P.O.R.T.A.L.L.E.R. - Reworked

16 Portais do Predestinado


— Ice Thorn!

— Star Crush!

Ambos os ataques impactam, numa mistura de luzes azuis e douradas. Os lutadores saem rapidamente da fumaça criada pelo choque de poderes. Julie Walker estava posicionada próxima a um prédio de aparentemente cinco ou menos andares, um pouco ofegante graças ao desenrolar da luta. Seu adversário, Simon Starcry, estava diretamente oposto à menina de gelo, perto de outro edifício de altura similar.

O bairro residencial de Atarashi estava nos planos da prefeitura de Shinji para ser um novo centro de condomínios planejados destinados à moradia da classe média da cidade. Boa parte das obras já se encontrava em seu estágio final, com diversos prédios e praças preparados para maior acomodação dos moradores. O prefeito da cidade liberou aos organizadores do Night Fight o uso irrestrito de um dos condomínios inacabados como novo palco para as batalhas, transformando a praça central do residencial numa grande arena retangular e limitada por uma barreira de edificações que limitariam o campo de ação. Foram criadas arquibancadas improvisadas para acomodar aqueles que assistiriam ao vivo o torneio, colocando-as nos vãos entre os edifícios, transformando a praça principal num verdadeiro anfiteatro fechado.

Era aproximadamente meia noite quando deu-se início às batalhas do Night Fight. A iluminação era feita por meio de refletores e holofotes no topo dos prédios, permitindo plena visão de tudo que se passava no grande rossio público. Câmeras flutuantes cobriam todo o evento, que continuava sendo televisionado normalmente para todo o país. Já haviam se passado quase cinco minutos de intensa batalha entre a cada vez mais famosa “Menina Gélida” e seu rival recém-apelidado como “Perseu Celeste” pela audiência. A torcida da equipe dos “Milagres” vibrava a cada golpe acertado de sua competidora, não muito atrás da torcida fanática e ameaçadora dos “Catástrofes”. A Chronicle tinha a vantagem de uma vitória contra a Dark Kuroki, o que já feria um pouco a dignidade da torcida sombria.

Julie desta vez usava uma roupa diferente da usual, verde de alça com jeans branco. Desta vez, a loira se vestia de camisa de manga comprida, até os cotovelos de cor azul-índigo com um “C” estilizado estampado no lado superior esquerdo da peça e uma calça jeans street azul-escuro. Seu cabelo loiro voava contra o vento forte da noite, mas ela não poderia ficar muito tempo apreciando seu físico. Pois sua luta era contra ninguém menos do que um dos portaller Aggro-Control da Dark Kuroki.

Ela para por um momento para olhar em direção a Ox, nas arquibancadas, ao lado de Lana e Maggie. O Masamuri estava também com uma roupa diferenciada, camiseta regata azul-índigo com um colete preto por cima, com o mesmo padrão do “C” estilizado estampado no lado esquerdo da peça. Usava calça jeans azul. Era o novo uniforme da equipe Chronicle, feito por uma estilista torcedora da Equipe, com a aprovação dos membros. Todos adoraram o azul como tema do grupo, faltando apenas a aprovação de Raiko, mas foi de consenso geral o fato de que Raiko iria vestir, querendo ele ou não. Ao lado direito do Minotauro, Lana vestia-se com um moletom padronizado, com mangas compridas, azul-índigo, um enorme manto com capuz, este abaixado no momento e o jeans azul completando o visual. Maggie, também próxima aos dois, estava com os cabolos ruivos e cacheados presos num longo coque, vestia uma camisa de mangas compridas, totalmente negra e um jeans azul, o design mais simples até então, mas diferente dos outros, ela tinha uma bandagem ao redor do braço, com o C estilizado que marcava sua posição de capitã do time. Ox olhava para Julie com nervosismo. Julie teria de vencer aquela luta e vingar sua derrota. E a Walker não parou para pensar mais, avançando de volta à batalha.

Ela saiu correndo em direção a Simon, que estava visivelmente um tanto quanto cansado. Apesar disso, todos na plateia continuavam a vibrar pela ótima luta. De qualquer forma, Simon defenderia o ataque a tempo, mas a The Ice realiza uma finta e troca o punho usado para desferir o golpe, acertando em cheio o rosto do Starcry. Ele cairia no chão, naturalmente, mas Julie abre sua boca e uma luz azul-gelo sai da mesma, como um feixe congelante, ao tempo que ela declara o nome de sua habilidade:

— Ice Breath!! — Ao atingir Simon diretamente, ele voa para trás por uns seis metros e bate sua cabeça contra um dos muros improvisados das arquibancadas, tremendo com o frio. Julie cai ajoelhada no chão, devido ao esforço utilizado na técnica. Fica olhando na direção de Starcry, com a cabeça presa no muro e com o corpo inerte.

Julie dá um sorriso. Ela ganhara a batalha, finalmente. Ela faz menção de se levantar. Mas num movimento completamente aleatório, ela bate as palmas de ambas as mãos no solo e utiliza sua habilidade:

— Ice Thorn!

A vinha de espinhos gélidos atravessa o chão e se choca contra algo, levando o público ao delírio. Sem olhar para trás, a Walker já sabe exatamente o que atingiu. O clone preso à parede implode em luz, enquanto o verdadeiro Simon voa pelo ar.

— Como se eu fosse cair nesse truque, não é? – Ela fala olhando especificamente para uma das câmeras próximas a ela. O público urra em êxtase.

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Raiko estava vestindo seu novo uniforme. Encontrara-o abaixo de sua cama, numa caixa de metal branca com um bilhete dizendo: "Vista-se para o torneio — JW". Sua roupa era uma camiseta de mangas curtas, lisa e azul-índigo; uma jaqueta de mangas compridas que descia até seus joelhos num forte tom de azul-escuro com capuz e um “C” estilizado como todo os uniformes no local do coração. Os olhos vermelhos de Raiko olhavam para a cômoda, um espelho. Ele termina de vestir suas luvas negras que sempre usa. Se olhava no reflexo e pensava no futuro da equipe. Seria ele que ganharia? Ou perderia? E o destino dos Portallers elementais? O que houve com seu Mestre?



Uma ótima pergunta, Raiko.



Raiko olha para trás e não vê ninguém. Ele escutara uma frase, disso tinha certeza. E a voz era familiar. Extremamente familiar. Ainda desconfiado, olha de volta para o reflexo. E vê um homem atrás de si, no espelho. O mesmo homem mascarado de antes, aquele que o dissera sobre os elementais. Seu olhar era igual ao de Raiko, entediado. E frio.


— Como você faz isso? — Pergunta Raiko olhando para o espelho.



É muito simples, The Mask. Meu portal é The Maestro. Deveria saber que minha habilidade é me infiltrar na mente dos adversários, não?



— E para isso, precisa de um receptáculo para se materializar, certo?



Bravo! Excelente! Você é ótimo nisso, Raiko!



— Sem enrolação, o que você quer? — Raiko lançava um olhar não muito amigável na direção do espelho.



Você é bastante apressado Raiko, mas vou apaziguar seus anseios. Vamos direto ao ponto.



— Eu adoraria. – Responde o Tamashiro, curto e grosso.

Claro que sim. Veja bem, estou aqui para lhe oferecer uma proposta.



— Uma... proposta?



Sim! E uma excelente! Olhe, como bem sabe, os portallers elementais estão despertando novamente, e, quando todos se erguerem, teremos uma breve guerra


— Como pode ter tanta certeza?

Você sabe muito bem. Afinal, o Oráculo de Ciel não pode ficar muito tempo sem uma predição, não é mesmo?

Raiko sente um frio na espinha.

— Oráculo de Ciel... As vezes me esqueço de que você é mesmo o Akira. – Raiko põe a mão esquerda na testa, relembrando o passado.

Sim, Raiko. Você se lembra dos velhos tempos, não? Infelizmente, lembro deles ainda mais do que você e Ox. Eu sei o que acontecerá a tudo e todos. Sei o que veio e virá. Eu sabia que um dia, esse mísero torneio seria feito e todos vocês seriam forçados a se encontrar depois de tantos anos. Sabia que encontraria Julie. Ou quem mais você acha que mandaria os Wadjt irem atrás dela?



— Wadjt? Foi você que os mandou perseguir Julie? Por que? — Raiko já estava gritando. Ele lembra dos homens encapuzados que drenavam a aura da jovem Walker no dia que a resgataram.



Os Wadjt são um grupo de mercenários que se originou não na cidade de Shinji, mas na cidade vizinha, Janome, tendo subdivisões em várias cidades, inclusive Shinji. Formado majoritariamente por não-Portallers, eles são comandados por um líder de identidade desconhecida, que age nas sombras, mas tem-se o conhecimento de que ele possui um Portal, que permite que ele divida sua aura com outras pessoas, algo similar ao poder da mãe de Lana, Madonna Irontell. Mas, diferente da mesma, o líder da Wadjt tem a propriedade especial de drenar a área dos alvos, sendo extremamente mortal. Ele divide parte de seu poder com todos os integrantes do grupo, que executam pedidos de sequestro, assassinato e entre vários outros serviços no submundo. Provavelmente Akira os contratou pra descobrirem a localização de Julie e usar como barganha contra seu pai.

Não precisa de exaltar, Raiko. Tinha certeza que ela só iria lhe atrapalhar. E até agora, ela cumpre sua função brilhantemente.

— Cale a boca! — Raiko desfere um murro contra o espelho, quebrando-o em vários pedaços. — Cale a boca... agora. — Ele encosta a cabeça na parede e fecha os olhos. Um breve silêncio invade o cômodo.

Se sente melhor agora, Raiko?



Raiko olha para trás e vê em outro espelho, o mascarado. Ele se apruma e quebra o outro espelho com outro punho fechado.

E agora?



Raiko o vê noutro espelho, desta vez fincado na parede.

— Secret: Ray!! – O garoto de olhos rubros explode o espelho com seu raio vermelho. Raiko fica olhando para o chão, com milhares de pedaços de vidro espalhados pelo chão. As sombras envolviam seu rosto. Sua aura vermelha queimava fortemente. E, após poucos segundos, bem na sua frente, todos aqueles milhares de pedaços de vidro se juntam para originar uma figura humana que no fim, se mostra sendo o homem mascarado, feito de vidro e ainda assim, com as mesmas características do ser original. Uma aura roxa circundava seu corpo.


— Entende Raiko? A guerra se aproxima. Os elementais lutarão para ver o mais forte. E todos os Portallers em seus caminhos serão destruídos. O Oráculo de Ciel sabe o que diz.

A aura escarlate de Raiko começa a se tornar negra. Seus punhos se cerram. E depois ela desaparece. Ele olha para o homem.



— Tudo bem, Akira. Me conte. Me conte sobre a guerra.



Se Raiko pudesse ver, notaria um sorriso se formando no rosto de Akira Shroud.



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A torcida da Dark Kuroki parecia levemente abismada com o contra-ataque brilhante da lutadora da Chronicle. Após a luz desaparecer, via-se Simon caído no chão, se apoiando nos braços para levantar-se. Seu corpo tremia de dor. Ox e Lana se aliviam e sentem orgulho pelo pensamento rápido de sua amiga. Simon consegue se levantar e colocava as mãos nos bolsos.

— Vocês da Chronicle não são páreo para a Dark Kuroki. Somos veteranos! Duas vezes campeões! E vocês um bando de merda! – Tenta intimidar o moreno.



A torcida dos “Catástrofes” começa a proferir novamente seu ritmo tribal simultaneamente ao discurso de seu lutador. O ameaçador som de um agudo seguido por quatro graves que gela a alma de qualquer um que o escute.

Mas a menina gélida não seria congelada por uma leve brisa de inverno.

Ela tira o sorriso da face e diz, olhando diretamente para o inimigo:

— Nunca... nunca mesmo. NUNCA, insulte meus amigos!! — Ela lança um olhar de raiva a Simon. Mas uma raiva controlada. Uma raiva resultante da motivação, não da fúria descontrolada. Seus olhos verdes brilhando, como uma bela antítese, em um tom mais escuro. Apesar de seu estado, sua beleza se ressaltava enquanto seus cabelos esvoaçavam graças ao vento noturno. Ela parte em direção ao The Crux mais uma vez.


— Ice Sword! – A jovem materializa sua espada de gelo e num corte vertical, tenta acertar Simon, que pula para a direita.

Ela rapidamente finca sua espada no chão e usa sua força como impulso para girar ao redor do eixo de sua arma e chutar o corpo do inimigo. Simon abaixa e segura as pernas da menina gélida. O lutador da Dark Kuroki num ato de fúria gira o corpo da adversária por cima do seu próprio e a lança brutalmente no chão, escutando um estalar de algo quebrando.


Ox, nas arquibancadas, pausa seu coração por um momento. Mas logo o mesmo volta a bater ao ver o que se passaria a seguir.


O corpo de Julie explode em vários cristais de gelo. Um corpo salta de dentro da antiga Julie e se põe de pé em frente ao Perseu Celeste. Simon olha nos olhos de sua oponente. Ela estava sorrindo. A mão direita da mesma estava apontada em sua direção, enquanto um brilho de aura azul claro se reunia em sua palma.

— Será que posso chamar essa técnica de Fake Ice? – Ela fala num tom irônico. – Desvia dessa, Perseu Sem Leste. ICE GALESTORM!



Da mão de Julie, um raio de gelo branco dança no ar até atingir Simon num resplandecente redoma de luz gélida. Hecs, do topo do menor dos prédios, este usado como novo pódio principal, toma partido ao ver Simon coberto de uma fina camada de gelo, chocado contra um dos edifícios:

— E a vencedora desta luta é nossa Menina Gélida... Juuuuulie Walker!!!


Ox na plateia levanta, gritando o nome daquela garota que ele conhecia a tão pouco tempo e já amava como amiga. Aquela brilhante garota.



— JULIE!! ISSO AÍ, ESSA É MINHA GAROTA!!


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— Eles virão em uma ordem. O primeiro a ser revelado foi Kaito Leviathan, The Water. Em seguida, veio o Portaller da luz, Tenma. E, apesar de você não saber, também veio com ele The Darkness, irmão de Tenma, Mephisto Droire. — Falava Akira, lentamente

— Tenma... Espere! Como assim? Tenma tem um irmão?

— Sim. Apesar de nunca tê-lo conhecido, a mãe deles, a Portaller The Serenity, grande mulher, morreu dando a luz aos gêmeos Tenma e Mephisto Droire. Mas fora isso, depois dos dois, você só tem conhecimento de mais uma. Lyra Veja, The Wind. E depois deles, virão nessa ordem The Fire e The Earth. Ambos já estão por aí, apenas esperando o momento certo de se revelarem. Algum deles será declarado o mais poderoso e um novo será descoberto, fora os seis. Tudo fora dito na profecia.

— Que profecia? A... Anima Stone?

— Não. Outra, que foi datada pelo antigo Oráculo de Ciel. Esta dizia:



"Seis guerreiros pelos primais lutarão;

Um ascenderá e lutará contra seu irmão de peito;

Um se revelará da escuridão;

E o herói se perderá no leito"


Raiko Tamashiro então percebeu que estava cansado de profecias.



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Cidade de Elrades
Milhares de anos atrás...



Ciel...



Um homem de barbas brancas e olhos estranhos olhos púrpuros, como um caleidoscópio místico, vestido com trapos de cor negra, acorda de um sonho, em sobressalto. Olha para cima e vê a noite escura. Dormia em uma cama de feno e não poderia exigir muito do estado, pois era o melhor que recebia em três meses. Três longos meses.

— Sim, meu Senhor? — Ele diz, ainda acordando do susto.




Você anda se subjugando muito, meu amigo Ciel. Ainda me lembro de quando era jovem e forte. E continua tentando pregar minha existência, embora ninguém mais o faça, ou acredite.



— Claro que sim, meu Senhor, que outra coisa deveria fazer? É meu destino e minha vontade, Senhor.

Eu acredito, Ciel. Você é o melhor oráculo que tenho em seis mil anos. Por isso quero lhe dar a chance de ter uma vida mais confortável. Sem tanto sofrimento. Quero que seja como Delfos, meu primeiro Oráculo, apesar dele me referir pelo nome errôneo de "Apolo". De onde achas que Delfos tirou tal nome, Ciel?

— Não imagino, Senhor. – Responde o velho.



Naturalmente. Agora, quero lhe falar sobre seu teste.



— Teste? Queres dizer sobre... a nova vida?



Sim. Para provar sua fidelidade, peço que você, meu oráculo, que me diga o que esperas de mim. Apenas e somente isso.

— Queres que eu faça isso mesmo, meu Senhor? Não farás o mesmo que fez com outro de seus escolhido, Abrãao?

Não, nunca! Nunca faria isso com você Ciel. Você é especial, diferente dos outros. E merece reencarnar eternamente. Ser feliz e imortal. Como um deus. É isso que espero, Ciel."

— Akira? Akira!

Ox chamava Akira repetitivamente. O ano era XX322. Ambos estavam num dos quartos do refúgio de mestre Kaito, próximos a uma das paredes do recinto. Akira olha em direção á Ox como se tivesse acabado de sair de um transe. Na verdade, não olhar. Pois seus olhos eram cobertos por bandagens.



— D-desculpe, Ox! E-eu, preciso ir! — Akira sai correndo em direção ao banheiro do aposento. Ox observa espantado Akira sair correndo, atordoado.

— Akira, espere!



Mas era tarde. Akira fecha a porta do espaço sanitário e se senta na privada, em posição fetal. Ele suava sem parar e sua respiração estava pesada. Seus olhos brilhavam por detrás da bandagem, num tom anil luminoso. Ele tentava cobrir os olhos com a mão, mas de nada adiantava contra as visões. Ele não conseguia parar de ver.

— Pare! Pare com isso! – Gritava Shroud para lugar nenhum. – Eu não quero ver mais! Não quero!



Ciel...



E mais uma visão é recebida por Akira. Uma visão do passado.

FLASHBACK / ABRE

— São gêmeos. Meus parabéns, senhorita Droire.

Era uma sala de parto. Uma mulher de cabelos pretos e mechas brancas, vestida com roupa hospitalar, segurava em seus braços dois bebês. Um deles tinha pequenos olhos brilhantes recém-formados. E o outro, madeixas escuras em sua cabeça. O médico possuía cabelos castanhos e queixo fino, com um rosto bem bonito, aparentando ter quarenta, trinta e oito anos, no mínimo.

— O de cabelos claros se chamará Tenma. E o de cabelos escuros, Mephisto.

— Mephisto? Tem certeza? Pelo que soube, é nome de mau agouro, Katherine.



A mulher olha para os filhos com um ar de carinho e em seguida se volta novamente para o doutor.

— Não se preocupe, doutor. Uma pessoa muito sábia uma vez me disse que meus filhos serão bons e se eu não cometesse injúrias, um guiaria o outro para a luz.

Quando ela olha novamente para os garotos, vê que o pequeno Mephisto estava com os olhos cerrados, dormindo. Ou não.

FLASHBACK / FECHA



— Eu não quero ver mais! Chega!

— Akira?! Akira! Abre a porta! – Ox falava batendo na porta com força.

— E-eu... não... q-quero. Não. Quero... não.

FLASHBACK / ABRE



— Você poderá cuidar dele?



Katherine falava á porta de um senhor de cabelos prateados, com um corpo musculoso e o símbolo de uma rosa dos ventos azul no pescoço. Usava uma bandana vermelha na testa e não usava camisa.

— Claro, Serenity. Sabe que tenho capacidade para isso. Sempre soube, eu acho.

— Sim. É verdade. Afinal, você é um elemental, não é mesmo, Kaito? — Katherine Droire, The Serenity, se abaixa e coloca uma pequena manta numa pedra sobre rego d'água. A água levanta a manta revelando um jovem bebê de feições claras e o símbolo de uma rosa dos ventos branca no pescoço. A água o leva até o homem de cabelos prateados. O bebê se mantém em silêncio.




FLASHBACK / FECHA