PET - Pokemon Estilo De Treinador (1 T)

2 Capitulo 2 - O Começo com que Todos Sonham, Menos


Capitulo 2 — O Começo com que Todos Sonham, Menos Eu



Incrível como um pequeno acontecimento pode ser apenas o inicio de algo mais grandioso. Eu não sabia no que estava me metendo quando comecei minha jornada. Eu não sabia que iria entrar de cabeça em uma historia tão maluca, ainda mais se levasse em conta tudo o que estava acontecendo no mundo. Realmente, ninguém acreditaria se eu contasse que faço parte de um grupo como esse. O grupo dos fracassados.


Acho que nunca vou esquecer como tudo isso começou. Lembro-me tão bem daquela batalha que iniciou minha jornada. A batalha pequena que eu assistia e também aquela miserável entrevista.


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O pequeno ratata havia sido jogado para o outro canto da arena. Era um pokemon roedor, que muito lembrava um rato. De pequena estatura coberto por pelos roxos com alguns detalhes em branco. O que mais chamava a atenção eram os dois grandes dentes que ficavam a mostra.


O treinador do ratata sorria. O pequeno parecia cansado e já havia levado cerca de uns cinco golpes certeiros, enquanto seu adversário estava ainda ileso. Mas, para um pequeno pokemon de solo a enfrentar uma ave que permanecia o tempo todo no ar, estar de pé ainda era algo para se vangloriar.


A ave que enfrentava o pequeno rato roxo parecia bem agressiva. As penas marrons e brancas eram desgrenhadas e seu bico apresentava bastante ranhuras. Aquele era um pokemon que algumas pessoas temiam encontrar pelo caminho sem que houvesse alguma proteção. Spearows tinham um ar assustador.


– Ataque rápido! — O treinador do spearow comandou o ataque.


A ave de repente desapareceu de sua posição, parecia um pequeno borrão que ia ganhando cada vez mais velocidade.


– Ratata, use o cavar! Agora é hora do contra-ataque. — O outro treinador gritava.


Não demorou para ratata desaparecer chão a dentro. Spearow passou por onde ratata estava, perplexo por não encontrar nada. Atordoado por nada acertar a ave seguiu em frente por alguns instantes, mas tempo o suficiente para ser acertado pelo pequeno rato roxo que saia de dentro do solo agarrando o pescoço da ave.


– Mordida! — O treinador do ratata gritava para a finalização.


Uma mordida no pescoço não era algo que muitos pokemon podiam resistir sem que a dor realmente provocasse algum transtorno. O impacto do golpe levado de surpresa no pescoço, a mordida que recebia, mais o impacto de chocar-se contra o chão por perder a estabilidade de seu voo não era algo que uma ave resistia.



Na verdade, após levar uma mordida no pescoço e ser jogado ao chão, os presentes duvidavam que alguém levantaria.



Alguns aplausos. Não havia uma grande euforia por parte de quem assistia. Os treinadores trocaram apertos de mão. A exibição havia acabado.


Quem eram eles? Passado cinco minutos, ninguém mais ligava para os dois treinadores. Suas faces e habilidades seriam esquecidas com o tempo, afinal naquela pequena cidade, as crianças não almejavam carreiras pokemaniacas, pelo menos não as que envolviam ser Treinador de Pokemon por algum tempo.



– Será que não podiam ter trago pokemons mais interessantes? — Perguntava um jovem loiro.


– Mostre respeito! — Um jovem ruivo foi enérgico. — Kevin, você sabe que muitos treinadores estão desanimando da carreira por causa dos perigos e por falta de incentivos. — O ruivo levantou-se aplaudindo com entusiasmo.


Kevin, o garoto loiro, olhou para o amigo ruivo, Détrio. Détrio sempre teve o sonho de se tornar treinador pokemon e alcançar o título de Mestre Pokemon. Falar mal de treinadores que estavam se esforçando, bem como de seus pokemons, era um sacrilégio para Détrio. Kevin sabia disso, apenas não achava que o amigo fosse ter tal reação.



– Alunos! Por favor, agradeçam aos treinadores em viagem por essa exibição. — A professora tomava a fala entrando em meio a arena improvisada.


Uma batalha de exibição para fechar o ano letivo da escola. A professora pretendia uma festa, mas a prefeitura da cidade não aprovou o gasto. A aparição de dois treinadores pokemons na pequena cidade de Tin era algo especial.


– Bem, este é o último dia que vocês frequentam a escola, pelo menos esta. Alguns agora irão para ginásios escolares, outros irão para as tecpokemons, espalhadas pelo mundo. Outros irão iniciar suas jornadas em breve. — A professora fez uma pausa. — Queria dizer para lembrar-se que o estudo é a chave para qualquer sucesso, mesmo que seu destino não seja o mundo pokemon. Precisarão de cada conhecimento adquirido aqui... — A professora parou sendo interrompida por um aluno.



– Por favor professora. Seria mais decente dizer que nos veremos pelos corredores no próximo ano letivo. — O aluno riu. — Tin não é uma cidade de tradição no mundo pokemon. Só tivemos dois nomes na história que colocaram a cidade de Tin no mapa. -


– Negativo! Foram três, mas uma não era daqui exatamente, apenas veio fixar moradia após... — Détrio começava a tagarelar, jamais admitira que alguém esquece o nome de qualquer um dos três grandes do mundo pokemon. Mas, ele acabou sendo interrompido pela professora que já não aguentaria ver outra discussão de Détrio contra alguém falando mal dos pokemons.



–Realmente. — A professora deu uma pequena risada junto com toda a turma. — O sonho pokemon tem ficado difícil nos últimos meses. Mas... -



– Já aqueles seis, sortudos, que passarem na prova de seleção do Líder dos Lideres de Kanto, o Gary, não terão de fazer isso... — Brincou um garoto que interrompia a fala da professora novamente.



– Mas, tenham a certeza que qualquer caminho escolhido por vocês, estudo vai facilitá-lo e estará presente, sempre! — Completava a professora.



A saída não era tão movimentada quanto a de escolas de cidades grandes. Tin era uma cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, sendo que a vizinha mais popular, Pallet, possuía cerca de 100 mil habitantes espalhados.


A cidade era até bem moderna para a quantidade de habitantes. Ruas pavimentadas. Carros novos. Não era uma cidade rural, apenas uma cidade pequena. Tranquilidade era o que as pessoas que ali moravam procuravam. Talvez,, a cidade não tivesse mais de 100 anos.


Naquele momento as ruas estavam tomadas de estudantes indo para suas casas, felizes pelas aulas terem terminado.


Kevin e Détrio, melhores amigos desde os cinco anos de idade, pelo menos até onde suas memórias permitiam lembrar, caminhavam pela cidade rindo. Enquanto Kevin ria, Détrio fazia comentários engraçados sobre a batalha pokemon de exibição que a professora havia conseguido para encerrar as aulas.


– Aquele ratata tava bem tonto para a luta. Imagina levar aquela quantidade de golpes. Esqueceram de avisar que era para ele cair. — Détrio fazia comentários sobre suas observações.


Kevin ria dos comentários, mas também do fato de agora Détrio passar a beira das críticas sobre a luta, mesmas críticas que não gostou que Kevin fizesse anteriormente.


– Depois de tantos golpes ele não mostrava fraquejar. Péssimo ator. — Détrio que continuava seus comentários a respeito do ratata parou vendo que Kevin havia ficado parado. — O que foi? — Détrio percebeu que o amigo estava encarando algo a sua frente.


Kevin estava olhando uma vitrine que mostrava uma televisão transmitindo alguma noticia.



Noticia na televisão:


– Eles estão roubando pokemons poderosos apenas, não chegam a roubar os raros, a não ser que sejam realmente fortes. — Diz Gary sentado em uma mesa de entrevista do lado de Ash.


– Então treinadores menos experientes estão livres desta ameaça? — Pergunta um dos repórteres.


– Não sei lhe dizer... Talvez não sejam alvos de grandes planos, ou de membros fortes. Mas, podem sim ter seus pokemons roubados, afinal pelo estilo que eles apresentam com certeza a organização deve ter bons criadores, capazes de aumentar em muito o nível do pokemon. É importante serem cautelosos! — Dizia Ash.


– Há quanto tempo eles estão em atividades? — Pergunta um dos repórteres.


– Desde a última edição da Liga Pokemon de Kanto, há dois anos. — Ash fez uma pausa. — Mas, alguns roubos isolados a mais de três anos, desde a queda da Equipe Rocket, estão começando a ser ligados a eles. -


– O famoso Caçador das Sombras que se revelou há dois meses, também faz parte desta nova equipe de ladrões de Pokemon? -


– Bem... — Gary olha para Ash.


– Na verdade... Tudo leva a crer que sim, mas de acordo com ele... Ele ainda destruirá a Estilo de Poder. — Dizia Ash.


– Como??? — Os repórteres se alvoroçam.


– Quer dizer que o conhecem, ou já tiveram contato com ele? — Um repórter conseguiu ser ouvido em meio à algazarra.


– Bem... Ele conseguiu roubar meu Noktown Dourado, ontem... – Ash tentou responder, mas ocorreu mais um alvoroço entre os repórteres.


Fim da Noticia na televisão!



– Ei! — Kevin gritava para Détrio que havia deixado de lado a reportagem e saía pisando alto. — Espera! -


Pela primeira vez, de forma aberta à Associação Mundial das Batalhas Pokemon (AMBP) estava a fazer uma proclamação sobre os mais novos ladrões de pokemon.


Satoshi Ketchum, ou Ash como acabou ficando popularmente conhecido pelo mundo, era um recente Mestre Pokemon. Tendo começado sua trajetória como treinador aos 10 anos de idade, levou 12 anos para conquista do título tão sonhado. Aos 22 anos ele costuma estar sempre com uma calça preta e uma camisa da liga pokemon. Abandonando um costumeiro boné, anda com o cabelo, agora, bem alinhado. Um rosto mais maduro e sisudo, a experiência que adquiriu chega a exalar por ele.


Gary Carvalho, amigo pessoal e rival de Ash, também se sagrou recentemente em Mestre Pokemon. Seus cabelos continuavam desgrenhados, dando a marca de um Pesquisador dedicado. Com colete branco e roupas sociais, muito lembrando seu grande avô, Professor Carvalho, Gary encontrou na retomada das batalhas, a melhor fonte de pesquisas.


Ash Ketchum e Gary Carvalho, atuais Mestres Pokemons da região de Kanto, foram escolhidos para anunciar, oficialmente, o perigo que a Estilo de Poder e o Caçador das Sombras representavam. Mas, estavam temerosos. Não havia como explicar que uma equipe de ladrões apareceu há dois anos e até aquele momento não se tinha muita informação sobre eles. Que nenhum membro da equipe havia sido derrotado ainda. Que todas as operações de roubo haviam sido concluídas com sucesso. Era literalmente, impossível de explicar.


Impressionante e assustador. Isso havia feito uma revolução nas ligas. Muitos treinadores haviam abdicado das jornadas. Desde aqueles que já treinavam quanto àqueles que estavam para começar. Se haviam cerca de 100 treinadores por cidade, esse número havia caído para 10. Isso se fossemos contar treinadores que se registravam, mas não saiam de sua cidade, ficavam em casa sem realizar suas jornadas.


A força que a equipe Estilo de Poder possuía era realmente um mistério. No entanto, os boatos estavam criando um cenário de terror em meio a muitos treinadores. Rumores sobre não acontecer só roubos, mas sequestros, grande uso de violência, torturas e muitos outros estavam dominando diversas regiões.


Dos continentes, o formado pelas regiões Kanto, Ilhas Laranja, Jotho, Hoeen e Sinoh, havia sido o mais afetado. Os rumores eram muito mais fortes nessa área, e as aparições eram quase diárias.


O caso que deixou o mundo apavorado foi quando alguns jornais sensacionalistas colocaram essas quatro regiões como a casa da Estilo de Poder. Mas, na reportagem ocorreu um erro de grafia, colocando o nome da equipe como ”Estilo do Poder”. Pelo mundo as pessoas começaram a mesclar e a usar os dois nomes. Os criminosos explodiram a sede do jornal em questão como retaliação pelo erro que não poderia ser reparado. O incidente repercutiu. Gerou pânico. As aposentadorias começaram mais cedo.


A organização de batalhas estava preocupada com a diminuição vertiginosa de registros de treinadores desde a surgimento da Estilo de Poder. Mais do que isso, treinadores que já estavam em viagem estavam desistindo de viajar e ficavam em suas casas. Se algo não fosse feito, o estilo de vida com os pokemons poderia mudar, e as famosas batalhas pokemons poderiam deixar de existir. Eles evitariam isso? Claro! Deixar que Ash e Gary falassem era a jogada estratégica.


Ash por toda a sua jornada rumo ao topo, enfrentou diversas equipes de ladrões, derrotando-os e desmantelando as organizações criminosas. Talvez por sorte, ou talvez por paixão aos pokemons, mas todos sabiam, agora, de seus feitos.


Gary por sua vez já havia confrontado alguns caçadores. Nada de muito amplo como Ash. Mas, havia dado sua contribuição para manter viva a sede por batalhas. Manter viva a tradição dos treinadores pokemons viajarem por vários cantos.


Gary criou um concurso. Uma seleção onde ele escolheria 6 jovens promissores, que tivessem entre 10 e 12 anos, para serem treinados pessoalmente por ele. Quem não gostaria de ser treinado por um mestre pokemon? Quem não gostaria de ser treinado por um forte pesquisador?


Você pode iniciar sua jornada pelo mundo Pokémon aos 10 anos de idade. Dificilmente você tem maturidade ou conhecimento para o mesmo nessa idade. Mas, a sede de aventura é grande para as crianças que crescem aprendendo que os pokemons, animais dotados de poder, podem ser treinados e usados para duelos. E a partir desse duelo você pode, com um pouco de sorte, conhecer todo o mundo.



– Cara! Isso é um absurdo. Como uma equipe de ladrões pode estar fazendo isso com o mundo? — Détrio estava revoltado. — Meu sonho de ser treinador pokemon está ameaçado. Meu sonho de ser Mestre Pokemon está ameaçado. Meu sonho de ter nossa primeira batalha, um conta o outro, na Quest Liga, está ameaçado. -



Kevin preferiu não comentar. Aquele sonho de Quest Liga dava nos nervos a Kevin. Ele nem sabia direito o que era a Quest Liga, mas havia prometido ao amigo que iria enfrentá-lo lá. Antes disso jamais batalhariam um contra o outro.


:: “Meu melhor amigo é um tapado que não me conhece muito bem... Será que ele nunca reparou que eu não ligo a minima para esse negócio de treinador?”:: Kevin tentava ter paciência com a irritação do amigo, afinal o próprio Kevin era mais esquentado que Détrio.



– Lembre-se! É uma promessa! — Diz Détrio. — Nos enfrentaremos na próxima edição da Quest Liga, independente de que caminho cada um pegue. — Lembre-se. — Teremos a melhor batalha de todas, onde você honrará a memória de seu pai e eu a de meu bisavô um antigo campeão da Quest Liga! -


– Como se eu fosse ter nível para disputar a próxima. — Kevin ia começar a falar algumas besteiras, mas não queria estragar a empolgação do amigo. — Nessa hora as cartas informando sobre as classificações já chegaram. — Kevin sorriu provocativo. — Aposto que chego em casa antes de você! — Kevin não teve tempo nem de rir da provocação, já que Détrio aceitará o desafio iniciando uma corrida desenfreada.


Kevin riu. Sabia que o Détrio aceitaria o desafio. Provavelmente, se estivesse ido para casa sozinho, Détrio já estaria em casa. Ele estava louco para ser um dos selecionados.


Não havia jovem, que fez a prova, que não estivesse ansioso para saber o resultado. Na cidade de Tin quase todos os 500 jovens dessa idade haviam tentado a prova, o que não era muito. Mas, para crianças como Kevin e Détrio, eram o mundo que conheciam.



Kevin era um jovem com seus 12 anos que ainda não havia começado sua jornada pokemon. Ele não tinha muita vontade de ser treinador, mas a irmã era uma boa treinadora e estava a cuidar dele em casa. Ela estava perdendo grandes dias de sua vida como treinadora para cuidar do irmão. Ele sabia valorizar a irmã, sabia que era hora de começar a jornada, mesmo não gostando muito da ideia. Viu a grande oportunidade quando surgiu o concurso de seleção para discípulo de um Mestre Pokemon. Era uma oportunidade única.



– Julia! — Grita Kevin chegando desesperado. Abrindo a porta que nem um louco ele olhou em volta e viu a irmã se aproximando.


– Ahn... Chegou. — A jovem parecia triste ao ver o irmão.


– Eu sei que cheguei, e o resultado? -


– Eu to falando dele. — Ria Julia.


– E como eu fui? — O garoto ficou olhando a irmã todo ansioso. Não tinha todo o desejo que Détrio possuía, mas era difícil não fantasiar.


– É... Você foi o sexto colocado... — Diz a irmã meio para baixo.



Julia é uma jovem loira, com cabelos lisos, de 16 anos. Maior que Kevin. Belos olhos azuis. Pele clara. Kevin um garoto de cabelos loiros e alhos azuis. Os traços de ambos eram os mesmos. A pele um pouco delicaa, um rosto fino. Um olhar cheio de vida, muito expressivo. Os cabelos loiros eram lisos, mas enquanto os de julia formavam uma pela cabeleira, os de Kevin se espalhavam pela cabeça, mostrando o descaso do jovem para com o cabelo.



O garoto ao receber a noticia que havia sido selecionado pareceu entrar em euforia. Kevin parecia ter um ataque de felicidades. Saltava de um lado para o outro correndo como se tentasse alcançar ou se distanciar de algo. Em meio a gargalhadas ele repara que sua irmã não estava feliz.


– Sou o sexto! Sou o sexto! — Ele para por um momento levando a mão na cabeça coçando-a meio sem jeito. — Acho que é melhor dizer que eu passei. Ser o ultimo a se classificar não parece tão bom. — Ele ri dele mesmo e volta a pular. — Eu passei! Eu passei! -


A irmã sentou-se no sofá olhando-o todo animado. Ela não esboçava um grande sorriso, pelo contrário nem chegava a sorrir. No entanto, Kevin só foi notar quando foi tentar fazer a irmã pular junto com ele.


– Tem algo errado? — Kevin parou vendo aquela cara não animada da irmã. — Está preocupada com a declaração feita por Gary e Ash sobre a Estilo do Poder? Vi um pedaço quando saia da escola. — Kevin abraçava a irmã. — Está com medo? -



Era um casal de irmãos que se entendiam. Talvez pelo fato de um ter cuidado do outro durante os últimos anos. Na realidade Julia cuidava de Kevin e Kevin cuidava para que nenhum garoto atrevido ficasse cantando a sua irmã.



– Deveria ter acabado de assistir. Gary anunciou que devido a um problema de custos, principalmente por causa da Estilo de Poder, eles terão de pegar apenas cinco crianças, ao invés de seis como era o previsto. — Diz ela temendo a reação do irmão.


– O que? — Incerto do que aquilo significa o menino parou estático.


– O papel que assinou tinha uma clausula que dizia... — Dizia Julia.


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– ... Que se houvesse necessidade os jovens classificados receberiam apenas um pokemon e nada mais. No caso aqui, é apenas o sexto. Está aqui, quer ler? — Pergunta Gary no local da reunião e no dia marcado.



Gary de perto era ainda mais impressionante. Passava um ar de seriedade, mas também amistoso. Era nítido que era um estudioso, logo um pesquisador competente e um mestre habilidoso.



– Mas isso é um abuso! Um absurdo! Só podia ser mesmo coisa de um Carvalho! Fiquei apenas um ponto atrás do quinto. Isso é... — Kevin berrava enquanto os outros cinco jovens ficam olhando ele frustrado.



Kevin prestava pouca atenção em quem estava ali. Para ele a questão era Kevin Maerd Junior, o próprio, contra Gary Carvalho. Era uma sala de escritório da Associação de Batalhas da Liga Pokemon. Havia sofares, mesas de escritório e alguns retratos com treinadores famosos. Era basicamente uma sala ampla e simples. Mas, para Kevin era o local perfeito para gritar e fazer valer os seus direitos.


Os berros de Kevin duraram cerca de uma hora inteira. Era difícil explicar para uma criança que o contratado assinado dizia algo importante nas letras miúdas. Ainda mais quando a criança de 12 anos era Kevin Maerd Junior. O garoto era a teimosia em pessoa.



– Eu vou processar você por enganar uma criança! Fazê-lo assinar um contrato. Menores não assinam contrato! Vou te processar por não saber lidar com seu dinheiro! Vou... — Kevin continuava gritando sem descanso.



– Acho que se ele chorasse ia ser mais normal! — Um dos jovens selecionados já não acreditava que aquilo poderia estar realmente acontecendo. Já fazia bastante tempo que a situação estava naquele alvoroço.



– Calma! Como eu disse ganhará um pokemon, mas... — Gary parava sua fala escondendo-se atrás de uma mesa.



– Sabia que me meter com esses Carvalhos era roubada! — Kevin agora jogava o sapato contra a cabeça de Gary. — Eu vou processar... Arruinar... Trucidar... Vou fazer você se arrepender disso... — Gritava Kevin que agora era segurado pela irmã que já estava envergonhada com a situação.



– Maninho... Já chega! — Julia arrastava-o para uma cadeira.



– AHHHHH! — O garoto esperneou mais uma vez, mas acabou parando.



Ele viu Gary sair de traz da mesa certificando-se que ele estava mais calmo. Então pela primeira vez Kevin fitou os cinco jovens que iriam ser discípulos de Gary Carvalho.


Cabelos castanhos escuros mal penteados. Estava com óculos de aviador na cabeça. Uma pele branca. 11 anos. Olhos castanhos expressivos. Aquele era Davis Motto, foi o primeiro colocado. Ninguém sabia de qual cidade Davis havia vindo, apesar dele dizer que não era das regiões daquele continente.


O segundo colocado, Kevin conhecia bem. Ele até tentou acalmar o amigo no inicio, mas resolveu desistir, já conhecia a fúria do amigo. Aquele era Détrio Dasen. Jovem de 12 anos de cabelos ruivos, arrepiados, e sardas nas bochechas. Um corpo magro, mas talvez o mais fanático de todos por pokemons. Détrio era de Tin, e ele não cansava de dizer isso para que todos lembrassem de seu avo Oliver Dassen, um antigo treinador pokemon que ganhou uma edição da Quest Liga há muito tempo atrás.


O terceiro colocado era uma jovem moreninha. Cabelos encaracolados e um sorriso bobo. Possuía 10 anos. Aquela era Lúbia Mar. Estava com um vestido e olhava aquela situação um pouco assustada. Diziam que ela havia vindo da região de Arton que ficava em outro continente.


O quarto colocado era um jovem de 12 anos. Mas ele de longe parecia ter aquela idade. Parecendo muito maior, usava umas roupas parecidas com as de alguma arte marcial. Seu nome era Douglas Kombat, chegou exigindo ser chamado de Doko. Se sua roupa e tamanho não bastassem para chamar a atenção, ainda havia seus cabelos laranjas. Este era da região de Jotho. Precisamente Quinhão Dourado.


A quinta colocada chamava-se Marjori Star. Na verdade aquela garota já era bem conhecida em algumas cidades. Com seus 11 anos tratava-se de uma cantora de ego grande. Cabelos rosas, presos em um rabo de cavalo e um vestido estravagante, seus olhos cor rosa mostravam-se irritados com aquela demora. Era originária das Ilhas Laranjas.



– Como é? Antes de sair em jornada com o mestre eu pretendo fazer um ultimo show ainda hoje. Acho que meus pais já devem estar lá em baixo esperando. — Marjori se mostrou estressada com tudo aquilo. — Agora que o circo já acabou dá o pokemon para ele logo e vamos tratar de ajustar os tramites para o treinamento. — A menina realmente estava irritada.



– O loirinho ai é calminho perto dessa aí! — Comentou Davis a Lúbia que começou a rir.


– Kevin desculpe-me! Espero que consiga realizar seus objetivos. — Gary falou com o menino que o ignorou. Olhou para a Julia que sorriu sem graça e fez sinal para que ele continuasse. — Não ache que o pokemon que receberá será um prêmio de consolação. Foi criado desde o ovo por um experiente criador. Apenas, deixei-o no laboratório em Pallet... — Começou Gary.


– Que? — Julia arregalou os olhos assustada com o que viria a seguir.


– Com o Professor... — Gary tentava encerrar a fala, mas era nítido que todos já sabiam quem lhe daria o Pokémon.


– Eu não quero!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! — Gritou Kevin.


– ... Carvalho. — Gary estava sem entender o que se passava.


– Não! -


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Realmente eu estava frustrado naquele dia. Como podia aceitar. Eu era novo. Ainda sou novo. Eu só estou dois dias mais velho. Mas, como alguém podia dizer a uma criança que se ela se esforçasse ia ser treinado por um dos maiores, e depois do nada, após ele ter dado o seu máximo simplesmente desistissem de fazer o combinado.


Realmente era revoltante. A pior parte, não era só ter sido enganado por um idiota metido a Mestre Pokémon. Era o maldito premio de consolação. Eu me recuso a pensar que fui forçado a aceitar o Professor Carvalho. Dentre todos os conhecidos, logo aquele ser... Logo aquele pesquisador. Realmente foi um inicio frustrante.


Mas, eu teria de fazê-lo pela minha irmã. Além disso, tinha a promessa para com meu amigo Detrio. Nos veríamos na Quest Liga. Ele sempre sonhou com a competição. Ela nem é a maior competição do Mundo, é apenas a de nosso continente. Mas, ele queria enfrentar seu melhor amigo naquela competição, mesmo que fosse na primeira luta, na batalha mais emocionante de sua vida. E porque? Por seu avô tê-lo feito.


Pela minha promessa e pela minha irmã, eu aceitei aquela situação tortuosa. Eu era uma boa pessoa em querer ajudar os dois a concretizarem seus sonhos. Eu era muito burro!