Padecendo no Paraíso
7 Capítulo VII
Notas iniciais
"Quem ele estava tentando enganar?" era o pensamento que não saia de sua cabeça enquanto estava encostado em uma parede aleatória da vila se abanando inutilmente com a mão. Ele até agora fingiu não conhecer ninguém, mas ele conhecia o chefe da vila, senhor Anselmo (que tinha vergonha do próprio nome). Ele também sabia o caminho para a pensão da pequena cidade e sabia que Dona Joana vivia com dor nos joelhos e passava no hospital antes de visitar a neta. Ele também sabia que nem todos naquele vilarejo eram pessoas boas (como aqueles senhores preconceituosos)... Ele passou dias e mais dias olhando o dia a dia do povo dali, ele nem sequer sabia se não sabia de algo sobre a Vila Girassol.
Sabendo de tanta coisa assim, Raziel não esperava mais surpresas.
"Gosto de você, você tem asas bonitas. Você é meu amigo agora."
Ele reconheceria aquela vozinha irritante em qualquer lugar, vivia ouvindo os gritos dela enquanto estava no Paraíso. Raziel não se lembrava do nome, na vila, todos chamavam ela pelo carinhoso apelido de "Praguinha" para fazer jus a fofura e travessura da pequena garota de não mais que 4 anos que era neta do senhor Anselmo.
O desespero era óbvio nos olhos de Raziel, naquela mesma manhã, ao olhar no espelho do banheiro comunitário da pensão, ele não conseguiu ver as próprias asas... Como infernos aquela garota conseguia vê-lo de verdade?
Em meio ao seu desespero, nosso anjo nem percebeu que fez seu primeiro amigo.
Fale com o autor