PET - 3ª Temporada - Combate nas Sombras
21 Capítulo 21 - Pressão Obscura
Notas iniciais
Era um quarto simples. Duas camas, piso de madeira, uma grande janela que deixaria muita luz e ar entrar não fosse à cortina fechada e uma escrivaninha com um pequeno nootbook desligado. Um quarto normal de estalagem que de tempos em tempos era alugado pelas mais diversas figuras, normalmente por pessoas que queriam descansar alguns dias longe dos olhares curiosos.
Murilo era um que precisava descansar longe de olhares curiosos, pelo menos se quisesse continuar vivo. Havia material de primeiros socorros espalhados por boa parte do chão e muitos já usados.
– Sorte sua ter se classificado na rodada passada. -
Murilo estava deitado na cama, o lençol escondia muitos curativos e alguns roxos que não foram cobertos. Ele escutava a voz da pessoa que estava ali com ele, mas não estava interessado em conversar naquele momento, ainda mais sobre sorte.
Sorte é o que ele não estava tendo desde que cruzou com Nivek e seu grupo. Naquele dia, onde estava na empresa de transporte para pegar carona, poderia ter morrido, não pelas mãos da Estilo de Poder, mas pelas mãos da pequena Lubia Mar. Se ela tivesse o visto naquele dia, certamente as coisas teriam sido bem complicadas.
Estariam em pé de igualdade para lutar, a luta seria intensa e estariam sendo coadjuvantes para a luta mais assustadora a se imaginar, Draco e Nivek. No final, o resultado seria a morte dos dois mais fracos. Isso porque na cabeça de Murilo, Nivek escapou de Draco na escuridão ao invés de derrota-lo, e Lubia o mataria por ele não saber quais pokemons dar a menina ao ser derrotado, pois certamente seria derrotado.
Fugindo da Estilo de Poder por dias, sendo descoberto em sua trapaça no meio de uma luta da Liga das Sombras, sendo perseguido por três retardados que só pararam após serem espancados, sendo encontrado pelo monstro do Nivek e em sequencia pela louca da Lubia. Não morri porque eu chutei bem os pokemons. Sorte? Murilo não acreditava em sorte naquele momento.
A verdade era que ele teve sorte por não ter encontrado Lubia nos primeiros dias. Sorte de Peter ter chegado para salvá-lo da morte certa, mas ele sabia que Peter o havia salvado.
Peter Smith era um membro da Liga das Sombras que havia ficado em segundo lugar na temporada passada da Liga das Sombras, por isso ele tinha vaga garantida na Taça. Era uma pessoa estranha e bem misteriosa. Um cabelo espetado escuro, alto e com roupas de roqueiro. Mas, o que havia mais persuasivo era o olhar maligno.
– Não fale se não quiser. — Peter deu uma pequena risada sarcástica. — Não somos o que chamamos de amigos, não é? -
Ele chegou ao local da luta quando Lubia tentava arrancar de Murilo os três pokemons. Murilo não tinha ideia de quais entregar e por sinal, já havia apanhado tanto da menina que ele não estava mais em condições de raciocinar. Peter era mais do que um cara com olhar malvado, sua principal qualidade estavam em suas habilidades psíquicas.
Diferente de muitos psíquicos ele não podia ler a mente, a famosa telepatia, nem mesmo a telecinesia ou teleporte. O que ele tinha era um fator psíquico sútil de fazer a pessoa ver o que ele queria que as pessoas vissem. Quando chegou e viu toda a situação e criou uma ilusão para Lubia onde ele foi tentando identificar quais eram os pokemons que ela deveria entregar. A ilusão era simples. Um nome surgia na cabeça de Lubia que de acordo com sua expressão, de tentando ordenar os pensamentos ou não, confirmava-se qual era o pokemon.
O processo poderia ser demorado, mas pokemons iniciais na região de Arton não eram muitos, Peter era extremamente inteligente para manipular as pessoas. Tanto que para passar a informação para Murilo precisou de uma ilusão bem menos elaborada, bastou jogar a imagem dos três na ilusão e Murilo começou a mexer na pokeagenda, fazendo trocas e entregando os pokemons que possuía, daquela espécie para Lubia.
Murilo ignorava que era muita sorte ter três pokemons daqueles, velhos e com problemas para dar. Ele ignorava, mas Peter sabia bem que o rapaz era sortudo mesmo.
– Se não somos amigos por que me ajudou? — Questionou Murilo.
Era sexta feira e desde que fora resgatado após ser abandonado cheio de ferimentos nunca o assunto havia sido levantado.
Peter Smith era o que poderia ser chamado de jovem perverso. Com seus dezenove anos de idade o jovem era um membro valoroso da Estilo de Poder. Tão valoroso que podia sair para participar da Liga das Sombras sem que fosse questionado.
– Porque você estava com Nivek naquela noite e sabe que ele saiu vivo do nosso confronto. -
A porta do quarto se abriu assustando a Murilo. Ele girou a cabeça e pode ver que Draco estava parado a beira da porta.
– Você sabe demais. -
Pokemon Estilo de Treinador
3ª Temporada — Combate nas Sombras
Capítulo 21
Pressão Obscura
Os trovões misturavam-se com as explosões e outros impactos deixando a duvida de quão sangrenta a batalha estava, ou quão forte era a tempestade que caia sobre a pequena ilha. Quem tinha chances tentava esconder-se na escuridão, mas os clarões provocados pelos relâmpagos atrapalhavam muitos que tentavam escapar do que parecia ser uma carnificina.
O evento que começou de maneira atípica naquela noite se transformou em uma batalha de todos contra todos, onde até os amigos mantinham distancia uns dos outros, com medo de não serem reconhecidos, ou mesmo traídos.
O trajeto até a ilha foi tranquilo para os clientes de Elisa e Nivek, a escuridão da noite foi à cobertura perfeita para que o trajeto fosse realizado discretamente. Chegarem um dia antes ao local permitiu esconderem os botes com perfeição e aprenderem sobre o local, em especial Nivek passou que parecia querer aproveitar cada pedaço da ilha nas lutas que se aproximavam. Mas, enquanto o grupo achava que ele estava apenas analisando o local o jovem de olhos amargurados buscava pistas de Dex e Lucas. Estas que não foram encontradas.
A atipicidade do evento veio com a troca do organizador. Apesar de, o evento ter todos os elementos que caracterizavam uma criação de Claudiu Maux, muitos equipamentos de iluminação tecnológicos presentes além de outros efeitos pirotécnicos, tudo mesclado com a vegetação local, seguranças e luxos desproporcionais, o evento estava para ser conduzido por Ganicus.
Para os participantes do evento foi informado que Claudius estava caçando um membro traidor da Liga das Sombras, mas que o evento ainda estaria sob sua responsabilidade e que a presença de Ganicus era apenas uma mera formalidade. O vencedor não poderia desafiá-lo ao final como se ele fosse Claudius. Murmúrios por todos os lados, mas nada que incomodasse a ninguém. Ninguém exceto Nivek.
Ganicus desde o seu evento vigiava-o com olhos de forma descarada, além de ter um respeito claro por Dex. Se Nivek tivesse que lutar a força contra Dex, certamente o gladiador loiro entraria em cena. Mas, a verdade era que o problema não era a presença de Ganicus, mas a falta da presença de Dex.
O evento começou e a primeira rodada terminou sem que Dex aparecesse para lutar, o que deixou Nivek tenso. Ele certamente esperaria o final do evento para se mostrar, quando ele já estivesse cansado de todas as batalhas e seus pokemons mais enfraquecidos. Pensou em desistir, mas Ganicus o observava atentamente.
Nivek entrou na Liga das Sombras ameaçando a vida de Ganicus, além de outras bravatas dizia que queria lutar. Certamente já havia chegado aos ouvidos dele que ele desistiu em sua primeira luta oficial, no túnel, e que não havia participado do evento anterior. Se ainda não bastasse Ganicus logo na primeira rodada dizia “Agora veremos do que Nivek e seu rato são capazes”. Ele esperava ver até aonde ele iria e não iria aceitar uma desistência tão facilmente.
A Liga das Sombras era um local complexo para se habitar. Ninguém preservava a vida dos pokemons e se alguém tentasse fazer isso era visto com maus olhos e até mesmo perseguido. Entre armas e evoluções forçadas, ainda havia a regra de só ser retirado desmaiado. Em uma batalha comum um pokemon perde os sentidos por algum tempo e o juiz paralisa a luta imediatamente. Mas, naquelas lutas clandestinas, o pokemon que perde a consciência ainda leva uns bons golpes antes que seja confirmada sua inconsciência, o que pode leva-lo a morte.
Nivek não tinha escolhas a não ser lutar até ser derrotado. Mas, quanto mais lutava mais Ganicus o encarava. Raticate era ágil e feroz, mas tirando toda a selvageria de seu ataque, não havia trapaça, não havia nada que indicasse que Nivek não fosse um treinador comum. Até que ponto aquilo era prejudicial? Quando Dex iria aparecer? Como estava Lucas? As coisas giravam na cabeça de NIvek não o deixando pensar direito.
A última rodada chegou e Nivek não havia visto Dex e Raticate estava sendo aplaudido como nenhum outro, mas ao mesmo tempo bem exausto. Se Nivek faria uma luta de tudo ou nada contra Dex, Presa Selvagem teria que estar em condições de ao menos salvar Lucas, enquanto Dex estava distraído. Preparou-se para em sua última luta desistir, Mas Raticate não permitiu indo a campo de forma feroz e muito irritada. Seu pokemon não admitiria uma desistência e talvez se Nivek estivesse prestando atenção ele próprio não teria pensado em desistir.
Na luta final o adversário de Nivek seria Muller, antigo treinador de Presa Selvagem. O pokemon que Muller iria usar era um Electrabuz que olhava furioso para Raticate. Nivek percebia que os dois se conheciam e percebia que não eram amigos nos tempos que eram parceiros de equipe. Era mais uma pressão na cabeça de Nivek. As pessoas sentiam que o jovem estava mais irritado que o normal, mais agressivo que o normal e a sensação de perigo em volta dele estavam mais forte do que das vezes anteriores.
A luta começou e infelizmente Presa Selvagem não conseguia fazer frente ao seu adversário, em especial depois do inicio da chuva. A eletricidade do pokemon era muito grande. Nivek chegou a achar que tinha mais força elétrica do que seu Ampharos, mas não conseguia medir a força devido a seu pokemon estar molhado.
Presa Selvagem olhava para Nivek pedindo uma estratégia vencedora, como sempre ele demonstrava. Mas, sua cabeça estava com muita coisa naquele momento. A pressão aumentou quando viu seu pokemon ser agarrado em um abraço. Electrabuzz invocava relâmpagos que caiam nele e consequentemente em Raticate.
“Vou matar você!” Era o grito de Muller enquanto Nivek já havia se calado e aumentava ainda mais a pressão de perigo. Algumas pessoas já se afastavam, não apenas pelo ar de Nivek, mas também pelos raios que caiam no lugar de eletricidade. “Vou matar você!” Continuavam os gritos de Muller.
A torcida começava a gritar a mesma coisa. Mortes não eram raras, mas seria o primeiro pokemon admirado que morreria naquela temporada.
“Morda a própria língua até sangrar, encha seus dentes de sangue e crave-os onde der!” A gritaria ainda continuava, mas parecia que Raticate estava esforçando-se para manter ouvidos abertos. Ele fez rapidamente o que fora pedido e os braços do pokemon elétrico se abriram.
Todos pararam de gritar ao verem sangue escorrendo pelo pescoço de Electrabuzz e Presa Selvagem caindo no chão se afastando bastante debilitado. Um urro pela noite misturando-se ao trovão. O pokemon elétrico caiu para frente, tremendo enquanto uma poça de sangue se formava em volta dele.
O pokemon elétrico estava morto antes que seu treinador fizesse algo para socorrê-lo.
A plateia gritava enlouquecida e Ganicus caminhava para anunciar o campeão do evento, mas teve que parar a pouco mais de cinco metros de distancia de Nivek. Os olhos haviam deixado o vazio e mostravam algo perigoso.
“É a sua vez!” O berro de Nivek fez a todos se surpreenderem diante o desafio. Ele recolheu o exausto rato e preparando-se para levar uma das duas outras feras para uma batalha intensa.
Ganicus não esconderia a vontade enfrenta-lo, ainda mais aquela exibição de finalizar tudo de forma tão selvagem. Ele ainda entendia que a jogada do sangue fora uma tentativa de envenenamento perfeito, aumentando ainda mais sua vontade de enfrentar o garoto com ar de assassino que finalmente havia começado a sair de controle.
Outro motivo para Ganicus enfrenta-lo era o fato que ele o desafiou na frente de todos. Aquilo foi uma afronta e se não aceitasse certamente iriam falar. A Liga das Sombras não possuíam muitas regras, mas enfrentar um organizador era possível apenas vencendo o evento do próprio, o que não era ele o caso.
Suspirando Ganicus caminhou na direção de Nivek, murmurando alguma coisa para ele. Como Ganicus queria enfrenta-lo ali mesmo, mas outra oportunidade viria.
Nivek ficou estático ao entender o que Ganicus murmurava, por isso não compreendeu o momento que Ganicus anunciou que o próximo evento aconteceria em três dias na Torre de Batalha e que apenas os 16 primeiros, no último andar teriam o direito de lutar com prêmio de Cem mil para o primeiro colocado.
E assim a ilha tornou-se um palco de guerra onde ninguém queria permitir que o outro saísse. Aqueles que não batalhavam rendiam-se ou tentavam acordos para não serem atacados. Aqueles que batalhavam não demoravam em atacar a tudo que se mexia. Na confusão os aparelhos de iluminação foram destruídos e logo todos estavam no escuro e não havia mais como diferenciar amigos de inimigos, se é que alguém realmente possuía amigos na Liga das Sombras.
Em meio a tudo aquilo a passos pequenos, perdidos, desmotivados e totalmente sem direção ou motivo Nivek vagava pela ilha, afastando ainda transtornado pelas palavras que escutará de Ganicus.
“Dex quer sua aura negra. Ou você para de se segurar e deixa esse demônio sair para enfrentá-lo, ou Lucas morrerá nas mãos dele. Tem até o final do próximo evento para decidir.”
<><><><>
O evento teve fim às três da manhã, mais cedo que o normal. Talvez porque o formato dos eventos de Claudius serem uma sinfonia que só ele sabe reger ou talvez pela velocidade das batalhas. Mas, Ganicus após comandar o evento de Claudius resolveu fazer um evento em um formato ainda mais estranho, coisa que apenas Spartacus fazia.
Três dias para o próximo evento, apenas os 16 primeiros terão direito a batalhar e a disputar um alto valor como prêmio. Uma corrida contra o tempo transformando a pequena ilha em um palco de guerra. Mas, no meio desta guerra estava um perdido Nivek.
Parado próximo a praia ele parecia ser um alvo para qualquer um que quisesse eliminar o rapaz sensação da liga atualmente. Ele parecia tão perdido que certamente nem sabia onde estava devido a escuridão.
Lucas vai morrer. Eu matei-o por uma decisão errada. Dez quer lutar contra o demônio Nivek? O que ele acha que eu sou assassino? Pior que sou mesmo um assassino, aquele membro da Estilo de Poder, o pokemon de Muller, meus amigos.... O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço? Será que no final sempre precisei da ajuda secreta de meu pai e seus amigos para avançar? Será que foi tudo sorte? Sorte? Sorte? Tenho que pedir ajuda. Tenho que pedir... Nivek sentiu que alguém o tocou.
Ele levantou os olhos, surpreso com a visão que tinha. Uma garota ruiva dos cabelos longos, trajando uma roupa de mergulho. Soltou para trás assustado perdendo ela completamente de vista por alguns instantes.
Melani? O que ela faz aqui? Não... Não era Melani. Nivek colocou a mão na cabeça caindo de joelhos. Sentia que o mundo girava em sua volta. Respirava com dificuldade enquanto sua visão girava e o mundo parecia cair sobre suas costas.
Novamente recebeu um toque no ombro e viu a cabeleira ruiva e o rosto angelical. Não havia como saltar para trás desta vez. A roupa de mergulho ativava a imagem de Melani em sua mente, mas forçou não confundir as pessoas. Ele sabia que se tratava de Elisa.
– Demorei em te achar. — O tom de voz parecia baixo, muito abafado pela forte chuva. — Me passaram um rádio e vim resgatá-los. Já tive que abater três que estavam para te atacar, vamos antes que eles acordem ou mais apareçam. -
– Eu... — Ele não se levantou.
Um estalo. A chuva já castigava o corpo, mas a face de Nivek chegou a arder intensamente após um tabefe que levou de Elisa.
Ele olhou surpresa para ela. Mesmo diante um momento de raiva ela não transparecia tal coisa, ainda parecia serena o que fez Nivek desmoronar de uma vez. Ela perceberia as lagrimas, mas devido a chuva ela não conseguia naquele momento.
– Matei um pokemon. — Dizia ele. — Matei uma pessoa. Causei a morte de vários amigos... — Foi assim que Elisa percebeu que o jovem havia começado a chorar. — Causei a morte de meu pokemon inicial e... -
Mais um tapa e desta vez muito mais forte. Mas, mesmo assim Elisa não perdeu a serenidade.
– Isso não importa. — Disse Elisa. — Se continuarmos sentados aqui você vai morrer, vai causar minha morte ou terá de matar mais pessoas e pokemons. — Ela levantou-se rapidamente. — Se ficar ai vai causar a morte do Lucas. Pelo visto não o encontrou aqui, então Dex quer jogar com você. -
Nivek assentiu com a cabeça. Ele realmente queria jogar com ele. Bagunçar a sua mente levando-o para o lado mais obscuro dos humanos. Ele havia conseguido bagunçar com a mente dele, mas recusava-se a ir para o lado obscuro.
– Ele quer que eu vire um demônio. — Gritou Nivek do chão.
– Então vire! — Gritou Ela levantando-o pelo braço. — Acabe de matar o Kevin dentro de você como vem fazendo todo esse tempo, mas não coloque mais não coloque a morte de Lucas como mais uma em suas costas, essa será a primeira que realmente terá culpa. — Ela soltou Nivek já de pé. — Vire um demônio e acabe com essa indecisão! -
Nivek parou surpreso. O que ela queria dizer com “matar o Kevin dentro de você?”. Elisa não deu tempo de Nivek raciocinar, simplesmente começou a andar e ele teve que segui-la par anão perde-la em meio a escuridão e a chuva.
Enquanto a seguia, dois passos atrás dela as palavras dela pareciam se repetir. “Vire um demônio.” “Acabe com essa indecisão!” “Acabe de matar o Kevin dentro de como vem fazendo esse tempo todo”. Uma hipótese surgiu em sua mente confusa e completamente perturbada, mas, antes mesmo que pudesse formular uma pergunta a Elisa, para poder confirmar, sentiu que estava entrando no mar.
Eles estavam a caminhar para dentro do oceano. Ele deu um passo mais largo e tocou nela, tentando informa-la que iam para o lado errado. Mas, ela pegou na sua mão calmamente.
– Confie em mim! — E continuou a arrastá-lo para dentro do oceano.
<><><><><>
– Todos que acham isso surreal levantem a mão. -
Elisa brincava com a situação na qual estavam enquanto enrolava uma toalha no cabelo. Era difícil para ela não rir com a situação, já que seus oito clientes, por assim dizer, estavam tremendo e completamente sem palavras com o que estava acontecendo.
Eles estavam morrendo de frio e isso era o que os fazia tremer. Mas, qualquer um diria que tremiam de medo por estarem sendo imprensados pela gigante boca de um Wailord.
Após receber um chamado de rádio de um de seus clientes, avisando sobre a guerra que estava acontecendo Elisa viu-se forçada a resgatá-los. Pediu para reunirem-se próximo à costa e esconderem-se dentro do mar que ela chegaria ao local dentro de uma hora e meia, no máximo.
Imaginando que Elisa fosse louca em arrumar uma lancha para resgatá-los eles tentaram convencê-la do contrário, mas diante a situação que a ilha encontrava-se, o mar seria menos perigoso, mesmo com a tempestade. A surpresa dos sete foi um pokemon baleia gigante aparecer diante deles. A baleia possuía uma espécie de capsula acrílica transparente presa em sua boca. Dentro da capsula estava Elisa que ao perceber que Nivek não estava com eles resolveu procura-lo.
– Wailord evoluiu durante um evento, me dando uma vitória esmagadora. — Ela riu lembrando que o pokemon adversário realmente fora esmagado. — Passei a usar essa capsula gigante para viajar sem ser detectada. Os tanques de ar, anexos a capsula, tem umas 24 horas de ar para uma pessoa, como estamos em nova devemos ter umas duas horas, mas será o suficiente. -
Alguns riam com a simpatia da moça. Qualquer um estaria estressado com os eventos, ainda mais que precisou ir a terra encontrar Nivek. Mas, ela tinha boas lembranças quanto à ideia da capsula, conseguiu muito dinheiro, e ainda conseguia, fazendo turismo submarino. Ela ainda estava em busca de tanques de oxigênio melhores, que possibilitassem ficar mais tempo em baixo d’água, mas aquilo não é prioridade.
– Como soube onde nos encontrar? — Questionou um dos clientes. — Não pode ter rodado toda a costa atrás de nós, ainda mais que sabia onde encontrar o Nivek. -
– O sonar do Wailord. Para vocês, pedi para ele encontrar um grupo de 7 pessoas na água. Para o Nivek, confesso que demorei um pouco. — Elisa suspirou. — A chuva não ajudou muito também, mas pedi para ele procurar alguém com três pokebolas consigo. Como falaram que ele saiu meio que desorientado, imaginei que nem estivesse lutando. -
Nivek estava sentado, encostado na parede da capsula, sem nada dizer e sem fechar os olhos. O ar amargurado dele contaminava os demais, mas eles tentavam evitar comentar sobre isso. Já o evitavam em situações normais, mas naquele momento era claro que ele não queria companhia.
– Sei que estão cansados, mas infelizmente não temos tempo para descanso. — Elisa colocou-se de frente para todos os oito da capsula. — Cem mil não é um prêmio normal, causará mais confusão do que ocorreu na ilha. — Aquilo parecia ser surreal para alguns. — Faremos uma parada em uma ilha Porto Comercial daqui a duas horas. Conseguiremos transporte, comida e equipamentos. Para sairmos de lá provavelmente usaremos Wailord novamente. -
– Divisão de tarefas. — Disse um dos Clientes de Elisa. — Mas, e nossas coisas? –
– Vendi tudo! — Elisa Sorri, mas percebe que todos ficam chocados com aquilo.
Alguns levantaram sem entender aquilo. Eles tinham muitos equipamentos e por mais que alguns fossem antigos, havia itens pessoais com valor sentimental. Elisa nunca fez nada que não se mostrasse acertado, mas desta vez eles estavam realmente chocados.
– Sei que parece radical, mas alguns membros da liga das Sombras estavam esperando o retorno dos participantes deste ultimo evento para saqueá-los. Vendi ou penhorei tudo. Era na minha ausência tudo ser roubado. — Elisa sorriu. — Mas documentos, pokeagenda e as coisas pessoais eu mandei via encomenda para a ilha Porto Comercial. -
Eles respiraram aliviados pela noticia.
– Fiz algumas contas, esse prêmio de cem mil, somado a tudo que consegui com a venda ou penhora e os prêmios de hoje, vamos quitar todas as dividas. – A fala sorridente de Elisa contagiou os sete que vibraram pela noticia. — Tem mais. Sobrará um pouco que somado ao que poderão ganhar com as demais classificações desse evento poderemos recuperar o que penhorei. — Elisa abriu os braços. — Claro, se vocês sete conseguirem estar entre os dezesseis que participarão. -
O grupo animou-se. Após tantos perigos e surras, com um evento eles poderiam dar adeus a Liga das Sombras. Sabiam que para isso teriam que trabalhar em equipe, como estavam fazendo a tempos, mas pela primeira vez sabiam que eles teriam que escolher o melhor entre eles para que esse alcançasse os 100 mil.
Para qualquer atleta é difícil assumir que alguém é melhor, principalmente um amigo. Mas, pior que ter que admitir que alguém é melhor que você, é ter que desistir, sem lutar. A luta poderia desgastar o favorito deles e a desistência ainda daria o dinheiro que eles ganhariam perdendo. Coisa que só mesmo a Liga das Sombras para oferecer. Trapacear é algo bem viste, ainda mais por cem mil.
Apesar de estarem realizando toda uma combinação em busca de um sonho, existia a questão de terem de vencer e alguém e talvez não fosse permitir que eles conseguissem.
Nivek já havia adormecido, mas Elisa sabia que ao acordar o garoto não estaria tão perturbado quanto antes e estaria decidido a salvar Lucas, fosse como o jovem admirável Kevin Maerd Junior, ou o frio e perigoso Nivek.
O que Elisa não sabia era que Se fosse comi Nivek, todos os seus próximos adversários enfrentariam alguém decidido a fazer o adversário sofrer.
<><><><><>
– Onde estão os cadernos? -
Era um berro em meio a escuridão. A voz era conhecida, mas a raiva e a urgência estavam longe do que qualquer vez que a escutará, mesmo já tendo o atacado algumas vezes.
– Kevin Maerd Júnior, dentro de 20 minutos o quarto caderno será destruído em baixo do seu nariz. Salve o caderno, salve o fogo. -
Os olhos se abriram assustados. Olhando em volta via a capsula numa calmaria que assustava. Havia uma dupla curiosa em observar algo no mar, mas Nivek não se importava com aquilo. Acabara de ter um sonho que talvez não fosse um sonho. Afinal, se escutou a voz de mewtwo falando sobre sobre um dos cadernos que ele deveria estar caçando, certamente era um aviso telepático.
Um dos cadernos estava muito longe e seguro, em um banco que só conseguiria identificar através de um caderno que estava em um navio naufragado. Não deveriam estar passando perto dele, ou pelo menos não se ainda estivessem na rota normal.
– Por que não chegamos? -
A voz cortou o silêncio local. Não parecia uma pergunta de quem estava sonolento, ou angustiado. Parecia uma pergunta de interrogatório. O grupo olhou sem entender a irritação.
– Calculei errado. — Comentou Elisa. — Pegamos uma direção errada e estamos em um ajuste. Temos apenas mais meia hora de ar, então pedi para ficarem mais calmos, depois teremos que ir só pela superfície. — Elisa parou sorridente. — a tempestade na área da ilha é forte. E os barqueiros que iriam buscar a maioria dos competidores ficaram de passar um radio para me avisar. Ainda estamos com uma boa vantagem. -
Nivek caminhou até a parede da cúpula. Cerrou os punhos dando um murro fraco na parede.
– Preciso mergulhar. -
Nivek começou a tirar os calçados.
– Está louco? — Questionou um dos clientes.
– A embarcação naufragada abaixo de nós possui um luz brilhando. — Nivek retirou as calças. — Ou vamos a superfície e me apoiam no mergulho, ou vou abrir a capsula e nos encontramos na torre, quando eu estiver tentando salvar mais uma vida. -
“Ele pirou de vez.” Foi o comentário que ele pode escutar. Mas, não estava interessado em discutir. Respirou fundo decidido a fazer qualquer coisa para salvar o caderno. Até mesmo, derrubar a todos ali, inclusive o próprio Wailord que o carregava na boca.
O grupo sentiu a pressão no ar e a sensação de perigo aflorando de Nivek.
Ele decidiu por ser um demônio. Elisa deu dois tapinhas na capsula, queria segurar o demônio o máximo que conseguisse. Ainda tinha esperanças que Nivek voltasse a ser Kevin, mas que tudo dizia para não ter esperanças.
Fale com o autor