PARADISE - Crônicas de um mundo perfeito

4 Capítulo 4 - O Paraíso é Logo Abaixo


Enfim, Kokabiel e Penemue chegaram aos grandes portões do Palácio Real. Esperavam finalmente encontrar o tão sonhado Paraíso.

Ali, além deles, mais um anjo encontrava-se à espera do abrir das portas. Este anjo, era nada mais nada menos que o mesmo anjo que Kokabiel, junto de Azazel e Samyaza, presenciaram completar 20 marcas à cerca 10 ciclos atrás.

Por que aquele anjo iria ao Paraíso só depois de se passarem 10 ciclos após completar suas 20 marcas? Pois era necessário no mínimo uma dupla de anjos para a ida ao Paraíso.

Como mais nenhum anjo completou 20 marcas desde sua última marcação, ele ficou aguardando todo esse tempo.

De repente, um ruido enorme destroçou o silêncio que residia naquela cruel espera. Era o abrir do tal enorme portão, que era dividido ao meio, como se formasse duas portas, e aparentava ser bem pesado.

Do lado de dentro Samael os aguardava folgado na parede e com seus braços cruzados, após empurrar o maciço objeto liberando a entrada.

Os 3 anjos enfim entraram no palácio, sem que sequer uma alma ali seguisse quebrando o silêncio outrora destruído pelo alto estrondo do abrir do portão.

Samael seguiu os guiando pelo palácio sem esboçar ao menos um som. Até que finalmente chegaram a uma espécie de sala de espera, que assim como todo o resto do palácio, era demasiadamente mal iluminado por lamparinas presas às paredes.

Ordenou então, por meio de gestos com as mãos, que os 3 anjos se organizassem lado à lado. Então pôs-se a colocar suas mãos à cabeça de cada um deles.

Pôs as mãos à cabeça de Penemue...
Pôs as mãos à cabeça de Kokabiel...
E pôs as mãos à cabeça do outro anjo...

Fez isso como se, de alguma forma medisse ou procurasse algo dentre eles.

Então, antes de finalmente quebrar o silêncio com um frio "Venha comigo", ele pôs-se à, novamente, colocar suas mãos à cabeça de Kokabiel.

E como se enfim houvesse achado em Kokabiel oque tanto procurava, ele ordenou:

– Venha comigo.

Kokabiel então despediu-se de seu amigo Penemue, pediu pra que ele aguardasse a sua vez e junto do anjo de asas negras, dirigiu-se para a porta oposta à que eles antes haviam entrado.

Kokabiel nem sequer pensou no porquê de tudo aquilo, apenas seguiu em frente supondo que encontraria Deus pra onde quer que Samael o levasse.

Quando Samael abriu tal porta, logo pôde-se ver um enorme e vazio corredor banhado em uma crescente escuridão. Neste corredor, ele e Kokabiel entraram, enquanto este, por sua vez, virou-se para seu amigo e proclamou suas últimas palavras:

– Nos vemos no Paraíso... Penemue.

Estranhamente aquelas palavras ecoaram fortemente por aquele cômodo, como uma espécie de despedida definitiva, como se ambos nunca mais fossem realmente se reencontrar. Mas Penemue simplesmente ignorou essa sensação, sentou-se numa das cadeiras ali e começou a aguardar a volta de Samael.

* * *

Os dois anjos, por meio de passos lentos que ecoavam por aquele lugar com extrema facilidade, adentravam aquele longo e cada vez mais escuro corredor.

E em meio a essa excitante caminhada em direção ao Paraíso, Kokabiel enlouquecia com a possibilidade de encontrar seu tão amado Deus.

Kokabiel, uma insanidade que jamais apresentara, delirava em seus próprios pensamentos.

– Finalmente! Finalmente! EU FINALMENTE VOU ENCONTRAR DEUS!!!

– OH DEUS!! DEUS! DEUS! DEUS!!! — Se contorcia por dentro frente à toda loucura de seu afeto por Deus. — OH TODO PODEROSO DEUS!!!

Kokabiel já não se importava com mais nada. O mundo todo havia se dissipado em sua exagerada devoção à Deus.

E a cada passo que dava em direção à crescente negritude daquele gigantesco corredor, mais desequilibradas suas emoções ficavam.

– DEEEEEEUUUS!!!!!!

Quando ele e Samael finalmente chegaram ao fim do escuro corredor, deram-se com um outro cômodo. Este, por sua vez quase que completamente coberto em trevas, ao ponto que praticamente nada sequer pudesse ser visto.

Ao alcançarem tal cômodo, Samael, sem dizer ao menos uma palavra, interrompeu seus movimentos e sinalizou com as mãos pra que Kokabiel seguisse em frente.

Ali, Kokabiel finalmente cessou momentaneamente com a sua loucura interior. Começou à caminhar lentamente em direção ao fim do cômodo. Lugar este que, além de sua sufocante escuridão, possuía a aparente característica de ser muito amplo e vazio.

E enquanto caminhava em direção ao seu cada vez mais próximo encontro com Deus, Kokabiel novamente começou a surtar:

– DEEEUS!!! DEEEUS!!! DEEEUS!!! DEEEEEEEUUUUSS!!!

Cada vez mais, se aproximava do fim daquele cômodo banhado em sombras.

– DEUS!... DEUS!... DEUS!... DEUS!...

"Por que o Paraíso estaria afogado em tal escuridão?", "Por que Deus se encontraria em meio à toda essa trevas?" essas perguntas nem sequer vislumbravam em sua mente conturbada.

– DEUS!!!!

Silênciou-se, instantaneamente, apenas ao avistar, de não muito longe, a silhueta de um gigantesco ser, que graças a profunda escuridão que lá residia, não pôde sequer ser identificado.

"Seria esse, Deus?", pensou ele... Mal sabia o quão certo, mas ao mesmo tempo errado, estava.

– De...us...?!

Ao aproximar-se cada vez mais da colossal criatura, mesmo sem sequer identifica-la, Kokabiel compreendeu oque alí se passava.

Um sentimento que ele nunca antes havia sequer experimentado se alastrou como um vírus por toda a sua mente debilitada:
Medo.

A criatura que Kokabiel havia encontrado no final daquele cômodo vazio e engolido em trevas, não era Deus... Pelo menos não Deus como Kokabiel imaginava. Muito pelo contrario... Era uma criatura terrivelmente... Macabra.

A tal criatura, que chegava a medir cerca de 4 metros, abriu rapidamente seu único e medonho olho, e lançou diretamente para Kokabiel, um sedento olhar de fome.

Este, por sua vez, sem esboçar ao menos um som, e com uma dolorosa feição de desespero, incapaz de sequer pensar em fazer qualquer movimento, foi cruelmente devorado pela horrenda criatura.

Com seus monstruosos, finos e afiados dentes, ele brutalmente mastigou Kokabiel. Ainda vivo.

Mastigou. Mastigou. E mastigou.

Mastigou até que não sobrasse ao menos um resquício de vida do anjo.

O engoliu. Engoliu sua fé. Engoliu sua justiça. Engoliu seu amor. Engoliu sua raiva. Engoliu seus sonhos. Engoliu, junto de seu corpo sem vida, tudo que Kokabiel anteriormente construíra.

Sim.

Kokabiel morreu. Um anjo, morreu. Brutalmente devorado pela tal criatura.

Sim.

Não havia Paraíso afinal. Tudo oque havia no final daquele corredor coberto em trevas era aquela horrenda criatura quadrúpede e de formato redondo presa à fortes correntes com seus pequenos porém grossos pés.

Tudo não passava de uma atroz mentira orquestrada por Samael.

Anjo este, que observava tudo ao longe com um cruel e sarcástico sorriso no rosto.

Anjo este que pôs-se então a retornar à sala de espera em direção aos anjos que lá o aguardavam.

Ali, os dois anjos, especialmente Penemue, o aguardavam com um certo ar de inquietação.

Quando Samael finalmente voltou, ambos se surpreenderam com o som do abrir da porta.

E ele, sem proferir sequer uma única palavra, com uma seringa cheia de um liquido verde proveniente de alguma planta do Éden, apunhalou um dos anjos.

Ao observar tal cena, a aflição rapidamente tomou conta de todos os sentidos de Penemue. Ele imediatamente percebeu que o destino que ali o aguardava não era nada bom.

Desesperadamente, ele tentou, de forma desengonçada, fugir dali pela porta.

Porém ela estava trancada.

E antes que ele pudesse sequer pensar em outra forma de escapar daquele local assustador, também foi cruelmente apunhalado pela seringa.

* * *

Enquanto o mais cruel e profundo silencio ecoava por aquela sala, Samael pegou ambos os anjos, que jaziam desmaiados ao chão após serem golpeados pela seringa, destrancou a porta e entrou junto deles em um outro misterioso cômodo.

Notas finais
Agora finalmente a história mostrou sua verdadeira face. A partir de agora, as coisas só vão piorar (no bom sentido é claro). O próximo provavelmente vai ser tão impactante quanto esse, só que de maneira completamente diferente. Então, novamente, preparem seus corações. A propósito, como dessa vez eu postei dois capítulos muito próximos um do outro, o capítulo seguinte vai demorar um pouco mais pra sair. E como hoje é domingo, significa q eu já cumpri a cota dessa semana. Ou seja, o próximo cap tem até o sábado depois do próximo pra sair. Chorem (ou não)