PET - 3ª Temporada - Combate nas Sombras
20 Capitulo 20 - Elisa Cruz
Notas iniciais
– Desculpe-me. -
A voz pareceu tímida ao realizar aquele pedido de desculpas. O ambiente não trazia tantas opções que não fossem desculpar-se. O local tinha uma iluminação alaranjada, graças à posição em que o sol estava naquele entardecer, janela com cortinas fechadas, luzes apagadas, uma cama organizada e outra completamente bagunçada onde alguém tentava esconder-se.
–Não há mais quartos vagos. A Enfermeira Joy me contou que estava indo para casa e descobriu que seus pais morreram em um ataque da Estilo de Poder. — Era uma menina que estava em pé na porta do quarto. Com uma mochila nas costas e uma roupa um pouco suja, os cabelos pretos pareciam bem bagunçados. — Sinto muito. Se precisar conversar... — A falta de resposta ou mesmo movimento por parte da deitada chorosa pareceram constranger a menina que estava à porta.
Era verdade que a dois dias ela estava trancada naquele quarto apenas chorando. Ela estava para deixar o Centro Pokemon quando viu o ataque a sua cidade natal e pode ver quando a televisão focou em seu pai e mãe sendo soterrados por um prédio. Ela ficou parada olhando a televisão por uma hora inteira, sem acreditar que seus pais haviam morrido. Mas, não havia como sobreviverem, um prédio de dez andares caindo em cima de duas pessoas que corriam pelo asfalto faria um estrago colossal.
– Ou se precisar de um novo rumo, pode seguir viagem comigo para Hoeen. — Completou a menina de cabelos negros que resolvera acabar de entrar. — A maioria lá perdeu alguma coisa importante. Elas podem fazer você encontrar outros caminhos ou ao menos superar um pouco mais rápido essa situação. -
De posse de seu material de banho a menina recém-chegada ao quarto do Centro de Pokemon dirigiu-se para a porta indo para o banheiro comunitário do centro, não iria estressar a companhia de quarto mais do que o necessário.
– Ah! Meu nome é Cinthia! — Disse saindo do quarto.
Pokemon Estilo de Treinador
3ª Temporada — Combate nas Sombras
Capitulo 20
Elisa Cruz
Elisa saiu do centro sem saber bem o que com 16 anos. Ela pensou em ir a sua cidade, ao menos visitar o túmulo de seus pais, uma vez que encontrou o nome deles na relação de mortos, mas não tinha coragem. Sua mãe nunca quis que ela fosse coordenadora e talvez se apresentando a eles, mesmo no túmulo, com aquele fracasso que ela carregava, talvez fosse apenas motivo de vergonha.
Dentro de um navio que se dirigia para Hoeen ela resolvera alcançar a mão que lhe foi estendida pela tal garota Cintia. Ela parecia muito nova, talvez tivesse no máximo 13 anos, mas era a melhor oferta. Se o grupo que Cintia comentou pudesse fazê-la aprender a viver com a dor e com a vergonha que sentia, valia a pena tentar.
Mas é um cartão muito estranho. Elisa segurava o pequeno cartão deixado por Cintia para que Elisa pudesse encontrá-la. Era um cartão metálico que mostrava duas espadas cruzadas e um elmo a frente deles. Não havia inscrição ou mesmo endereço. Elisa sabia para onde ir apenas devido ao bilhete que estava junto com o cartão.
Por toda a viagem ela se questionou sobre aquele cartão, mas somente duas semanas depois que ela chegou ao local ela veio a entender.
Era mais de dez da noite quando ela chegou. Não havia Centro Pokemon naquela cidadezinha. Dirigiu-se para a única pousada do local, que curiosamente era o endereço que Cintia havia deixado. Dois andares, feito quase que totalmente de madeira rustica, deixava um ar bem sombrio devido a pouca luminosidade da recepção.
– Garota, não me importa que esteja cansada e faminta. Não há vagas! — O atendente parecia perder paciência com Elisa, a menina insistia em se hospedar após ter desistido de perguntar por Cintia. — Não sei o nome de todos os hóspedes e mesmo que soubesse não passo informações sobre eles. -
Elisa encarou o atendente por alguns instantes. Era um homem negro e musculoso. Duvidava que ele estivesse querendo colaborar e fosse o dono do local. Parecia mais um segurança e visto o horário ela até entendia a postura. Mas, foi só ao olhar no espelho que percebeu que ela talvez tivesse a mesma atitude. Ela estava deplorável. Cabelo totalmente desgrenhado, calça jeans e blusa bem batidos e uma mochila de viagens que indicava estar na estrada por dias. Ela mesma se julgava uma ameaça.
– Desculpe-me. — Disse Elisa. — Pode indicar-me uma lanchonete, bar ou restaurante? -
O atendente coçou a cabeça. Levantou um dedo enquanto pensava para onde a menina poderia ir naquele horário. Ela esperou observando-o pensar. Escutou a porta de abrir atrás dela. Afastou-se do balcão para que a pessoa pudesse ser atendida.
A pessoa parecia um membro de gangue, saído do filme mais trash que ela poderia imaginar. Viu ele estender um cartão prateado, sem falar mais nada. O atendente indicou para ele um corredor e a pessoa entrou por ele desaparecendo na penumbra.
– Acho que o velho Jack estará aberto, você pode conseguir uma refeição lá, se não se incomodar com alguns bêbados loc... — O atendente que havia se voltado para Elisa a fim de dar lhe uma direção parou surpreso ao vê-la estender o cartão prateado igual ao do cliente que havia acabado de chegar. — Onde encontrou isso? -
– Cintia disse para eu usar caso tivesse dificuldade de encontra-la. Não achei que fosse para apresentar na pousada. — Elisa via que precisava falar pouco, já que não tinha ideia do que aconteceria a partir dali.
O atendente saiu de trás do balcão e trancou a porta de entrada da pousada fazendo-a ficar arrepiada. Fez um sinal para que ela o seguisse pelo corredor escuro enquanto ele caminhava um pouco a frente.
O coração da menina disparou desde o momento em que o atendente saiu de trás do balcão e a cada segundo que se passava ela começava a duvidar que aquilo tivesse sido uma boa ideia.
– Você parece uma menina sensata, então vou te dar uma dica. Observe e nada diga. Fique em um canto e não chame a atenção. Ao final, quando escutar o local do próximo evento corra por esse corredor e se esconda atrás do balcão junto comigo. — Ele parou encarando-a na penumbra. — Ou será que estou enganada e essa carinha de anjo é apenas fachada? -
Os olhos de Elisa mostravam um pouco de seu espanto. As palavras do atendente a assustavam, mas não mais do que os gritos abafados que escutava vindo de trás de uma porta.
– Como desconfiei. — Sorriu o atendente que voltou pelo corredor escuro deixando-a diante a porta.
Eu devo entrar? Mas o que foi aquele aviso? Será que entrando encontrarei pessoas na mesma situação que a minha? Queria os conselhos de meu pai agora. Ele é sempre tão assertivo e faz todos se sentirem tão bem em volta dele. Mas, se eu não abrir a porta aquele atendente certamente vai me questionar sobre muitas coisas e posso meter a Cintia em problemas. Elisa respirou fundo e girou a maçaneta da porta.
A gritaria aumentou e o que ela viu foi algo que ela não esperava. Uma arena pokemon com pokemons batalhando. Gente dançando e gritando. Bebidas e comidas, gente se agarrando, gente brigando, e muitos prestando atenção na batalha pokemon que ocorria na arena. Tudo acontecia no porão. Talvez 50 pessoas estivessem ali, mas ela não conseguiu estimar, já que sentia-se tonta devido ao barulho que aumentará exponencialmente. O local certamente tinha isolamento.
Ela andou, ainda com sua mochila nas costas, com um misto de surpresa e medo. Viu algumas pessoas olhando de forma intimidadora e lembrou-se do que o atendente disse “observe do canto”. Ela rapidamente voltou para perto da porta, mas a porta se abriu no momento que ela chegou nela, para se apoiar e esconder-se ali.
– Abriram a porta do inferno. -
Careca, sem camisa, com músculos e barba por fazer. O homem que abriu a porta e deu de cara com Elisa riu da própria piada para a menina e suas condições precárias.
Elisa se encolheu diante a fala e o sarcasmo do homem que desceu caminhou pela multidão gritando, mas sem deixar de olhar para ela.
A noite passou com ela sentindo aquele par de olhos grudados nela, mesmo quando ela esquivou-se para pegar comida e bebidas, não conseguiu fugir do olhar atento do homem que a vigiava descaradamente. Só foi conseguir fugir do olhar dela quando escutou a frase “O próximo evento será em Litleroot.”
Ela abriu a porta e correu, o mais rápido que pode pelo corredor, seguindo as orientações que lhe fora dado pelo atendente quando ele a encaminhou ao porão. Ao chegar na recepção viu que o atendente já aguardava e a escondeu atrás do balcão.
Foram cerca de vinte minutos, agachada e uma gritaria ocorrendo. Gente se estapeando, ofendendo, rindo e outros mais. Escondida e tremendo junto a sua mochila, ela tentava imaginar o que estava acontecendo e em que tipo de lugar ela havia se metido.
Mas, ela tinha que admitir, durante toda a noite não pensou em seus pais. Não pensou em nada diferente de proteger-se e aprender mais. Chegou até a torcer por um dos pokemons na arena, um que era da mesma espécie que um dos seus, mas estava trapaceando ao usar uma foice.
Quando finalmente saiu do esconderijo o atendente parecia querer se livrar dela rapidamente. Elisa percebia e acreditava que o que ele fez não seria bem visto pelos membros, agradeceu e levou consigo uma folha de papel rasgada com alguns garranchos, que supostamente era escrita, que eram indicações para ela.
“Não é o que parece!” “Perigo para toda a eternidade!” “Não participe!” “Foi enganada!” “Não use seus pokemons.”
Eram avisos estranhos como se o atendente tentasse colocar a menina para fora. Primeiro grosseiro. Depois solicito. Seguindo para um prestativo e por fim visivelmente preocupado. Elisa viajou para Litleroot perguntando-se o que fazer. Ela compreendia que muitas coisas que aconteceram naquela noite eram ilegais, mas tirando a brutalidade das batalhas cheias de trapaças ela não via algo que fosse tão assustador.
Jovens bebendo? Exposto a um pouco de nudez e violência? De fato Elisa tinha uma mente aberta e acreditava que se uma pessoa tem idade para viajar pelo mundo como se adulto fosse, tem idade para fazer outras coisas de adulto. Ninguém parecia ter menos de 15 anos e mesmo lembrando-se de Cintia, que não conseguiu encontra-la, não pareceu que alguém estava forçado a estar lá.
Mas, qualquer perigo era ignorado quando a ideia de que passou uma noite inteira acordada sem pensar nos falecidos pais e naquela noite dormiu bem, mesmo que por exaustão. Teve sim sonho com os pais, mas nada que a fizesse acordar atormentada. Conferir um pouco mais daquele estranho evento parecia ser uma boa opção, até porque não havia encontrado a menina que sugeriu que ela participasse daquilo. Ela certamente lhe daria mais informações sobre como funcionava tudo aquilo.
Talvez pelo espanto, ou pelo local em que ficou boa parte d anoite, Elisa não via as apostas e as drogas indo e vindo pelo ambiente, dois elementos que talvez a fizessem pensar duas vezes.
O evento em Litleroot foi ainda mais intenso e encantador. Mais iluminado e menos bucólico, parecia uma feira. O homem que aprecia reger tudo aquilo tinha cabelos longos loiros e sorria todo o tempo. As pessoas pareciam respeitá-lo e teme-lo. Elisa não encontrou Cintia, mesmo tendo conseguido um pouco de coragem de rodar pelo local. No entanto, a reta final não foi nada agradável.
Desconhecendo completamente as regras ela viu o vencedor do torneio daquela noite desafiar o organizador. Foi uma luta inicialmente justa, mesmo tendo armas, até o momento em que os pokemons evoluíram. O desafiante usava um Charmander com o rabo revestido de espinhos, uma espécie de armadura para o rabo, enquanto o organizador usava um Seel com dentes de aço. Assim que Seel evoluiu para Dewgong a dentadura metálica caiu, mas Charmander não teve essa sorte. Charmeleon surgiu já tendo um problema de algo comprimindo, fortemente o seu rabo.
O Pokemon de fogo caiu antes mesmo de levar um golpe, começando a ficar com uma coloração roxeada, devido ao sangue não estar circulando. Dewgong não quis saber o que estava acontecendo e atacou com o Hidrobomba que apenas não atingiu com tudo seu adversário, certamente pondo fim a sua vida, já que a chama de sua calda estava bem pequena, porque uma pessoa entrou na frente do ataque.
– Que merda é essa? -
Todos se calaram diante ao berro do organizador. A frente de Charmeleon estava Elisa completamente molhada. Ela levou o ataque pelo pokemon a fim de impedir que ele morresse.
Todos estavam calados, espantados com a atitude da menina. Ela tossia e gemia um pouco devido ao forte impacto. O treinador de Charmeleon piscava abismado com o ocorrido ele já estava com a pokebola na mão para tentar recolher o caído pokemon, mas não conseguiu ser rápido o suficiente. Agora ele não conseguia saber se deveria continuar ou não.
Elisa em meio ao silêncio virou-se para Charmeleon que estava caído foi direto ao rabo liberando a armadura que o prendia. Foi instantâneo, a armadura parou de sufocar o rabo, as chamas aumentaram e a coloração voltava ao corpo. Elisa se aliviou por alguns insantes.
– Próxima cidade, Centro do Deserto! –
O organizador gritou parado onde estava. As pessoas começaram a dissipar rápido. O término sempre gerava confusão para todos, mas naquele momento a única confusão real seria para a menina caída e molhada. A única regra da batalha era sem interferências de terceiros e ela conseguiu fazer a única coisa que não deveria. Ninguém queria ver o que iria acontecer com a garota.
A verdade é que até queriam ver, mas como identificavam-na como novata o organizador iria procurar aquele que a trouxe e isso não era bom para ninguém. Mesmo não tendo relação nenhuma com ela, para quem ela olhasse pedindo socorro, mesmo que por desesperado, seria considerado culpado.
– Se a conhece fique, caso contrário esteja no próximo evento para terminarmos o que foi interrompido. — O organizador encarou o desafiante que tremia.
Sem olhar para menina ele recolheu rapidamente o pokemon e correu. Foram um pouco menos de dois minutos, mas não havia mais ninguém no ambiente, alguns poucos que começavam a arrumar as coisas do evento antes que o sol nascesse.
Elisa finalmente começava a ter forças para levantar-se. Ela esforçou-se para retirar a armadura do rabo de Charmeleon, mas sentiu tantas dores que preferiu ficar parada quietinha até que tudo passasse. Pelo silêncio e espanto geral ela já sabia que estava com problemas. Imagina que após verificarem que ela estava bem teria que contar toda a história.
Sentiu uma dor, seu corpo estava sendo erguido. Paramédicos talvez, mas a verdade foi que suas pernas foram forçadas a se firmar e o que mais doeu foi o braço esquerdo.
– Não tenho o dia todo sua cadela. — O Organizador agarrando-a pelo braço arrastava-a para dentro de um carro. — Eu não sei o que estava pensando, mas espero que sua história seja muito convincente. -
Um desmaio. Elisa desmaiou e só veio acordar quando água começou a cair em cima dela. Assustada mexeu-se tentando afastar-se do que quer que fosse. Os olhos demoraram em se acostumar com a claridade do local. Era uma sala de jantar bem elegante e três pessoas estavam ali. Identificou um rapaz de terno olhando-a curioso e outro com músculos definidos e olhos claros, usando apenas calça de moletom, observando-a com paciência. No entanto, mais próximo a ela estava o de cabelos loiros, com uma jarra de água, agora com liquido pela metade, em pé ao lado dela.
Ela passou a mão no rosto tirando um pouco da água dele e levantava-se do chão. Assustada, olhou ao redor tentando afastar-se ainda mais do loiro que estava com uma cara zangada. Esbarrou em algo e viu que era sua mochila, com as coisas reviradas pelo chão.
Nenhum dos três falava nada, apenas mantinham aquelas expressões que a deixavam mais assustada. Quando ela tentou falar algo um barulho abafado surgiu no recinto. Uma porta se abria e alguém era arremessado para dentro.
Negro e com muitos ferimentos, Elisa identificou aquele como o atendente de uma semana atrás. O atendente levantou-se rapidamente se colocando em posição defensiva, tentando encontrar a posição onde pudesse ver os três que estavam na sala e o que o jogou ali, mas estacou ao ver a menina.
– É tudo por causa dessa guria? -
Ele gritou o questionamento sem ter resposta. Uma pessoa passou pela porta, correndo ele já estava junto ao atendente que tentava afastá-lo socando o ar, mas o homem passou pelos socos habilmente, agarrando-o pelo pescoço e iniciando um enforcamento.
– Pare! — Gritou Elisa assustada.
A agressão já causava grande espanto, mas ao identificar que o ultimo homem a entrar fora aquele da primeira noite que ficará a observá-la ela estava ainda mais intimidada.
– Como ela entrou no evento do final de semana? — A pergunta veio do homem de terno.
Elisa ficou muda. Estava muito atordoada para dizer alguma coisa e entender o que estava se passando, o atendente teve seu pescoço um pouco mais apertado.
– Cartão prateado. — Disse o atendente, tentando se soltar. — Ela tem. –
O loiro apontou o cartão que estava em cima da mesa. Haviam três objetos ali, o cartão e duas folhas de papel, uma com o endereço do final de semana anterior e outra com os avisos do atendente.
– Protegeu-a naquela noite? — Questionou o homem só de calças.
– Sim! — Respondeu rapidamente o atendente tentando fazer com que tudo acabasse logo, mas acabou tendo seu pescoço apertado com mais força.
– Escreveu isso? — Questionou o loiro. — Nem precisa responder. Esse garrancho chamado de escrita só você possui. -
O atendente continuava tentando se soltar e olhava para Elisa desesperado. No entanto, a menina estava completamente apavorada.
– Ninguém traí a Liga das Sombras. — Diz o de moletom. — Pelos seus serviços não sofrerá. Gaulês, que seja breve. -
O homem de olhar intenso, o Gaulês, encarou Elisa nos olhos e quebrou o pescoço do atendente, sem desviar o olhar.
<><><><> Dias atuais em Hoeen <><><><>
– Eles vão fazer um evento na Pacifidlog? -
Assustado um dos sete clientes de Elisa parecia não acreditar que a Liga da Sombra iria tão longe. Pacifidlog era uma cidade flutuante que abrigava, anualmente, o Grande Festival, hoje não muito povoada devido ao fim dos Festivais.
– Na verdade em uma ilha não muito longe daqui. — Comentou Elisa.
Usando agora um vestido azul ela mostrava ao longe da ilha. Eles estavam em uma mata, próximos a um penhasco. Daquela altura podiam ver longe. Ela instruía seus sete cliente e a Nivek sobre como procederiam dali.
– Partiram em duplas em pequenos botes, escondam bem os botes quando chegarem. Sairão nessa madrugada, para que tenham chances de aprender sobre o local e encontrar bons abrigos e rotas de fuga. Mas, aconselho a se esconderem pela ilha e ficarem lá até anoitecer, navegar no escuro não é bom, mas garantirá proteção extra. — Elisa virou-se para Nivek. — Minha parte é leva-lo até o local do próximo evento, o resto é com você. -
Nivek apenas assentiu com a cabeça. Dex apareceria naquele evento para caçá-lo e conforme informações de Elisa deveria evitar lutar contra ele dentro do evento.
Essa moça é muito inteligente. Dex aparecerá, mas pode ou não estar com Lucas acompanhando-o. Se trouxer Lucas, tudo fica simples, eu perco na luta para ele e tudo termina. Agora se ele não trouxer Lucas, terei de força-lo a me levar até ele e postergar a luta. O problema é ela dizer que não terei como deixa-lo ganhar. Nivek imagina se ele iria armar para forçá-lo a lutar de alguma forma. Mas, tentava deixar esse pedaço para depois.
– Tem certeza que podemos confiar nele? — Questionou um dos clientes a Elisa. — Esse cara me dá arrepios. -
– Tecnicamente devemos a ele. — Diz Elisa. — Se ele não tivesse aparecido Murilo teria escapado com tudo. A chegada dele atrasou a fuga. — Elisa ponderou por alguns instantes. — Além disso, seu pokemon teria morrido na noite passada. Não seja mal agradecido. -
O grupo encarou Nivek por alguns instantes. Olhar frio e angustiante. Era como se algo tivesse acontecido com ele e agora ele apenas buscasse algo para acabar com sua dor, algo que parecia ter haver com morte.
Na noite anterior eles estavam verificando as condições dos seus pokemons para o evento, mas um percebeu que seu pokemon não estava nada bem. Após a luta contra Murilo não tiveram muitas condições de cuidar dos pokemons e a viagem rápida, para chegarem com tempo sobrando ao local do evento, o que resultou em um pokemon ferido não ter recebido dos devidos cuidados.
Braço quebrado, esporos paralisantes ainda causando muito efeito e um desgaste acumulado. Tentaram medicá-lo, mas a paralisia não passava. A verdade era que os esporos ainda faziam efeito por ainda estar em contato com o pokemon nenhum deles percebia isso.
Esporos paralisantes são pequenos flocos de toxinas que em contato com o ser vivo, não imune, causa a paralisação do corpo. Após eliminar todo contato o remédio deveria fazer grande efeito. Mas, o pokemon do cliente de Elisa aspirou o esporo deixando-o preso junto aos pelos nasais. Por mais que banhassem o pokemon não conseguiam perceber o esporo preso dentro do nariz.
Nivek entrou em cena nesse ponto. Diferente dos demais, ele via a dificuldade do pokemon respirar como uma Causa para o problema e não pelo fato dele estar respirando com dificuldades devido à dor. Foi algo inesperado, Nivek parecia dormir e de repente bufou mandando lavar o nariz dele para tirar os esporos alojados ali.
Nivek estava ganhando um conhecimento grande na área medicinal. Seu conhecimento dos pokemons somados aos cuidados para tratar seus ferimentos assemelhava-se muito com o que Julia Maerd, sua irmã, possuía. Mas, Julia seguiu aquele cominho com o intuito de batalhas e no momento o Kevin/Nivek estava perdido demais para saber o que fazer com tudo aquilo que estava aprendendo.
– Ok! — O cliente que questionava sobre Nivek resolveu ceder. — Afinal está tentando salvar seu amigo. Acho que no final não deve ser tão perigoso quanto parece. -
Nivek nada disse, apenas afastou-se. Era verdade que ele não era perigoso quando se tornou Nivek, apesar de sua aura pedia por morte. Mas, quando matou o primeiro ser vivo demorou a perceber o que realmente tinha feito. Não era sangue inocente que manchava suas mãos, mas ainda assim era sangue e de alguma forma aquilo o perturbava.
Passou tanto tempo gritando que mataria diversos membros de Estilo de Poder e quando conseguiu fazer o ato ele pareceu sem significado algum. Sabia que sua vida dependia daquela morte, mas nem de longe imaginou que a sensação seria aquele vazio de algo completamente comum.
– Algo errado? -
Nivek havia sentado debaixo de uma árvore. Ele estava tentando ordenar os pensamentos. Lembrava-se o quanto o cara havia batido nele e que antes ele ameaçava Juliana, sabia que no incidente do deserto se ele não fizesse algo Marjori teria sofrido bastante antes de um possível assassinato dela e dele.
No entanto, lá estava Elisa para interromper seus pensamentos. Qualquer um que olhasse para o jovem Nivek, de olhar amargurado e profundo, com roupas negras e um ar de morte entenderia que havia algo o perturbando. Mas, a moça fazia a pergunta, talvez para puxar assunto ou no intuito de ajudar.
– Está mesmo querendo me ajudar. — Nivek lançou um olhar gelado para ela. — Mas, não sei o motivo. — Nivek ficou a olhá-la. — Temos um acordo no qual eu fico me perguntando sobre o seu passado. Mas, independente dele, não consigo enxergar você ser tão boazinha arriscando a própria vida para ajudar as pessoas dessa forma. -
Elisa deu uma pequena risada. De fato, ninguém é tão bonzinho assim. Ela mesma não se julgava tão boazinha. Passou por tantas coisas ruins na Liga das Sombras que sua decisão que ajudar Kevin era a única forma de conseguir alguém competente o suficiente para destruir a liga. Virar uma agente de alguns membros da Liga que estavam em apuros na verdade era uma forma de conseguir dinheiro, já que quando saiu não possuía mais nenhum centavo, além de conseguir ir minando as forças dos eventos aos poucos.
Sim, a moça não era uma menina boazinha querendo ajudar a todos. Mas, todas as ajudas eram genuínas e ninguém se sentia explorado ou usado por ela. Até mesmo a aura da menina era agradável.
– Um dia eu precisei de ajuda e ninguém ao meu redor me estendeu a mão. — Elisa parou. – Sabe o que é você estar no inferno e não conseguir sair porque todas que estão ali com você estão adorando que você está no centro das chamas e não eles? – Elisa desviou o olhar por alguns instantes com algumas lembranças. — Na verdade a única pessoa que tentou me ajudar morreu na minha frente, sem que eu conseguisse fazer nada. — Ela suspirou. — Só o Kevin Maerd Júnior ajudou-me, mesmo estando distante. — Elisa encarava Nivek de volta, mas sem o olhar frio, sorriso no rosto que dificilmente não parecia ser inocente. — Eu quero dar às pessoas a chance que não tive. Assim como o Kevin. -
– Você e esse Kevin! — Berrou Nivek levantando-se. — Esse cara, se ainda não morreu, deve morrer logo, assim como os amigos dele. — Nivek estava transtornado com aquela situação de ficar ouvindo alguém falar o quanto ele era bom e ajudava as pessoas. — Ele não fazia as coisas pelas pessoas o tempo todo! Elas estavam no caminho dele e acabavam sendo ajudadas porque ele não tinha escolha! -
Olhos enfurecidos e aura de morte tomando conta de tudo em volta. Os sete correram para ver o que acontecia, mas não ousaram aproximar-se do que parecia ser uma briga onde Nivek logo mataria Elisa. Olhos coléricos e tudo indicando que ao menos um soco a jovem levaria.
– Talvez nem ele mesmo conheça o quão bom em salvar as pessoas ele seja. — Comentou Elisa. — Mas, não muda o fato dele ter me salvo e inspirando a encontrar meu caminho. -
– Ele está te incentivando para a morte. — Disse Nivek. — Se a Liga descobre todos morrem. -
– Já estamos todos mortos. Estamos apenas lutando pela vida. — Diz Elisa dando as costas para Nivek. Ela sentiu que realmente ele estava para ataca-la, o que ela não esperava que acontecesse.
– Que ele esteja me incentivando para morte junto e eu esteja levando todos comigo. — Ela parou alguns passos depois. — Mas, pelo menos é o que acredito que seja certo a fazer. — Ela sorriu. — Por acaso, está seguindo na direção da morte todos os dias levando Lucas e seus pokemons por um motivo diferente? -
Elisa voltou a caminhar fazendo seus sete clientes se apavorarem ao serem percebidos assistindo toda aquela cena. Enquanto eles saiam dali, Nivek estava parado, ainda emanando uma energia ruim, mas nitidamente mais perturbado.
Não estou seguindo na direção da morte e nem levando Lucas comigo. Estou seguindo para a morte da Estilo de Poder. Ou não? Será que esses pokemons estão me seguindo para a morte? Nivek pegou suas três pokebolas e ficou olhando-as, questionando-se o quanto seu plano era destrutivo.
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“Estamos começando a ficar descontentes com seus serviços. Além de dois agentes terem sido assassinados na sua área, perdeu o último Fúria do Deserto, não nos trouxe o Monstro do Pântano e ainda não localizou o corpo de Nivek. Traga resultados neste domingo.”
Era uma mensagem de texto realmente irritante. Claudius, o supervisor da região de Hoeen, estava começando a perder controle de sua região. Ele estava desdobrando-se para encontrar Nivek, ou ao menos o seu corpo. Não havia evidencias nenhuma de Nivek ter morrido e nem dele ter sobrevivido ao combate contra Draco.
A dificuldade o forçou Claudius a utilizar a Liga das Sombras. Primeiro incitou Dex a enfrenta-lo, fazendo-o caçar por toda Hoeen, depois aproveitando o sumiço repentino do jovem no último evento os demais organizadores iniciaram a procura dele. Mas, ninguém parecia ter obtido sucesso.
O problema foi que paralelo a isso a operação do deserto para capturar os Fúrias do Deserto acabou em um assassinato misterioso e a perca do último pokemon. Sem muitas pistas a única coisa que se sabia é que duas pessoas foram entraram na caverna e após uma luta, não muito demorada, os dois agentes foram assassinatos de forma brutal. Os pokemons não foram roubados, apesar de suas roupas terem sido levadas. Devido às tempestades de areia do local, não haviam rastros a serem seguidos, e o que havia na caverna era inconclusivo, já que era apenas pedaços de tecido, uma camisola aparentemente e nada mais.
– Além disso, tive dos hotéis de beira de estrada avariados pelos membros da Liga das Sombras. — Claudius estava de pé enfrente na varanda de sua residência. — Preciso dos Serviços do Smith. -
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