P De Punk
2 A sabidinha é surpreendente
Notas iniciais
Percy’s POV
É tão bom estar na boca do povo, vocês não fazem ideia. O Leo devia achar que eu tinha ouvido de velho, eu o ouvi falando sobre mim para a garota nova. Eu não me importava tanto assim com essas coisas, já estava mais do que acostumado em ser o centro das atenções, na escola toda só tinha outra garota que é punk como eu, Thalia, ela é uma garota legal, éramos namorados, ela me ajudou com a minha mudança de estilo. Tinha só mesmo, a Thalia havia se mudado para São Francisco, tivemos que terminar o namoro por isso, e pelo o que ela contou na última conversa que tivemos, tinha se apaixonado por outro alguém, Luke Castellan, fiquei feliz por ela. De qualquer modo, a novata, era uma surpresa. Haviam me contado sobre o que ela havia falado para Drew que já estava circulando pela escola toda. Depois de ser arrastado para a sala de aula pelo diretor, deparei-me com a surpresinha, ela era linda. Os cabelos longos e encaracolados loiros moldavam seu rosto de boneca, os olhos cinza tempestuosos e os lábios vermelhos contrastando com a pele branca.
As surpresas aumentaram durante a aula de educação física. O treinador Hedge não obriga ninguém fazer a aula dele, desde que não atrapalhe está de boa, então eu fui sentar na arquibancada. E lá estava ela, peguei-a olhando para mim, e ri quando ela desviou o olhar assim que nossos olhos se cruzaram. Ela devia estar querendo me provocar porque ficava me olhando e isso é claramente um chamado para se olhar de volta e quando eu olhei, não tinha como desviar os olhos. Que roupa era aquela, Zeus? Que coxas eram aquelas? E aquela barriga que aparecia o tempo todo? Ela ficou toda envergonhada por usar algo daquele, ficava puxando o short para ver escondia algo. Ela teve tanto sucesso com suas tentativas de se esconder que eu tive que cruzar as pernas para não transparecer a minha emoção por ela ter “conseguido”, se é que vocês me entendem.
E essa foi só uma das primeiras surpresas, depois ela ainda deu uma bolada na cara da Drew e fez o nariz da menina sangrar. O que mais me surpreendeu foi ela ter se entregado, sem vergonha nenhuma na cara e agora ela iria ficar na detenção comigo. Fiz questão de eu mesmo contar para ela. A pobrezinha estava andando distraída no corredor e esbarrei nela e até a derrubei.
– Perdão. – ela pediu toda delicadinha.
– Vê se olha por onde anda da próxima vez. – pedi parando de andar e a olhando com um sorrisinho sarcástico. Ela não parecia nada feliz com as minhas palavras, seus lábios levemente entreabertos – Te vejo na detenção, sabidinha. – e lhe dei as costas. Eu ri enquanto seguia caminho, preferia sair da escola pelos fundos, é lá que eu deixo a minha moto.
E as surpresas não acabaram por aí. Voltando para casa, vi a sabidinha descendo de um carro cinza na frente do prédio que eu moro. Isso seria fantástico, ela moraria no mesmo prédio que eu. Esperei ela entrar no elevador e fui até o porteiro perguntar qual era o andar dela e se ele pudesse me dizer qual era o apartamento seria ótimo também. Como ele me conhece, e sabe que eu sou confiável, apesar de ser contra a política do prédio, ela estava no décimo quinto andar, no apartamento 501, e como o destino é uma bicha poderosa, ela era a minha nova vizinha. Contaria a ela ou a deixaria descobrir para ver sua reação? Deixaria ela descobrir.
Dormi uma hora assim que cheguei em casa e as três em ponto saí de casa para ir para a detenção e chegar primeiro que ela, ainda não era a hora dela descobrir que maravilhoso (e muito sexy, obrigado) vizinho que ela tinha.
Sentei no chão da biblioteca e comecei a limpar primeiro em baixo, e enquanto tirava os primeiros livros, ela chegou, acompanhada do diretor.
– Vocês vão ter que limpar todas as prateleiras, senão não vão embora. – disse o diretor.
– Tudo bem. – disse ela, olhei pelo canto da prateleira que havia na minha frente e quando o diretor fechou as portas duplas ela, que estava de lado olhando para a porta, fez cara feia – Gordo careca.
Voltei a me sentar certinho, e esperei ela surpreender-se comigo. Fingi que estava lendo um livro e quando notei os dois pezinhos parados diante do corredor entre as duas prateleiras olhei para cima e dei um sorrisinho.
– Está atrasada. – disse.
Ela parecia um pouco assustada, acho que não esperava que ninguém estivesse por perto para poder xingar o diretor sem haver testemunhas.
– Porque chegou tão cedo? – perguntou ela – Não sairemos aqui tão cedo.
– O diretor tem coração mole, se ficarmos três horas tá bom, só não podemos ficar parados o tempo todo, se pelo menos ajeitarmos esse estante – disse apontando para a prateleira que eu estava mexendo – a gente vai embora rapidinho.
– Ótimo. – ela suspirou, e pegou o pano laranja que ofereci para ela.
– Começa em cima que eu continuo embaixo. – ela me olhou com a sobrancelha arqueada com as mãos na cintura, eu ri – Eu cheguei primeiro, eu mando aqui.
Ela deu de ombros e olhou em volta procurando algo, acho que era uma cadeira, mas não tinha (ainda bem), as cadeiras e mesas da biblioteca foram tiradas na sexta passada para serem trocadas. Se dando por vencida, começou a limpar lá em cima. Como era baixinha, tinha que se esticar toda para alcançar. Assim que terminou de tirar os livros e fazer uma pilha no chão bufou e tentou passar o pano. A bunda dela ia ficar seca de tanto que eu olhava.
– Porque eu tenho que limpar aqui em cima? – perguntou ela indignada – Você é mais alto!
– Porque a visão é melhor daqui de baixo.
A boca dela se abriu e com o pano sujo mesmo, ela me bateu. Eu me protegi, abaixando a cabeça. O feitiço virou-se contra a feiticeira, porque a poeira que subiu a fez espirrar. Quando levantei a cabeça, ela olhava para o meu cabelo com as sobrancelhas unidas.
– O que isso verde no seu cabelo? – perguntou ela – Um pedaço de alga?
Toquei meu cabelo, indo para trás e na minha nuca havia uma coisa meio gosmenta, comprida e estranha. Era um chiclete. Não devia ter dormido no sofá da sala.
– É chiclete. – disse.
– Parece um pedaço de alga. – ela deu um sorrisinho – Como isso foi parar aí?
– Meu irmão se vingou por eu ter feito isso com ele semana passada. Eu dormi no sofá da sala quando cheguei da escola, então…
Ela gargalhou.
– Você mereceu, senhor Percy! – eu fiz biquinho e ela ajoelhou-se ao meu lado – Posso ajudar?
– Vá em frente.
Ela se aproximou de mim e ainda ajoelhada começou a mexer no meu cabelo. As mãozinhas dela eram tão delicadas e remexiam no meu cabelo com cuidado, eu tive que engolir um gemido.
– Então você já sabe meu nome, qual é o seu? – perguntei.
– É Annabeth.
Somente movi meus olhos para o lado, e quase enfartei. Os seios dela estavam na minha cara. Como suportarei, eu um mero mortal, a tal tentação? Ela pigarreou e senti um puxãozinho no cabelo.
– Se continuar olhando, furo seus olhinhos verdes. – alertou Annabeth.
– Vale muito a pena, será a última imagem que terei na mente e a usarei com muita sabedoria… em momentos particulares.
Ela riu forçado.
– Que engraçado. – disse a loirinha num tom de tédio – Nossa, eu vou rir disso o resto da minha vida.
– Você tem uma linguinha afiadinha. – comentei e senti o último puxão no meu cabelo, Annabeth sentou-se sobre as pernas e me entregou o chiclete verde, olhei-a, joguei-o no lixo que tinha encostado na prateleira e sorri – Que tal você me dar um beijo para eu ver se essa linguinha corta, sabidinha.
– Vai sonhando. É de graça. – ela sorriu de mau gosto e se levantou – E não me chame de sabidinha, cabeça de alga.
Sorri olhando para ela e resolvi me levantar. Usando ela de apoio, apertando as coxas dela para conseguir levantar e fiquei diante dela. A sabidinha estava de braços cruzados e revirava os olhos. Acho que ela não estava gostando de mim.
– Você se acha muito legal, né? – perguntou.
– Acho sim. Você não acha, senhorita? – perguntei sorrindo.
– Não, não acho.
Não devia, pois já esperava essa resposta, mas me senti um pouco triste. Ela começou a limpar a prateleira que estava no seu campo de visão e eu fiquei com a de cima, aquela que ela já tinha tirado os livros. Ficamos quietos por alguns minutos, olhava-a pelo canto do olho, ela parecia pensativa. Então, do nada, começou a cantar baixinho. “My Immortal”. A voz dela era bonitinha, mas quase não dava para ouvir direito. Eu queria conversar, só não sabia sobre o que. De repente, ela estremeceu, colocou a mão sobre o nariz e espirrou, fez isso duas vezes, parecia um filhote de cachorro espirrando.
– Saúde, sabidinha. – disse.
– Obrigada, cabeça de alga. – ela deu um sorrisinho.
– Ãh… eu ouvi a sua conversa com o Leo na aula de história. – disse e ela me olhou com um misto de pena e surpresa nos olhos – Só ia dizer que não tem problema, mas falem sobre as pessoas quando não estiverem na mesma sala de aula que ela, ou no mesmo lugar que esteja um pouco silencioso.
– Me desculpe, Percy. Eu não queria me intrometer na sua vida, o Leo começou a falar, e eu sou curiosa e…
– Eu já disse que está tudo bem. – a interrompi – Só estou dando uma dica. Ficou tão envergonhada e com remorso que até me chamou pelo meu nome.
– Minha mãe também se foi. – ela suspirou, depois de uns segundos em silêncio – Mas foi diferente da sua.
Olhei-a esperando que ela continuasse.
– Como assim, diferente?
– Minha mãe… ela… deixou a mim e a meu pai. Um dia eu acordei… meu pai tava chorando… e ele me contou que ela se foi. Ela tinha deixado duas cartas, uma para mim e uma para meu pai… Ela só quis ir embora… era muita responsabilidade para ela e ela não queria mais. Ela disse na carta do meu pai que mandaria os papeis para o divorcio. E na minha, ela me contou onde estava morando e poderia visitá-la se quisesse… acho que nunca vou querer. Ela pensa que eu vou querer vê-la depois de ela ter deixado meu pai sozinho para cuidar de mim e ter dito que não queria ter responsabilidades. Eu nunca vou perdoar ela. – ela contava enquanto arrumava os livros, podia ver em seus olhinhos cinza as lágrimas começarem a se formar. Apesar de não gostar de mim, ela tinha que tirar isso do peito e falar sobre o assunto, acho que não tinha mais ninguém para fazer isso além de mim.
Terminei de passar o pano laranja na minha prateleira e comecei a passá-lo nos livros, colocando-os depois. Percebi que, sutilmente, ela limpou uma lágrima do canto do olho.
– Minha mãe morreu atropelada. – comecei – Era de noite e ela estava voltando de outro plantão. Ela era enfermeira e, como meu pai não ajudava, ficava até tarde da noite trabalhando, para cortar os gastos e cuidar bem do meu irmão e de mim não tínhamos carro, ela ia andando de casa até o trabalho. Naquele dia… ela estava voltando para casa, acho que eram três e meia da manhã, não tinha quase ninguém na rua. Foi quando um motorista bêbado passou por cima dela, se ele tivesse prestado socorro, ela teria sobrevivido, mas ela só foi encontrada quase duas horas depois por um senhor que tinha uma padaria na rua. – Annabeth permanecia em silêncio me ouvindo, nunca tinha falado sobre aquilo com ninguém, nem com Leo, nem com Thalia e a próxima parte, achei que nunca ninguém me ouviria contando, mas eu tinha que falar para alguém e Annabeth parecia esse alguém – Ela me ligou assim que foi atropelada… ela não pediu ajuda, não disse o que havia acontecido… ela só disse: “Eu te amo, filho. Amo você e seu irmão, nunca se esqueça disso”. E como estava tarde, eu nem respondi ela direito, eu estava com sono, disse: “Tá, mãe.”. Me arrependi tanto por não ter dito que a amava também. – suspirei – Sinto falta dela.
Eu nunca tinha sido tão emocional na minha vida, até confessei que sentia falta da minha mãe. Annabeth empurrou meu ombro para que eu ficasse de frente para ela e assim me abraçou. Não disse nada, só me abraçou. Respirei fundo.
– Você cheira a bolo de chocolate. Bolo de chocolate azul. – disse.
Ela riu e se afastou, colocando o cabelo loiro encaracolado atrás da orelha, envergonhada.
– Você sabe até o cheiro da cor do bolo? – perguntou ela.
– Não, é que eu vi sua calcinha, é azul. – disse.
Ela deu um tapa no meu ombro enquanto eu ria. E para piorar minha perturbação mental, ela verificou a cor da calcinha e abaixou um pouco a calça jeans para mostrar a calcinha para mim. Era lilás com um laçinho roxo no cantinho. Eu quase tive um infarto.
– Da próxima vez usa uma azul. É a minha cor favorita. É uma ordem. – disse tentando parecer intimidador.
Ela me mostrou o dedo do meio e esfregou na minha cara.
– É melhor continuarmos a arrumar aqui. – disse ela um pouco ranziza, que pegou um livro na mão e depois colocou atrás dos seus pés – É sobre arquitetura. – explicou-se quando fiquei observando-a.
– Você gosta de arquitetura?
– É da sua conta?
Que isso?! Porque essa patada? Há um minuto atrás ela tava me abraçando e agora tava sendo rude comigo. Talvez eu não devesse ter feito a brincadeira com a calcinha e ter contado o porquê eu disse que o bolo de chocolate era azul e ela teria me abraçado de novo.
– Nossa, como ela é grossa. – disse fingindo indignação.
– Grosso é você.
– Grosso e comprido, isso quando está dormindo. Quando acorda a coisa é foda. Literalmente.
Ela revirou os olhos.
– Eu te odeio. – disse ela.
– Eu também te odeio. – retruquei.
– Entra na fila, cabeça de alga.
Notas finais
Para quem gosta de deathfic, comecei uma, só não tem romance, sinto muito: http://fanfiction.com.br/historia/385144/Long_Live_The_Queen
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