Notas iniciais
Já vou pedindo desculpas pela demora. Sei q o combinado era um cap por semana, imprevistos acontecem. Peço perdão pelo vacilo.

– Me pergunto se Kokabiel está bem...

Após se despedir de seu amigo, Azazel finalmente se preparava para o seu primeiro dia de trabalho.

Sozinho, numa casa abandonada, ele esperava por Samael, para que enfim pudesse saber que tipo de trabalho ficaria encarregado de cumprir.

Mesmo estando abandonada, tal casa era totalmente normal, banhada à moveis e outras coisas que a casa de um anjo normalmente possuí. Porém, esta casa permanecia desabitada, vazia. Nem um anjo vivia alí. Provavelmente devido à crescente falta de novos anjos no local. Apenas isto.

E lá, neste lugar povoado pelo profundo silencio, ele esperou.
Esperou, esperou e esperou.
Esperou por bastante tempo...

– ...!

Quebrando o silêncio, o pequeno ruído causado pelo abrir da porta anunciou a chegada de Samael:

– Bom... Vamos lá. Você... é... Qual seu nome mesmo...? — Indo direto ao ponto com certo ar de pressa Samael perguntou.

– Ãh...? Ah... Aza-Azazel.

Mesmo tendo o visto poucos dias atrás, Samael nem sequer lembrava de seu rosto. Nunca foi muito bom em lembrar das pessoas... Ou talvez, com toda a sua arrogância, apenas não se importava em lembrar.

Indo em direção à Azazel, que logo pôs-se de pé frente ao líder dos anjos, disse para manter-se parado.

Pôs as mãos à cabeça do pequeno anjo, que manteve sua expressão confusa e não entendeu nada. manteve as mãos por um breve e silencioso tempo, até se interromper com uma visível expressão de surpresa:

– Então você é um... reprodutor...? — Samael parecia desacreditado com o que descobrira.

– huh?

– Isso é raro... Um anjo realmente fértil...? — Finalmente caiu na real — Você será de grande importancia nesse mundo a partir de agora garoto... Você nem imagina...

– Então eu vou trabalhar como reprodutor...? Lá no salão de reprodução...?

– Sim... — Ainda meio atordoado com a informação, Samael virou-se para a porta. — Vamos... Vou te levar para a sala. Seu trabalho começa agora.

E logo chegaram lá, à porta da sala de reprodução A. Entraram.

– Os organizadores vão se encarregar de te mostrar e te explicar o seu trabalho aqui, tenho coisas à fazer. — Samael sem dizer muitas palavras, simplesmente largou Azazel ali e saiu com pressa, sem deixar o seu ar de superioridade de lado.

Azazel perdido em meio aquele lugar gigantesco, reparava curioso em tudo à sua volta enquanto esperava por algum anjo para lhe guiar.

Todo o lugar se destacava de todos os outros cômodos do céu por possuir uma cor incrivelmente branca por todas as suas estruturas.

Porem, este branco não era um branco desgastado como o de todo o resto do céu. Era um branco completamente limpo, como se aquele lugar tivesse acabado de ser criado... como se fosse completamente puro. Tudo aquilo, exalava um forte cheiro de pureza.

O local também soava meio estranho. possuía um ar quase que tecnológico, o que só o diferenciava mais do primitivismo do resto da cidade dos anjos.

Mas não era como se houvesse alta tecnologia lá. Possuía apenas alguns poucos aparelhos, bem bizarros e primitivos, que soavam como coisas orgânicas e pareciam ser ilógicos e impossíveis de se construir. Talvez estivessem ali desde a criação do mundo...?

Em meio à todo esse estranho e bizarro ambiente, Azazel notou algo que se destacava. Ao longe, ele avistou uma grande vidraça.

Tal objeto o impressionou fortemente. Ele já havia visto vidro antes, em alguns lugares do céu, mas nunca antes havia visto isso em tanta quantidade. Parecia ter sido fabricado por Deus em pessoa, era perfeitamente simétrico e quadrado, além ser quase que invisível à olhos desatentos.

Talvez fosse apenas uma vidraça comum, mas para Azazel soava como algo diferente, algo que se destacava de tudo que seus pequenos olhos inseguros antes haviam visto.

– Ei, quem é você...? Algum novo anjo organizador? — Passando ali, um anjo organizador interrompeu toda a viagem do pequeno anjo.

– Não, não... Eu... Samael me trouxe aqui... Fui classificado como um reprodutor...

– Reprodutor!? sério? Faz tempo que não vemos um novo reprodutor... — Virou se para o outro lado — Vem vou te mostrar o seu lugar.

Junto ao tal anjo, ele então começou a caminhar pelo local.

Enquanto andavam em direção ao final da grande sala, Azazel reparou curioso na tal vidraça, que avistara ao longe, e descobriu que era na verdade uma "sala" envidraçada. Ele reparou que havia algo lá dentro. Algo vivo.

Lá dentro, naquela sala envidraçada, haviam não um, não dois, mas sim dezenas de anjos menores. Todos vivendo amontoados. Presos no pouco espaço que o lugar possuía, prensados uns nos outros, oque fazia com que eles mal conseguiam se mover.

O tamanho deles variava bastante, uns pareciam crianças, outros aparentavam ter quase a mesma altura de Kesabel e alguns eram tão pequenos que mal podiam ser vistos em meio a multidão. Pareciam estar vivendo lá há tempos. Talvez mais de 1.000 ciclos, os mais velhos.

Alem daquilo tudo, na parte de trás da sala existiam uns tubos onde alguns anjos colocavam suas bocas afim de se alimentarem.

Atrás daquela sala também era possível ver uma porta que provavelmente levava a outro cômodo menor ainda. Provavelmente era lá onde a comida era colocada. E como era a única porta da sala, talvez também era por onde os anjos entravam e saiam.

Azazel não conseguia lembrar daquele lugar, mas assim como Kesabel, sabia com certeza que vivera alí como os outros.

– Chegamos — O anjo que guiava Azazel parou enfrente a uma fileira de portas.

– huh...?

– Esta vendo essas portas, uma ao lado da outra? — Apontou pra lá, onde haviam cerca de 5 destas. — Dentro de cada uma delas há um quarto. E é lá que você fará o seu trabalho a partir de agora.

– C-como assim...? — O pequeno anjo Gaguejou inseguro.

– Vou te explicar como tudo funciona aqui:

– Tudo começa com você, — Apontou para Azazel — um anjo fértil. Você entra em um dos quartos, fecunda uma fêmea e todo o processo começa...

– Hã...?

– Se o processo de fertilização for um sucesso, o que nem sempre acontece, a fêmea começa a produzir uma, ou até mais crias. Elas entram em processo de gestação e acabam por ter seu quarto fechado até que o bebê nasça. E Depois de um loooongo período de tempo, o bebê finalmente nasce.

Apontou para a vidraça lotada de anjos e continuou a explicação:

– E ai estão. Após nascerem, eles permanecem um curto período de tempo repousando e se alimentado na sala ali atrás, e caso não sejam outras fêmeas, logo são depositados na vidraça até atingirem a maioridade e saírem.

– Então... Meu trabalho é só... Só ir lá e reproduzir...?

– Sim, é um trabalho bem rápido e simples. E fazendo isso você ainda ajuda na criação de mais anjos para ajudar na nossa sociedade, além de fazer com que mais seres possam ter a honra de conhecer o nosso grandioso Deus.

Azazel olhava para a porta onde estava prestes a entrar enquanto digeria tudo que acabara de ouvir. Mesmo depois de tudo, ainda continuava inseguro e ansioso.

– Então... Onde estão... Onde estão os outros reprodutores...?

– Hã? Eles não vão trabalhar por um bom tempo. Quase todas as fêmeas estão em processo de gestação. Essa é a vantagem dos reprodutores, eles não trabalham tanto quanto os outros...

– ...

– Bom, agora é a sua vez. Já te expliquei todo o processo, é a hora de iniciar na pratica. Só há uma ainda não fecundada... Vá lá...

Azazel engoliu a pouca saliva que surgira em sua boca em meio à tensão, e ainda muito inseguro, começou a se mover lentamente em direção a porta, que possuía um número 3 estampado na frente.

– Todas as instruções estão em uma placa lá dentro, basta você seguir o passo-a-passo.

Engolindo cada vez mais e mais saliva e com seu coração acelerando, Azazel abriu lentamente a porta. Estava cada vez mais inseguro com tudo isso. Não saber oque o aguardava lá dentro, o deixava ansioso ao mesmo tempo que o amedrontava.

E finalmente entrou lá.

Assim que pôs seus pés no quarto e fechou a porta, uma estranha sensação momentaneamente percorreu todo o seu pequeno corpo.

Era como se ele tivesse entrado em um universo paralelo. Tudo ao seu redor parecia ter sumido. Todo o mundo que ele vivera por toda a sua vida parecia ter simplesmente se apagado.

Tentando entender oque se passava lá dentro, Azazel olhou para frente.

E lá, bem na sua frente ele viu um ser.

O ser mais estranhamente belo que já viu em toda a sua inútil vida.

Lá à sua frente, deitada em uma cama semelhante à que ele e todos os outros de sua raça dormiam, estava a criatura.

Engoliu o último "grão" de saliva que lhe restara e começou a caminhar em direção ao ser.

Graças ao curto espaço que o pequeno quarto possuía, com cerca de três pequenos passos, chegou até à ponta da cama, ficando à pouquíssimos centímetros dos pequenos e delicados pés da criatura que permanecia deitada na cama.

Olhando para cima, percebeu que a tal placa com as instruções de que o anjo organizador falava, estava lá, presa à parede. Esta, possuía desenhos bem primitivos, mostrando um anjo abaixando suas calças e em seguida fazendo movimentos repetitivos junto com oque parecia ser a criatura ali deitada.

Azazel não entendeu oque se passava ali. Não sabia como aquilo poderia levar à criação de novos seres de sua raça. Mas mesmo assim, como instruído, se preparou para seguir o passo à passo.

Ao olhar para baixo, finalmente pode ver melhor a criatura.

E com isso percebeu a semelhança.

Azazel notou que tal ser, assim como os anjos, possuía asas brancas e aréola, além de uma visível forma bípede e antropomórfica. Mas ao mesmo tempo que a criatura esboçava uma aparência quase que perfeitamente igual aos seres superiores, ela possuía uma feição completamente diferente.

Seu liso e gigantesco cabelo negro cobria seu frágil rosto junto de parte de seus claros olhos azuis, banhados por um olhar vazio. Tal criatura, com toda as suas curvas e seu corpo esbelto, não apresentava nenhuma expressão em sua face esbranquiçada.

Mesmo que o seu coração batesse normalmente, sua feição se comparava com a do humano morto que Azazel havia visto tempos atrás. Não havia vida em seu olhar.

Seu corpo, de pele branca e macia, não se movia.
Seus doces lábios vermelhos, não se moviam.
Suas mãos, pequenas e delicadas, não se moviam.
Seus pés finos e formosos, também não se moviam.

Porém, seus olhos, contrastando com todo o seu corpo quase completamente inerte, se moveram...

Se moveram... Ao perceber a aproximação de Azazel.

E como se aquilo fosse uma rotina em sua suposta vida, a criatura abriu suas pernas, movendo o grosso pano que cobria o seu corpo, que diferente dos anjos, não trajava vestimenta alguma.

Azazel, pensando cada vez mais sobre como a criatura se assemelhava à um anjo, moveu seu corpo até ela.
E quase que inconscientemente, começou a executar as ações instruídas pela instrução.

"Oque é... isso...?"

Duvidas por toda a sua mente.

"Oque é isso que estou sentindo...?"

Seu corpo tocava a pele macia dela.

"Oque é essa sensação...?"

coração acelerava em meio ao movimento

"E Por que... Por que isso... é tão bom...?"

Movimentos repetitivos sem fim.

"Isso...Isso...É..."

Suor escorria por ambos os corpos.

"Isso é... Isso é tão... Isso é tão bom!!!"

Acabou.

* * *

E então, como foi a sua primeira vez, Azazel? Digo, no trabalho. — Em sua casa, Samyaza, junto de seu irmão, comia sua carne e se preparava para dormir.

Pensativo e com sua já conhecida face, demorou a responder — Eu fui classificado como um reprodutor... — Enquanto comia, Azazel falou com frieza, sem olhar para seu irmão.

– O-o que??? Você??? Um reprodutor??? — Esboçou uma clara expressão de surpresa — quer dizer que você entrou na sala de reprodução???

– Sim... — Sem tirar os olhos de sua comida, respondeu desanimado, como se estivesse querendo falar sobre outra coisa.

– huh... — Tal falta de animação, visivelmente contagiou Samyaza, que percebeu que algo incomodava seu irmão. — Oque houve?

Azazel olhou diretamente no olho de seu irmão mais velho. — Samyaza... Oque exatamente... há no Paraíso?

Este, por sua vez, suspirou em tom de tristeza, enquanto lembrava o quão curioso o seu irmão era. — Deixe me ver, você ainda não superou a ida de Kokabiel, né?

Azazel virou seu rosto.

– Eu não sei ao certo oque há lá. Ninguém sabe na verdade. Uns dizem uma coisa, outros dizem outra. Só saberemos realmente quando chegarmos lá.

– Mas uma coisa é certa, — finalizou olhando fixamente para os olhos de seu pequeno irmão — Seja o que for que nos aguarda no Paraíso, se Deus esta envolvido nisso... Certamente é algo bom.

Azazel olhou para o alto, como se estivesse olhando para algo que traspassava o teto de sua casa e até o próprio céu e finalmente se decidiu. — Eu quero ir ao Paraíso. Tenho muitas perguntas para Deus. Muitas...

Enquanto a cidade dos anjos escurecia com o tocar do terceiro alarme, Azazel finalmente chegava à uma conclusão sobre seus sentimentos para com o Paraíso. Porém, ele não sabia que esse simples e pequeno pensamento poderia leva-lo para algo do qual ele nunca mais conseguiria escapar:

A verdadeira escuridão.

Notas finais
A razão de eu ter demorado pra postar esse capítulo, além de uns problemas (e da preguiça cof* cof*) foi exatamente por causa da dificuldade de fazer esse capitulo. Foi bem tenso de fazer sem ficar uma coisa pesada demais mas creio que eu tenha conseguido passar o clima que eu queria. Me senti meio mal enquanto escrevia esse capítulo, mas agora acho q já passou. Próximo capítulo nos aproximamos da metade do primeiro arco (e talvez do último) então se preparem. Até o próximo ciclo! (Acho q vou usar isso como um marca a partir de agora...)