P De Punk
8 Finalmente ele pediu ela em namoro
Notas iniciais
Percy’s POV
Acordei porque tinha um raio de sol batendo direto nos meus olhos. Olhei para um lado e para o outro tentando me situar onde estava. Não tinha sido um sonho! Eu estava deitado na cama da Annabeth, esparramado nela com o edredom branco cobrindo somente uma das minhas pernas. Olhei para onde Annabeth deveria estar, porém eu estava sozinho. Aproveitei, peguei o travesseiro da sabidinha e o abracei sentindo aquele cheiro delicioso. Eu preciso de terapia, eu estava ficando completamente e assustadoramente paranoico pela Annabeth.
Levantei-me e nem me preocupei com meu cabelo nem nada, limpei a baba no canto dos meus lábios, me estiquei todo saindo do quarto e fui na direção da cozinha.
– Bom dia, Percy. – cumprimentou o senhor Chase sorrindo para mim, olhando-me por cima do seu jornal – Dormiu bem?
Melhor do que ele um dia podia imaginar.
– Sim, muito obrigada. – sorri sentando-me na frente dele na mesa onde havia três copos vazios, uma jarra de suco de laranja e uma garrafa de café, e a cozinha tinha um cheiro delicioso (E não dessa vez não era o da Annabeth, eu não estou tão louco assim) – Onde está a Annabeth? – (Talvez um pouquinho. Eu gosto de ficar perto dela, me processem)
– Estou aqui! – olhei para trás, de onde vinha a voz e lá estava Annabeth, ela me olhou sobre o ombro sorrindo, estava de frente para o fogão, devia estar fazendo o nosso café da manhã – Já está ficando pronto.
Droga de mente sensual que eu tenho. Ela não podia estar cozinhando. Eu já havia sonhado com ela vestida de empregada e estava cozinhando antes de me agarrar. Um vestidinho preto e curto com um aventalzinho branco na frente que na primeira abaixada deixava a calcinha azul dela a mostra. Minha imaginação for cortada pela realidade onde Annabeth apenas cozinhava e estava trazendo os nossos pratos em uma bandeja de vidro grande. Eu acho que até estava babando por causa da minha imaginação cinematográfica (ou seria pornográfica?), era quase em 3D.
– A Annie fez um café da manhã especial hoje. – disse o senhor Chase sorrindo e colocando o jornal de lado.
Ela colocou a bandeja sobre a mesa e foi distribuindo os pratos. O sorriso que eu tinha no rosto foi desaparecendo. Eu apreciava o empenho que ela teve em fazer aquilo, mas simplesmente doeu demais. Foi uma pontada imensa no meu peito. Ela fez ovos mexidos, bacon e panquecas coloridas. Três verdes para o pai dela, três lilases para ela e três azuis para mim.
– Eu sabia que azul era a sua cor favorita, então comprei os corantes e resolvi brincar um pouco. – disse ela sorrindo.
Eu não sabia o que dizer. Olhei para ela e tentei sorrir. Tenho certeza que foi falso porque o rosto dela começou a parecer preocupado. Levantei-me apressado.
– Eu vou buscar meu celular, vai que meu irmão me liga. – disse tentando transparecer que estava tudo normal.
Então fui andando rapidamente até o quarto de Annabeth, eu sabia que tinha deixado transparecer perfeitamente o meu estado, porém não tive como evitar, foi uma surpresa que bateu muito forte. Cutucou a ferida ainda sem casca. Eu peguei meu celular e fiquei parado de costas para a porta uns segundinhos até que vi a sombra se mexendo na porta logo a pequena mão de Annabeth estava tocando o meu ombro querendo me reconfortar.
– Você está bem, Percy? – perguntou ela – Foi por causa da sua mãe, não foi?
Ela me conhecia bem até demais.
– É, não é culpa sua. Minha mãe sempre fazia comida azul para mim e para meu irmão era uma coisa nossa. Eu me lembrei dela.
– Você quer conversar? – perguntou ela.
– Não, não quero. – eu ainda não tinha olhado para ela, eu sentia aquela ardência estranha nos olhos, dói quando os olhos ficam assim.
– Quer ficar um pouco sozinho?
– Não, eu vou lá comer com vocês. – disse firme.
– Tudo bem. Vamos lá. – ainda bem que Annabeth sabia respeitar as limitações dos outros, ela não fez como as outras pessoas que me tentar fazer falar da minha mãe, ninguém entende que eu não quero falar, não estou pronto para falar. Elas não querem me deixar sofrer em paz.
Fomos juntos para a cozinha e comemos juntos. As panquecas estavam realmente deliciosas. Davam certa nostalgia indesejada. Eu comi tudo e ajudei Annabeth a lavar os pratos e fui embora quando finalmente o Tyson acordou, uns quarenta minutos depois. Ainda me sentia mal por causa das panquecas azuis, porém me senti mal em casa. Onde eu tinha uma foto da minha mãe para ficar olhando sem que ninguém pudesse me olhar com pena como o pai de Annabeth me olhou o tempo inteiro do café da manhã. Minha mãe era tão linda. Eu sinto tanta falta dela.
(...)
Annabeth’s POV
A segunda-feira havia chegado, e eu ainda estava me sentindo culpada por causa das panquecas azuis do Percy. A cara que ele fez quando ele viu as panquecas acabou comigo. Era como se o mundo dele tivesse congelado e ele havia voltado à época que sua mãe estava viva e ele havia percebido que não tinha mais ela perto de si. O Percy não gosta muito de conversar sobre a mãe, eu entendo, ele ainda não está pronto. Nem tenho certeza se ele ainda se deu um tempo para chorar.
Na escola, Percy parecia o mesmo. Ele estava como sempre no ambiente escolar, me mandava sorrisos e acenava de vez em quando, mas não vinha falar comigo. Se ele falasse comigo com frequência na escola eu choraria pela culpa que sentia já que ele não estava falando comigo, porém não éramos de nos falarmos muito na escola, então estava tudo normal.
Bom, durante o intervalo, Leo não me deixou comprar minha refeição, me arrastou para a mesa que dividíamos com nossos amigos dizendo que tinha algo muito importante para dizer e tinha que ser diante de todos eles. Bianca estava ao lado de Nico, que estava ao lado de Juliana que estava ao lado de Jason que estava ao lado de Piper, todos em volta da mesa. Leo piscou para todos na mesa e se ajoelhou na minha frente. Que isso? Casar eu não vou! Não agora. Ele pegou a minha mão e pediu:
– Annabeth, você gostaria de namorar comigo?
Não sei porque, mas meus olhos varreram o refeitório e pararam em Percy que estava sentado em uma mesa próxima a nossa. Quase ninguém no refeitório havia parado para ver o que Leo estava fazendo, Percy parou, estava comendo e ficou me encarando em expectativa, esperando para ver o que eu faria, só que aquele cabeça dura chato para caramba levantou-se todo nervosinho quando notou que eu parecia querer me desculpar por algo, pois estava tentando dizer alguma coisa, só que não sabia se era para Leo ou para ele, porque meus olhos não paravam em um. Acho que pretendia responder Leo e pedir perdão a Pecy. Só que não sabia o porquê queria pedir perdão. Olhei para Leo assim que Percy saiu do refeitório e sorri para ele.
– Eu quero, Leo, eu quero.
Ele se levantou agarrando a minha cintura e me beijou. Estranho eu não sentia nada de diferente com Leo, acho que é porque o susto de tê-lo beijado já havia passado porque ele me beijou a primeira sexta-feira na aula de educação física, é, acho que é isso. Olhei para a mesa onde nossos amigos estavam todos sorriram, mas nenhum deles parecia tão alegre com a nossa junção, somente sorriam por educação. Não eram a Silena que surgiu saltitando e abraçou a nós dois, dando felicitações ao nosso amor.
– Finalmente ele pediu ela em namoro. – disse ela toda eriçada aos nossos amigos sentados na mesa.
...
Estava indo para a classe com Nico e Juliana, ambos andavam de mãos dadas. Juliana estava pensativa, encarava o chão, tão longe dali.
– Annabeth – ela finalmente disse alguma coisa enquanto nos sentávamos nas nossas carteiras no final da sala de aula de geografia – eu acho que você fez errado.
– O que eu fiz errado? – perguntei curiosa.
– Você não devia namorar o Leo. – afirmou ela convicta.
– E porque não?
– Eu e a Ju conversamos – começou Nico – e notamos que você olhou para o Percy procurando respostas quando o Leo te pediu em namoro.
– Achamos que você está namorando o garoto errado. – terminou Juliana.
– Vocês acham que eu deveria namorar o Percy, por acaso?
– Achamos. – eles responderam uníssono.
Ri forçado.
– Até parece, eu e o Percy não somos tão próximos assim, mal somos amigos, quem dirá estarmos apaixonados um pelo outro.
Juliana encolheu os ombros.
– Você é quem sabe. Mas eu sei que você e o Leo não são feitos um para o outro. Eu nem sei por que ele está namorando você para ser franca – eu quase me ofendi foi quando ela continuou – porque ele só gosta de meninas que não dão a mínima para ele. O Leo gostar de você foi realmente uma surpresa.
– Talvez ele cresceu e cansou de ser bobo.
– O Leo? – Juliana parecia descrente das minhas palavras e ela riu – Tá, finjo que acredito. Olha, Annie, escuta o que eu estou te falando: você e o Percy ainda vão terminar juntos.
– Como tem tanta certeza?
– A Ju é filha de Apolo. – respondeu Nico sorrindo – Pelo menos é o que achamos, essa menina com um arco e flecha destrói uma cidade.
Juliana riu e Nico lhe deu um beijo na bochecha. Eles eram um casal muito fofinho devo resaltar, combinavam bastante.
Enfim, depois da aula, fui atrás de Percy e apesar dele parecer chateado e não me responder, conversei com ele o convidando para ir na minha casa as três da tarde para fazermos o trabalho de história. Percy acabou de pegar suas coisas no seu armário e me encarou.
– Eu estarei lá às três. –disse ele jogando a mochila sobre o ombro caminhando pelos corredores, eu o segui, aparentemente ele estava se dirigindo aos fundos da escola.
– Porque você está irritado, Percy? – perguntei – Por favor, não diga que é por causa do Leo.
– Estou feliz por você, Annabeth. – afirmou ele.
– Então olha para mim e fala isso na minha cara. – ordenei parando no corredor.
Percy parou também e se virou na minha direção.
– Eu estou feliz por você, Annabeth. – ele repetiu aquilo olhando nos meus olhos.
Ele abriu a porta dos fundos da escola e saiu. Eu ainda o segui. Ele não iria ficar nervoso assim para sempre. Aquilo era chato, eu gostava do Leo e queria ficar com ele. Não sei qual era o grande problema. Eu e Percy fizemos coisas juntos que nos deixaram mais íntimos do que eu desejaria, mas foi só isso, ele não podia ficar nervosinho assim só porque eu não poderia mais ser totalmente dele, não sou um premio para ele ficar com raiva de perder.
Ele começou a mexer na sua moto cinza que era muito linda e fingiu que eu nem estava ali.
– Vai querer uma carona ou coisa assim, sabidinha? Ou só quer ficar parada aí olhando para mim? – perguntou ele retirando um capacete preto com uma caveira branca em cima.
– Eu só queria que você me dissesse qual é o seu problema. – cruzei os braços.
– Eu tenho tantos, você vai querer mesmo que eu diga todos? – ótimo, agora ele estava sendo irônico comigo.
– Para com isso, Percy. – pedi indo até ele e peguei o braço dele – Olha…
– Annabeth, porque você só não aceita a carona e para de tentar fazer… seja lá o que você esteja tentando fazer. Eu estou bem.
Ele ofereceu um capacete para mim que era igual ao dele, guardou a mochila dele no lugar dos capacetes sob o banco da moto, peguei o capacete e ele colocou o seu subindo na moto.
– Vem ou não? – perguntou ele olhando-me.
Assenti e coloquei o capacete subindo na moto. Segurei a cintura dele e quando ele colocou aquela coisa para se mover, eu achei que ia morrer, tive apertar ainda mais a cintura dele. Ele estava correndo naquilo tão rápido, o cabeça de alga ainda ria sempre que eu pedia para ele diminuir a velocidade. Em compensação, chegamos ao nosso prédio rapidinho. Eu desci da moto, estava tremendo de medo daquela coisa, nunca mais quero ver uma dessas na vida. Percy tirou meu capacete por mim e voltou a guardar ambos sob o banco da moto e pegou sua mochila.
– Gostou da viagem? – perguntou ele sorrindo de canto jogando a mochila sobre o ombro.
– Não. Esse treco é muito perigoso com você dirigindo.
Ele gargalhou.
– Você prefere que eu compre um carro, te dê uma carona e estacione com um cavalo de pau?
– Não. A moto está bom. – respondi e ele riu novamente – Você quer ir lá em casa almoçar?
– Está perguntando por que quer que eu vá ou é por educação? – perguntou.
– Eu quero que você vá. – respondi convicta.
– Assim eu apaixono, sabidinha. – ele se aproximou e me prensou contra a própria moto mantendo os lábios perto dos meus.
– Percy, não podemos… eu estou…
Ele sorriu torto, se ele estava tentando me seduzir, estava conseguindo. Droga! Nem pensar direito eu conseguia, aquele cheiro de maresia é muito gostoso.
– Está namorando. Eu sei. Mas eu não estou fazendo nada. Só porque está namorando significa que eu não posso ficar perto assim de você. Somos amigos, não somos? – assenti – Então não há problemas em ficarmos pertinho um do outro. Você está com medo de cair em tentação?
– Eu… eu… não. – droga de gagueira nervosa.
Ele sorriu.
– Eu… eu… não. – ele me imitou e me deu um beijo no canto dos lábios. Arregalei os olhos – Calma, sabidinha, é só um beijo de amigos.
Então ele se separou de mim, deixando-me ofegante na garagem. Respirei fundo antes de segui-lo para o elevador, o qual ele ficou segurando esperando por mim.
Posicionei Percy na sala da minha casa, para não ter problemas com ele passeando por ela, deixei-o com o controle da TV e pedi que ele ficasse a vontade, só que não muito, que eu iria arrumar o nosso almoço. Troquei de roupa e fui para cozinha. Percy estava jogado no sofá já, em uma posição que não parecia nem um pouco confortável, mas lá estava ele, as pernas compridas uma sobre a outra fora do sofá e o tronco jogado sobre o sofá e a mão no queixo com a ponta do dedo do meio entre os lábios. Que bonitinho ele estava.
Na geladeira, para almoço, tinha frango de ontem que eu havia feito e só. Acho que teria de fazer macarrão de novo, com molho branco e brócolis que já estava pronto. Depois de uns quinze minutos, a água já havia esquentado e só era preciso mais alguns minutinhos para o macarrão ficar no ponto, nesse momento senti duas mãos grandes e fortes me apertarem a frente das coxas, puxando-me para trás, dei de encontro com o peito de Percy. Olhei para ele. Ele estava sorrindo safado, o queixo perto do meu ombro e as mãos apertando descaradamente as minhas coxas.
– Percy, o que você está fazendo? – perguntei.
– Estou vendo o que está preparando para nós. – respondeu ele, como se ele não estivesse fazendo nada de mais.
– Porque… porque você está com as mãos aí? – perguntei engasgada, tentando inutilmente parecer calma e tranquila enquanto mexia no macarrão.
– Nas suas coxas você diz? – assenti, ele lambeu todo o contorno da minha orelha antes de responder – Porque eu gosto.
– Mas, Percy…
Eu não consegui terminar, ele me puxou bruscamente tirando-me da frente do fogão, agarrou minhas pernas ao me colocar de frente para ele e me sentou sobre a pia ficando entre minhas pernas.
– “Mas” nada.
As mãos dele subiram para meus seios e apertaram sobre a blusa. Vorazmente, ele me beijou arrancando-me um gemido e depois o fôlego. Minhas mãos foram para o cabelo dele, trazendo-o para perto. Eu nem sabia mais de Leo quando as nossas línguas começaram a brincar uma com a outra. Não existia mundo lá fora quando Percy me agarrava assim.
Porém, de repente, ele decidiu se separar de mim, tirou-me da pia e se afastou, ficando a alguns passos longe de mim. Ele se fingia de culpado, só que havia um sorrisinho maldoso naquela boca vermelha.
– Desculpe, você tem namorado. – disse ele. Como esse Percy é falso, ele me quer implorando, pois não implorarei nada, ele que implore para ficar comigo, eu tenho o Leo e estou muito feliz com ele. Não era porque Percy conseguia fazer com que eu me perdesse e esquecesse até meu nome não significava que preferia ficar com ele. Não é?
– É, exato, eu tenho namorado. – disse tentando parecer nervosa com ele por ele ter me atacado.
Ele sorriu desafiador.
– Acho que o macarrão já está pronto. – comentou ele, voltando a sala.
Ele desligou a TV e voltou para a cozinha em seguida. Sentando-se à mesa enquanto eu terminava com o macarrão. Coloquei a panela a frente dele, sentei-me do outro lado da mesa e nos servimos. Comemos sossegados por mais ou menos dez minutos, então senti um pé impertinente e inconveniente esfregando na minha perna. Eu não tinha notado que ele tinha tirado os sapatos.
Olhei para a peste a minha frente. Ele estava olhando para o prato enquanto comia como se nada estivesse acontecendo. Como se ele não estivesse tentando me bolinar com o pé. Notei o sorrisinho de canto dele e resolvi fingir que não me importava com o pé dele. Terminei de comer e levei meu prato a pia, ainda fingindo que não estava nem um pouco me importando com a provocação dele. Porém ele sempre pode piorar a provocação.
Senti o corpo dele atrás do meu enquanto eu lavava o meu prato. Ele depositou o próprio prato dentro da pia, colocou meu cabelo sobre meu ombro direito e começou a distribuir beijos cálidos na minha nuca.
– Você já praticou aquilo que eu te ensinei? – perguntou ele, com o nariz na minha nuca, eu senti um arrepio descer pela minha espinha quando ele falou.
– Percy, para. – pedi em um fio de voz.
– Só estou perguntando. Fui um professor tão bom. – ele riu no pé do meu ouvido e mordeu o lóbulo e depois chupou.
– Por favor, Percy, para. – pedi novamente em um fio de voz virando-me para ele.
Ele estava mordendo os lábios, olhando diretamente nos meus olhos. Ele era tão lindo. Aquele rosto delineado e másculo. Foco, Annabeth, foco!
– Eu vou embora ou eu fico? – perguntou ele.
– Fique, é melhor, aí a gente já faz o trabalho. – respondi – Eu só vou tomar um banho e a gente começa.
Dei a volta no corpo dele indo na direção do corredor, fui no meu quarto, peguei uma muda de roupa segui para o banheiro, peguei uma toalha no armário sob a pia, foi só ao olhar no espelho que notei aquela anta parada atrás de mim, olhando para o banheiro, com as mãos nos bolsos como se nada estivesse errado. Virei-me para Percy e ele me encarou dando um sorrisinho inocente. É falso esse Percy, mais falso que nota de quinze.
– Percy, o que você está fazendo aqui? – perguntei.
– Bom, a gente vai fazer o trabalho ainda, você mesma disse para eu ficar e depois disse que ia tomar banho. Eu iria ficar aqui para verificar se as coisas estão bem. – respondeu ele na maior cara de pau.
Eu tive que rir, dei um tapa no ombro dele e o empurrei para fora.
– Pode deixar, eu sou gradinha, sei tomar banho. – afirmei com a mão na porta.
– Sabe mesmo?
– Sei.
Tentei fechar a porta, porém a mão dele a segurou.
– Tem certeza? – confirmou ele.
– Absoluta, Percy. Qualquer coisa eu te chamo. – garanti.
– Mas para isso você vai ter que deixar a porta só encostada, se algo acontecer e ela estiver trancada não poderei fazer nada.
Eu ri.
– Tudo bem, não trancarei a porta. Isso te deixa tranquilo?
– Muito. – ele se fingia de preocupado esbugalhando os belos olhos verdes, o cabeça de alga riu e foi na direção da sala, em seguida fechei a porta e passei a chave, de repente, eu pulei de susto porque Percy começou a bater na porta com força gritando enlouquecido – ANNABETH, ABRE A PORTA!
Destranquei a porta e a abri, Percy arfava de preocupação, ele me abraçou com força. Estava fazendo um teatrinho, era engraçado, eu ri.
– O que foi, Percy? – perguntei.
– Eu ouvi você trancando a porta, e eu não gostei, fiquei assustado. Nada de trancar a porta! – ele ordenou me soltando – Vou levar a chave para você não fazer isso comigo mais. – eu achei que ele estava brincando, mas ele realmente tirou a chave da fechadura e a levou embora fechando a porta por mim.
Acho que Percy não faria nada. Eu podia tomar banho sem problemas, ele não era um garoto pervertido assim. Ri do meu pensamento, minha ingenuidade estava me levando a um nível desconhecido de estupidez. Fui tirando minha roupa depois de ligar o chuveiro, prendi meu cabelo e finalmente entrei.
Tomei meu banho na água quente com tranquilidade. Cantava baixinho. Não estava pensando em nada, nem prestando atenção em nada, devia pelo menos ter me certificado que não havia nada para Percy fuçar no apartamento, só que minha mente estava longe, mais precisamente no pedido de Leo e como eu já o havia traído. Foi Percy quem me beijou, mas eu também não impedi, como eu sou burra. Pobre do Leo, não merecia aquilo. Estava distraída com a minha mente a trabalhar por isso deu um pulo de susto ao olhar para a porta e ver o cabeça de alga parado ali, encostado na mesma, mordendo os lábios enquanto me olhava dos pés a cabeça descaradamente.
– Percy? – perguntei assustada tendo cobrir meus seios com os braços, só que era inútil, ele já tinha visto tudo aquilo, era reflexo – O que está fazendo aqui?
– Vim aqui verificar se você está bem. – ele respondeu movendo as sobrancelhas sugestivamente voltando a morder os lábios. Eu não queria notar isso, porém não tinha como não notar, Percy estava excitado, dava para ver pelo volume nas suas calças, foi a minha vez de morder os lábios. Ouvi Percy pigarrear e voltei a olhar no rosto dele – Está gostando do que vê?
– Percy, por favor, saia. – pedi educadamente virando-me de costas para ele. Eu devia estar com a cara roxa de vergonha.
A porta abriu e logo se fechou. Suspirei aliviada, ainda bem que ele se foi, não iria conseguir sair de dentro do box se ele ficasse parado na porta. Droga de chuveiro com box de vidro, nem podia ser mais embaçado para ele não conseguir me ver aqui dentro? Balancei levemente a cabeça para parar de pensar que ele ficou me observando, talvez por um bom tempo, eu estava ficando quente com esse pensamento. Fiquei mais quente e por vários motivos quando uma coisa aconteceu. Fiquei quente de susto, vergonha e excitação quando senti duas mãos grandes espalmarem nos meus seios.
– Então, Annabeth, tomou o banho direitinho? – perguntou a voz rouca de Percy no meu ouvido.
– Per-Percy… eu… não… não… por favor…
– Não o que, Annabeth? Não tomou banho direito? Você quer ajuda? – ele mordeu meu ouvido e apertou mais meus seios beliscando os bicos entre os dedos fazendo-me gemer.
– Percy, eu tenho… Oh, Percy… – gemi vergonhosamente e ele beijou meu pescoço. Percy amava morder e eu amava ser mordida, os dentes dele logo estavam marcando a pele do meu pescoço.
– Eu sei que tem um namorado e sei também que está gostando. – afirmou ele.
– Você vai ficar molhado, Percy. – foi o motivo mais idiota para que ele saísse do banheiro, mas era o único que eu tinha, nem falar que eu tinha um namorado mudava as coisas.
– Eu adoro água. Ainda mais quando ela está descendo por um corpo tão lindo. – sussurrou ele chupando e lambendo a água do meu pescoço.
Merda. Eu estava ficando excitada. Quem não ficaria? Aquelas mãos fortes estavam deslizando pelo meu corpo e os lábios insistiam em brincar com a minha pele. Desliguei o chuveiro e fui o mais rápido que pude para fora do box e puxei minha toalha, cobrindo meu corpo.
– Por favor, Percy, não faça isso. Não quero trair o Leo, eu gosto muito dele. – pedi fazendo cara de coitada.
– Você está certa. Seu coração está no lugar certo, Annabeth. – disse ele por fim, olhando diretamente em meus olhos, não se desviando para nenhum outro lugar e não parecia ter um olhar malicioso ou mentiroso, ele estava apenas sendo sincero – Seremos somente amigos.
– Sem nenhum tipo de beneficio, certo? – perguntei soltando uma arfada.
Ele sorriu.
– Certo.
Apesar de dizer aquilo, ele continuou ali parado.
– Percy? – disse.
– Oi?
– Saia.
– Lógico, perdão.
Ele saiu rapidinho e eu tive que rir. Ele era meio lerdinho, mas era muito fofo. Vesti-me o mais rápido que consegui, tentei respirar fundo para parar de sentir aquele pulsar na minha intimidade. É, como eu pensei, não funcionou. Fui para sala e acabei encostando-me na parede para observar Percy. Ele é realmente muito fofo. Estava sentado no chão com as pernas cruzadas, bem em frente a TV a olhando como uma criança alegre e os lábios entre abertos, e ainda estava assistindo a um desenho. Quando ele notou minha presença, me olhou e sorriu.
Eu corri até ele, jogando-me sobre ele, com a surpresa, ele não conseguiu continuar sentado e fomos os dois para o chão, e apertei as bochechas dele.
– Você é muito fofo. – disse risonha.
– Eu sei, eu sei, agora solta que tá doendo.
Afastei-me sentando-me sobre minhas pernas e sorri para ele que acariciava as próprias bochechas. Passamos a ajeitar as coisas para o trabalho, Percy já estava com um pendrive na bolsa, com as coisas que ele havia pesquisado, era um menino muito bem preparado devo dizer. Conversamos e rimos mais do que fizemos o trabalho. Pelo menos tínhamos feito um pouco do trabalho, a capa já estava completamente pronta, e o primeiro parágrafo também. Eu estava orgulhosa de nós dois.
Ele foi embora assim que meu pai voltou. Ordenei a ele que tomasse cuidado com aquela moto antes de ele realmente ir, depois de ter passeado naquele furacão sobre rodas, achei melhor fazê-lo prometer que iria tomar mais cuidado e andar mais devagar. Acho que ele pensou que eu estava brincando, porque riu, disse que iria se cuidar, me deu um beijo na bochecha e se despediu. Então, conversei com meu pai sobre estar namorando. E a reação dele foi estranha.
– Eu sabia que você e o Percy tinham alguma coisa. – disse ele sorrindo.
– Não é o Percy, pai. Estou namorando o Leo.
Ele parou de sorrir e me pareceu confuso.
– Bom, ele é um menino bom. Estou feliz por você. – ele sorriu e me deu um beijo na testa.
Meu pai era um cara legal, meio ingênuo demais, porém ainda era um amor de pessoa.
...
No dia seguinte, senti-me estranha, algo estava errado. Eu estava sentindo um frio na barriga estranho. Que aumentou quando fiquei sozinha na mesa do laboratório. Percy faltou. Ele não parecia doente ontem, estava bem. Poderia ser intoxicação alimentar, porém a culpa não era da minha comida, eu estava muito bem. Ou talvez ele ficou com preguiça mesmo. Do jeito que ele é, deve ter ficado dormindo em casa, numa boa.
– Tyson! – chamei quando o grandão passou por mim, Leo, Bianca, Nico e Juliana. Leo foi o único que parou para me esperar e eu fui na direção do Tyson, ele me deu um sorrisinho tristonho – Onde está o Percy?
– Annie – ele colocou a mão no meu ombro –, o Percy sofreu um acidente.
Eu dei um passo para trás e Tyson parou de sorrir deixando a mão pender ao lado do próprio corpo, a notícia me atingiu como um tijolo, eu podia até sentir a dor, meu coração começou a bater irregularmente, parecia um estouro da boiada que estava acontecendo no meu peito. Ah, não, Percy.
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