Padecendo no Paraíso
6 Capítulo VI
Suas crises emotivas fizeram com que Raziel mal percebesse algo que agora estava lhe incomodando em níveis absurdos... O calor. E, para fugir dele, o anjo se pegou caminhando para uma pracinha que tinha atravessado no dia anterior que era cheia de árvores e sombra. Um refúgio contra luz solar e exatamente o que ele precisava.
Achou um banco vazio que ficava na sombra e realizou a proeza de conseguir um lugarzinho para sentar que não tocasse nenhum dos cocôs de pomba, sua posição ficou um pouco desconfortável, mas ele não reclamaria. Sério, se a Terra já era tão quente assim, o anjo só se perguntava que inferno seria lá embaixo. Literalmente.
Sem muito para fazer, começou a reparar em sua volta... A praça tinha casais abraçados em todos os bancos, em um dos mais próximo dele, duas moças se abraçavam com os olhos e, também com os olhos, alguns senhores um pouco mais distantes as julgavam.
Ele nunca tinha entendido esse “amor” de que os humanos falam tanto, mas ele tinha certeza que aqueles homens de cara feia não entendiam também.
Ele não conseguia ficar olhando aquilo, levantou e resolveu passar exatamente entre as moças e os senhores. Ofereceu um sorriso para elas e ergueu o dedo do meio para eles. Na verdade, ele não sabia muito bem o que aquele gesto significava mas, pela cara de ódio daqueles homens, era exatamente o que ele queria que significasse.
Mesmo sem entender o “amor”, Raziel aprendeu o que era “compaixão”.
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