, a falta de convívio diário o impedia. Mas ainda lhe restava uma dúvida: Ao ver Peter, o que Tom faria?
Fechou a torneira assim que terminou o banho e pegou a toalha pendurada ali perto, afundando o rosto na mesma. Junto com a água que lhe escorria dos cabelos, o pedaço de pano lhe enxugava as lágrimas apreensivas que de seus olhos brotavam.
**********
- E pronto, as malas estão, oficialmente, prontas. – Bill sorriu entusiasmado.
- Amém. – Peter murmurou do outro lado do quarto.
- Não reclame, ele até foi rápido. – Mia defendeu o melhor amigo enquanto o ajudava a levar as malas de ambos até a sala.
- Então, tudo pronto? Podemos ir? – o americano questionou seu par enquanto o encarava.
- Sim, podemos.
- Bill, tem certeza de que tudo vai dar certo? – Mia parecia apreensiva.
- Na verdade, não. Mas eu quero correr o risco. Não se preocupe, eu volto, ok? – e a abraçou firme, os olhos fechados.
Mal sabia ele que tipo de despedida era aquela.
- Vamos, eu te levo em casa e de lá nós vamos para o aeroporto. – Peter posicionou uma das mãos sobre o ombro de Mia, guiando-a até a sala. A outra permanecia firme, os dedos enrolados aos de Bill.
Entraram no carro em silêncio e assim permaneceram durante o curto trajeto. O assunto não fluía, talvez pelo nervosismo, talvez por um pressentimento da parte de Bill.
Após uma despedida com poucas, mas sinceras lágrimas, o casal agora ia em direção ao aeroporto. Quando chegaram, cumpriram todas as formalidades necessárias e logo já se encontravam dentro do avião em seus devidos assentos, apenas esperando a decolagem.
O alemão tinha os fones no ouvido, uma melodia qualquer tocava, ele sequer prestava atenção, apenas se concentrou em fazer com que suas mãos parassem de tremer. Era um nervosismo normal, afinal, tinha planejado uma surpresa para o aniversário de sua mãe e tinha a intenção de torná-la realidade.
Logo, já estavam em pleno vôo e rapidamente Peter adormeceu ao seu lado, o rosto apoiado sobre o ombro do outro. Podia sentir a respiração tranqüila e quente em seu pescoço, o que lhe proporcionava uma sensação de conforto. Fechou os olhos e respirou fundo. Agora só lhe restava aguardar.
Bill POV
A madrugada avançava enquanto eu me perdia na insônia e nos pensamentos mistos. A ansiedade não me deixava dormir, por mais que eu tentasse. Apenas ficava encarando o escuro infinito pela janela, sem saber ao certo onde estava ou para onde iria. A melodia suave de uma música qualquer acalmava meu espírito enquanto eu sequer me esforçava em ouvi-la.
Seria amanhã o dia que, finalmente, eu iria reencontrar minha família? Sim, esse dia, depois de muita espera, chegou. Meu único medo era que nada desse certo, que não fosse uma surpresa boa ou que algum imprevisto acontecesse. Tal imprevisto tinha nome e sobrenome: Tom Kaulitz.
Eu temia que ele fosse inconseqüente mais uma vez, que não pensasse antes de agir. Seria mais racional se ele colocasse o bem estar de nossa mãe em primeiro lugar, e era nisso que eu me forçava para acreditar.
Tirando-me de meus devaneios, uma melodia conhecida entrou por meus ouvidos, despertando-me algo que eu havia esquecido. Era a música que, a um bom tempo atrás, eu havia escrito. Era a música para Tom, Attention.
A letra imediatamente me voltou à mente, assim como um princípio de lágrimas em conseqüência das lembranças. Não havia batidas na música, apenas a letra repleta de sentimentos e recheada de verdades, onde minha voz se propagava em meio ao profundo silêncio. Foi automático quando as palavras escaparam por meus lábios, tão baixas que apenas Peter poderia ouvir, mas o mesmo permanecia dormindo ao meu lado.
Os acontecimentos voltavam como flashes, suas palavras rudes e meus sentimentos, naquela época, não correspondidos. Parecia uma brincadeira do destino, usando-nos como fantoches para sua própria diversão. Eu continuava amando Tom, nada mudara, mas agora eu tinha uma resposta da parte dele. Ele havia melhorado por mim, seu ódio já não era presente e ele parecia me ver como um irmão de verdade. Era um alívio e tanto.
E eu continuava cantando, solitário e encarando a escuridão do lado de fora do avião. Estava completamente disperso quando uma brisa quente bateu em meu pescoço. Virei-me para o lado e encontrei Peter me encarando, parecia atento ao que saía de minha boca, a letra da música.
Parei de cantar instantaneamente e o encarei, esperando que dissesse algo. Ele me observou por mais alguns poucos segundos antes de se expressar.
- Que música bonita, de quem é? – ele perguntou com um sorriso gentil.
- Acho que de alguma banda nova. – engoli em seco – Não sei ao certo.
- Hm. – murmurou e beijou minha bochecha com ternura – Tente dormir um pouco, só vamos chegar ao hotel pela manhã, é bom que esteja descansado.
Acenei positivamente com a cabeça e ele virou-se para o lado, voltando a dormir como antes. Peter tinha escutado uma parte da letra, sem dúvida, e também sabia muito bem que eu estava mentindo sobre não saber quem escrevera a musica. Pude ver em seus olhos que ele tinha certeza do que se tratava, e estava certo quanto a isso.
**********
Poucas horas se passaram e estávamos no hotel, fazendo check-in. Já era de manhã, por volta das 10 horas, e logo eu estaria em frente à porta de minha antiga casa. Um almoço em família era o que estava em meus planos.
Subimos até o quarto com as malas, não foi necessária a ajuda de um funcionário para isso. Foi Peter quem abriu a porta, era o número 483, não poderia me esquecer desse detalhe, não seria conveniente se eu entrasse no quarto errado. Após simplesmente jogarmos as malas pelo caminho, fomos tomar um longo e relaxante banho. Eu fui primeiro, enquanto que Peter permanecia jogado sobre a cama, em seguida foi sua vez.
Em suma, algum tempo depois já estávamos limpos e de roupas trocadas, já saindo do quarto novamente. A hora havia chegado, eu iria reencontrar todos aqueles que eu amava em poucos minutos e meu estômago sabia bem disso, tanto que borboletas pareciam perambular por ele, causando-me uma sensação desconfortável.
Palavras tranqüilas e de incentivo foram cuidadosamente ditas por Peter, tentando me acalmar, mas sem surtir efeito algum. Após uma rápida passagem em uma doceria para que eu pudesse comprar a torta preferida de minha mãe, finalmente estávamos a caminho da minha antiga casa.
Ele selou meus lábios docemente e me desejou boa sorte com um sorriso no rosto. Chegamos ao consenso de que seria melhor que eu fosse sozinho, conversasse com todos e matasse as saudades, para só então apresentar Peter à família.
Respirei fundo e fechei os olhos, enquanto tentava equilibrar a tortas nos braços e relaxar meus músculos. Toquei a campainha e esperei, as pernas bambas e com as mãos suando frio.
Era agora.
A maçaneta virou-se lentamente, só aumentando meu nervosismo. Aos poucos, a porta se abriu e revelou um corpo a minha frente, físico esse que eu conhecia tão bem. Nossos olhares se cruzaram e, imediatamente, lágrimas brotavam em ambos pares de olhos, assim como o sorriso de felicidade.
- BILL!
Notas finais
Não é dificil adivinhar quem é ne, convenhamos kk mas tem mais de uma opção, claro...
e, finalmente, Bill está de volta em solo alemão! LOL
Ta, chega de falar, quero saber de vocês agora. O que vocês acham que vai rolar hein? Porrada, amor, todo mundo feliz, alguns felizes e outros nao, gritaria... ?
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