Pain Of Love
2 Capítulo 2 - Sentimento proibido
A cada segundo o barulho da sirene ficava mais alto e nenhum lugar parecia bom o bastante para me esconder. Eu só tinha uma opção: entrar no quintal de alguma casa daquela rua. E foi o que fiz. Ao meu lado havia uma casa amarela, de muros baixos e um quintal com pequenas árvores, era perfeita e minha única chance.
Sem pensar duas vezes, pulei o muro e me abaixei atrás da primeira árvore que vi, torcendo para ninguém me ver. A sirene do carro da polícia estava bastante alta, com certeza já estava na mesma rua que eu. Observei com cuidado e vi a viatura passando em frente à casa onde eu me escondia. Respirei aliviado. Não sabia se era eu quem estava sendo procurado, mas já era um peso a menos na minha consciência.
Retornei à rua e andei de volta para casa, já que Melanie me deu um fora, essa era minha melhor opção. Tudo estava quieto demais, calmo demais, quando cheguei em casa. A cozinha vazia, a sala em completo silêncio. Deduzi que, mais uma vez, estavam todos em seus devidos quartos, isolados. Subi as escadas, dessa vez não em direção ao meu quarto, mas sim ao de Bill. Eu precisava falar sobre o que houve e ele era a única pessoa que me ajudaria.
- Bill? – bati na porta e chamei.
Ele abriu a porta e me deixou entrar. Estava distraído com os fones no ouvido, provavelmente passara o tempo livre compondo. Sentei-me em sua cama.
- Melanie terminou comigo. – eu estava triste, mas não o suficiente para chorar.
- O quê? Por que ela fez isso? – ele parecia interessado no assunto.
- Nós brigamos, ela é uma idiota!
- Mas por que vocês brigaram? Tem que ter um motivo. Tom, o que você fez?
- Não foi nada demais. Eu apenas discuti com um cara na rua. Mas esquece, não quero mais falar sobre isso ou pensar nela. Eu nunca pensei que fosse levar um pé na bunda, é sempre ao contrário!
- Não acredito que é isso que mais te incomoda, Tom! As vezes me surpreende como você pode ser tão estúpido!
- Muito obrigado, também te amo. – dei um sorriso sínico.
Bill ainda estava de pé apoiado na porta, prestando atenção no que eu dizia. Olhei em cima de sua cama e pude notar vários papéis escritos, deviam ser mais músicas compostas por ele em tempo vago. Ao pegar uma delas, meu irmão correu em minha direção e puxou o papel das minhas mãos com rapidez.
- Não, Tom! Você sabe muito bem que eu odeio que leiam minhas músicas. – ele dizia enquanto recolhia os papéis de perto de mim.
- Me desculpe, minha curiosidade falou mais alto. Valeu por me ouvir maninho. – sorri e sai do quarto dele.
Fui para o meu quarto, precisava de um tempo sozinho. Por mais que eu não me preocupasse com o que aconteceu entre mim e Melanie, o susto de poder ter sido preso foi grande.
Bill POV
Tom saiu do meu quarto e pude voltar a me concentrar em minhas composições. Isso é relaxante, libertador. É minha melhor maneira de esquecer o mundo e tudo ao meu redor e desabafar tudo que eu sinto e tanto me aflige. Mas algo não sai da minha cabeça, mais precisamente alguém. O que eu sinto é um amor platônico, estúpido e sem sentido, que só serve pra me atrapalhar e me machucar. Eu amo uma pessoa, realmente amo muito, mas é a pessoa errada.
Incesto é crime, mas sei que se o meu amor fosse correspondido isso não seria problema, pois o amor ultrapassa todas as barreiras e empecilhos. Mas eu não tenho esperanças de ser feliz ao lado do meu irmão de modo que não seja familiar. Tom é o típico galinha, tem coração mas não ama ou se apaixona, simplesmente curte a vida do seu próprio jeito. Infelizmente não se pode controlar os sentimentos.
Tudo isso já dura cerca de 2 anos; a partir daí esse sentimento proibido vem aumentando e me machucando. Eu sempre quis contar a Tom, mas a grande possibilidade de ser rejeitado vem me detendo. Perder meu irmão, meu gêmeo, seria incrivelmente doloroso, então prefiro esconder o que sinto e apenas ser o “Bill irmão e conselheiro”. Ele nunca teve problemas com gays, mas minha preocupação é que ele construa um ódio em relação a mim por causa do que sinto por ele, não devido a minha sexualidade.
Cada detalhe em Tom me atrai. Seu rosto delicado e belo, seu jeito de se vestir, sua personalidade... É como um vício, quanto mais tempo passo com ele, mais tempo quero continuar ao seu lado. É algo perigoso, e é esse perigo que me fascina.
Nessas últimas semanas venho me controlando. A tentação de contar tudo a Tom tem despertado minha curiosidade sobre sua reação. Eu quero contar, mas sei que não estou preparado.
Tudo aquilo já estava me matando, então resolvi deixar as músicas de lado e apenas fazer algo não produtivo. Dedilhei as diversas capas de DVD no meu armário, peguei o primeiro filme da série Piratas do Caribe e o pus no aparelho. Ficar sem pensar, sem lembrar dos problemas é tudo que eu preciso hoje; e foi o que fiz. Passei o resto do dia fazendo absolutamente nada, até a noite chegar e eu adormecer.
E sexta-feira amanheceu.
A claridade que vinha da janela batia em meus olhos e quase me cegava. Senti o cheiro do café da manhã e meu estômago vazio deu sinal de vida. Levantei-me da cama e fui ao banheiro jogar uma água no rosto escovar os dentes. Quando me olhei no espelho pude perceber que meu rosto estava horrível e inchado. O sono ainda prevalece em mim, então não liguei para a minha aparência desleixada. Desci as escadas ruma a cozinha e, como quase não acontecia, todos estavam sentados à mesa. Tomando café em um ambiente agradável, antes que eu pudesse perguntar, me dei conta que tal coisa só estava acontecendo porque hoje é o aniversário da minha mãe.
- Bom dia! – aquela cena rara me alegrou e mudou meu humor. – Parabéns mãe!
Enquanto Tom e Gordon responderam sem tirar os olhos da comida, minha mãe fez questão de se levantar e me abraçar forte. Puxei uma cadeira e sentei-me para saciar a fome e usufruir daquele agradável momento familiar.
Terminada a refeição, Gordon permaneceu na cozinha ajudando minha mãe enquanto eu e Tom fomos para nossos respectivos quartos. O meu é uma verdadeira bagunça, e hoje não estava diferente. Pulei todos os obstáculos que estavam em meu caminho e me joguei na cama com uma idéia fixa na mente.
Eu quero contar a Tom sobre tudo que sinto, e essa vontade tem se tornado cada vez mais difícil de ignorar. Eu inegavelmente amo Tom, de forma proibida, mas não posso evitar, e esse sentimento vem acompanhado da angústia. Angústia de querer se expressar, mas de ter receio das conseqüências. Mas eu não vou mais evitar, vou parar de ser tão racional e deixar os meus sentimentos falarem pelo menos uma vez.
Levantei-me da cama e saí pela porta do meu quarto decidido a por fim em tudo aquilo, acabar com a agonia que tanto me persegue. Bati à porta do quarto de Tom e ele logo abriu. Entrei sem pedir permissão e sentei-me em sua cama.
- Bill, o que houve? Você parece nervoso... – ele me olhava confuso.
- Precisamos conversar.
Ele se aproximou e parou de pé em minha frente.
- Fale, Bill. Eu estou aqui, pode confiar em mim.
Eu respirei fundo, aquela era a hora. É a hora de por o que sinto pra fora, me expressar e tirar esse enorme peso da consciência.
- Tom, já faz alguns anos que isso começou. No início não era tão intenso mas agora eu não consigo mais esconder. É errado, proibido, mas não agüento mais camuflar. – fechei os olhos, tomei coragem e prossegui. – Tom, eu te amo.
Fale com o autor