Pânico na saga
3 Cap 2
Notas iniciais
Chovia intensamente, na varanda, sentada em uma cadeira de balanço branca, Stefane sentia o vapor quente que a xícara de chocolate exalava. Observava Sthélio e Marcelo tentando desatolar a picape, com suas botas e calças sujas de lama, armavam estratégias de retirar o veículo dali.
–Com esse tempo, isto aqui vai acabar virando uma areia movediça.
–OQUE?!!- Gritou Sthélio.
–EU DISSE, QUE ISTO AQUI, VAI CABAR, VIRANDO AREIA MOVEDIÇA- Marcelo tentava ser mais alto que o barulho da chuva.
Após 3 horas de trabalho, resolveram descansar no seleiro, um amplo local típico, com feno e muitas ferramentas de trabalho, Marcelo pendurou o chapéu de Calboy, puxou uma pequena caixa de isopor térmica, retirou uma cerveja e sentou em cima da pilha de sacos de ração para peixes.
–Eu costumava retirar vacas atoladas com bem mais facilidade- Disse Sthélio dando um gole em uma cerveja e se aconchegando em cima da pilha de feno.
–O tempo não é nosso aliado amigo, lembra de quando trabalhávamos juntos? Carregávamos corpos e mais corpos nos ombros sem nem mesmo dar um suspiro de cansaço- Sthélio sorriu, analisou sua cerveja, como se até ela lhe trouxesse boas recordações.
–Era um trabalho difícil.
–Nas escuras-Houve uma pausa, até a pergunta de Marcelo- Você sente falta? De viver daquilo?- Sthélio pareceu analisar 1000 respostas para serem dadas naquele momento. Suspirou, e respondeu.
–Eu acho que melhor não tocarmos neste assunto, alguém pode nos ouvir- O silêncio indicou consentimento.
**
Stef caminhava com Lourie pela casa procurando por Jessica, andavam pelo corredor principal de cima, todos os quartos estavam fechados, consequentemente todos estavam dormindo, chegaram ao quarto 20, Stef deu uma única batida na porta, “Já vou Stef!” gritou Jeh de detro do quarto.
–Como ela sabe que e voê?- Questionou Lourie.
–Nosso código, uma única batida na porta.
–Lourie você veio!- Disse Jessica ao abrir a porta.
–Foi uma luta para convencê-la de vir.
–Vir fazer oque?- Perguntou Celo saindo de seu quarto.
–Noite das mulheres Celo- Stef entrou no quarto empurrando Lourie e fechando a porta rapidamente.
–Hum... Só as garotas? De pijama? Brincando de guerra de travesseiros? Esperem aí, eu sou mulher em tempo integral, me deixem entrar!- Disse batendo na porta.
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Sandra e Pilar saíram da festa do pijama sem ninguém perceber para botar em prática um plano que surgiu no meio da noite: Nadar nuas no lago. Sandra desceu os degraus de madeira correndo, tirou sua roupa e a deixou na praia, Pilar, envergonhada, tirou sua roupa, cobriu os seios e entrou no lago, as duas se mantiveram em uma profundidade onde a água ia até suas cinturas, o corpo branco de Pilar brilhava a luz da lua.
–Ta com medo de que?.
–Não é medo...- Balbuciou Pilar.
–Então oque foi pirralha?
–Olha, eu só não costumo sair tirando a roupa por aí.
–E qual o problema? Deus te deu seios fartos para respirarem o ar da natureza.
–Ham?
–Sinta a natureza- Disse Sandra abrindo os braços e girando, Pilar hesitou, mas então, abriu os braços e jogou a cabeça para trás, tendo seu corpo iluminado pela lua, quando olhou de novo para frente, percebeu que Sandra a encarava.
–Oque foi?- Perguntou envergonhada.
–Você brilha igual ao Edwart, Olha eu vou lá em cima pegar meu celular.
–Não! Não me deixe aqui sozinha nua!
–Calma garota, é rapidinho, se alguém aparecer é só afundar até não conseguirem ver este seu corpo que produz luz própria.
Sandra subiu, com suas roupas cobrindo suas partes intimas, Pilar se abaixou, a água cobriu todo seu corpo até seu pescoço, suas mãos dançando em baixo d’água para trás e para frente, o lago era rodeado por um pântano com arvores grandes e largas, um pequeno nevoeiro pairava sobre a água escura, que não permitia enxergar o fundo, a lua cheia era o único método de iluminação ali, porém logo o silêncio da noite foi cortado por um remexer em um arbustro próximo a margem, Pilar ignorou, continuou a esfregar o pescoço banhando-se. O fato de José ter sumido o dia todo estava lhe preocupando, se perguntava se não devia tentar falar sobre seus sentimentos, Lembrou de uma conversa que teve com Lourie onde ela disse que José era claramente, perdidamente, apaixonado por Pilar, talvez devesse falar que ele não precisa ter ciúme de Pedro. Perdida em seus pensamentos, Pilar sentiu um cala frio no pescoço, uma sensação de estar sendo observada invadiu suas costas, olhou lentamente para o pântano, mas não avistou nada, apenas o ambiente silencioso, calmo e agora também assustador e sombrio, se voltou para seus pensamentos e fechou os olhos, se perdeu em suas questões, logo um barulho de ferro caindo no chão foi escutado atrás dela, vindo da margem do lago, seu sangue gelou, seus olhos se arregalaram, sua respiração tornou-se ofegante, sabia que tinha alguém ali, era possível escutar uma respiração pesada vindo de trás, uma corrente de ar frio passou por sua orelha esquerda, vagarosamente se virou, seu coração pareceu saltar quando se deparou com a figura do ser encapuzado na margem do rio, se levantou cobrindo os seios com seu braço.
–Quem é você?- Ele permaneceu ali parado, segurando sua foice- Celo?- O ser começou a entrar no lago, em sua direção, cada passo para frente seu equivalia a um passo para trás de Pilar- Oque você quer?- Ele levantou a foice acima de sua cabeça e acelerou seus passos, pilar começou a nadar para o fundo do lago e gritar histericamente...
Sandra entrou na casa silenciosamente para que ninguém a visse passeando nua pela casa, atravessou a sala de estar, caminhou até a cozinha, onde havia deixado seu celular, ao entrar se deparou com Edgar sentado na mesa de jantar.
–Hum! Onde é a festinha?- Disse ele enquanto colocava uma batata Rufles na boca.
–Ai meu Deus Ed!- Sandra corou.
–Diz logo.
–Não, não é nada, apenas Pilar e eu que...
–Até a inocente tá no meio?
–Olha não é nada disso que você está pensando!
–Não?
–Não! Estamos apenas tomando banho juntas...
–Então é exatamente oque estou pensando.
–Leso!- Antes que Sandra prosseguisse a tentar se explicar, ouviu-se os gritos de Pilar, os dois se assustaram, Sandra se virou para porta preparada para correr.
–Calma aí garota, primeiro cobre esta sua perseguida!
Por um minuto a garota havia esquecido, colocou o short e a blusa vermelha, então se pôs a correr desesperada, todos da casa desciam as escadas correndo tentando entender o motivo dos gritos, Sandra desceu os degraus eu levam ao algo em passos apressados juntamente com Celo, Sthelio e Lourie, na metade do caminho os gritos se cessaram, o coração de Sandra sufocou-se contra o peito, chegou as margens do lago procurando pelo corpo branco de Pilar, “por favor pirralha, brilha de novo e fala que você está bem sua mistura de Sininho com Edwart” suplicou em seu pensamento, com os olhos bem abertos e a respiração pesada procurou por vestígios da menina, um silêncio tomou conta do local, apenas o barulho do vento balançando as folhas das árvores, nas escadas, todos estavam de pé estupefatos, alguns cobriam a boca com a mão, outros não entendiam oque está acontecendo, Sandra olhou tudo mais uma vez, o pântano, a luz da lua que cintilava no lago escuro, a calma sem nenhum sinal de vida, então é isso, Pilar sumiu.
**
A gota de água que caiu em sua testa lhe acordou, tateou o local onde estava deitada com as mãos. Não era chão bruto, muito menos terra, a única certeza que tinha era que estava sedada, pequenas coisas úmidas molhavam as palmas de suas mãos... Folhas, muitas folhas, estava deitada em cima de centena delas. Sua cabeça latejava, após alguns minutos abriu os olhos, arvores desfocada entravam em seu campo de visão. E finalmente quando tudo ficou nítido, Gabriela teve a certeza que estava jogada no chão de uma floresta. Suas cochas ardiam, mas a dor no pescoço a impedia de levantar a cabeça para verificar o que provocava a sensação, sentiu algo quente escorrendo na parte inferior da cocha e soube então que havia cortes em suas pernas, o ouvido esquerdo não escutava nada além de um fino ruído, Sua cabeça bagunçada não ajudava em muita coisa, tinha de se concentrar bastante para saber se estava movendo o braço direito ou o esquerdo. Como foi parar ali? Ou melhor, que lugar era esse?
Uma gota de sangue escorreu do nariz de José e pingou sobre o piso de madeira, piscou os olhos algumas vezes até acordar, uma escura sala focou em sua visão. Bernardo estava a sua frente jogado ao chão, marcas rochas e ferimentos abertos se espalhavam em sua face, não estava desacordado, porém parecia tão fraco que não podia levantar. Sua boca mexeu algumas vezes, mas nenhum som foi escutado, José demorou alguns minutos para perceber que estava amarrado em uma cadeira.
A sala fedia a madeira mofada, era extremamente escura tendo clareada apenas onde os dois estavam, o piso parecia velho e empoeirado, buracos dividiam espaços com teias de aranha emboladas, era quente e abafada. Josephi tinha de respirar fundo para sentir o ar em seus pulmões, no chão, Bernardo pingava de tanto suor, uma vez ou outra se contorcia de dor.
Passos ocos surgiram no local, alguém havia entrado na sala e permanecia no canto escuro, um borrão foi a única coisa vista aos olhos de José. Uma assombrosa voz destorcida emitida pela pessoa escondida tomou conta do local.
–Olá Josephi — José tentava morder a mordaça que lhe impedia de falar — Não precisa responder, vai atrapalhar minha explicação — O misterioso respirou fundo antes de prosseguir e falar com sua voz distorcida como se tivesse sugado gás hélio — Deixe-me apresentar, prazer, sou “Morte”, e vim buscar vocês dois, vim executar o “recolhimento”. Neste jogo apenas alguns sairão vivos, mas de certeza, desejo 19 mortos — As palavras frias voavam pela sala e batiam no garoto preso a cadeira, a cada palavra uma pontada de medo e choro atacava seus olhos — Porém, vocês são especiais. Minha segunda e terceira vitima, darei a vocês o poder de escolha, para continuar vivo, basta dizer “eu quero ficar vivo”- Houve uma longa pausa até que os meninos entendessem a mensagem passada ali. José gritou com sua voz abafada pela mordaça “eu quero ficar vivo”, minutos depois Bernardo cuspiu suas palavras junto com sangue no chão, “eu quero ficar vivo”; Após um minuto de entender, Morte retornou a jogar sua voz na sala — Certo! Suas vidas estão guardadas, em seus lugares levarei Pilar e Elizandra — O choque atingiu Josephi, Bernardo se debateu no chão, se virou para a direção de onde vinha a voz e gritou inúmeras vezes a palavra NÃO. — Decidam-se! — Gritou Morte, José chorava de forma que suas lágrimas borravam sua visão, Bernardo se forçou a colocando-se sentado apoiado em suas mãos, caiu 2 vezes antes de conseguir, respirando pesadamente começou a falar.
–Me mate — disse pausadamente — Não me importo se perder minha vida, se continuar vivo e ela morrer, vai dar na mesma pra mim, será a mesma coisa que perder minha vida, me mate! — Concluiu seu apelo com inúmeras pausas, após o silêncio, olhando para a sombra, José percebeu que a coisa lhe fitava, esperando alguma palavra, ele chorou, respirou fundo, e acenou com a cabeça, ao entender, também apelou por sua morte no lugar de Pilar. O desespero tomou conta de sua mente ao pensar que acabou, que sua morte havia chegado, entender que amanhã não faria mais nada, que iria para o céu ou para o inferno, ou na pior das hipóteses apenas deixaria de existir. Olhava fixamente Bernardo sentado, lutando para se manter naquela posição. Tudo foi repentino, como um vulto, uma figura encapuzada, com sua face composta por uma máscara, saltou da sombra e esfaqueou Bernardo na barriga, o garoto caiu para trás, olhou José com olhar de apelo.
Morte agarrou seus cabelos e puxou, debruçando-o para trás como um arco, lentamente passou sua faca em sua boca, formando um profundo corte em forma de sorriso nos cantos de sua boca, a dor era evidente pelos gritos atormentados do garoto. José chorava intensamente enquanto assistia a cena. Ao terminar dos cortes, cravou sua faca de 30 centímetros em seu crânio, e Josephi olhava nos olhos de Bernardo quando viu sua vida ir embora, sua cabeça despencou sobre o chão em um barulho oco. Morte retirou sua faca da cabeça do corpo, a limpou em sua jaqueta, e se dirigiu em direção a José lentamente, a cada passo firme o coração de Josephi acelerava mais, o desespero era tão grande que não conseguia pensar em nada. Firmemente o misterioso assassino segurou seus cabelos e contorceu sua cabeça, não adiantava gritar, chorar muito menos se debater, a agonizante dor de saber que sua morte havia chegado era inevitável, sentiu a dor da ponta da faca perfurando seu pescoço, e quando a ardente dor de sua pele rasgando, quando seu corpo se molhou de seu sangue, ele já não chorava mais, e sim sentia sua visão escurecendo. A faca deslizou por todo seu pescoço, José e Bernardo estavam mortos.
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