Notas iniciais
VOLTEI PODEROSA! Primeiramente queria agradecer a sara lucena pela linda recomendação, muito obrigada minha diva. Queria dar um oi com muito glitter para todas as novas leitoras. E para aqueles que perguntam quando eu irei postar outro capitulo, bom gente fabulosa, eu tento postar o mais rapidinho possível, três dias no máximo desde o ultimo capitulo, é porque eu gosto muito de vocês e quero deixar as minhas divas felizes. E gente, parem de querer o Leo para vocês, o elfinho é da diva aqui! Então vamos ao capitulo.

Annabeth’s POV

Estava me arrumando para o encontro com Leo tentando me divertir para esquecer Percy Jackson e das brigas que constantemente tínhamos. Eu ficava mal por brigar com ele. Sempre ficava. Ele podia ser grosso comigo, mas eu sempre ficava com remorso, sentia que brigávamos por causa de mim. Só que não era minha culpa se ele não queria mais conversar comigo, eu queria tentar ser legal com ele. Eu percebi uma coisa. Não importa quantas vezes eu diga que não vou mais conversar com ele ou quanto eu tente me controlar para não agarrá-lo quando estamos perto, nunca tenho sucesso.

Estava dançando ao som de ABBA, parecia uma louca cantava e toda hora eu ia para a cozinha para verificar o macarrão que eu estava fazendo para o meu pai para a hora que ele voltasse, de sexta ele geralmente volta um pouco depois das oito. Foi em uma dessas andanças que notei uma coisa sentada no sofá da minha sala. Tomara que não fosse a menina d’O Exorcista, girando a cabeça e chamando pelo padre Merrin, eu me jogaria pela janela. Ao me virar deu um pulo por exatamente não ser a menina d’O Exorcista, era só o Percy, como ele entrou era um mistério. Mas lá estava ele. Sentado no sofá me olhando sorrindo como um bobo.

– O que o cabeça de alga está fazendo aqui, posso saber? – perguntei colocando as mãos na cintura.

– Eu vim aqui para entregar uma coisa que você esqueceu na escola. E também pedir para abaixar o volume, mas ver você dançando “Gimme, Gimme, Gimme” podia fazer tudo isso esperar. – respondeu rindo.

Viu o que eu disse? Éramos rudes um com o outro em determinados momentos. Estávamos conversando como dois amigos de infância no momento. Daqui a pouco estaríamos nos engalfinhando.

– Aproveita que você já tem que me entregar uma coisa e vem aqui no meu quarto que eu te dou as suas roupas.

– Você nem quer saber como eu entrei? – perguntou ele levantando-se.

– Tenho medo de perguntar, mas tudo bem. Como você entrou?

– Estamos no décimo quinto andar, só que isso não significa que não podem entrar. Eu sou o Percy-Aranha, pulei para a sua varanda em uma acrobacia fantástica cheia de glitter e…

– Chega, cabeça de alga, só venha buscar as suas roupas.

Ele veio até mim e riu. Quando chegou perto de mim começou a me imitar dançando balançando os quadris e afinou a voz começando a cantar:

“Gimme gimme gimme a man after midnight

Won't somebody help me chase the shadows away”

Dei um tapa no ombro dele o mandando parar. Ele continuou a rir. Entrei no meu quarto e peguei as roupas dele as quais havia meticulosamente dobrado e deixado sobre a minha poltrona branca que ficava encostada na parede sob um adesivo de parede de uma coruja gigante. Diminui o som do radio e cheguei novamente perto dele, que se mantinha parado na porta olhando para o quarto.

– Aqui. – entreguei as roupas dele – O que você queria me entregar?

Ele parecia se lembrar do que veio e colocou a mão no bolso e tirou de lá uma um pano rosa claro, eu reconheci na hora. Minhas bochechas avermelharam. Ele estava com a minha calcinha.

– Você tem que se lembrar das suas peças de roupa ou elas ficam esquecidas no vestiário masculino. – recomendou ele.

– Obrigada por devolver. – agradeci.

– Por nada. Tchau. – a cara dele ficou raivosa – Divirta-se no encontro.

– Você não prefere ir pela porta? – perguntei indo até ele, que já estava no final do corredor.

– Estou bem, continue o que estava fazendo. – ele deu um sorrisinho mínimo.

– Certo. Tchau.

Percy foi embora do mesmo jeito que chegou, subiu no parapeito da minha varanda, grudou na parede que dividia a minha varanda e a dele e pulou para a própria varanda. Aquela aranha dele era radioativa, eu tinha certeza. Deixei isso para lá e voltei a me concentrar no que fazia. Acho que apesar de não admitir ele estava com ciúmes sim, foi só lembrar que eu estava me arrumando para sair com o Leo, já ficou nervosinho. Que gracinha, ele estava com ciúmes.

...

Leo me levou em uma lanchonete muito legal, era bem reservada, e não parecia ser cheia de gente louca como a maior parte das lanchonetes de Nova York finalmente éramos só eu e ele. Ninguém surgiu para nos atrapalhar. Eu achei isso até ver a criança saltitando até a nossa mesa. Sinela. A última pessoa que eu pensaria que surgiria. Geralmente é o Jason, a Piper, o Nico ou a Bianca. Estranhei ser ela.

– Oi para vocês! – disse ela feliz da vida.

– O que está fazendo aqui, Silena? – perguntou Leo unindo as sobrancelhas.

– Eu convidei um menino para sair também. – respondeu ela sorrindo.

– Que menino? – perguntei curiosa.

Uma mão passou pelo pescoço dela, abraçando ali. Eu pensei que seria o Charlie, mas não. O suposto menino nos olhou e sorriu para nós abanando a mão do braço que estava em volta do pescoço de Silena.

Não creio.

– Percy? O que você está fazendo aqui? – perguntei indignada.

– A Lena me chamou para sair e eu aceitei, só isso. – respondeu o moreno e ainda piscou para mim.

– Vocês… ãh… querem se sentar conosco? – perguntou Leo, era por educação só, eu sabia.

– Ah, não. Vamos deixar vocês dois em paz. E nós queremos ficar em paz também, não é, Percy? – perguntou Silena olhando para Percy, sorrindo para ele.

– É sim.

Os dois acenaram e foram sentar em uma mesa do outro lado da lanchonete. Eu acho que não gosto mais tanto da Silena. Eu tenho certeza que a patricinha ia se esfregar no Percy mais tarde. Aquela vadia que só pensa em sexo.

– Você quer, Annie? – perguntou Leo.

Olhei-o finalmente. Acho que estive olhando para Percy e Silena do outro lado da lanchonete desde que eles se despediram. Que ódio, eles nem olhavam para nós, os dois conversavam e riam, pareciam que não estavam se importando que estávamos ali. Eles deveriam se importar? Eu deveria estar incomodada deles estarem juntos?

– O que? Me desculpe, não estava prestando atenção. – pedi.

– Perguntei se você quer ir para outro lugar.

– Não. Está tudo bem.

Não estava não, ainda mais quando eu olhei novamente para a mesa do outro lado da lanchonete e Percy olhou de volta, sorriu e piscou para mim. Ai que ódio. Como ele sabia que eu estaria aqui? Talvez não soubesse, ninguém sabia. Porque eu estava tão nervosa por ver Percy com Silena, não podia ser ciúme, não sou ciumenta, além do que, eu e Percy só ficamos algumas vezes juntos, não podia estar apaixonada pelo jeito que ele geme. Senti minhas bochechas avermelharem. Não devia ter pensado nisso.

...

Foi muito legal sair com o Leo, logo ele me fez esquecer que Percy e Silena estavam do outro lado da lanchonete. Fiquei rindo a maior parte do encontro. O Leo era muito engraçado. Ele ainda estava me fazendo rir quando me levou para casa. Eu pedia para ele parar porque a velhinha que estava conosco no elevador me olhou como se eu fosse estranha, mas ele não parava quieto. Eu estava soluçando já.

– Fica quieto, elfinho. – pedi soluçando e por tê-lo chamado de elfo ele ficou quieto e fez biquinho fingindo estar magoado.

Coloquei a chave na porta e o abracei dando uma risadinha.

– Brincadeira, Leozinho.

– Eu sei. – ele sorriu de canto e tocou meu rosto.

Ele estava quase me beijando, quase. Eu podia sentir a respiração dele esquentar o meu rosto. Vai mais rápido Leo! Me beija logo!

– OI! – olhei para quem havia gritado e nos assustado e adivinhem… Percy – Desculpa pelo susto. Eu só queria dar um “oi”. – ele sorriu falso e foi na direção do apartamento dele, antes de entrar se despediu sorrindo – Tchauzinho.

Leo bufou.

– O Percy está querendo levar uns bons socos, eu posso ser baixinho, mas… mas… eu conheço uns caras barra pesada.

Eu ri e balancei a cabeça

– Tá bom, Leo, tá bom. – abri a porta e entrei ficando na porta olhando para Leo. O momento foi estragado mesmo, mas ele estava fazendo cara de menino que perdeu o brinquedinho e estava tão fofo que eu sabia que eu tinha que fazer as coisas por aqui. Agarrei os ombros dele e dei um beijinho nele – Tchau, Leo. – disse ao separar-me dele e fechei a porta.

EU FINALMENTE DEI UM BEIJINHO NO LEO! Posso ouvir o coro de “Aleluia”?

Percy’s POV

Eu tenho certeza que Leo beijou a minha Annabeth, mesmo tendo atrapalhado. Se ele soubesse que eu havia feito que mais beijá-la, sentiria vergonha de ser apenas o “Leo” e não o “Peeeerrrcyyyy” (ela gemeu meu nome assim uma vez). Fiquei sentado no sofá da minha casa mais ou menos por uns quarenta minutos esperando alguma coisa cair do céu. De preferência um meteoro e na cabeça do Leo. Eu não sabia se deveria ir na casa da Annabeth. Queria ir, mas não poderia pular pela varanda, afinal, o pai dela devia estar em casa, ele poderia achar que eu era má influencia então depois de muito ponderar, levantar e voltar a sentar no sofá recebi uma ajuda.

– O que foi, Percy? – perguntou Tyson vindo sentar-se na poltrona ao lado do sofá.

Eu estava com os cotovelos apoiados nos joelhos e meu queixo estava no meio das minhas duas mãos, estava pensando no que eu faria. Eu poderia ir lá e ficar olhando para a Annabeth com cara de tacho ou poderia ficar em casa e simplesmente não fazer nada. Levantei mais uma vez e voltei a sentar na antiga posição.

– Estou pensando. – respondi.

Ele riu.

– Vai derreter o próprio cérebro assim. Está fazendo muita força. – ri forçado e ele sorriu – Está pensando na Annie?

– Como pode ter tanta certeza?

– Eu sou bom em ler as pessoas. – ele suspirou – Percy, vai lá na casa dela agora e vai conversar com ela. Diga logo como se sente. Você fica muito tempo dentro daquele banheiro e isso está começando a me preocupar.

Eu ia protestar, dizendo que eu só gostava de ficar limpinho, mas ele não deixou. Veio para cima de mim e me puxou, levantou-me do sofá e me arrastou até a porta. Eu tentava pará-lo, mas é o Tyson, ele derrubaria até o Godzilla. Abriu a porta da casa e me expulsou, fechando-me para fora.

– Tyson! Abre a porta! Para com essa bobagem! – ordenei apoiando um braço na porta.

– Só abro se você for falar com a Annabeth. – retrucou.

Aquele idiota, eu ainda ia fazê-lo engolir um travesseiro, acho que do jeito que ele é, vai comer e ainda vai pedir pasta de amendoim.

– Então eu vou ficar aqui no corredor esperando para o nosso pai chegar e abrir a porta para mim. – disse cruzando os braços.

– É assim, é? – perguntou ele.

– É! – respondi.

A porta abriu-se de supetão, ele agarrou meu braço me colocou na frente do apartamento da Annabeth e bateu na porta com rapidez e força. E em segundos, já estava trancando a porta da nossa casa. Eu nem tive tempo para me mover. Esse Tyson era muito ligeiro. Eu queria poder fugir, porém logo a porta abriu-se. Um homem alto de cabelos loiros, ao qual presumi ser o senhor Chase, estava ali. Ele deu um sorriso. Eu tentei não parecer constrangido e tentei sorrir também.

– Pois não. – disse ele.

– Oi, senhor Chase. – cumprimentei esticando a mão para ele – Sou Percy, colega da sua filha, eu gostaria de poder falar com ela, se não estiver interrompendo nada é claro.

Ele apertou a minha mão e me pediu para entrar.

– Estranho você estar aqui a esse horário. – comentou ele olhando no seu relógio de pulso.

– Eu moro aqui do lado, então…

– Ah, que ótimo, um amigo da minha filha morando tão perto. – ele pegou no meu ombro e se aproximou do corredor comigo – A Annie está lendo, ela não gosta muito de ser interrompida enquanto lê, mas acho que não teria problema se fosse um amigo, certo? – assenti e ele sorriu – Você sabe onde é o quarto dela?

– Sei, sim, senhor.

– Ok, então. Eu vou voltar para o meu oficio, fique a vontade.

– Obrigado.

Ele se afastou e foi para a cozinha e eu segui em direção ao quarto da Annabeth. Olhei para a porta e fiquei parado durante uns quatro minutos, somente olhando, não sabia se batia ou se metia a mão na porta. Porém acho que vestida ela já estava e como o senhor Chase disse, ela só estava lendo, então abri a porta devagarzinho e fui colocando a cabeça para dentro do quarto aos poucos. Ela estava de costas para a porta, sentada com as pernas cruzadas sobre a cama e tinha um livro no colo, só que não parecia estar lendo, o corpo dela estava dando leve tremidas.

– Pai, eu estou lendo. – disse ela, a voz dela estava embargada, por isso não disse nada e entrei fechando a porta atrás de mim, tentando me manter em silêncio para ela pensar que o “pai” dela havia saído.

Então vi uma coisa que cortou meu coração, a mão dela abafou um soluço e o corpo dela tremeu. Porque ela estaria chorando? Aproximei-me e sentei ao lado dela.

– Pai… eu… – quando olhou para quem estava ao seu lado, ela pareceu espantada – O que faz aqui?

– Eu queria vir… e o Tyson me deu uma mãozinha e alguns empurrões. – falei baixinho, só para ela me ouvir, dei um sorrisinho mínimo mostrando que estava ali como amigo e finalmente perguntei: – Porque… porque está chorando?

– Porque o livro é triste. – isso soou como mentira para mim. Para vocês também, não é?

Levantei a capa do livro para ler o nome e arqueei as sobrancelhas, tentei brincar para amenizar as coisas.

– Você acha que “A história da Arquitetura Grega” é um livro triste? – me fiz de indignado e estalei os dedos, como aquelas meninas chatas que falam uma palavra e estalam os dedos – Espere para ler a continuação “A história da Arquitetura Romana”, amiga – fingi que estava chorando –, é tão deprimente, só de lembrar sinto vontade de chorar. – ela riu um pouco, era alguma coisa já – O que houve?

As lágrimas voltaram a se apoderar dos seus olhinhos cinza que estavam vermelhos e inchados.

– Nada. – ela quase nem conseguiu dizer por causa do soluço.

– Annabeth Da Silva Sauro, você vai conversar comigo! – ela riu novamente e eu ri com ela – Vamos, me diga, sou bom ouvinte.

– É que… a minha mãe… ela me ligou. – ela voltou a chorar, mas continuou a falar baixinho – Ela ficou falando no telefone e eu não disse nada.

Tirei o livro do colo dela e a puxei para mim a aninhando em meus braços como um bebê.

– E porque está tão triste assim? – perguntei.

– Ela ficou fazendo planos porque sabia que eu estava ouvindo. Parece que ela não se importa em ter deixado meu pai. Disse que poderíamos sair e que eu poderia conhecer o novo namorado dela. Ela disse que ele era um cara legal. Eu estou pouco me fudendo para o namorado dela! Ela largou o meu pai! Meu pai precisava dela. Eu precisava dela. Ela ainda veio dizer que eu ia gostar da casa dela e que poderia ficar com ela e deixar o meu pai. Eu não sou ela. Eu não vou deixar meu pai, não quero morar com ela.

Era bom vê-la liberando o estresse e falando palavrões, liberar o estresse era bom, não é muito aconselhável deixar tudo preso.

– Então porque não diz isso para ela? Diga que não quer ficar com ela.

– Como eu vou fazer isso, Percy? Eu a odeio, mas ela ainda é minha mãe. Eu simplesmente não posso dizer que não quero mais vê-la.

– Então você está chorando porque não quer magoá-la? – perguntei.

– Não. É que… esse tempo que ela ficou longe foi tão bom, eu tinha esquecido porque tínhamos nos mudado. Agora que eu ouvi a voz dela, eu me lembrei das vezes que disse que não queria sair com o papai porque eu queria sair com a minha mãe. Acho que… não pude chorar no dia porque estava preocupada com o meu pai. Eu não queria magoá-lo ainda mais chorando na frente dele, e agora que ela ligou, tudo veio a tona tão rápido. – ela fungou – Ela escreveu que eu era muita responsabilidade e que não queria mais tomar conta de mim. Eu li a carta do meu pai, ele jogou ela fora para que eu não visse, mas eu peguei, eu li. Na minha ela só tinha escrito coisas bonitinhas, mas na dele, ela escreveu a verdade. Aquela desgraçada estava traindo o meu pai há dois anos. E ainda quer vir dar uma de boazinha para mim? Eu não quero ficar perto dela mais. Me arrependo tanto de querer a companhia dela. – agora ela soluçou – E o pior, eu conheço o amante desgraçado filho da puta dela. Era um dos colegas de trabalho dela. Passava o tempo todo com ela. Agora eu sei fazendo o que.

Ela ia falar mais alguma coisa, mas se rompeu a chorar e eu apenas abracei-a com mais força, colocando minha bochecha na testa dela.

– Isso, põe pra fora. – incentivei.

– Um dia, ouvi meu pai brigando com a minha mãe, na época não entendia o porquê, mas agora eu sei que eles estavam brigando porque a minha mãe passava muito tempo com esse cara. Eu briguei com o meu pai por ter gritado com a minha mãe. E eu ainda tive… coragem… de dizer que preferia que o amante da minha mãe fosse meu pai e não ele. Aquele homem vivia me dando presentes e eu gostava daquilo. – ela soluçou algumas vezes antes de continuar – A expressão dele… quando eu disse isso… eu ainda tenho ela gravada na minha cabeça…

– Todos comentem erros e dizemos coisas que não queremos nos momentos de raiva, Annabeth, eu tenho certeza que seu pai te perdoou. – sussurrei beijando a testa dela.

– Mas eu não me perdoei, Percy. Meu pai é o melhor homem do mundo e não merecia nunca ser magoado. Acho que eu sou igual a minha mãe.

– Não diga isso. Nunca mais. Você não é como a sua mãe.

– Como sabe?

– Sabendo. Eu sei que gosta de arquitetura, tem uma língua afiada e é cabeça dura como uma pedra, é teimosa, e as vezes meio chata e empacada feito uma mula.

Ela riu. Segurei o queixo dela e a fiz me olhar.

– Não diga que você é como a sua mãe. Você não é. Você é muito melhor e mais forte que ela.

– E como pode ter certeza?

Porque eu não me apaixonaria por você se você não fosse.

– Porque eu sou o rei soberano da verdade. Nada que eu digo pode ser contestado. – brinquei ao invés de dizer a verdade, afinal, isso poderia assustá-la.

Ela riu.

– Bom saber.

Limpei as lágrimas dela e a apertei em meus braços mais uma vez.

– Está tudo bem agora. – afirmei.

Ela assentiu.

– Obrigada, Percy, por me ouvir. – agradeceu.

– Por nada, sabidinha, sempre estarei aqui. – essa última parte não era simplesmente uma frase jogada porque parecia fazer sentido colocá-la ali, era uma promessa.

– O que você veio fazer aqui? – perguntou ela depois de ficar um tempo quietinha para se acalmar.

Um agravante aqui que estava me deixando completamente feliz: ela ainda estava aninhada nos meus braços como um bebê! Era tão gostoso ficar assim com ela, eu estava gostando de protegê-la em meus braços.

– Eu queria falar com você. Mas não sabia se devia vir ou não, então meu irmão resolveu para mim.

– E queria falar o que? – perguntou ela curiosa.

Tá aí uma coisa que eu não havia pensado.

– Eu não sei. Eu só sei que queria a sua companhia.

Ela começou a corar. Eu ri.

– Você veio se vangloriar porque interrompeu o meu beijo com o Leo no corredor? Se for fazer isso já vou avisando que foi inútil, nos beijamos depois que você foi embora.

– Bom para vocês. – disse raivoso. Ela queria destruir meu coração?

Acho que ela percebeu que eu fiquei um pouquinho nervoso, então não me olhou nos olhos e começou a brincar com a minha blusa.

– Como foi o encontro com a Silena? – perguntou ela sem ainda me olhar.

– A Lena é ótima, um amor de pessoa.

– Imagino como ela deve ser. A Lena. – ela não parecia alegre, a careta dela quando disse “Lena” foi engraçadíssima.

– Olha, Annabeth, ela é minha amiga há muito tempo, eu chamo ela de Lena por causa disso.

– Você não me chama de Annie porque não é meu amigo há tanto tempo? – perguntou ela olhando para mim.

– Não. É que eu gosto do seu nome. “Annie” não parece certo. Annabeth é tão lindo.

– Obrigada. – ela sorriu radiantemente – Perseu também é bonito e muito forte, mas eu prefiro Percy, é mais fofinho.

– Eu sou todo fofinho. Como um filhotinho.

Ela se levantou do nada. Ah, não, volta aqui! Eu quero ficar abraçadinho. (Ai que coisa mais máscula de se dizer).

– Espera aí. Olhe só! – ela se levantou toda lampeira e foi até a escrivaninha dela que tinha mais livros empilhados do que uma biblioteca. Atrás dos livros, tinha uma gaiola branca e Annabeth tirou lá de dentro um porquinho-da-índia todo preto, ela veio trazendo aquela coisa peluda para perto de mim e eu fui me afastando, indo para trás na cama – Calma, ele não faz nada. Ele é um amor.

Aquela coisa preta estava chegando perto de mim, os olhos dele era tão esbugalhados e o coitado era vesgo por conta disso. Eu me arrastei mais pela cama e acabei caindo cheguei a outra beirada e não tinha mais lugar nenhum para me arrastar. Annabeth riu da minha desgraça.

– O que foi, senhor Jackson? Está com medo de um porquinho-da-índia.

– Não ria de mim. – pedi sentando-me no chão e acariciando minha cabeça onde havia batido quando caí no chão.

– Faz carinho nele, Percy, o Blackjack é inofensivo.

Levantei-me e olhei para aquela coisa peluda. Ele era bonitinho até. Acariciei atrás da orelha dele e realmente ele não fez nada. Eu sorri.

– Viu? Eu não disse que ele era um amorzinho.

– Annabeth? – ela me olhou – Sabe quando eu disse que não precisávamos mais nos ver para fazer o trabalho de história? – ela assentiu – Então, eu não quis dizer aquilo, a minha cabeça estava quente, eu ainda quero fazer o trabalho com você ao meu lado.

Ela deu um sorrisinho.

– É de boa. Nós brigamos tanto já, Percy, ficamos tanto tempo sem nos conversarmos, parece que é normal para nós, é rotina. Você mesmo disse que falamos coisas que não queremos nos momentos de raiva. Eu ainda quero tentar ser sua amiga.

Eu queria ser mais do que amigo, mas aceitaria. Sorri.

– Eu também quero. – parei de fazer carinho no Blackjack – Eu tenho que ir, tenho que ver se o meu irmão abre a porta para eu entrar. Se ele dormir por acaso, nada vai acordá-lo.

Ela assentiu.

– Pode ir. Você… você…

– Eu sei que você não quer perguntas do seu pai. Pode deixar, eu vou sozinho. – dei um beijinho na bochecha dela – Não quero te ver mais triste, tá bom? Tchau, sabidinha.

– Tá bom. Tchau, cabeça de alga.

Sai do quarto e fui até a cozinha, o senhor Chase estava sentado à mesa circular de mármore que estava cheia de papeis, ele parecia estar corrigindo os papeis, acho que ele era professor.

– Senhor Chase? – chamei-o, ele me olhou e sorriu – Você poderia abrir a porta para mim?

– Lógico, Percy. – ele se levantou e foi comigo até a porta.

Já estava do lado de fora quando disse:

– O senhor tem uma tem uma filha incrível, senhor Chase.

– Eu sei, Percy, obrigado por ter falado com ela.

Ele sabia que a filha estava com problemas dentro do quarto, por isso ele me deixou entrar sem nenhum problema, se eu fosse ele, não deixaria um garoto como eu entrar no quarto da minha filha naquele horário.

– Por nada, senhor Chase.

Nos despedimos e ele fechou a porta. Bati na porta do meu apartamento duas vezes esperando o Tyson vir abrir. Quando nada aconteceu, bati mais algumas vezes com mais força dessa vez. Se aquele desgraçado dormiu e me deixou aqui, eu ia matar ele. Ele pode ter deitado na cama de propósito, do jeito que é. Sentiria-se menos culpado por me deixar fora de casa se pudesse dizer que não tinha ouvido. Bati na porta de mão aberta até ela começar a arder gritando por Tyson.

– TYSON! ABRE A PORTA! – ordenei.

Eu acho que os vizinhos iam começar a se incomodar. Mas eu queria ir para casa. Depois de gritar o nome do meu irmão mais uma vez, a porta do apartamento vizinho foi aberta e o senhor Chase saiu.

– Você foi trancado para fora? – eu assenti e ele riu da minha desgraça, então era de família isso – Vem, entra, vai acabar acordando o prédio todo.

Assenti e entrei. OBA! Festa do pijama na casa dos Chase, isso seria legal até.

Notas finais
O Blackjack passou de pegasus para porquinho-da-índia, talvez a Circe não gostou dele, vai saber. Então gostaram? Será que vai acontecer alguma coisa nessa festinha do pijama? (Aposto que é hentai) Sem spoilers, sem spoilers. Vejo vocês em breve, minhas divas.