#Paily: One More Chance

4 More lies and some restrictions


Na manhã seguinte Emily acordou com o telefone de sua casa tocando. Ela pulou da cama e correu pelo curto corredor e desceu a escada na mesma pressa. Quando chegou na sala de estar sua mãe já havia atendido. Pam fez uma careta quase que impossível de notar e estendeu o aparelho para Emily que pegou ofegante e trêmula por causa do susto. Num tom alegre imaginando ser Paige ela disse “Oi”, mas no fundo sofreu uma decepção ou ouvir a voz de Alison.

– Tentei te ligar no celular! – comentou Alison.

– Deve ter descarregado. – Emily havia passado boa parte da noite em claro olhando a tela de seu celular na esperança de receber uma ligação de Paige ou até mesmo de Caleb dando alguma notícia como ele havia prometido. – Precisa de alguma coisa, Ali?

Alison suspirou. – Eu preciso, Emily. Preciso que você e as meninas me encontrem aqui em casa. O detetive Hoolbroke vai nos interrogar e precisamos ter a mesma versão do que houve ontem.

– A verdade sempre tem a mesma versão, Alison... – Emily disse num tom mal humorado.

– Só apareça aqui a tarde, ok?

– Ok! – sem mais Emily desligou o telefone e encarou sua mãe que ficou ali vigiando a conversa como se a morena tivesse falando com algum bandido ou algo do tipo. – O detetive quer interrogar todas nós. Alison ligou avisando para que fiquemos prevenidas quando ligarem... – falou Emily.

– Já me ligaram... – falou a senhora Fields. – Seu pai esta em um avião voltando para casa.

– Não devia ter incomodado ele. – Emily bufou mal humorada. – Ele já tem coisas demais na cabeça.

– E você arrumou mais uma. – Pam rebateu. – O que estavam fazendo naquele telhado?

A morena encarou a mãe e suspirou. Seu humor havia mudado completamente pela falta de notícias e pela noite mal dormida. – Não quero falar disso.

– Mas vai ter que falar com a polícia. — Pam encarou a filha querendo respostas, mas seu olhar não surtiu nenhum efeito. Emily lhe deu as costas e subiu a escada rumando em seguida para seu quarto. Naquele momento Pam não reconheceu a própria filha. Seria a volta de Alison ou a preocupação com Paige?

Mais tarde naquele mesmo dia as cinco liars estavam reunidas no quarto de Alison. O clima entre elas não era dos melhores. Hanna contou a todas as notícias que Caleb havia lhe dado naquela manhã sobre o estado de saúde de Paige. Emily nervosa começou a chorar e foi amparada por Spencer. Aria sem saber o que fazer respondeu algumas mensagens de Ezra que se sentia culpado por não ter estado lá para ajuda-las. Alison era a única pessoa daquele quarto que se mostrava indiferente. Em seu rosto nem um pingo de culpa ou preocupação com a situação. A única coisa que as cinco compartilhavam era o medo de –A. Na noite passada quando informados que o suposto sequestrador, inventado por Alison, havia caído do telhado, os policiais logo foram verificar, mas nada foi encontrado.

– O que vamos fazer? – perguntou Aria.

– Falar a verdade pelo menos uma vez na vida. – respondeu Spencer.

– Estou com a Spencer. – falou Hanna depois de colocar meio cupcake de morango na boca.

– Não podemos falar a verdade. –A esta viva e vocês sabem que depois de ontem ela não esta mais de brincadeira. – falou Alison num tom autoritário.

– Você acabou de voltar e já quer mandar na gente? – perguntou Hanna. – Me poupe, Alison. Estou cansada da sua rede de mentiras. – inquieta ela se colocou de pé. – Olha só o que aconteceu ontem... Caleb teve o nariz quebrado e a Paige esta morrendo no hospital. – Hanna olhou para Emily como se pedisse desculpa por suas palavras. – Não quero mais mentir.

– Hanna tem toda razão.Talvez seja a hora de contar toda a verdade. – concordou Aria.

– Tem muita coisa em jogo, mas se querem perder... – Alison se colocou de pé assim como Hanna. – Vamos... Vamos até a delegacia e contar tudo.

– Quero contar a verdade tanto quanto vocês, mas enquanto a Paige estiver no hospital não podemos fazer isso. – sussurrou Emily com uma voz de choro. A morena secou as lágrimas e assim como as demais se colocou de pé. — Sabemos que –A tem olhos e ouvidos em cada canto dessa cidade e fora também. Paige se tornaria um alvo fácil demais enquanto esta no hospital. – apesar de quererem contar a verdade a todo custo, Aria, Hanna e Spencer apoiaram Emily e prometeram a ela que seguiriam os planos de Alison sobre mentir sobre o que realmente havia acontecido com ela na noite de seu desaparecimento, como elas haviam ido parar naquele telhado e quem havia atirado em Paige. Elas ficaram o resto da tarde planejando e inventando as mentiras que iriam contar. Tudo havia sido escrito em folhas de papel oficio como se fosse um script para uma peça de teatro da brodoaway

– Agora só precisamos falar com a Paige e o Caleb. Eles precisam contar uma versão que se encaixa na que vamos contar. – falou a dona das mentiras. Ela focou Emily e depois Hanna. – Vocês duas precisam falar com eles.

– Ah sim... – Hanna riu. – Vai ser super fácil. Você não ouviu o que falei? McCullers esta no hospital, na UTI... Nem deixaram a senhora McCullers entrar. – completou Hanna. – E os pais dela devem estar odiando a Emily agora. – as amigas olharam para Hanna com desaprovação. – Eu falo com o Caleb, mas não prometo nada. – assim a loira se colocou de pé e se despediu das amigas. Ela tinha uma missão nada fácil de ser cumprida já que o rapaz detestava Alison só pelas coisas que Hanna contava da amiga.

No dia seguinte Caleb ligou para Emily bem cedo contando que Paige havia saído da UTI e estava em um quarto podendo receber visitas. Depois desligar o telefone rapidamente a morena se arrumou e foi para Filadélfia arrastando Spencer com ela. Ansiosa para ver Paige e saber como ela realmente estava, Emily dirigia o carro acima da velocidade e várias vezes foi advertida pela amiga para diminuir. Sem resultados Spencer mandou a morena parar o carro em um posto na beira da estrada e tomou a direção do carro. Ao chegar no hospital a decepção foi inevitável.

– Como assim não posso entrar? – falou Emily.

– Os pais da paciente foram extremamente específicos ao pedir para não deixar ninguém além deles e dos médicos entrarem no quarto. – a mulher virou a tela computador para que “Spemily” pudessem ver as exigências do casal. – Você e sua amiga estão na lista de nunca e jamais deixar entrar. – Também era possível ver os nomes de Hanna, Alison, Aria, Toby e Shana entre outros. – Não posso fazer nada por você.

– Isso é injusto. – Emily protestou e recebeu um olhar negativo da recepcionista.

– A senhorita pode se retirar ou vou ter que chamar a segurança?

– Vamos sair... – Spencer segurou a amiga pelo braço e a puxou para longe da vista da recepcionista que logo se ocupou em atender outra pessoa. – Não é sendo expulsa ou causando confusão na recepção que vai conseguir vê-la. – a liar mais velha olhou a recepcionista e em seguida olhou para a porta onde havia uma placa de aviso “Somente funcionário.” – Tenho uma ideia. – Spencer puxou a amiga para além da porta e para sua sorte não havia nenhum funcionário ali. Havia um corredor longo e pouco iluminado que lembrava muito os corredores vistos em filmes de terror em hospitais. Determinadas as duas seguiram pelo corredor. – Aqui... – sussurrou Spencer novamente puxando Emily. A liar mais velha havia encontrado a sala onde era guardado alguns uniformes e outros suprimentos médicos para aquele andar.

Vestidas com um uniforme azul claro e jaleco pra lá de branco, as duas adentraram mais e mais no hospital. Cansadas de procurar quarto por quarto, Spencer parou na recepção do quinto andar e torceu para não serem descobertas. – Oi... Com licença... – a garota leu o nome do rapaz em seu crachá. – Noah... – o moreno as encarou e ergueu uma das sobrancelhas. – Não são novas demais para serem internas?

– Entramos cedo para a faculdade. – Emily sorriu. — Desculpa incomodar, mas é que estamos perdidas...

– Internas novas... – ele disse.

– Estamos procurando a paciente Paige McCullers. — O rapaz as olhou novamente meio desconfiado, mas nada disse. Apenas digitou o nome falado e deu a informação que as jovens “medicas” procuravam. – Nem acredito que não fomos pegas. – respirou Spencer. – Posso te perguntar uma coisa? – Emily fez um sinal de sim enquanto começavam a subir a escada que levaria ao sexto andar onde Paige estava. – Esta aqui pela Paige ou pela Alison?

A morena pareceu se ofender. – Você sabe a resposta, Spencer. Não estou aqui para gastar meu tempo junto dela para ficar falando da Alison ou tentando convencê-la a mentir para proteger a Alison.

Em silêncio as duas seguiram escada a cima e logo em seguida até o quarto 206. Quando entraram ambas congelaram. Ao ver Paige o coração de Emily se apertou e instantaneamente um nó muito apertado se formou em sua garganta. Com expressões serenas, Paige dormia naquela cama de hospital enquanto tinha o auxilio de uma mascara de oxigênio. Nas costas de uma de suas mãos um acesso venoso por onde ela recebia soro e medicamento. Seu rosto pálido marcado por fortes olheiras deixava claro o quanto ela lutou para não se entregar a morte. Emily se aproximou da cama com os olhos cheios de lágrimas enquanto Spencer ficou encostada contra a porta.

– Vão embora! – De olhos fechados ela sussurrou em um tom de voz fraco e naturalmente rouco. – Já mandei me deixarem em paz.

– Se quiser podemos ir, mas deu muito trabalho chegar até aqui... – respondeu Spencer num tom de voz baixo.

Paige abriu os olhos e sorriu tímida ao ver a imagem de Emily diante de seus olhos. – Em! – ela sussurrou no mesmo tom de antes.

– Adoro o jeito que fala o meu nome. – a morena se aproximou mais e beijou a testa da nadadora. – Como se sente? Não temos muito tempo...

– Por que esta... – Paige ergueu os olhos até Spencer e depois para Emily. – Por que estão vestidas assim?

– Era o único jeito de entrar para ver você. Seus pais proibiram as visitas. – respondeu Emily. – Me diz como você está. Eu estava tão preocupada...

A nadadora sorriu de forma tímida novamente ao ouvir as palavras de Emily e ao mesmo tempo sentiu enorme raiva de seus pais. Como eles podiam fazer aquilo? Quando tudo que ela precisava era dos cuidados de sua amada? – Eu não estou nada bem, mas segundo a médica gostosa que cuida de mim, eu vou ficar em breve. – Paige riu e logo fez uma careta de dor pousando uma de suas mãos sobre o peito. A morena sentou-se na beira da cama e afastou a mão de Paige. De forma ousada ela desabotoou o pijama que McCullers usava e novamente seus olhos se encheram de lágrimas ao ver o curativo que cobria o peito da nadadora. – Vai ficar tudo bem, Em. – Paige tirou a mascara de oxigênio e encarou a morena com carinho. Emily abotoou o pijama com delicadeza e em seguida pousou seus lábios sobre os lábios da outra. Um beijo calmo, leve e sem esforço.

– Eu sabia! Eu disse a você, Nick... – gritou a senhora McCullers após entrar e ver as invasoras. – Eu disse que devíamos ter colocando um segurança do lado de fora desse quarto.

– Mãe.. Não... Eu... – Paige agarrou a mão de Emily e começou a ter falta de ar. A morena colocou a mascara de oxigênio de volta no rosto de Paige, mas não adiantou. Os batimentos da garota aceleraram disparando as máquinas e alertando os enfermeiros que rapidamente invadiram o quarto na tentativa de acalmar a paciente.

Na recepção, depois de saber que a filha estava bem e que a falta de ar havia sido causada pelo estresse de estar no hospital e emoção de ver Emily, o senhor McCullers ligou para os pais das garotas. Verônica Hastings não escondeu sua desaprovação por Spencer ter feito o que fez. Já Pam, sempre mais carinhosa e compreensiva tentou convencer ao pai da garota que o melhor não era deixa-las longe uma da outra e sim deixar que uma apoiasse a outra. Nicholas não mudou sua posição e ainda ameaçou pedir uma ordem judicial que impediria Emily de se aproximar da família. Pam obviamente achou aquilo tudo um exagero e não se importou de discutir com o homem ali mesmo na recepção do hospital. Os seguranças foram chamados e de forma sutil interferiram na briga, levando cada um para um canto. O senhor McCullers voltou para o quarto da filha enquanto a senhora Fields foi convidada a se retirar do hospital. – Isso é completamente ridículo... – ela protestava sobre Nick manter Paige dentro de uma “bolha” protetora.

Notas finais
Críticas, elogios e sugestões são bem vindos... ;) No próximo cap. já vai ter se passado dois meses. Até lá... ^^