P De Punk
22 O resultado
Notas iniciais
Percy’s POV
Ele suspirou.
– A Clarisse está bem, mas, eu sinto muito, o bebê não sobreviveu.
Annabeth soluçou e eu dei um passo para trás sentindo meu coração bater com força e uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
– Eu sinto muito, ele era muito pequeno, não conseguimos salvá-lo. – terminou ele com seu rosto impassível.
Eu sentia que estava pronto para fugir, sair correndo, entrar no carro e me esconder em algum lugar. Mas Annabeth não deixou eu me afastar mais, segurou com mais força meu braço me mantendo no mesmo lugar. Ela me olhou, os olhinhos vermelhos e os soluços segurados pelos lábios comprimidos. Ela voltou a olhar para o médico.
– Podemos ver ela? – perguntou Annabeth por mim.
– Um de cada vez, e, por favor, vamos com calma, ela está um pouco frágil.
– Vai você primeiro. – disse Annabeth fungando.
Eu não ia conseguir sozinho. Precisava da Annabeth para me manter firme, mas ela não podia ir comigo. O que eu ia fazer se desabasse na frente de Clarisse? O que poderia acontecer? Apolo disse que ela estava frágil, eu me recusava a machucá-la mais. Annabeth acariciou meu braço e beijou minha bochecha.
– Você consegue. Ela precisa de você. – murmurou ela me soltando.
Annabeth parecia saber que eu queria fugir porque ficou atrás de mim, prontinha para me dar um golpe de judô caso eu começasse a correr em direção a porta. Apolo esticou a mão na direção da porta dupla e pediu que eu o acompanhasse. Caminhamos por uns corredores indo para a direita e para a esquerda, eu ficaria facilmente perdido. Então ele me deixou na frente da porta com o numero 301, e pediu que eu fosse breve. Limpei as lágrimas, respirei fundo e entrei empurrando a porta devagar.
Clarisse estava deitadinha, com as mãos sobre a barriga, olhava para a janela, com um tubo respiratório no nariz, soro preso à veia do braço, as olheiras dela pareciam mais profundas porque a pele dela estava pálida. Ao perceber que eu estava ali ela finalmente me olhou, uma lágrima descia pelo rostinho dela, mas ela deu um sorrisinho pra mim. Aproximei-me dela, sentando-me ao lado dela, peguei a mão dela e dei um beijinho na testa dela.
– Oi. – murmurei, tentando parecer o mais calmo e mais controlado possível, sendo que já queria chorar por vê-la daquele jeito – Como você está se sentindo, Clarisse?
Ela suspirou e a sua outra mão tocou seu ventre.
– Acho que bem… só é estranho. – a voz dela estava baixa, ela me olhou nos olhos – Pelo menos, você se livrou de uma responsabilidade que nem devia ser sua.
– Não fale assim, Clarisse. – mandei, sem levantar a voz – Eu queria cuidar dessa criança. Eu queria cuidar de você. Eu ainda quero.
– Mas, Percy, o filho não era seu…
– Mas eu sentia como se fosse. – eu suspirei – Desculpa…
– Pelo o que? – perguntou ela fungado baixinho.
– Por ter te assustado, se eu não tivesse sido infantil… como eu sempre sou… Talvez nada disso estivesse acontecendo se eu tivesse ouvido a Annabeth.
– Não se culpe, Percy. Foi melhor assim.
– Não repita isso, Clarisse, nunca mais.
Clarisse assentiu e suspirei. Beijei novamente a testa dela e continuamos juntos em silencio, somente olhando um ao outro. Quando uma enfermeira pediu que eu saísse, eu dei um suspiro aliviado, pois não conseguia mais segurar a vontade de chorar, beijei as bochechas dela e sai dizendo que mais tarde voltaria para vê-la.
Fiquei do outro lado da porta, segurando a mesma e abaixei a cabeça e voltei a chorar. Senti alguém tocar meu ombro, ao olhar, era Júlio. Ele deu um sorrisinho para mim e abriu os braços me convidando para um abraço. Eu aceitei, abracei-o e chorei no ombro dele. Júlio acariciava as minhas costas e dizia que podia colocar para fora. Nem sei quanto tempo ficamos abraçados. Só sei que ele foi um bom amigo/cara que me acha lindo, eu também sou um cara que me acha lindo, só que me abraçar não é tão bom, não ajuda, além de soar meio estranho: “Eu me abracei hoje mais cedo.”, não soou estranho? Enfim, ele me soltou e me mandou respirar fundo e limpou as minhas lágrimas, mandou eu ir para casa com a Annabeth, que estranhamente estava ao meu lado.
Ela disse que tinha ido ver Clarisse enquanto eu estava abraçado ao Júlio. E também que tinha ligado para os pais de Clarisse, para avisar o que tinha acontecido.
– Não acha melhor ficarmos aqui quando eles chegarem? – perguntei fungando.
– Não, vocês vão pra casa, eu aviso que vocês tinham de ir, você precisa descansar, Percy. – disse Júlio – Podem ir, ela vai ficar bem.
...
Annabeth ficou comigo em casa, ela disse que me faria companhia até eu não querer mais ela por perto. Como eu não ia querer a minha sabidinha por perto? Estávamos no meu quarto, eu estava de bruços e Annabeth estava sentada com as pernas cruzadas ao meu lado.
– Como o meu cabeça de alga está se sentindo? – perguntou ela acariciando meu cabelo.
– Acho que bem, não sei direito. Meus olhos doem e meu corpo também. – murmurei.
– Eu posso te fazer uma massagem se você quiser para relaxar seu corpo, mas quanto aos seus olhos… eu não posso ficar socando meus dedos nãos seus olhinhos ou você acaba cego. O que você acha?
– Eu gostei da ideia da massagem.
– Eu estava brincando, Percy. – disse ela.
– Mas eu não. Faça logo uma massagem em mim, mulher! – ordenei brincando.
Eu ri quando ela veio pra cima de mim e me deu um tapa. Ela bufou e revirou os olhos, ela ainda me ama. A sabidinha mandou eu tirar a blusa e riu quando eu a olhei maliciosamente. Tirei a blusa e voltei a minha posição original. Annabeth rosnou e sentou-se sobre a minha bunda.
– O que eu não faço pelo meu cabeça de alga? – perguntou ela para si mesma.
– Eu ménage, você ainda não fez! Eu quero o meu ménage!
Eu disse para fazê-la rir, e consegui, logicamente acompanhado por alguns tapinhas ardidos nas minhas costas nuas. Annabeth começou a fazer a massagem não muito feliz sobre isso. Mas eu estava feliz, aquilo era realmente gostoso, as mãozinhas quentes de Annabeth apertavam meus músculos me fazendo gemer em aprovação, aquilo era relaxante, afastou realmente as preocupações. Acho que a próxima vez que eu ler algum livro triste e ficar em posição fetal vou pedir a Annabeth para fazer massagem e me deixar mais feliz.
– Annabeth, e se eu dormir? – perguntei meio mole, com os olhos mais fechados que abertos.
– Eu te cubro e vou em…
– “Vou deitar ao seu lado e ficar te observando dormir e fazer carinho no seu cabelo”. – a impedi de continuar e completei para ela, sabia que ela diria que iria embora – Era isso que você queria dizer, não era?
A minha sabidinha riu e deu um beijo na minha nuca.
– Foi sim.
– Eu quero mais beijinhos. – pedi.
Annabeth riu e deu mais um beijinho na minha nuca novamente enquanto seus polegares acariciaram minha lombar. Foi uma boa sensação, boa a ponto das coisas saírem um pouco do controle, eu conseguia sentir os seios de Annabeth apertando contra as minhas costas, as mãos dela subiam e desciam nas minhas costas e recebi um beijinho no pescoço e outro no lóbulo.
– Annabeth, e se eu tiver uma ereção? – perguntei.
Annabeth riu com a boca no meu pescoço onde ela deu uma mordidinha.
– Eu posso dar um jeitinho nisso se você quiser.
– Eu acho que quero. – murmurei e depois soltei um gemido quando ela massageou os meus ombros.
– Porque eu não estou surpresa? – perguntou ela me fazendo rir.
– A culpa é sua, eu não mandei você me bulinar. – desta vez foi a vez dela sorrir.
– Na verdade você mandou sim. Não é culpa minha se você abusa da minha bondade. – ela falava sussurrando quanto me dava beijos no pescoço e nas costas e as acariciava com suas mãozinhas.
– Menos conversa e mais ação, mulher. – mandei.
– Se você me chamar de “mulher” mais uma vez eu corto seu pênis fora. – ameaçou ela – Você sabe que eu faço isso.
– Eu nem estou com medo.
Ela sorriu e beijou minha boca rapidamente.
– Vira para mim agora.
Ela se ajoelhou ao meu lado e eu virei ficando de barriga, ela beijou minha boca e acariciou meu cabelo, eu achei que iria poder esquecer tudo e amar a minha sabidinha, porém meu celular tocou interrompendo tudo. Era o pai da Clarisse, Ares, ele disse que Clarisse queria me ver. Annabeth assentiu e disse que iria comigo se eu quisesse, eu precisava da minha sabidinha comigo.
No hospital eu conversei com Ares, quando eu e a Clarisse contamos que ela estava grávida a ele e que eu era o pai ele quase me matou, mas quando eu cheguei lá, ele apertou a minha mão.
– A Clarisse me contou a verdade, o que fez mais sentido do que você ser o pai da criança, mas, Percy, eu estou em divida com você pelo o que você fez pela minha filha. Você se ofereceu para cuidar dela e ainda esmurrou o babaca do ex-namorado dela e isso eu queria ter visto. – ele deu um sorriso que mais parecia um leão mostrando os dentes enquanto rosna – Eu aprecio a sua lealdade, Percy. E me desculpe pelo quase castramento quando você foi com a minha filha falar para mim que ela estava grávida.
Eu ri.
– Não tem problema, é passado.
– Agora vai lá, que ela quer você. – ele pousou os olhos em Annabeth e novamente mostrou os dentes como um leão – Essa é a Annabeth? – eu assenti – Que menina linda. – disse ele animado me dando um tapa no meu ombro quase deslocando ele – Gostei de ver. Enfim, Annabeth, você gostaria de ir tomar um café comigo?
Annabeth sorriu.
– Lógico. – ela olhou para mim – Depois eu vou lá, tá bom?
Assenti e fui até o quarto de Clarisse. Vê-la de novo naquela cama de hospital me deu novamente vontade de chorar, só que eu me controlei e me limitei a ter uma conversa calma com ela.
Acho que quando a Annabeth foi no quarto eu estava dormindo porque quando abri os olhos de novo, já era noite e Clarisse já estava dormindo. Eu me levantei, me espreguicei, limpei a baba da boca e beijei a testa de Clarisse. Eu achei que Ares tinha levado a Annabeth para casa, era o mínimo que ele podia fazer pela minha sabidinha, porém quando eu sai do quarto para respirar um pouco, eu a encontrei sentada em uma cadeiras na frente da porta, os braços estavam cruzados sobre a barriga, a cabeça pendia para o lado, ela estava dormindo. Eu me aproximei dela e beijei a minha Bela Adormecida nos lábios e acariciei o cabelo dela. pedi para que ela voltasse a dormir quando ela começou a acordar e perguntar o que estava acontecendo, ela não reclamou, eu a peguei no colo e a levei comigo para o quarto de Clarisse e me sentei no sofá com ela aninhada em meu colo dormindo.
Eu nunca me senti tão dolorosamente ferido, mas eu ainda conseguia sorrir porque a minha Annabeth parecia um filhote de gato loiro dormindo no meu colo. Só espero que esse pesadelo acabe logo.
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